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Hidroponia | Conceitos e Funcionamento da Hidroponia

Hidroponia | Conceitos e Funcionamento da Hidroponia

Hidroponia | Conceitos e Funcionamento da Hidroponia

Todos os vegetais clorofilados necessitam para sua sobrevivência de C, H, O, bem como dos sais minerais que são geralmente, retirados do solo.

O solo fértil, é aquele que apresenta quantidade razoável de húmus e de nutrientes. O húmus advém de matéria orgânica decomposta que somada à terra torna-a fértil. Os nutrientes são os sais minerais que constituem a base de alimentação das plantas. Um solo nutritivo deve conter os seguintes elementos:

Nitrogenio, Fósforo, Enxofre, Magnésio, Ferro, Mânganes, Zinco, Cobre, Cobalto, Potássio, Boro, Cloro, Molibdênio e Cálcio.

Na hidroponia o solo é substituido por um meio inerte onde a planta possa ter sustentação e os elementos que o vegetal iria retirar da terra são fornecidas por uma solução contendo sais dos elementos necessários para seu desenvolvimento.

É o que ocorre em países arenosos, que para poderem fazer uso do solo arenoso utilizam um processo de cultivo similar ao que será apresentado a seguir.

A solução utilizada no experimento descrito aqui será chamada de solução nutritiva e o meio inerte usado é a areia, pois é um material fácil de manipular, não tóxico, barato, insolúvel. A areia é usada para sustentar o vegetal, e muitos utilizam até cascalho em seu lugar, outros não utilizam meio de sustentação, deixando as raízes submersas na solução nutritiva. Por exemplo, no cultivo de alface utiliza-se uma placa de isopor com buracos onde as folhas do alface sustentam o próprio vegetal. Mas o aspecto principal, onde todos os métodos de hidroponia possuem um ponto em comum, é a solução nutritiva. A solução nutritiva é a chave mestra do cultivo. Existem vários tipos de soluções nutritivas com as mais variadas formulações para os mais variados cultivos, mas em todos os cultivos deve haver uma solução nutritiva.

E por que trocar o solo pela solução nutritiva? O solo já não fornece os mesmos elementos que a solução nutritiva? Qual a vantagem do uso da hidroponia?

A hidroponia possui várias vantagens em relação ao cultivo no solo.

1º - Pronta disponibilidade de nutrientes
Claro, que a terra possui os elementos que a planta necessita, mas na forma de sais pouco solúveis, daí um esforço maior para retirar esses elementos do solo, pois as raizes da planta absorvem os elementos do solo na forma de íons.

Na solução nutritiva todos os íons estão solubilizados, daí seu esforço para retirta-los da solução é muito menor, além disso, na hidroponia, utilizam-se soluções de concentração aproximadamente 50 vezes maior que encontrada na terra.

2º - Economia de espaço
Se os íons estão prontamente disponíveis para a planta, as raízes não precisam ocupar uma área muito grande para o seu desenvolvimento, havendo necessidade de um menor espaço para seu desenvolvimento.

3º - Economia de tempo
Na hidroponia, devido as facilidades de nutrição as plantas demoram menos tempo para se tornarem adultas.

4º- Facilidade de manuseio e controle de pragas
A hidroponia é executada em recipientes a aproximadamente 1,0 m do solo, o que facilita o manuseio das plantas pois o agricultor não precisa se abaixar para colher, para fazer transplantes, etc.

As pragas que geralmente estão no solo (como larvas que comem as raízes dos vegetais e outras) não conseguem infestar as culturas hidropônicas, não havendo assim a necessidade do uso de defensivos agrícolas.

Um aspecto muito importante da hidroponia é a manutenção da solução. Em muitos lugares a solução utilizada em um cultivo é reutilizada no próximo cultivo, adicionando-se a ela mais nutrientes. A quantidade de nutrientes adicionados varia de vegetal para vegetal, de espécie para espécie e, inclusive, de região para região. A solução deve estar sempre em movimento para evitar a formação de algas (não é comum aparecer lodo em água parada? Imagine água parada com nutrientes!), daí a necessidade de uma bomba que garanta a constante movimentação da solução. É necessário também um sistema de aeração para manter uma certa quantidade de oxigênio dissolvido na solução que garanta a respiração radicular da planta e evite a proliferação de seres anaeróbios.

O que apresentamos no nosso projeto de hidroponia é o cultivo de "vegetais com muita química", ou seja, o cultivo de vegetais num leito de sustentação, que no caso é um aquário cheio de areia, no qual é feito a irrigação com uma solução contendo todos os sais minerais necessários para o bom desenvolvimento das) plantas.

