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Agricultura Sintrópica

Agricultura Sintrópica

Agricultura Sintrópica

A Agricultura Sintrópica é o termo designado a um sistema de cultivo agroflorestal (SAF) baseado no conceito de sintropia - principio contrário ao de entropia - caracterizado pela organização, integração, equilíbrio e preservação de energia no ambiente.

Agricultura Sintrópica tem como características principais a não intervenção, o uso de adubos orgânicos só é permitido caso o solo escolhido para o cultivo seja pobre e precise de nutrientes e microrganismos para melhorar sua qualidade antes dos primeiros cultivos.

Esta vertente agrícola busca inspiração na dinâmica natural dos ecossistemas virgens – que não sofreram interferência humana – para um manejo sustentável e foi idealizada e difundida por Ernst Götsch, agricultor e pesquisador suíço, nascido em Raperwilsen, em 1948. Enquanto trabalhava com pesquisa em melhoramento genético na instituição Zurique-Reckenholz, Ernst começou a se questionar se não era mais sensato melhorar as condições de vida das plantas, ao invés de alterá-las geneticamente de modo que estas sobrevivam à escassez de nutrientes e boas condições climáticas aos quais são submetidas nas monoculturas. Assim começou a redirecionar o seu trabalho para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável. Chegou ao Brasil em 1982 e em 1984 adquiriu a então Fazenda “Fugidos da Terra Seca”, localizada em Piraí do Norte/BA, hoje conhecida como Fazenda Olhos D’água, devido à quantidade de nascentes que foram recuperadas graças ao trabalho sintrópico desenvolvido.

Neste modelo de SAF, as plantas são cultivadas em consórcio e dispostas em linhas paralelas, intercalando sempre espécies de portes e características diferentes, visando o aproveitamento máximo do terreno, e levando em consideração a manutenção e reintrodução das espécies nativas. O ciclo temporal dos consórcios provou-se também fator fundamental para o bom funcionamento deste SAF, assim como a compreensão do mecanismo de sucessão ecológica em uma floresta não manipulada. 

O manejo consiste em acelerar o processo de sucessão natural, e para tal usam-se principalmente duas técnicas: a capina seletiva, removendo plantas pioneiras nativas (gramíneas, herbáceas e trepadeiras) quando maduras, e a poda de árvores e arbustos, distribuindo em seguida sobre o solo como mulch, proporcionando maior disponibilidade de nutrientes ao solo. As partes removidas das plantas que não são comercializáveis, retornam ao solo com o intuito de adubá-lo e funcionam como uma injeção de NPK natural. Faz-se, portanto, imprescindível o conhecimento e uso adequado dos instrumentos de poda para um bom desenvolvimento da vegetação.

Agricultura Sintrópica

O uso de controladores químicos como inseticidas e herbicidas não é praticado, assim como o uso contínuo de fertilizantes químicos ou mesmo orgânicos que não sejam originários da própria área cultivada. Os insetos e organismos vivos que povoam as áreas sintrópicas não são vistos como inimigos do plantio, mas como sinalizadores de deficiências no sistema, e ajudam o produtor a compreender as necessidades ou falhas daquele cultivo. 

Este método permite a recuperação de pastos abandonados, cujos solos sofreram degradação, em um curto período, transformando os mesmos em sistemas altamente produtivos. Em uma cultura tradicional, ou monocultura, à medida que o ciclo de plantação e colheita acontece, o solo vai se degradando e perdendo seus nutrientes. Já no modelo sintrópico acontece o contrário, à medida que os ciclos de plantio ocorrem, há um enriquecimento do solo, devido à disponibilidade de matéria orgânica remanescente das colheitas.

Todos estes processos tendem a gerar modificações positivas no ecossistema, como o aumento da biodiversidade, melhoria da estrutura edáfica, maior retenção de nutrientes no solo, modificações no microclima, como o aumento da umidade relativa, e o favorecimento do ciclo da água.

Agricultura Sintrópica

O modelo também se mostrou economicamente viável. A produção demanda um baixo investimento, já que exige um mínimo de irrigação e não utiliza produtos químicos na sua manutenção. O consórcio de diversos tipos de espécies, entre frutíferas e hortaliças, com diversos tempos de colheita diferentes, beneficia o agricultor que permanece retirando uma fonte de renda da terra constantemente. Além do fato de que, os produtos oriundos são orgânicos, o que valoriza seus preços no mercado.

A agricultura sintrópica, em seu método, pode ser realizada em qualquer terreno e suas plantas apresentam poucas pragas ou doenças. O equilíbrio da natureza faz com que o solo esteja sempre bem nutrido e garante a qualidade do produto final. Além disso, a agricultura sintrópica mantém as estruturas da mata, permitindo o convívio da fauna e da flora sem que seja necessário desmatamento ou expulsão de espécies nativas.

Sistemas Agroecológicos de Plantio

Sistemas Agroecológicos de Plantio

Sistemas agroflorestaisSistemas Agroflorestais

A principal estratégia utilizada para a conservação da biodiversidade é a criação de Unidades de Conservação da Natureza (RylANDS; BRANDoN, 2005). Entretanto,  mesmo as áreas protegidas sofrem ações antrópicas negativas, como a caça e o fogo gerado pelas queimadas em áreas agrícolas vizinhas (G R I ff I T H ,  2000;  M E DE I R o S ; fIEDlER, 2004). Além disso, geralmente, o conjunto de Unidades de Conservação de uma região não abrange todas as fitofisionomias existentes (CAMpoS;  CoSTA  fIlHo, 2005). Assim, novas estratégias devem ser utilizadas para cobrir essa lacuna. Como, na realidade atual, as áreas com florestas estão inseridas em uma matriz de pastagens e áreas agrícolas (zAU, 1998), diversos autores sugerem que os agricultores devam ser incluídos nos planos de conservação da biodiversidade, principalmente através do estímulo à adoção de meios produtivos diversificados e práticas conservacionistas (HUANG et al., 2002; QUEIRoz  et al., 2006). Embora a agricultura seja a principal atividade causadora de impactos, em grande extensão, ela tem importância vital para a maioria dos países em desenvolvimento, onde 60% da população economicamente ativa e 50% da economia rural estão envolvidas com essa prática (wooD; lINNE, 2005). Práticas agrícolas que incorporem alta diversidade de espécies, densidade e altura (criando vários estratos), podem conter níveis de diversidade similarmente próximos aos das florestas nativas, além de facilitar a dispersão entre fragmentos, manter a dinâmica de metapopulações e a sobrevivência de espécies em longo prazo (p H I lpoT T;  ARMBRECH T, 2006) por outro lado, as paisagens dominadas por pastagens subutilizadas e com tendência de degradação, além de serem um problema para a conservação da diversidade biológica, também  indic am  que os pecuar istas e agricultores devem estar em situação precária. Esses ambientes degradados são propensos, por exemplo, à erosão, perda de fertilidade e, consequentemente, de produtividade, o que contribui  sinergicamente para a geração de problemas sociais. por outro lado, agroecossistemas diversificados, como os sistemas agroflorestais (SAfs), são apontados como meios produtivos mais sustentáveis, propensos a manter a produtividade por um longo período (CASTRo et al., 2009). 

Também são capazes de cumprir funções ambientais, como aumentar a infiltração da água no solo, diminuir a erosão e colaborar com a conser vaç ão da  biodiversidade (HUANG et al., 2002; CAMpANHA et al., 2007). Segundo MacDicken e vergara (1990), sistemas agroflorestais podem incluir a combinação de atividades agrícolas, florestais e pecuárias, com objetivo principal de reduzir riscos. Ainda segundo esses autores, tais sistemas são mais estáveis e sustentáveis quando comparados com monoculturas. os principais problemas enfrentados pelos pequenos produtores agrícolas são a erosão e a perda da fertilidade natural do solo, além disso, o cultivo de somente uma espécie se traduz em consideráveis riscos econômicos. por  outro  lado, SAfs são economic amente  viáveis, aumentam  a renda dos produtores, representam uma alternativa para a diversificação da produção e contribuem para a recuperação ambiental (GAMA, 2003). Assim, estimular pequenos fazendeiros a adotarem sistemas agroflorestais pode ser uma boa estratégia para conciliar produção com  a  conser vaç ão  da  biodiversidade  (H UA N G  et  al., 2002). para  Gr iffith (2000), sistemas agroflorestais podem ser não só o habitat definitivo, como também um importante refúgio para a fauna silvestre após queimadas, principalmente tendo em vista que as Unidades de Conservação, que são consideradas importantes refúgios para a biodiversidade, também sofrem com a ação do fogo. Em grande parte do Brasil, é comum o descumprimento do Código florestal (lei N° 4.771, de 15 de setembro de 1965) no que tange à manutenção das áreas de Reserva legal  (Rl)  e das Áreas de preser vação permanente  (App),  que possuem elevada importância para a proteção da biota. os SAfs poderiam  ajudar na recuperação das Apps,  Rls e corredores florestais, pois proporcionam efeitos positivos ao crescimento das árvores e reduzem os custos de implantação (AMADoR; vIANA, 1998, SIlvA, 2002; RoDRIGUES et al., 2008).

Espiral de ervas
Espiral de ervasEspiral de ervas é um método de cultivo que otimiza o aproveitamento de água, luz e espaço pelos vegetais, reduzindo desperdícios e perda de energia e matéria orgânica produzida pelo sistema.