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Alternativas Agroflorestais Para os Sistemas de Produção Agrícola e Pecuário de Rondônia


Alternativas Agroflorestais Para os Sistemas de Produção Agrícola e Pecuário de Rondônia

Alternativas Agroflorestais Para os Sistemas de Produção Agrícola e Pecuário de Rondônia

Por Newton de Lucena Costa

Em Rondônia, como nas demais regiões da Amazônia, a agricultura caracteriza-se pela derrubada e queima da floresta, com o plantio de culturas de subsistência, principalmente a mandioca, por dois ou três anos consecutivos e posterior abandono da área. Neste sistema, há uma redução da produção dos cultivos a cada ano causada pela diminuição da capacidade produtiva dos solos, obrigando ao agricultor realizar desmatamentos de novas áreas. Geralmente uma área abandonada permanece em pousio (capoeira) por 8 a 15 anos, onde ocorre uma recuperação da fertilidade dos solos, pela presença de espécies fixadoras de nitrogênio e pela melhoria de reciclagem e absorção de nutrientes; depois deste período esta área poderá ser reutilizada.

Este sistema agroflorestal tradicional, conhecido como "agricultura migratória", não tem contribuído para a melhoria do nível de vida do produtor rural, além de causar sérios danos ao meio ambiente nas regiões com maior densidade populacional. Nestas regiões, devido à necessidade de terras para cultivos, tem-se observado que o período de pousio utilizado tem sido insuficiente para a total reabilitação da fertilidade do solo, levando a redução da produtividade dos cultivos e da vegetação secundária, perdas de biodiversidade e a degradação do ambiente.

Desta forma, há necessidade de desenvolver, divulgar e transferir para os produtores da região sistemas sustentáveis de produção agropecuários, utilizando tecnologias de produção adequadas às características ambientais de cada região, com a finalidade de utilizar os recursos naturais a um nível produtivo alto e sustentado. Na Amazônia, a maioria dos ecossistemas tem a vocação florestal; a exploração agropecuária e extrativista devem considerar esta aptidão.

Nos últimos anos, os sistemas agroflorestais (SAF´s) tem sido apresentados como uma solução viável e sustentável para a agropecuária nas regiões tropicais. Estes sistemas são formas de cultivos em que se associam, numa mesma área, árvores e arbustos com cultivos agrícolas e/ou com animais, de maneira simultânea ou escalonada no tempo. A presença de árvores nos (SAF´s) gera uma série de benefícios ao solo e ambiente, como a proteção contra a erosão, deposição de folhas e aumento da matéria orgânica, conservação da água, aumento de organismos benéficos (como a minhoca), menor proliferação de pragas e doenças, menor ocorrência de invasoras, conservação da biodiversidade (fauna e flora), microclima favorável ao crescimento de plantas e animais, proteção da área contra as queimadas e manutenção das condições climáticas da região. Desta forma, a presença de uma grande diversidade de espécies numa mesma área, ocupando diversos extratos (árvores grandes e pequenas, palmeiras, ervas e arbustos), imita o ecossistema florestal.

Além dos benefícios ambientais, o produtor também pode obter excelentes benefícios socioeconômicos, pois a maioria das plantas presentes nos (SAF´s) pode render algum produto para seu consumo ou venda, como: cereais, frutas, verduras, remédios naturais, fibras, óleos, resinas, mel, carne, leite, ovos, madeira, lenha, etc. Desta maneira, os sistemas agroflorestais apresentam-se como alternativa para o desenvolvimento sustentável da agropecuária na região amazônica.

A utilização de espécies melhoradoras de solos para enriquecimento de capoeiras é uma estratégia agroflorestal recomendada para as regiões em que o período de pousio seja reduzido. Estas espécies devem ser capazes de recuperar o solo em pouco tempo (4 a 7 anos), para que o produtor possa realizar um novo ciclo de cultivo. A bracatinga (Mimosa scabrella Benth.) é utilizada com sucesso no melhoramento de capoeiras para a recuperação dos solos após o cultivo de milho e feijão por pequenos produtores no Paraná. As espécies Mimosa tenuiflora e Senna guatemalensis também são utilizadas em sistemas tradicionais no enriquecimento de capoeiras na Guatemala e em Honduras.

O taxi-branco (Sclerolobium paniculatum) é uma leguminosa arbórea nativa da Amazônia brasileira que ocorre em diferentes tipos de solos. Em plantios, apresenta rápido crescimento, elevada produção de liteira e capacidade de fixação de N, características que o qualificam como espécie potencial para a recuperação de solos degradados e o enriquecimento de capoeiras.
Cabe destacar que a madeira produzida pelo taxi-branco apresenta características similares aos de eucalipto quanto ao poder calorífico da lenha e do carvão, bem como nos rendimentos de peso e volume no processo de carbonização. Esta é uma vantagem da utilização desta espécie para a recuperação de solos, pois ao final do período de pousio, o agricultor poderá obter bons rendimentos com a venda da lenha ou carvão, além da área recuperada para um novo cultivo agrícola.