Para a montagem utilizam-se pedras, madeira ou qualquer outro material disponível, de modo a formar uma figura de espiral crescente, estando o ponto mais alto da espiral no centro da mesma. Toda a estrutura é preenchida com terra, e em seguida são plantadas mudas de ervas aromáticas, medicinais ou ornamentais dependendo da utilização da espiral.

A estrutura em espiral permite que a água que caia no topo da espiral escorra por toda ela, carregando nutrientes para a parte mais baixa da mesma, evitando desperdício e perda d’água. Na parte superior da espiral são colocadas espécies de plantas que necessitam de maior luminosidade e menos nutrientes, à medida que a espiral desce são plantadas espécies que necessitam de maior quantidade de sombra e nutrientes para crescer, estando na parte mais baixa da espiral, espécies de plantas que necessitam de bastante umidade.

O formato em espiral otimiza o espaço utilizado, permitindo plantar uma grande variedade de plantas em um espaço pequeno, além disso, cria um sistema sustentável de cultivo, onde a sombra e os nutrientes necessários são fornecidos pelos próprios elementos constituintes do sistema. À medida que ocorre a evolução da espiral, pode-se observar a interação entre as espécies de plantas utilizadas e destas com os animais que constroem ninhos, alimentam-se e vivem na espiral.

Espiral de ervas
Espiral de ervas feita no campus na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) logo após o momento da construção e 3 meses depois, respectivamente.

Vasos e canteiros
Em locais onde não existe área com chão de terra para fazer a horta, pode-se utilizar pequenos vasos para o cultivo. Estes vasos podem ser de plástico, argila ou podem ser feitos a partir do reaproveitamento de recipientes como garrafas PET, latas de tinta, latões de óleo ou mel, tonéis, etc. Desta forma pode-se abordar a questão do reaproveitamento de materiais em paralelo à atividade da horta. Neste caso, é importante lavar bem o recipiente, a fim da não deixar restos de produtos químicos que podem ser prejudiciais para o desenvolvimento das plantas. Os recipientes devem conter furos na sua parte inferior e deve-se colocar pedra brita a areia, respectivamente, para fazer a drenagem do recipiente.

Horta Mandala
As hortas mandalas são sistemas alternativos de agricultura orgânica, de formato circular, para subsistência de famílias, principalmente, em regiões com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O formato circular proporciona maior aproveitamento da área cultivada, facilitando a irrigação, o manejo e o acesso, além disto, este formato é mais resistente em relação aos impactos dos ventos e luminosidade excessiva, proporcionando maior proteção às plantas da camada mais interna da horta mandala.

Conhecida também como unidade familiar de produção agrícola sustentável (UFPAS), a horta mandala pode possuir um tanque, com capacidade para até 30 mil litros de água, abastecido por cisterna ou açude. Ao redor do tanque, são cavadas valas para armazenamento de água e matéria orgânica de formato circular e são cultivados alimentos básicos como feijão, arroz, mandioca, batata, hortaliças e frutas.

Horta mandalaHorta mandala

Sistemas Agroflorestais
“Os Sistemas Agroflorestais (SAF’s) são formas de uso e manejo dos recursos naturais nas quais espécies lenhosas (árvores, arbustos, palmeiras) são utilizadas em associação deliberada com cultivos agrícolas ou animais no mesmo terreno, de maneira simultânea ou em sequência temporal” (CATIE e OTS- Organizacíon de Estudios Tropicales, 1986 apud in Peneireiro et. al. 2003). “Os SAF’s se definem como uma série de sistemas e tecnologia de uso da terra onde se combinam árvores com cultivos agrícolas e/ou pastos em função do tempo e espaço para incrementar e otimizar a produção de forma sustentada” (Fassbender, 1987 apud in Peneireiro et. al. 2003).

O consorcio de espécies nativas espécies e alimentícias possibilita uma maior sustentabilidade do sistema, de maneira que as espécies nativas fornecem sombra e matéria orgânica necessários ao desenvolvimento das espécies alimentícias, além disto, algumas espécies nativas de leguminosas atuam como adubadeiras por fixarem nitrogênio ao solo. Cria-se um sistema integrado que necessita de pouca manutenção e gastos para a produção, além de fazer com que as espécies alimentícias não sofram tanto com o ataque de pragas e herbívoros, por estarem consorciadas com espécies nativas.

O sistema agroflorestal possui a floresta como referência para sua elaboração e manejo, sendo assim, deve ser sempre dinâmico, tal qual uma floresta.

Desta forma, a entrada e saída de espécies no tempo é uma característica fundamental para a viabilidade econômica do sistema assim como para a manutenção do seu equilíbrio ecológico.

O manejo realizado num Sistema Agroflorestal pode ser descrito como sendo basicamente a capina seletiva, a poda e a introdução de novas plantas.

Há algumas plantas que se dão bem com outras (são as plantas companheiras) e aquelas que não se dão bem. Isso deve ser considerado no consórcio.

As espécies de serviço são aquelas introduzidas ou que surgem espontaneamente no sistema de produção, que diretamente não apresentam retorno econômico, mas que cumprem papel importante de ajudar no desenvolvimento das outras espécies de interesse econômico direto.
Esses benefícios são:

-Fornecer sombra à muda.
-Fornecer um microclima (luminosidade, temperatura, umidade e ventilação) mais favorável a muitos componentes do SAF.
-Proteger o solo dos raios solares diretos.
-Proteger o solo do impacto das gotas da chuva.
-Reter barrancos.
-Controlar o mato.
-Manter ou melhorar a fertilidade do solo.
-Descompactar o solo.
-Dinamizar a vida do solo (com oferta de matéria orgânica).Dentre os benefícios gerados por sistemas agroflorestais, destacam-se a preservação da biodiversidade e do equilíbrio ecológico, a geração de produtos diferenciados em períodos distintos ao longo do ano, a manutenção da fertilidade do solo, a maior variabilidade genética e a produção de alimentos orgânicos, dentre outros.

Sistema agroflorestal de mandioca e babaçu.
Sistema agroflorestal de mandioca e babaçu.

Geralmente os SAF’s:
-Apresentam maior diversidade
-Estão próximos aos centros consumidores
-São elaborados pelos próprios agricultores ou modificados conforme suas vontades e necessidades

São características de um SAF:
-Plantio adensado de sementes;
-Utilização de espécies pertencentes a diferentes estágios sucessionais e ocupando todos os estratos;
-Plantio de todas as espécies ao mesmo tempo;
-Escolha de espécies adaptadas às condições locais;
-Manejo do sistema através da capina seletiva e poda para dinamizá-lo.
-Raízes de arquitetura diferenciada otimizando a ocupação do perfil do solo.
-Produção de matéria orgânica da árvore de serviço manejada pela poda.
-A relação entre matéria orgânica e fertilidade do solo, como dinamizadora da vida do solo.
-Enriquecimento do sistema, tanto com incremento de matéria orgânica, como com aumento de biodiversidade, que por conseqüência proporciona o equilíbrio;
-Plantas companheiras, que se ajudam mutuamente, uma criando a outra;
-Plantas que sombreiam outras.
Um sistema agroflorestal é composto por diferentes estratos, portanto deve-se utilizar espécies que componham cada um destes estratos.


Características de uma monocultura e uma agrofloresta.
Monocultura
Agrofloresta
Utiliza agrotóxicos e pesticidas
Não faz uso de agrotóxicos e pesticidas
Maior taxa de herbivoria
Menor taxa de herbivoria
Suscetível ao ataque de pragas e fungos
Menos suscetível ao ataque de pragas e fungos
Menor variabilidade genética
Maior variabilidade genética
A longo prazo degrada e contamina o solo
A longo prazo mantém o solo fértil
A longo prazo causa extinção de espécies
A longo prazo aumenta a diversidade de espécies
Realiza-se apenas uma colheita (em geral anual)
Pode-se obter benefícios a longo prazo, além da colheita anual


Estratos de um sistema agroflorestal:
Arbóreo (árvores e palmeiras)- Ex: Mangueira, jacarandá, graviola, limão, massaranduba, nicuri, piaçava, etc.

Arbustivo (arbustos) - Ex: Andú, café, aipim, milho, cambuí, etc.
Herbáceo (hortaliças, trepadeiras e rasteiras)- Ex: batata, abóbora, cebolinha, alho, maracujá, chuchu, feijão, etc.

Nossas intervenções na agrofloresta devem ser sempre no sentido de enriquecer o ambiente, aumentando a quantidade e qualidade de vida no lugar, como acontece na floresta.

Uma Agrofloresta madura produz bem, ao mesmo tempo em que conserva a biodiversidade local (plantas e animais), o solo e a água.

Para planejarmos um sistema agroflorestal devemos prever os arranjos entre as espécies no espaço e no tempo. A escolha do consórcio adequado, numa densidade adequada é imprescindível, assim como a previsão das intervenções de manejo, como poda, por exemplo. A implantação deve ser a partir dos conceitos de sucessão ecológica. Deve-se realizar a escolha das espécies de acordo com as exigências delas em luz e nutrientes, considerando retorno econômico a curto, médio e longo prazo. Além disto, requerem-se informações referentes às espécies utilizadas, como:

-Altura (estratificação).
-Diâmetro de copa.
-Época de produção (para que haja produção escalonada no tempo).
-Ambiente preferencial.
-Uso potencial de cada espécie.
Portanto, em um sistema agroflorestal encontramos:-Plantas que visam a produção para uso da família e comercialização.
-Plantas que atraem insetos polinizadores e/ou servem para criação de abelhas.
-Plantas para para alimentação de animais.
-Barreiras vivas contra fogo.
-Cerca viva.
Vejamos agora como ocorre o processo de sucessão agroflorestal:

1) Inicialmente, espécies pioneiras (hortaliças e espécies arbóreas pioneiras-feijão, milho, aipim, cana, embaúba, mamona, abóbora, dentre outras) colonizam o ambiente, por necessitarem de grande luminosidade e tolerarem poucos nutrientes no solo. Como são espécies de ciclo de vida curto, ao morrerem deve-se depositar sua biomassa sobre o solo, aumentando a fertilidade do mesmo, pelo acúmulo de matéria orgânica. Além disto, tais espécies proporcionam a sombra necessária para o estabelecimento de grupos mais tardios.