A melhoria do desempenho da agricultura itinerante com sistemas alternativos florestais e agroflorestais é uma demanda prioritária para a Amazônia. Algumas opções merecem ser estudadas, dentre estas destacam-se a utilização do período de pousio com plantações florestais e o estabelecimento de cultivos perenes associados a espécies florestais. Para os SAF´s com perenes destaca-se a possibilidade de associações com espécies nativas que tenham potencial de atingir novos mercados, como as fruteira regionais. A curto prazo, o cupuaçu desponta-se como a fruteira regional mais promissora. No entanto, para o desenvolvimento sistemas de produção rendáveis e sustentáveis é necessário selecionar espécies para sombra para associação com esta fruteira.

Ainda que os SAF´s sejam preconizados como uma alternativa capaz de promover mudanças ambientais e sociais em regiões tropicais úmidas, na Amazônia, fatores econômicos, sociais, culturais e políticos, não têm criado um cenário favorável para que essa modalidade de uso da terra seja uma atividade economicamente atrativa e incorporada aos interesses dos diferentes segmentos da sociedade.

Na área tecnológica, a limitação para que pequenos agricultores da Amazônia adotem os SAF´s como atividade agroeconômica, está principalmente, na falta de informações sobre o manejo dos sistemas, na complexidade das interações entre os diferentes componentes, específicas para cada região, dificultam a generalização de conclusões e recomendações.

A mudança da condição de economia de subsistência, tradicionalmente aceita nas regiões tropicais, para uma economia de mercado dos SAF´s, exige da pesquisa e da experimentação uma postura, apontada para o estudo, desenvolvimento e aperfeiçoamento de tecnologias para esta modalidade de uso da terra. Que, seja capaz, também, de promover uma integração entre as ações antrópicas e ambientais, evitando criar situações como áreas degradadas, exploração desordenada da floresta, manutenção da pobreza de pequenos produtores, além do êxodo rural.
Desta forma, há necessidade de buscar sistemas de produção agrícola e pecuária, que consideram a sustentabilidade produtiva, o equilíbrio ambiental, o incremento dos rendimentos e as condições socioeconômicas dos produtores. Os SAF´s tem sido apresentados como uma solução viável e sustentável para a agropecuária nas regiões tropicais. Os SAF´s tradicionais, como os quintais caseiros, tem apresentado atributos de sustentabilidade e sua importância social e na geração de produtos para consumo familiar é inquestionável; no entanto, sua capacidade de gerar renda é limitada, devido a dificuldade de comercialização de uma grande diversidade de produtos em pequenas quantidades.

Desenvolver estudos que permitam responder interrogações como: quais os tipos de SAF´s existem no campo e quais são seus componentes? Sistemas diversificados se caracterizam por um maior grau de estabilidade em um ou vários parâmetros indicadores (p. ex. rendimento líquido, ciclagem de nutrientes)? Qual é o conhecimento local sobre o estabelecimento, o manejo e o aproveitamento destes sistemas e de seus componentes? Oferecerão informações que induzem a postular perguntas de contexto, sobre os mercados e a comercialização dos produtos gerados pelos SAF´s na Amazônia. A geração e validação de tecnologias representam o caminho para que os SAF´s aumentem a competitividade, frente a outras alternativas convencionais de agricultura na Amazônia.

O trópico úmido da Amazônia possui características que tornam os plantios uniformes de agricultura, pastagem e floresta, sobretudo de espécies nativas, mais vulneráveis às pressões biológicas, onerando e dificultando o manejo da agropecuária e da floresta na região. Tais dificuldades levam à perpetuação da agricultura itinerante, de sistemas de produção agrícola e pecuária inadequados, bem como à extração predatória dos recursos naturais.

Os SAF´s têm sido apontados como uma das alternativas econômico-ecológicas viáveis, de produção agrícola. Eles constituem o tipo de uso do solo que mais se aproxima da estrutura e da dinâmica da vegetação natural, podendo substituir, com certa eficiência, na sua função ecofisiológica de manutenção do equilíbrio ecológico nos trópicos úmidos.

A viabilidade econômica e a longevidade produtiva são características importantes para sistemas de uso da terra para a Amazônia. A sustentabilidade dos sistemas de produção está ligada aos diferentes mecanismos de uso dos recursos solo e clima. O sucesso dos sistemas produtivos está relacionado a tentativa de aproximação ao ecossistema natural, o que não ocorre na região com a maioria dos agricultores.