2) Após o estabelecimento das espécies pioneiras, as espécies secundárias (frutíferas em geral e algumas nativas - jacarandá, café, graviola, mangaba) podem colonizar a área, tendo em vista que toleram sombra e necessitam de luminosidade em pelo menos alguma etapa de seu ciclo vital. Tais espécies necessitam de mais nutrientes no solo, que serão proporcionados pelo acúmulo de biomassa das espécies pioneiras.

3) Com o estabelecimento das espécies secundárias, ocorre uma condição de maior sombreamento e aumento da fertilidade do solo, pelo grande aporte de matéria orgânica. Tais condições proporcionam a germinação, o desenvolvimento e estabelecimento de espécies tardias (árvores de grande porte como algumas frutíferas e madeiras de lei – mogno, jequitibá, cedro, cupuaçu, palmito) que necessitam de áreas bastante sombreadas e solo fértil para o seu estabelecimento.

4) Com o estabelecimento de espécies tardias e dos grupos anteriores, forma-se o dossel (através das copas das árvores), que cria uma condição de sombra permanente, diminuindo a luminosidade incidente sobre o solo da floresta. Pode-se realizar a formação de clareiras, a partir da poda; ou abrir novas áreas através da capina, para realizar o plantio de espécies pioneiras novamente. Desta forma, as clareiras atuam na manutenção da diversidade de um sistema agroflorestal.

Cada grupo de espécies de cada etapa da sucessão agroflorestal, prepara e cria condições para o estabelecimento de grupos mais tardios.

Como aproveitar a sucessão ecológica em sistemas agroflorestais?

-A partir da sucessão ecológica as condições ambientais (solo, luminosidade, temperatura, etc) permitem o cultivo de espécies que não poderiam ser cultivadas antes.

-Um sistema com alta diversidade e equilibrado possui maior proutividade e capacidade de se regenerar.
-As diferentes etapas da sucessão ecológica permitem o cultivo de diferentes grupos de espécies em momentos distintos.

-Se a produção respeitar as etapas da sucessão ecológica, as atividades de plantio passam a ser regenerativas, ao invés de destrutivas. O reflorestamento com técnicas agroflorestais pode promover a preservação de hábitats e espécies e assegurar o compromisso das comunidades com o reflorestamento. Encorajando a exploração limitada de produtos naturais como lenha, madeira, frutos e forragem vindos das zonas de benefício múltiplo ou zonas-tampão, que consistem de áreas agroflorestais estrategicamente localizadas podem ajudar a reduzir os efeitos de borda, bem como a dependência de recursos florestais, visto que as florestas primárias estariam rodeadas por sistemas florestados em vez de pastagens ou áreas cultivadas. As comunidades serão capazes de viver no entorno de fragmentos florestais sem impactar na biodiversidade local. Desta forma, os trampolins ecológicos aumentam a conectividade entre fragmentos florestais e podem contribuir para o fluxo gênico de muitas espécies através da dispersão de plantas e animais, comprovando que os corredores enriquecem a matriz local, aumentando a biodiversidade local e facilitam o movimento de organismos entre fragmentos florestais.

Apesar dos modelos apresentados, deve-se experimentar diferentes técnicas, principalmente modelos que sejam adequados à realidade local. Os modelos apresentados devem servir apenas como uma base teórica para fundamentar as etapas do planejamento agroecológico. A partir da observação e criatividade aliadas à experimentação poderemos elaborar novos modelos agroecológicos de plantio.
O uso de formatos circulares para as hortas facilita o manejo e é mais estável com relação a impactos como vento e luminosidade excessiva. As plantas da camada interna da horta ficam mais protegidas e cria-se um micro-clima diferenciado com maior sombreamento e umidade.

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Agricultura Urbana


Agricultura Urbana

Agricultura Urbana

A agricultura urbana é uma tendência e surgiu nas ultimas décadas nas cidades de porte médio e pequenas da Europa e consiste em produzir alimentos nos espaços de cidades ou metrópole, cultivando, produzindo, criando, processando e distribuindo uma diversidade de produtos alimentares e não alimentares, utilizando os recursos humanos e materiais, produtos e serviços encontrados dentro ou em redor da área urbana. Essa modalidade agrícola tornou-se necessário diante do cenário de degradação ambiental nas regiões em torno dos centros urbanos e nas regiões habitadas em si. A partir da segunda metade do século XIX em todo o mundo, principalmente em áreas tão essenciais e necessárias à sobrevivência humana como as florestas, a degradação ambiental agravou-se em grandes proporções, surgindo, a partir daí, a necessidade de preservar áreas essenciais à biodiversidade. Na agricultura urbana é importante considerar modos de uso alternativos da terra, porque os modelos atuais demonstram claramente sua insustentabilidade. Originalmente mais de 83% da área geográfica do Brasil era recoberta por florestas, no entanto, o intenso processo de ocupação a partir do litoral conduzido pela expansão da agricultura do sistema de monocultura.

Do ponto de vista da sustentabilidade, que se refere à habilidade de manter o meio ambiente e a produção em condições de equilíbrio  por um determinado prazo. Hoje em dia, este conceito vem sendo transformado em um princípio, segundo o qual “o uso dos recursos naturais para a satisfação de necessidades presentes não pode comprometer a satisfação das necessidades das gerações futuras”, o que requer a vinculação da sustentabilidade a longo prazo. Assim, esta palavra “sustentabilidade”, ou este conceito, vem sendo largamente utilizado atualmente em diversos meios de comunicação, tem em seu significado um peso muito grande, pois pode envolver diversos ramos da vida, podendo se referir desde a conservação de ecossistemas inteiros, incluindo meios bióticos e abióticos, de modo a mantê-los intocados. O conceito também relaciona-se à sustentabilidade da vida humana no planeta, atentando então para aprimoramento dos processos de obtenção de energia, matérias-primas em geral e principalmente alimentos.

Como Segurança Alimentar entende-se “Garantia do direito de todos ao acesso a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente e de modo permanente, com base em práticas alimentares saudáveis e sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais nem o sistema alimentar futuro, devendo se realizar em bases sustentáveis. Todo o País deve ser soberano para assegurar sua segurança alimentar, respeitando as características culturais de cada povo, manifestadas no ato de se alimentar. É responsabilidade dos Estados Nacionais assegurar este direito e devem fazê-lo em obrigatória articulação com a sociedade civil, cada parte cumprindo suas atribuições específicas”.

Com o desenvolvimento das Ciências Ambientais, os responsáveis por planejamento e desenvolvimento espacial de cidades começaram a enfatizar a importância das relações entre o homem e a natura no ambiente urbano, e consequentemente, a importância dos quintais ou jardins, pois estes estão se tornando cada vez mais raros em metrópoles, apesar de serem, para um número crescente de comerciantes e consumidores, o contato mais imediato e facilitado com algo natural em seu cotidiano.

Hortas Urbanas, da Terra aos Telhados

Uma tendência mundial, as hortas urbanas – em rios, paredes e tetos – estão aproximando as cidades das plantações. 

Vai ser difícil comer em 2050. Seremos 9 bilhões de pessoas lutando por pastos e fazendas que não conseguem alimentar direito nem 7 bilhões, nossa população hoje. A resolução para este problema é simples: aproximar a fonte da comida dos compradores e utilizar novos espaços para plantar. 

Um grupo de agricultores de São Paulo aceitou este desafio. Cláudia Visoni faz parte do time, que está começando a mudar o jeito que os paulistanos lidam com a comida. A iniciativa é nova: começou no meio deste ano, com uma pequena horta no bairro da Vila Madalena. Mas já cresceu para outra plantação, localizada na Avenida Paulista. Para Cláudia, “plantar no espaço urbano significa eliminar a embalagem e o transporte, duas coisas que causam enorme impacto ambiental.” 

As iniciativas, humildes em tamanho, mas carregadas de significado, reproduzem uma tendência mundial, muito bem representada pela cidade de Nova York. A metrópole mais movimentada do mundo chegou ao ponto de ter empresas que investem nas plantações urbanas e orgânicas. A Bright Farms teve a sacada de plantar perto de supermercados, ajudando a diminuir o caminho percorrido pela comida e economizando o dinheiro dos administradores. Outras duas, a Brooklyn Grange e a Gotham Green, vivem de hortas e estufas espalhadas pelo topo dos prédios do Brooklyn. E a coisa está crescendo: a Brooklyn Grange, que possuía 4 km2 de hortas, inaugurou no começo deste ano outro espaço verde, com 6 km2. Enquanto a Bright Farms deve inaugurar a maior horta urbana do mundo no ano que vem, com nada menos que 9 km2 de produção verde. 

Acha impressionante? O mexicano Fernando Ortiz acha que é pouco. “Quando converso com meus amigos que plantam nos tetos de Nova York, sempre provoco: eu tenho quatro vezes mais trabalho do que vocês.” E é verdade: o arquiteto acredita que os tetos não são suficientes e que devemos plantar também nas paredes. É isso que ele faz na Cidade do México. “Nova York consegue solucionar parte do problema, mas, para realmente transformar o cenário, precisamos usar todas as superfícies. E não apenas as exteriores, mas também as paredes de dentro, das salas, dos banheiros.” (Superinteressante, dezembro de 2012.) 

Ônibus com sistema de telhado verde

Primeiro ônibus com sistema de telhado verde circula em Nova York

A natureza não está muito presentes nas grandes cidades. A maioria dos centros urbanos é repleta de concretos, ferro e asfalto. Para dar um toque diferente a essa realidade, o designer Marco Antonio Cosio criou o Bus Roots, que têm um verdadeiro “jardim em seu telhado”.  

Cidades como Nova York, por exemplo, não possuem mais espaço para o crescimento de áreas verdes. O Bus Roots nasceu com o objetivo de ser a solução para esse problema, além de ajudar a diminuir as ilhas de calor, trazer a natureza às cidades e melhorar a qualidade de vida das pessoas. 

O intuito do designer é conseguir plantar, em média, 15 hectares de plantas em 4500 ônibus de Nova York, EUA. A área ocupada pelos jardins seria equivalente a quatro Bryant Parks localizado na mesma cidade.  

A ideia surgiu para uma competição conhecida como DesignWala Grand Idea Competition e conquistou o segundo lugar na premiação. O projeto objetiva conectar novamente as comunidades urbanas à natureza, e melhorar a qualidade do ambiente ao redor. O Bus Roots possui efeito estético, isolação térmica e acústica, absorção de CO2, restauro do habitat, educação pública e recreação, entre outras coisas. A criação é um projeto público e divertido, que levanta questões como: agricultura urbana e nômade, remediação ambiental, novos modelos de vida e educação, padrões de migração e transporte. O primeiro protótipo, testado em Nova York, foi instalado no teto do Biobus, que é pioneiro no uso de um sistema de telhado verde na metrópole americana.

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Agricultura Orgânica


Agricultura Orgânica

Agricultura orgânica

A agricultura orgânica pode ser definida como sendo um sistema de produção que exclui o uso de agrotóxicos, de adubos minerais de alta solubilidade e de reguladores de crescimento. Desta forma, há necessidade da utilização dos princípios ecológicos e da conservação dos recursos naturais para o seu desenvolvimento, sendo fundamental a busca do equilíbrio ecológico. Assim, entende-se por produto orgânico aquele produzido em um sistema de produção sustentável no tempo e no espaço, mediante o manejo e a proteção dos recursos naturais, sem a utilização de produtos químicos agressivos ao homem e ao ambiente, mantendo-se o incremento da fertilidade e da vida dos solos e a diversidade biológica.

No termo agricultura orgânica estão agregadas as correntes da agricultura orgânica propriamente dita, da biodinâmica, da organobiológica ou biológica, da natural, do método agrobiológico e da permacultura. Estas correntes possuem objetivos comuns, porém apresentam filosofias e princípios próprios.

A agricultura orgânica iniciou-se a partir de observações feitas pelo micologista e botânico inglês Albert Howard, que ao chegar na Índia, onde trabalhou de 1899 a 1940, teve a oportunidade de constatar que os nativos não utilizavam em suas plantações agrotóxicos ou adubos minerais. A prática comum era devolver à terra os resíduos vegetais e animais compostados em pilhas. Em resposta, as lavouras e os animais eram vigorosos, produtivos e isentos de pragas e de doenças. Assim, Horward entendeu a influência que um ambiente equilibrado exerce sobre as plantas, animais e o próprio homem. Esse método foi sendo aprimorado ao longo do tempo e hoje encontra-se difundido em todo o mundo.

A agricultura biodinâmica surgiu através de conferências proferidas por Rudolf Steiner em Koberwitz, Silésia (hoje Polônia), em 1924. Steiner falou a um grupo de agricultores e cientistas, ligados à comunidade antroposófica, sobre a influência que o cosmo exerce sobre o solo, as plantas, os animais e de que forma pode-se utilizar estas forças na agricultura. Assim, ressaltou a importância do organismo agrícola, que deve buscar uma inter-relação entre as atividades de produção animal e vegetal. A agricultura biodinâmica tem por base o uso dos preparados biodinâmicos, feitos de extratos de plantas e soluções orgânicas e minerais, além do calendário agrícola. Sabe-se ainda que muitas das técnicas utilizadas na agricultura biodinâmica, como a incorporação da matéria orgânica compostada ao solo, a adubação verde, a rotação e a diversificação de culturas são comuns às outras correntes.

A agricultura natural criada pelo japonês Mokiti Okada, fundador da igreja messiânica, em 1935, baseia-se no uso de técnicas que conferem ao solo as mesmas características de um solo de mata virgem. Muitas destas técnicas são as de uso comum nas outras correntes, mas há necessidade de ressaltar que o composto é feito exclusivamente de resíduos vegetais, pois segundo seus seguidores, o uso de resíduos animais pode contaminar rios e lagos, além de trazer mau cheiro e atrair insetos.

A permacultura surgiu na Austrália, por volta de 1971, por iniciativa de um grupo de agricultores e ecologistas que buscavam auto-suficiência para as pequenas e médias propriedades. Esta corrente trabalha principalmente com as culturas perenes, não deixando de trabalhar com as culturas anuais e com animais, para preencher espaços entre as culturas perenes em crescimento. Os seguidores desta corrente baseiam-se na teoria e na filosofia que as mudanças acontecem com a implantação de um grande número de projetos. Assim, cada pessoa envolvida sente realmente qual é o seu papel diante do projeto e da sociedade.

A agricultura organobiológica, difundida principalmente na Suíça, Alemanha, Áustria e Escandinávia, baseia-se na compostagem de matéria orgânica na superfície do solo e no teste microbiológico ou biológico para avaliar a fertilidade do solo.

O método agrobiológico, desenvolvido na França, tem por particularidade o uso de pó de alga marinha, Lithothanme calcareum, rica em micronutrientes.

Apesar das particularidades demonstradas para cada modelo, o termo agricultura orgânica é usado para modelos agrícolas não relacionados com a agricultura baseada no uso de agroquímicos. Sendo que, independente do termo utilizado, os princípios básicos que regem estas correntes estão relacionados ao entendimento holístico da agricultura; ao processo de pesquisa multidisciplinar e elaborado com a participação dos agricultores; à observação das relações de equilíbrio e harmonia homem-natureza; à compreensão do solo como um organismo vivo e dinâmico; à sustentabilidade da agricultura; à nutrição do solo, enquanto organismo vivo e não da planta; e à não utilização de produtos químicos agressivos ao homem e ao ambiente, entre outros.

Na agricultura orgânica é fundamental o manejo e a conservação do solo para se obter adequadas características físicas, químicas e biológicas. Assim, este deve apresentar quantidade equilibrada de nutrientes, altos teores de matéria orgânica, ser equilibrado biologicamente, ser bem estruturado e livre de agroquímicos. Uma das formas para se obter essas características é a incorporação de matéria orgânica (composto, chorume, biofertilizante, adubação verde) ao solo, pois além de acrescentar nutrientes e melhorar as suas propriedades físicas, mantém um equilíbrio microbiológico essencial para tornar as plantas resistentes às pragas e aos patógenos. Caminhando-se em direção ao equilíbrio biológico, ocorre redução dos problemas causados pelas pragas, doenças e plantas invasoras.

Outros aspectos a serem considerados na agricultura orgânica são a rotação de cultura, o cultivo intercalar e o cultivo de diversas espécies simultaneamente. A utilização destas técnicas tem por objetivo aproveitar a adubação residual e quebrar o ciclo de vida de patógenos e de pragas, devido à mudança no hábito alimentar; melhorar o aproveitamento dos espaços; e aumentar a diversidade de culturas para a comercialização.

Os alimentos orgânicos são livres dos resíduos de produtos químicos, como os agrotóxicos, conferindo maior segurança ao consumidor. Além disso, a agricultura orgânica não contamina os solos e os mananciais hídricos com resíduos de agrotóxicos, o que é fundamental, pois são numerosas as pesquisas demonstrando a contaminação da água superficial e subterrânea com estes produtos, tornado-as impróprias para o consumo.

Nematicida Atualmente, no Brasil e no mundo, existem à disposição dos consumidores, numerosos produtos agrícolas de origem orgânica, como hortaliças, frutos, cereais, café, fibras, derivados de leite, carnes, vinhos, sucos e temperos, entre outros.

Pelas características especiais da agricultura orgânica, existem procedimentos que são recomendados e outros proibidos, sendo este o assunto do próximo artigo que será publicado no Informativo nr. 18.

Nematicida é um tipo de pesticida químico usado para matar nematoides parasitas.

Agrotóxicos e Intoxicação por Agrotóxicos

Os agrotóxicos foram desenvolvidos durante a Primeira Guerra Mundial e extremamente utilizados na Segunda Guerra Mundial, como arma química. Após o término da guerra, estes passaram a ser usados como defensivo agrícola.

O primeiro composto dessa classe, denominado DDT, foi fabricado em 1874 por Othomar Zeidler; contudo, foi apenas em 1939 que Paul Muller evidenciou suas propriedades inseticidas. A partir de então, o DDT era a principal arma no combate contra o mosquito disseminador da malária, até descobrir-se que ele, assim como todos os organoclorados, é um composto cancerígeno, teratogênico e cumulativo no organismo.