Por outro lado, considera que o modelo funcional dos sistemas produtivos na Amazônia deveria seguir o exemplo da vegetação secundária, pois a floresta primária é fitossociológica e ecologicamente, um sistema maduro e equilibrado, podendo manter uma biomassa máxima pelo gasto mínimo de energia, sendo considerado um ecossistema predatório. Ao contrário, as capoeiras são relativamente alteráveis na fase inicial, e instáveis como comunidade de plantas, acumulando biomassa em grande quantidade, sendo considerado um ecossistema produtivo.

A agrofloresta deve ser praticada com a intenção de desenvolver formas mais sustentáveis de uso da terra, que possa incrementar a produtividade na propriedade e o bem estar da comunidade rural. No entanto, o autor alerta para o fato de que a agrofloresta, atualmente, vem sendo considerada como um conjunto de distintas prescrições para o uso da terra.

Apesar dos aspectos de racionalidade dos SAF´s, ainda se encontram poucas informações, com resultados cientificamente comprovados, disponíveis aos agricultores interessados em desenvolver sistemas agroflorestais de produção. Assim, aspectos básicos que devem ser definidos para implantação dos SAF´s, continuam carentes de respostas adequadas.

Algumas alternativas agroflorestais consideradas promissoras para a Amazônia, entre estas estão: Taungya modificado, que poderia ser utilizado no reflorestamento de áreas de terras firmes degradadas; pousio manejado, com adoção de árvores de leguminosas fixadoras de Nitrogênio ou espécies perenes regionais de valor comercial, que dessem rápido retorno econômico, como as fruteiras; cultivos perenes em faixas, que poderiam ser empregados em áreas declivosas, objetivando minimizar a erosão e controlar as invasoras através do fornecimento de "mulch"; multiestratos, que seriam a associação de fruteiras e espécies florestais, com a introdução de cobertura e, ou componente animal dentro do sistema; sistemas silvipastoris, através do estabelecimento de espécies madeiráveis em pastos, que aumentaria o retorno econômico à médio prazo e justificaria incentivos a curto prazo para o melhoramento de pastagens e; cercas vivas, que poderiam ser utilizadas em substituição às cercas tradicionais, provavelmente, teriam um impacto positivo sobre o desmatamento. Estes autores ainda acrescentam que a pesquisa nessa área é fundamental para que se possa acelerar o desenvolvimento e extensão de tecnologias agroflorestais apropriadas.

A importância da pesquisa participativa, onde a observação contínua e o contato com os produtores, permitem ao pesquisador compreender mais sobre o funcionamento real do sistema, dentro das limitações ecológicas e socioeconômicas da região. Deste modo, cada estudo particular ajuda a identificar os fatores que limitam a produtividade e a rentabilidade do sistema.

O sistema tradicional de substituição das áreas de florestas nativas por extensas áreas de pastagem puras de gramíneas na região amazônica, tem sido consideradas ineficiente social, econômica e ecologicamente. Problemas de manejo inadequado das pastagens, baixa fertilidade do solo e invasão de plantas daninhas resultaram em grandes áreas de pastagens abandonadas nas últimas décadas.

Os milhões de hectares de pastagens improdutivas e abandonadas juntamente com as áreas de capoeira provenientes da agricultura migratória representam uma oportunidade de implementar novos sistemas de produção agrícola, sem a necessidade de desmatar novas áreas de florestas na Amazônia.

A associação de árvores de sombra com culturas perenes é bastante conhecida nos trópicos úmidos. Dois exemplos tradicionais encontrados são o café (Coffea arabica) e o cacau (Theobroma cacao) associados com leguminosas para aporte de biomassa e, ou espécies madeiráveis. Essas espécies sob condições de sombra têm rendimentos geralmente mais baixos que quando cultivadas a pleno sol, no entanto produzem rendimentos estáveis por períodos mais longos. Isso deve-se ao fato da sombra reduzir o crescimento das plantas e a demanda de nutrientes do solo, conservando o rendimento a um nível tal que o solo pode mantê-lo. O aporte de nutrientes produzidos pela biomassa, oriunda das espécies de sombra, também contribui para tal fato.

Em SAF´s envolvendo culturas umbrófilas, pela conveniência de se poder ajustar as quantidades adequadas de sombra através de podas e raleamentos, tradicionalmente se costuma usar "árvores com função de serviço" para sombreamento, de preferência leguminosas, as quais entre outras utilidades têm a capacidade de fixar nitrogênio.

As palmeiras, de modo geral, são espécies que se adaptam para o uso em SAF´s, por sua copa aberta, talo ereto, fácil propagação, auto-poda e produção múltipla (frutos, óleos, palmito). A pupunha (Bactris gasipae) vem sendo utilizada, por muitos agricultores, como planta sombreadora de outras culturas, podendo ser tanto a cultura comercial, como de sustentação. Na Costa Rica pode ser observada como planta sombreadora de café , onde vem-se obtendo resultados satisfatórios. No Brasil, como planta sombreadora do cupuaçu (Theobroma grandiflorum) e do cacau (Theobroma cacao).

Com o propósito de melhorar o cenário da utilização da terra da Amazônia, propõe-se o desenvolvimento de SAF´s, partindo do princípio que a combinação de espécies florestais e frutíferas, com cultivos agrícolas e a integração com animais, possam proporcionar o uso adequado do solo, objetivando a produção e a manutenção da produtividade por unidade de áreas, garantindo rendimento sustentável e o bem estar do homem no meio rural dos ecossistemas amazônico.

Na Amazônia já existem inúmeros consórcios implantados e bem sucedidos, muitos deles em plena produção, tanto em instituições de pesquisa como em área de produtor. No entanto, necessita-se avaliar parâmetros quantitativos e qualitativos das variáveis do meio biofísico dos SAF´s de interesse sócio-econômico já existentes no meio rural na região Amazônica.

Os SAF´s são formas de cultivos em que se associam, numa mesma área, árvores e arbustos com cultivos agrícolas e/ou com animais, de maneira simultânea ou escalonada no tempo. Assim, a presença de uma grande diversidade de espécies, ocupando diversos extratos (árvores grandes e pequenas, palmeiras, ervas e arbustos), imita o ecossistema florestal.

A presença de árvores nos SAF´s gera uma série de benefícios ao solo e ambiente, como a proteção contra a erosão, deposição de folhas e aumento da matéria orgânica, conservação da água, aumento de organismos benéficos (como a minhoca), menor proliferação de pragas e doenças, menor ocorrência de invasoras, conservação da biodiversidade (fauna e flora), microclima favorável ao crescimento de plantas e animais, proteção da área contra as queimadas e manutenção das condições climáticas da região.

Além dos benefícios ambientais, o produtor também obtém excelentes benefícios socioeconômicos, pois a maioria das plantas presentes nos SAF´s pode render algum produto para seu consumo ou venda, como: cereais, frutas, verduras, remédios naturais, fibras, óleos, resinas, mel, carne, leite, ovos, madeira, lenha, etc. Assim, os SAF´s apresentam-se como alternativa viável e sustentável para a exploração agropecuária da região amazônica. No entanto, muitos estudos ainda necessitam ser realizados, para desenhar sistemas sustentáveis e adequados para as condições socioeconômicas do pequeno produtor.

O cupuaçu tem-se mostrado como a fruteira regional mais promissora a curto prazo, pela sua grande aceitação a nível regional, bem como pelos novos mercados que já se vislumbram nas regiões centro sul do Brasil. Associações de pequenos produtores do Acre e sul do Pará estão atingindo estes novos mercados sul com a polpa congelada desta fruta. Daí a necessidade de desenvolver sistemas produtivos para esta fruteira, que considerem as peculiariedades dos atuais sistemas de produção agrícola, a utilização de áreas abandonadas e o incremento dos rendimentos da atividade rural no estado.

Quase a totalidade dos produtos madeireiros (madeira, lenha, carvão, tarugos para cercas, etc) consumidos na Amazônia são provenientes das florestas nativas. A exploração da floresta para estes fins na grande maioria é realizada baixo um manejo inadequado, o que tem causado a exaustão dos estoques naturais de espécies como a andiroba, virola, mogno, etc. Aliado a estes fatores, há uma crescente demanda mundial por madeira, o que resulta numa maior pressão sobre as florestas tropicais.

Entretanto, poucas são as plantações florestais na região amazônica. Uma causa apontada para tal situação é o tempo para o retorno econômico dos investimentos florestais. O desenvolvimento de sistemas agroflorestais com espécies madeireiras, é de fundamental importância para que o pequeno produtor tenha condições de cultivar estas espécies. Nestes sistemas se preconiza que o produtor obtenha rendimentos desde a fase de estabelecimento do sistema, com implantação simultânea de cultivos de ciclo curto; até a colheita da espécie florestal com o intercultivo de fruteiras e outras espécies perenes.

Os SAF´s tradicionais, como os quintais caseiros, tem-se mostrado sustentável do ponto de vista biológico e tem sido importantes para gerar alimentos para complementação da dieta básica e outros produtos para o uso familiar. No entanto, poucos excedentes o quintal tem gerado para comercialização, devido especialmente o grande número de espécie presentes neste sistema, podendo chegar a mais 60 espécies num único quintal, apresentando as seguintes utilidades: remédios, alimentos, ornamentação, atração para caça, material de construção, etc.. Esta grande gama de produtos dificulta o atingimento de mercados pelo pequeno produtor, pois os excedentes de cada produto são pequenos, sendo na maioria das vezes não comercializados e quando vendidos, os preços são irrisórios.