No período pós-guerra, os vencedores programavam uma ampliação dos seus negócios, partindo das indústrias que se desenvolveram durante a guerra, sendo encontranda dentre elas, a indústria química. Havia fome na Europa, surgindo então a “revolução verde”, que tinha como objetivo fomentar a agricultura, resultando na produção de alimentos.

Agrotóxicos e Intoxicação por Agrotóxicos


Esta revolução desembarcou no Brasil na década de 1960. Estabeleceu-se por meio da imposição das fábricas de agrotóxicos e do governo nacional, sendo que o financiamento bancário para a aquisição de sementes era concedido apenas se o agricultor adquirisse também o agrotóxico e o adubo. Essa atitude resultou somente em uma contaminação ambiental, sem extermínio da fome. No ano de 1970, diversas fábricas mundiais foram transferidas para o Brasil, país englobado entre os 5 maiores consumidores de agrotóxicos do mundo.

A degradação do meio ambiente apresenta conseqüências a longo prazo e seus efeitos talvez sejam irreversíveis. Mundialmente, existem mais de 2 trilhões de toneladas de resíduos industriais sólidos e, aproximadamente, 350 milhões de toneladas de detritos são gerados anualmente.

Atualmente, cabe ao Ministério da Saúde o controle de agrotóxicos, enquanto que o controle ambiental cabe ao Ibama. O governo transmite todos os dados ao Ministério da Agricultura.

Os agrotóxicos são divididos em dois grupos: inseticidas e herbicidas. O primeiro subdivide-se em três amplos grupos, que são os organoclorados, os organofosforados e carbamatos e as piretrinas. Já os grupos mais importantes dos herbicidas são Paraquat, clorofenoxois e dinitrofenóis.

Os organoclorados são os agrotóxicos que persistem por mais tempo no ambiente, chegando a permanecer por um período de 30 anos. A absorção desse agente se dá pela mucosa oral, respiratória e pele, alcançando o sistema nervoso central e periférico. Estes são responsáveis por causar câncer e, por esse motivo, seu uso foi eliminado em diversos países.

Os organofosforados e carbamatos são inseticidas amplamente utilizados na atualidade e também apresenta absorção pela via oral, respiratória e dérmica. Estes agrotóxicos são responsáveis por levar a problemas funcionais da musculatura do corpo, cérebro e glândulas.

As piretrinas podem ser inseticidas naturais ou artificiais. Não servem para a agricultura, pois são instáveis à luz. Sua utilização se restringe ao ambiente doméstico na forma de spray, espirais ou em tabletes que se dissolvem quando aquecidos. São substâncias que podem desencadear crises alérgicas.

Os herbicidas Paraquat oferecem risco altamente elevado. Este herbicida mata todos os tipos de plantas e pode causar lesões renais e fibrose pulmonar irreversível.


Intoxicação por AgrotóxicosIntoxicação por Agrotóxicos
Uma pesquisa feita pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), em 12 países latino-americanos, revelou que o envenenamento por produtos químicos, especialmente o chumbo e os pesticidas, simbolizam cerca de 15% de todas as doenças profissionais notificadas.

Contudo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) assegura que apenas 1/6 dos acidentes são oficialmente registrados e que, aproximadamente, 70% dos casos acontece em países em desenvolvimento, com os organofosforados representando 70% das intoxicações agudas.

Os agrotóxicos têm feito vítimas fatais, além de provocar aborto, malformação fetal, suicídios, câncer, dermatose, entre outras doenças. De acordo com a OMS, ocorrem 20.000 óbitos/ano devido à manipulação, inalação e consumo indireto de pesticidas, nos países em desenvolvimento, como o Brasil.

Fiscalização
No ano de 2002, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) criou o programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), visando monitorar o comprimento da legislação sobre o nível permitido de resíduos agrotóxicos nos alimentos, o uso de quais produtos é permitido em cada colheita, e garantir que produtos como frutas, verduras e legumes cheguem à mesa do consumidor brasileiro com qualidade e segurança.

Em casos de uso de agrotóxicos acima do permitido pela ANVISA, os órgãos responsáveis pelas áreas da agricultura e meio ambiente, são acionados para rastrear e solucionar o problema. As medidas tomadas em relação aos produtores são de orientação para utilização de boas práticas agrícolas.

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Cultivo e Mercado de Mangostão no Brasil

Cultivo e Mercado de Mangostão no Brasil

Cultivo e Mercado de Mangostão no Brasil
Cultivo e Mercado de Mangostão no Brasil

O mangostão, originário do arquipélago Malaio, é considerado a fruta mais saborosa do trópico asiático. No Brasil, foi introduzido definitivamente por volta de 1935, na Bahia, e em 1942 no Pará (Donadio et al., 1998; Sacramento, 2001).

Mudas de MangostãoMudas de Mangostão

No Brasil, o mangostão é cultivado, principalmente, nos Estados do Pará e da Bahia e, em pequena escala, no Espírito Santo e São Paulo. No Pará, a cultura do mangostão está concentrada em área plantada de cerca de 250 hectares, principalmente nos municípios de Santa Isabel do Pará, Benevides, Castanhal, Marituba, Santo Antônio do Tauá e, em menor escala, em Tomé-Açu. Aproximadamente 50% fazem consócio com outras espécies frutíferas, principalmente açaí, cupuaçu, banana e laranja. Pequenos pomares são também encontrados nos demais Estados da Amazônia, porém sem expressão econômica. Na Bahia, a maior concentração de mangostanzeiros localiza-se no município de Una, em uma área de aproximadamente 80 hectares, sendo cerca de 20 ha distribuídos entre outros municípios do sul da Bahia (Taperoá, Ituberá, Uruçuca, Nilo Peçanha e Tancredo Neves). No Espírito Santo, estima-se uma área de 10 ha nos municípios de Linhares e Castelo, com poucas plantas em estádio de produção. Em São Paulo, no município de Cardoso, foram plantados, em 1995, mais de 10 ha de mangostanzeiros enxertados.

A produção brasileira de mangostão tem variado em função de novas áreas implantadas e da alternância de produção apresentada por essa espécie. Nos anos de 1999, 2000 e 2001, em Una, foram comercializadas, respectivamente, 6.000, 10.000 e 60.000 caixas de 1,4 kg de frutos (Sacramento, 2001). No Estado do Pará, em 2003, foram comercializadas mais de 180 toneladas de frutos de mangostão.

Mudas de MangostãoSistemática, descrição botânica e variedades Sistemática
O mangostanzeiro pertence à família Clusiaceae, que engloba aproximadamente 1.000 espécies, subordinadas a 47 gêneros, dispersos em regiões tropicais e subtropicais do mundo (Barroso et al., 2002; Brummit, 1992; Cronquist, 1981). No Brasil, essa família está representada por cerca de 21 gêneros e 183 espécies, distribuídas nas diferentes regiões do País (Barroso et al., 2002), das quais se destacam o abricoteiro (Mammea americana L.), o bacurizeiro (Platonia insignis Mart.), o bacuriparizeiro (Rheedia macrophylla (Mart.) Pl. et Tr.), o bacuparizeiro (Rheedia gardneriana Miers. ex. Pl. et Tr.) e, de forma mais secundária, o bacuriparizeiro liso (Rheedia brasiliensis (Mart.) Pl. et. Tr.) e o bacurizinho (Rhedia acuminata (R. et. Tr.) Pl.et.Tr.). O abricoteiro é de origem antilhana, e as demais espécies são nativas do Brasil. Dessas, somente o mangostão é cultivado comercialmente, sendo as outras espécies ainda exploradas em escala extrativista.

Outra espécie do mesmo táxon genérico (Garcinia cochinchinensis Choisy.), conhecida como falso-mangostão, garcínia ou mangostão-amarelo, sem nenhuma expressão econômica, é encontrada em pomares domésticos no Brasil e tem sido freqüentemente confundida com o mangostão (G. mangostana L.), em particular na fase jovem.

No Brasil, é conhecido como "mangostão" ou "mangustão", entretanto os produtores de Una utilizam comercialmente o nome "mangostin" (aportuguesamento do inglês "mangosteen"). Os produtores do Pará também já utilizaram essa denominação, mas, nos últimos anos, têm adotado o nome inglês ¨mangosteen¨ para comercialização dos frutos que se destinam aos mercados das regiões sudeste e centro-oeste do Brasil.

O fruto é uma baga subglobosa, de 4 a 9 cm de diâmetro transversal e 3,6 a 6,5 cm de altura e peso de 30 a 240 g, com cálice persistente e cicatriz do estigma lobada, pericarpo purpúreo, duro e grosso, de espessura entre 0,5 a 1,0 cm, o qual contém resina amarela. A parte comestível é formada por quatro a oito segmentos carnosos brancos translúcidos e com sabor bastante delicado. O número de sementes por fruto varia de zero a três, sendo, mais freqüentemente, encontrados frutos com 1 semente.

As sementes de mangostão são apomíticas, ou seja, na sua formação, não há envolvimento de processo sexual, são de formato variável e apresentam comprimento entre 1,7 cm e 2,0 cm (Enoch, 1979). Quando o fruto está completamente maduro, o teor de água das sementes ainda é bastante elevado, geralmente entre 57,7% e 67,4%. O peso da semente varia entre 0,31 g e 1,8 g, com média de 0,87 g.

Ecologia
Nos diversos países produtores, o mangostanzeiro é cultivado em áreas onde o clima é quente e úmido, com chuvas bem distribuídas durante o ano, sendo as áreas potenciais de cultivo do mangostão localizadas até a latitude de 18º em locais quentes, livres de geadas. Essa frutífera pode ser cultivada em locais acima de 1.000 mm, mas o crescimento é melhor em altitudes próximas ao nível do mar.

A temperatura ideal, para o cultivo, situa-se entre 25ºC e 30ºC, com umidade relativa acima de 80%. Temperaturas abaixo de 5ºC e acima de 38ºC podem ser letais e, abaixo de 20ºC, podem retardar o crescimento do mangostanzeiro. Como planta de trópico úmido, essa frutífera requer precipitação acima de 1.270 mm bem distribuída.

Em Una-BA (latitude 15º 17’ S e longitude 39º 4’ W, 50 m acima do nível do mar.), onde se concentra a maior área produtora de mangostão da Bahia, a temperatura média é de 23,6ºC, máxima média de 28,3ºC e mínima média de 20,3ºC, com umidade relativa de 85,1% e precipitação anual de 1.800 mm, bem distribuída.

No Pará, os municípios produtores de mangostão (Benevides, Castanhal, Santa Isabel do Pará, Marituba e Santo Antônio do Tauá) estão situados próximos a Belém, capital do estado, onde a temperatura média é de 25,9ºC, precipitação anual de 2.761 mm. De acordo com Muller et al. (1991), essas regiões apresentam dois períodos distintos: um período mais chuvoso, que vai da segunda quinzena de dezembro a junho, e outro, menos chuvoso, de julho à primeira quinzena de dezembro, caracterizado pela ocorrência de chuvas de grande intensidade, mas de curta duração, com períodos mais secos entre outubro e novembro.

Com relação ao tipo de solo, o mangostão adapta-se bem em solos profundos argilo-arenosos, bem drenados e, preferivelmente, com alto teor de matéria orgânica. Em Una (BA), o mangostão é cultivado em Latossolos Vermelho-Amarelos, considerados de baixa fertilidade natural. No Estado do Pará, os plantios estão estabelecidos em Latossolo Amarelo.

Aspectos fenológicos da floração e frutificação
A época de florescimento do mangostanzeiro varia de acordo com as condições climáticas, podendo ser concentrada em um ou mais períodos durante o ano. O mangostanzeiro apresenta tendência de florescimento em anos alternados, e a frutificação varia de planta para planta. As plantas florescem após o crescimento de fluxos vegetativos e principalmente após um período de estiagem. O florescimento pode ocorrer duas vezes ao ano, dependendo das condições climáticas, manejo e do número de fluxos vegetativos. O período entre a iniciação floral e a antese é de 25 dias e da antese até o fruto maduro 100 a 120 dias (Yaacob e Tindall, 1995).

No Pará, em particular na microrregião Belém, onde se concentram os principais pomares de mangostanzeiros, quando a precipitação é normal, ocorre uma pequena floração, geralmente, no período de junho a agosto, e que é responsável pela pequena safra verificada entre outubro e dezembro. A safra principal ocorre entre janeiro e maio, e é resultante da floração que ocorre entre setembro a janeiro. Resultados referentes a dez safras consecutivas evidenciaram que, aproximadamente, 80% da produção de mangostão, na microrregião Belém, se verifica no período de janeiro a junho. A "safrinha", que ocorre no segundo semestre, é responsável por 20% da produção.

Em levantamento efetuado na área produtora do município de Una-BA, verificou-se que, nos anos de 1999 e 2000, as maiores produções ocorreram nos meses de março e abril e, no ano de 2001, além desses dois meses, houve um pico de produção em agosto (Sacramento, 2001).

Propagação
Nos principais países produtores de mangostão, a formação de mudas é feita sexuadamente, considerando-se que as sementes dessa espécie são apomíticas e, portanto, as plantas não apresentam variabilidade genética. Quanto à germinação, as sementes perdem rapidamente a viabilidade e não podem ser conservadas pelos métodos convencionais de armazenamento, que têm como pressupostos básicos a redução do teor de água e o armazenamento em baixas temperaturas. Alguns procedimentos têm sido indicados para manter a viabilidade das sementes por períodos que possibilitem o transporte das sementes de um local para outro. Normalmente, é recomendada a estratificação das sementes em substrato umedecido com água. O substrato para estratificação das sementes pode ser fibra de coco, pó de serragem curtida ou vermiculita. Alternativamente, as sementes podem ser conservadas dentro dos frutos ou em sacos de polietileno por períodos de até 35 dias (Müller et al., 1991). Em condições favoráveis de temperatura e umidade, a quase totalidade das sementes germina entre 10 e 20 dias após a semeadura (Müller et al., 1995).

Após o transplantio, as mudas devem ser mantidas em local sombreado, com 50% de luminosidade. Os tratos culturais do viveiro consistem na manutenção da umidade por meio de irrigações e na eliminação periódica de plantas daninhas que crescem no substrato.

Müller et al. (1989) recomendam adubações foliares com produtos que tenham na formulação macro e micronutrientes e a aplicação preventiva, a cada dois meses, de fungicidas à base de cobre (3 g.L-1 de água), mais Mancozeb (2 g.L-1), para controlar eventuais doenças que possam ocorrer nos viveiros.

Quando bem manejada, após dois anos de viveiro, a muda apresenta 30 a 40 cm de altura e está pronta para o plantio definitivo ou para ser utilizada como porta-enxerto.

O mangostanzeiro pode ser propagado por enxertia de garfagem no topo em fenda cheia, embora os métodos de enxertia em fenda lateral e de encostia também possam ser utilizados. No processo de enxertia, são usadas, como porta-enxertos, mudas de mangostão, com dois anos de idade. Os garfos ou enxertos devem ser retirados de ramos ortotrópicos (centrais), pois os ramos laterais formam plantas com crescimento lateral (plagiotropia). Após o processo de enxertia, o garfo e parte do porta-enxerto devem ser envolvidos por um saco transparente (câmara úmida), a fim de evitar a evaporação da água e o ressecamento do enxerto. As mudas recém-enxertadas devem ser mantidas em local sombreado. Embora a propagação assexuada reduza em até dois anos o período vegetativo, na prática, tem sido observado que plantas propagadas por semente apresentam crescimento mais vigoroso e, quando adultas, suplantam em produção aquelas originadas de mudas enxertadas. Desse modo, a enxertia praticamente não tem sido utilizada na implantação de pomares comerciais. Nos outros países produtores, também não se utiliza a propagação vegetativa na formação de pomares comerciais.

Implantação do pomar
No preparo da área para plantio de mangostão, a maior preocupação tem sido a utilização de consórcio com outras plantas que possam, ao mesmo tempo, fornecer sombra, necessária ao seu desenvolvimento inicial, e também proporcionar alguma renda durante o seu período vegetativo (Sacramento e Coelho Jr., 2005).

Em termos de sombra, a bananeira constitui uma excelente alternativa para o desenvolvimento durante os quatro primeiros anos do mangostanzeiro. Outras espécies de produção precoce (pimenteiras, mamoeiros, araçazeiros, pitangueiras) também podem ser utilizadas. Não é aconselhável o consórcio do mangostãozeiro com espécies perenes que possam causar competição durante a fase produtiva, pois essa frutífera produz melhor a pleno sol. No Brasil, o mangostão tem sido consorciado com outros cultivos tropicais em sistemas agroflorestais, como rambotã, cupuaçu, graviola, mas embora ecologicamente haja benefícios pela proteção do solo, fisiologicamente ocorre competição de copas por luz, causando baixa frutificação e produção. Mangostanzeiros implantados em cacauais também não apresentaram bom desenvolvimento. Plantas da família Arecaceae (açaizeiro, pupunheira, coqueiro) possuem um sistema radicular muito agressivo e, quando plantadas perto do mangostanzeiro, afetam severamente o seu crescimento e, por isso, não são recomendadas como consórcio (Sacramento, 2001).

Os espaçamentos utilizados para o cultivo do mangostão, no Brasil, variam de 6 x 6 a 10 x 10 m, porém, em espaçamentos menores, observa-se competição entre copas a partir do 12º ano de plantio.

Tratos culturais Adubação
Na região sul da Bahia, a maioria dos produtores não faz uso de análise de solo para adubação do mangostanzeiro, e, desse modo, cada produtor aplica diferentes tipos e quantidades de adubo, verificando-se, entretanto, grande preocupação com aporte de matéria orgânica através de esterco bovino, geralmente incorporado em valas abertas na projeção da copa.

Em áreas de produção no Estado do Pará, recomendam-se aplicações de 200 g/planta de cloreto de potássio, no início da floração, e mais duas aplicações com intervalos de 45 dias, com objetivo de reduzir o sintoma fisiológico conhecido como "estouro dos vasos lactíferos" ou "empedramento de frutos". Após o término da safra, recomenda-se a aplicação de 300 g de NPK, formulação 10-28-20 e mais 40 litros de cama de aviário por planta adulta (Müller, C.H. informações pessoais).

Adubações desequilibradas podem causar sérios problemas no desenvolvimento do mangostanzeiro. Nas regiões produtoras do Pará e da Bahia, têm sido verificados casos de redução acentuada do limbo foliar e do comprimento do entrenó das plantas devido à nutrição desbalanceada, provavelmente, entre zinco e ferro. Na Bahia, tem sido verificado grande percentual de frutos com problemas de empedramento, os quais podem ser causados por deficiência de potássio.