A adoção de SAF´s tem sido indicada como uma das maneiras de desenvolver o setor rural da Amazônia através de maior geração de renda, redução da pobreza rural e proteção do meio-ambiente. Entretanto, a adoção de tais sistemas pelos agricultores depende de incentivos como políticas públicas na forma de apoio institucional, crédito, fomento ao plantio de árvores entre outras. Ainda é necessário que o produtor rural tenha visão clara dos benefícios financeiros decorrentes desta atividade. Tais informações nem sempre estão disponíveis ao lado das informações técnicas sobre SAF´s.

O bom desempenho financeiro dos SAF´s depende ainda da incorporação, nestes sistemas, de espécies cujos produtos possuam preço e mercado garantidos como o cacau e o café, por exemplo.
Pesquisas realizadas na Amazônia identificaram a viabilidade econômica de sistemas agroflorestais que incluam cupuaçu, pupunha, castanha-do-brasil. Há evidências que a renda gerada por um hectare de sistema agroflorestal equivale a 4 ou 5 ha de monocultivo. Mas essas informações ainda se restringem a alguns sistemas em poucos locais da Amazônia. Para Rondônia já há recomendação técnica de SAF´s. No entanto ainda não há análise do desempenho financeiro dos mesmos.

A importância dos SAF´s tradicionais para a pequena produção familiar é inquestionável. Entretanto é necessário desenvolver novos SAF´s sustentáveis e adequados para as condições socioeconômicas e ambientais da produção agrícola e pecuária na Amazônia, levando em consideração os mercados e o aumento dos rendimentos dos produtores.

A melhoria do desempenho da agricultura itinerante com sistemas alternativos florestais e agroflorestais é uma demanda de pesquisa identificada para a Amazônia. A exploração do período de pousio com plantações florestais é uma opção que merece ser estuda. Plantios florestais adequados para as condições ambientais locais podem trazer uma serie de benefícios ao solo e ao meio ambiente, como a proteção contra a erosão e lixiviação, melhoria da reciclagem de nutrientes, absorção de nutrientes em camadas profundas do solo, fixação de nitrogênio (quando leguminosas), aumento do teor de matéria orgânica do solo, pela deposição de folhas e galhos, contribuindo assim para a recuperação da fertilidade dos solos. Estas plantações também podem gerar benefícios socioeconômicos, como: aumento dos rendimentos pela venda da madeira ou outro produto; manutenção do sistema tradicional de produção de alimentos, quando seu estabelecimento é realizado simultâneo aos cultivos de subsistência; e ocupação da terra, evitando conflitos agrários.

SAF´s com espécies perenes é outra uma opção para a agricultura familiar da Amazônia, principalmente considerando que muitas espécies nativas tem algum produto com grande potencial de mercado, como é o caso das fruteiras. No curto prazo, desponta-se o cupuaçu como a mais promissora. A polpa desta fruta é utilizada para sorvetes, sucos, cremes, doces, licores, etc. e já tem atingido mercados no centro sul do Brasil. No entanto, a maioria da produção desta fruteira é oriunda de pequenas plantações nos quintais caseiros ou de coleta de frutos de plantas na floresta. Assim é necessário desenvolver sistemas de produção para esta espécie.

O cupuaçuzeiro é uma espécie que necessita de sombra para obter um bom desenvolvimento, sendo os SAF´s os mais adequados para o seu cultivo. Muitas espécies são utilizadas como sombra desta espécie em quintais caseiros, no entanto poucos são os estudos para determinar as interações do cupuaçuzeiro com plantas para sombra temporária (fase de estabelecimento) e sombra permanente (fase de produção). Dependendo da espécie utilizada e seu arranjo de plantio, pode-se obter variações consideráveis nos cultivos sob sombra, podendo gerar interações positivas (melhor desempenho produtivo) ou negativas (redução da produção pela competição) para o sistema. Assim é necessário estudar o comportamento produtivo desta espécie sob diferentes espécies para sombra, buscando uma maior rentabilidade econômica para o sistema, com a incorporação de espécies que forneçam outros produtos como: madeira, frutos, sementes, resinas.

A integração do sistema de produção pecuário e florestal podem contribuir para o aumento dos benefícios econômicos dos produtores e para a sustentabilidade da produção pecuária. Os sistemas silvipastoris, como estes sistemas são conhecidos, tem como objetivo a otimização da produção biológica por unidade de área e a manutenção desta capacidade produtiva. A presença das árvores dentro destes sistemas condicionam uma serie de interações com o solo, a pastagem e os animais. No solo melhoram a estrutura e a ciclagem de nutrientes e interfere no balanço hídrico. Na pastagem a redução da radiação solar melhora qualidade da forragem, diminui o consumo de água e pode influir na produção de biomassa e na relação raiz/folhagem. Nos animais a sombra reduz a temperatura corporal, melhorando seu desempenho produtivo. Estas interações dependem das espécies selecionadas, densidade de plantio e praticas de manejo).

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Impactos Causados ao Meio Ambiente Pela Monocultura do Eucalipto no Brasil

Impactos Causados ao Meio Ambiente Pela Monocultura do Eucalipto no Brasil

Impactos Causados ao Meio Ambiente Pela Monocultura do Eucalipto no BrasilAvanço da monocultura de eucalipto
Veja como essa atividade econômica tem repercussões negativas no meio ambiente e na sociedade

Desertificação do clima
As plantações florestais de crescimento rápido, como o eucalipto, necessitam de muita água, por isso absorvem as chuvas e também a água do próprio solo.

Ressecamento do solo e erosão
No Brasil o eucalipto não cresce naturalmente e, plantado em larga escala, forma florestas homogêneas que garantem a viabilidade econômica. Após sete anos, as florestas são cortadas e o solo, já empobrecido, fica completamente exposto, sem cobertura vegetal.

Diminuição da biodiversidade
A introdução do eucalipto impede que a vegetação natural (gramíneas e arbustos) se mantenha. Isso altera a dinâmica da vida dos animais no local. Nos bosques de eucalipto, só proliferam formigas e caturritas (aves predadoras de lavouras que usam as árvores de eucalipto como abrigo, mas não se alimentam delas). No Espírito Santo, onde há grandes plantações florestais de eucalipto, existe uma categoria de trabalhadores cuja profissão é matar formigas.

Especialização da atividade produtiva
O avanço da monocultura de eucalipto na metade sul do Rio Grande do Sul deve gerar a ruptura de duas tradições produtivas: a pecuária, realizada principalmente nos latifúndios, e a produção da agricultura de subsistência, realizada nos interstícios das grandes propriedades.

Transformação da paisagem e da identidade cultural
As áreas onde há monocultura de eucalipto, como a região dos campos do Rio Grande do Sul, são ecossistemas em risco. O lugar faz parte da construção da identidade das pessoas e sua modificação, com a plantação das mesmas árvores, quilômetros a fio, implica uma transformação violenta da cultura dessas pessoas.

Fonte: Entrevista com Dirce Maria Suertegaray e Roberto Verdum, professores da Faculdade de Geografia da Universidade Federal Rio Grande do Sul (UFRGS).

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Fruticultura e Plantas Frutíferas

Fruticultura e Plantas Frutíferas

Fruticultura e Plantas Frutíferas

Fruticultura é o ramo da agricultura que trata do cultivo racional de plantas frutíferas, visando à produção de frutos comestíveis. Seu objetivo primordial é desenvolver pomares com plantas vigorosas, sadias e de elevada produtividade, o que incentiva a criação e seleção de novas variedades e híbridos, com características superiores, e ao aperfeiçoamento dos tratos que cada espécie requer.

A dispersão de frutas, de sua terra de origem para as partes do globo em que podem ser cultivadas, relaciona-se com os grandes acontecimentos históricos, tais como as conquistas de Alexandre o Grande, as invasões árabes, as cruzadas e as grandes viagens marítimas, especialmente de portugueses e espanhóis. O intercâmbio de espécies e variedades intensificou-se ainda mais nos tempos modernos.

Em geral, o clima ideal para o cultivo de cada fruteira fica próximo do que é típico de sua região de origem. Levando isso em conta, classificam-se as espécies frutíferas em três grupos: (1) fruteiras de clima temperado, como a ameixa, o figo, a maçã, a pêra, o pêssego, a uva e a nogueira-pecã; (2) fruteiras de clima subtropical, representadas pelo abacate, caqui, citros, nêspera, jabuticaba e tâmara; e (3) fruteiras de clima tropical, que compreendem o abacaxi, fruta-de-conde, banana, caju, coco-da-baía, mamão, manga, maracujá e tamarindo.


Quase todas as fruteiras de clima temperado e algumas de clima subtropical (como o caqui) têm folhas caducas, isto é, despem-se de sua folhagem no fim do outono e criam novas folhas na primavera. É costume podá-las no inverno para obter maior produtividade.