Irrigação
Nas regiões brasileiras, onde o mangostão é cultivado comercialmente, a quantidade e a distribuição das chuvas têm sido suficientes para a produção satisfatória de frutos, entretanto alguns produtores possuem sistemas de irrigação para utilização em casos de ocorrência de estiagem prolongada. Os sistemas de irrigação localizada (microaspersão e gotejamento) proporcionam a aplicação da água na área de concentração das raízes, em pequenas quantidades e alta freqüência, sendo, portanto, os mais apropriados para o cultivo do mangostanzeiro.

Poda
O mangostanzeiro é conduzido praticamente sem poda até o 3º ano de plantio. A partir daí, efetua-se a eliminação dos ramos próximos ao solo, para facilitar os tratos culturais e, também, para evitar que estes sirvam de acesso para ratos e outros roedores, os quais danificam os frutos. Em plantas adultas, tem sido efetuada eliminação de ramos finos, doentes e secos no interior da copa. Alguns produtores eliminam ramos alternados em plantas adultas (com mais de 20 anos) para favorecer a aeração e a luminosidade, e estimular a frutificação no interior da copa. Outros produtores podam o ápice da planta para permitir maior luminosidade no interior da copa, mas essa prática não tem mostrado resultados satisfatórios.

Raleamento de frutos
A maior frutificação do mangostanzeiro ocorre nos ápices dos ramos expostos à luminosidade. Geralmente cada ápice de ramo apresenta apenas um fruto, entretanto podem ocorrer dois ou mais frutos por ápice ou mesmo em gemas perto do ápice, causando competição e gerando frutos de menor tamanho. Neste caso, o produtor deve manter somente o fruto localizado no centro. O raleamento tem como objetivo reduzir o número de frutos na árvore para estimular a produção de frutos maiores e com peso médio de 130 a 140 gramas, os quais obtêm melhores preços no mercado. Nesse caso, a eliminação do excesso de frutos deve ser feita logo após a antese, pois, a partir de determinado estágio de desenvolvimento do fruto, não há nenhuma vantagem na sua eliminação.

Pragas, doenças e danos fisiológicos
No Brasil, são observados os seguintes problemas com pragas, doenças e danos fisiológicos:

Pragas
Abelha-arapuá ou abelha-cachorro (Trigona spinipes)

Essas abelhas danificam os botões florais e o fruto em crescimento, causando ferimentos na sua superfície. Dessas feridas, exsuda uma resina amarela, conferindo ao fruto um aspecto rugoso Os danos causados pelas abelhas-arapuá são externos e não afetam a parte comestível dos frutos, entretanto estes ficam com o aspecto visual comprometido para o comércio em mercados mais exigentes. A medida mais viável de controle dessa praga consiste na eliminação de seus ninhos, num raio de 500 m do pomar, entretanto essa não é uma prática de fácil execução.

Ácaros (Tetranichus sp.)
O mangostão atacado por ácaros apresenta, externamente, aspecto ferruginoso. Embora não haja dano interno e não seja limitante à comercialização, o aspecto ferruginoso dificulta a colheita e a classificação dos frutos quanto ao estágio de maturação. Em outras frutíferas, recomendam-se inspeções periódicas para detectar a presença de ácaros, utilizando-se de uma lente de aumento (10x) e, em caso de danos econômicos, tem sido utilizada a aplicação de acaricidas específicos e enxofre. No caso do mangostãozeiro, apesar dos danos causados, não tem sido aplicado nenhum produto para controle dos ácaros e, especificamente no caso de aplicação do enxofre, pode comprometer a qualidade do fruto, na comercialização, pelo odor desse produto químico.

Tripes (Thrips sp.)
O ataque de tripes ocorre em plantios do Pará, sendo a maior freqüência no período de estiagem, e os sintomas nos frutos atacados assemelham-se aos danos provocados por ácaros.

Além dessas pragas, em outros países produtores, as formigas, cochonilhas, morcegos, ratos e nematóides têm sido relatados como problemas no cultivo do mangostãozeiro.


Doenças
Murcha do mangostanzeiro
Na região sul da Bahia, a murcha do mangostanzeiro tem se constituído no principal problema fitossanitário dessa espécie frutífera. A doença tem sido detectada principalmente em mangostãozeiros frutíferos, e as plantas atacadas caracterizam-se por apresentar sintomas iniciais de amarelecimento, queda de folhas e murchamento dos frutos. Em menos de 1 mês, após os primeiros sintomas, a planta fica com aspecto de queimada e reduzida apenas a ramos secos . O ataque tem sido observado em mangostãozeiros frutíferos nos municípios de Una, Taperoá, Ituberá e Tancredo Neves, tanto em plantios comerciais como em plantas isoladas. Amostras de raízes de plantas atacadas foram analisadas na Clínica de Fitopatologia do Centro de Pesquisas do Cacau (CEPEC/CEPLAC) e, de acordo com Bezerra et al. (2003), foram encontrados diversos fungos associados às raízes de mangostãozeiros atacados: Mycoleptodiscus sp, Lasiodiplodia theobromae, Ganoderma philippi, Fusarium solani, Phytophthora sp., Beltrania e Cilindocladium sp., Xylaria sp., Cytospora sp. e Rosellinia sp. Não há resultados conclusivos, estando o problema em observação. Mudas plantadas nas covas onde houve morte do mangostanzeiro, não apresentam nenhum sintoma da doença na fase vegetativa.

Queima-do-fio (Koleroga noxia )
Essa doença tem sido relatada em plantios de mangostão do Pará, não havendo registros de sua ocorrência em plantios na Bahia. De acordo com Almeyda e Martin (1976), a queima-do-fio é comum em mangostãozeiros cultivados em Porto Rico, sendo encontrada também em cacaueiro, cafeeiro e seringueira, ocorrendo quando há excesso de sombra e umidade. A fase vegetativa do fungo ocorre como um filamento, que primeiro começa sobre os ramos menores. Quando o fungo alcança as folhas, forma um filme esbranquiçado sobre o limbo e então os ramos jovens são cobertos pelo filamento. Alguns frutos, principalmente aqueles em desenvolvimento, são cobertos com o filamento e secam. As folhas começam a perder o brilho, tornam-se marrom-claras e eventualmente de coloração marrom-escuras ou mesmo negras. Neste estágio, elas se desprendem do ramo, porém permanecem suspensas por um fio semelhante à teia de aranha, o que constitui a melhor característica para o seu diagnóstico. A doença ocorre principalmente em plantas de crescimento vegetativo abundante, principalmente em áreas muito sombreadas e em ambiente úmido. Esse fato sugere que o melhor remédio para a doença é a remoção de parte do sombreamento e a drenagem do solo em volta da planta para reduzir a umidade. Como medidas culturais, Nunes e Nunes (1995) recomendam a eliminação e a queima das partes atacadas, seguidas de pulverização semanal com fungicidas à base de oxicloreto de cobre (150g i.a /100 l de água).

Danos fisiológicos
Estouro de vasos lactíferos ou empedramento dos frutos
É uma desordem fisiológica que ocorre em frutos em estágio de maturação e caracteriza-se por manchas amarelo-claras e brilhantes na parte externa. No local da mancha amarela, o pericarpo torna-se duro e, quando partido, apresenta coloração marrom, ocorrendo internamente exsudação de uma resina amarela conferindo sabor amargo ao arilo. Ramos e frutos afetados podem exsudar uma resina amarela, que é responsável pela descoloração e mudança de sabor. Esse problema tem ocorrido, principalmente, quando há excesso de chuvas seguido por breves períodos de estiagem, porém o assunto carece de pesquisa. Em épocas de muita ocorrência de chuvas, tais problemas podem comprometer até 40% dos frutos produzidos.

Frutos com polpa translúcida
Conforme Pankasemsuk el al. (1996), frutos contendo polpa translúcida apresentam significativamente maior conteúdo de água na casca (65%) e na polpa (82%) do que os frutos normais (63 a 80%, respectivamente). Esses autores verificaram que a gravidade específica dos frutos com polpa translúcida foi maior que 1, e da polpa dos frutos normais foi menor que 1. Frutos com polpa translúcida apresentaram concentração mais baixa de sólidos-solúveis e percentagem de acidez titulável que os frutos normais. O problema de polpa translúcida está relacionado com o excesso de umidade.

Floração e frutificação
Em condições de clima e solo favoráveis e manejo adequado, o mangostanzeiro pode iniciar a frutificação a partir de quatro anos (planta enxertada) ou seis anos (pé-franco), em ambos os casos, após o plantio de mudas de 2 anos de idade.

A produção do mangostanzeiro varia, nos diversos países produtores, em função das condições edafoclimáticas, manejo e idade da planta, situando-se entre 200 e 2.000 frutos por planta. No Brasil, são observados casos de produção de até 1.500 frutos por árvore, entretanto, mais importante é a produção de frutos graúdos, com peso médio acima de 100 g. Desse modo, em mangostanzeiros acima de 15 anos, em espaçamento de 10 x 10 metros, pode-se considerar como boa produção 600 frutos por planta, o que resultaria em uma produtividade de 6 t.ha-1.

Produção e colheita
A colheita representa um alto custo no cultivo do mangostão, pois os frutos têm de ser colhidos manualmente e no ponto ideal de maturação para atender às exigências do seleto mercado consumidor. O mangostão atinge o ponto de colheita entre 120 e 150 dias após a floração, e o período de colheita estende-se de 6 a 12 semanas.

O ponto de colheita baseia-se na intensidade de coloração do pericarpo, e o estágio apropriado, para comercialização em mercados distantes, é quando os frutos apresentam pequenas manchas de cor rósea ou coloração rosa-clara. Frutos colhidos antes desses estágios apresentam excessiva exsudação de látex no pedúnculo e sabor inferior quando amadurecem. O fruto, quando maduro, apresenta coloração arroxeada e, se não for colhido, desprende-se da árvore, sofrendo danos ao cair ao solo. Desse modo, a colheita precisa ser efetuada de duas a três vezes por semana.

Os frutos são colhidos manualmente, com o pedúnculo e as sépalas e, devido à altura do mangostanzeiro, na maioria das vezes, o colhedor, munido de um embornal preso ao corpo, necessita subir na árvore ou utilizar escadas para colher os frutos localizados em determinadas partes dos ramos. Frutos localizados nas partes mais altas da copa são colhidos com o auxilio de uma cesta, tipo coador, com capacidade para três frutos, presa na ponta de uma vara ou um tubo de PVC de 100 mm onde os frutos deslizam e são coletados na parte terminal.

A colheita deve ser feita com o máximo cuidado, pois queda de alturas superiores a 20 cm, em solo duro, danifica o fruto, inviabilizando-o para comércio em mercados mais exigentes.


Classificação, embalagem e armazenamento Classificação e embalagem
Os frutos destinados à comercialização nos grandes centros são previamente selecionados quanto aos aspectos de maturidade, problemas de endurecimento, manchados e danificados. A seguir, cada fruto é submetido a uma limpeza debaixo das sépalas, utilizando-se de um pincel com cerdas de consistência média. Tal cuidado visa à eliminação de formigas, aranhas e lagartas que, freqüentemente, se alojam debaixo das sépalas. Em pomares sujeitos à poeira, os frutos são limpos com pano umedecido.

Após a limpeza, os frutos são classificados por tamanho, com base no diâmetro transversal, em classes que variam de 9 a 20. Essa classificação é em função da quantidade de frutos, de diâmetros semelhantes, que cabem, dispostos numa única camada, em caixas de papelão de dimensões internas de 21 x 21,5 cm de comprimento e 6,5 cm de altura, com quatro aberturas de 2,8 cm de diâmetro. Tal classificação, cujas médias de diâmetro são apresentadas na Tabela 1 (Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo), é feita manualmente e não leva em consideração o peso dos frutos. Os frutos com classificação nove até 12 apresentam peso acima de 100 g e geralmente obtêm os melhores preços no mercado. De acordo com levantamento efetuado por Sacramento et al. (2003), em 17.951 caixas comercializadas nos anos de 2000 e 2001 foi verificado que 89,33% foram representadas pela soma dos tipos 12 (33,08%), 14 (26,91%) 10 (16,58%) e 16 (12,76%).

Após a classificação, os frutos são envolvidos individualmente com lenço de papel branco e recebem um selo da associação de produtores. A seguir, são acondicionados nas caixas, as quais são carimbadas com identificação da classificação e o número do produtor associado. As caixas são, então, amarradas em lotes de cinco ou seis e enviadas para o aeroporto.

Armazenamento
Quando os frutos se destinam aos mercados mais distantes ou para exportação, é importante reduzir a sua taxa de respiração. O mangostão é um fruto climatérico e, quando armazenado a 25ºC, produz alta taxa de etileno e baixa taxa de dióxido de carbono. Yaacob e Tindall (1995) relatam que os frutos armazenados em caixas de papelão à temperatura ambiente podem manter a qualidade por mais de quatro semanas e que o armazenamento de frutos maduros a temperaturas de 4ºC a 8ºC pode prolongar o tempo de prateleira. Esses autores afirmam que a temperatura de 13ºC, entretanto, provou ser mais favorável para armazenar e manter o padrão de qualidade, sendo a temperatura ideal para o transporte dos frutos. Os frutos frescos podem ser comercializados em prazos acima de 21 dias após a colheita, desde que seja providenciada alguma forma de mantê-los armazenados a baixas temperaturas.

Comercialização
A maior parte dos frutos, produzidos durante a safra na Bahia e no Pará, é geralmente enviada para comercialização em São Paulo (CEAGESP), Rio de Janeiro e outras capitais do Sudeste brasileiro. Na Bahia, os frutos são embarcados em avião, no aeroporto de Ilhéus, duas vezes por semana.

Nas feiras e supermercados regionais, são comercializados os frutos excedentes ou muito maduros para transporte a longas distâncias e os frutos pequenos, manchados ou também quando ocorre redução dos preços devido à superprodução ou coincidência entre as safras da Bahia e Pará.

Os frutos produzidos no Pará são comercializados principalmente no Estado de São Paulo. Devido a distância entre os municípios produtores paraenses e a Capital paulista e, também, à concentração da safra, quando os preços caem, o frete por avião torna-se economicamente inviável. Quando isso acontece, o mangostão paraense tem sido transportado junto com outras frutas (mamão, coco e maracujá), em caminhões sem refrigeração. O gasto de 55 horas, no trajeto entre os dois estados, tem feito com que os frutos cheguem ao destino com a maturação relativamente adiantada, reduzindo, assim, o seu tempo de comercialização.

Com relação ao mercado internacional, a exportação de mangostão ainda é limitada devido aos frutos serem hospedeiros de mosca-das-frutas. O comércio de mangostão tem sido feito pelos produtores asiáticos para mercados europeus, onde não há exigência de desinfestação para mosca-das-frutas. Os frutos classificados são, então, congelados inteiros e embarcados para o local de destino. Na Tailândia, foram desenvolvidas máquinas para cortar o pericarpo do mangostão e, dependendo do tamanho do fruto, tais equipamentos têm a capacidade para corte de 216 a 413 frutos por hora.

Usos e composição
O mangostão é utilizado, principalmente, como fruta fresca, apresentando, em média, 23,8% de polpa. Frutos produzidos no município de Una foram analisados e apresentaram peso médio de 117,40 g; 5,12 cm de comprimento, 5,82 cm de diâmetro, 5,95 gomos; 1,1 sementes, 32,5% de rendimento de polpa, 18,17 ºBrix, 18 açúcares solúveis totais, 1,00% de acidez e pH 2,56. Resultados semelhantes, em termos de características físicas, foram obtidos em frutos produzidos no Estado do Pará.

Para ser consumido, o fruto precisa ter o seu pericarpo (de 0,5 a 1,0 cm de espessura) cortado cuidadosamente no sentido transversal e a sua parte de cima removida, e os gomos brancos são retirados com garfo ou com palito. Recomenda-se cuidado no corte do fruto, para evitar que a resina contida na casca, que tem forte sabor adstringente, entre em contato com a polpa (Sacramento, 2001).

Várias tentativas têm sido feitas para preservar o fruto na forma de néctar, mas o mangostão é delicado, e o seu sabor é facilmente perdido. O pericarpo contém pectina, tanino e resina amarela. Na China extratos de pericarpo são usados para bronzeamento e tingimento de couro (Yaacob e Tindall, 1995). O córtex do fruto contém tanino, que é utilizado como tintura comercial. O pó do córtex seco é, também, usado no cozimento como adstringente, em casos de disenteria e diarréia crônica. Uma infusão feita das folhas tem sido utilizada no tratamento de ferimentos. A madeira do tronco é de cor marrom-escura e tem sido usada na construção de mobílias.

A casca do mangostão, que representa quase 70% do peso do fruto, apresenta em sua composição uma classe de substâncias, conhecida como xantonas, que tem despertado grande interesse das indústrias de alimentos e farmacêutica. Essas substâncias possuem alto poder antioxidante e agem no organismo humano, trazendo benefícios à saúde. Na casca do mangostão, são encontradas oito xantonas, as quais a "mangostinone" (Asai et al., 1995). Em decorrência dessa característica, o mangostão vem sendo aproveitado integralmente, e diversos produtos são encontrados envolvendo o suco de mangostão, no qual o produto é obtido a partir da trituração do fruto com todas as suas partes (casca, polpa e sementes). Outras formas envolvem a mistura desse produto com os sucos do noni (Morinda citrifolia L.), do goji (Lycium barbarum L.) e do açaí (Euterpe oleracea Mart.). Tais frutos têm conquistado novos mercados, pelas suas supostas propriedades nutracêuticas. Cápsulas contendo extrato da casca de mangostão também são encontradas no mercado.

Metas a serem alcançadas pela pesquisa
O mangostanzeiro, embora propagado sexuadamente, não apresenta variabilidade genética, devido a sua formação apomítica. Desse modo, as pesquisas deveriam concentrar-se em estudos que permitam o adensamento de plantas com a utilização de mudas propagadas vegetativamente. A nutrição mineral equilibrada, além de proporcionar maior desenvolvimento inicial das mudas, poderia reduzir o índice de frutos não-comercializados por causa do tamanho e de problemas com estouro de vasos. O raleamento permitiria a produção de frutos mais graúdos, os quais obtêm melhor preço no mercado. Atualmente, o maior problema do cultivo, na região sul da Bahia, é a murcha-do-mangostanzeiro, que mata somente árvores produtivas, cujo agente causal ainda não foi identificado. Aspectos relativos à pós-colheita do mangostão já foram bem estudados em outros países produtores, e as tecnologias podem ser utilizadas no Brasil. Entretanto, estudos farmacológicos poderiam ser efetuados para viabilizar para uso medicinal o aproveitamento da casca de frutos não-comercializados.

Referências

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Trabalho publicado na Revista Brasileira de Fruticultura, Vol. 29, N° 01

AUTORES
Célio Kersul do Sacramento
Enio Coelho Júnor
José Edmar Urano de Carvalho
Carlos Hans Muller
Walnice Maria Oliveira do Nascimento


www.megatimes.com.br

www.klimanaturali.org