Com os avanços da engenharia genética aplicada ao melhoramento de plantas, o clima tem deixado de ser fator limitante para o cultivo das fruteiras. Atualmente, o cultivo de fruteiras de clima temperado em regiões tropicais é cada vez mais comum e economicamente promissor.

A partir da década de 1980, a região Nordeste do Brasil, tipicamente tropical, passou a se destacar na produção de uvas e tornou-se uma das principais regiões produtoras do país, com qualidade para exportação. O vinho produzido a partir de uvas cultivadas no Nordeste brasileiro já é considerado um dos melhores do país.

Obtenção de novas variedades
As fruteiras mais valiosas sofrem um continuado processo de seleção e melhoramento, que dá origem a novas variedades por processos como a hibridação artificial e a seleção de mutantes naturais. O sucesso de um pomar depende em grande parte da escolha acertada da variedade, que deve levar em conta sua adaptabilidade às condições de clima e solo do local. As variedades de certas espécies, como maçã e pêra, apresentam exigências climáticas muito específicas. Uma boa combinação de variedades plantadas no mesmo pomar, no caso do abacate, por exemplo, permite estender a safra para o ano inteiro.

A propagação das plantas frutíferas pode ser sexuada (por sementes) ou assexuada (propagação vegetativa). A primeira apresenta inconvenientes, como a grande variabilidade das mudas e a demora do início de produção, e por isso tem sido substituída pela propagação vegetativa. A grande maioria das fruteiras comerciais é propagada pela enxertia de gemas ou por garfagem em "cavalos" ou porta-enxertos apropriados. Os porta-enxertos são produzidos com o emprego de sementes, como no caso dos citros, abacate, manga e pêssego, ou por meio da estaquia, usada para a maçã, pêra e uva. Outro método de propagação vegetativa é a mergulhia, no qual a muda já dispõe de raízes ao ser separada da planta-mãe.

Formação do pomar
Os solos com boa porosidade, profundos e ricos em elementos minerais e matéria orgânica são os que melhor se prestam para a fruticultura. Solos rasos ou que se encharcam com facilidade devem ser evitados. O espaçamento entre as mudas depende do hábito de crescimento, do porte das plantas, de suas exigências de luz, da fertilidade do solo e do clima da região.

Para se fazerem as covas, usa-se um enxadão ou a broca. Mudas de um a dois anos de idade, as mais comuns, requerem covas de sessenta centímetros de comprimento, largura e profundidade. Freqüentemente juntam-se adubos mineral e orgânico à terra usada para fechar as covas. As fruteiras de folhas caducas devem ser transplantadas durante o inverno, quando estão em fase de hibernação ou repouso; as de folhas perenes, preferivelmente durante a primavera e verão.

Cuidados indispensáveis
Para que o desenvolvimento das plantas se realize de forma rápida, vigorosa e sadia, e a produção seja precoce, é preciso cuidar da adubação e irrigação, podar as mudas de maneira adequada a cada espécie, controlar as ervas daninhas e combater as doenças e pragas.

As fruteiras de clima tropical e subtropical não necessitam de poda, mas o fruticultor deve eliminar os ramos malformados e doentes. A videira, o pessegueiro, a macieira e outras plantas de clima temperado devem receber podas de formação e de produção, que facilitem as operações de desbaste, colheita e pulverização fitossanitária.

A adubação dos pomares aumenta sua produtividade. O aspecto das plantas, a constituição do solo e a análise foliar ajudam a determinar o tipo e quantidade de adubo a usar em cada caso. Em geral são necessárias aplicações de nitrogênio, fósforo e potássio. Os solos pobres e ácidos também podem ter carência de outros elementos, como zinco, manganês, magnésio, cálcio, boro, ferro e cobre. A aplicação de calcário para corrigir a acidez do solo favorece a absorção geral dos elementos. A maioria das fruteiras vegeta melhor em solos cujo pH se encontra entre seis e sete.

Inúmeras doenças e pragas atacam as fruteiras desde pequenas, destruindo-lhes os tecidos, inoculando-lhes toxinas e reduzindo seu vigor e produtividade. Evitam-se certos parasitas pelo uso de variedades ou porta-enxertos tolerantes ou resistentes. A maioria das doenças e pragas, entretanto, precisa ser controlada por meio de pulverizações ou polvilhamentos de produtos químicos.

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Agrofloresta ou Sistema Agroflorestal

Agrofloresta ou Sistema Agroflorestal

Agrofloresta ou Sistema AgroflorestalAgrofloresta ou Sistema Agroflorestal - SAF é um sistema que reúne as culturas agrícolas com as culturas florestais, resultante da prática de estudo de agrossilvicultura.

Plantações de florestas para suprir as necessidades do homem. Usa a dinâmica de sucessão de espécies da flora nativa para trazer as espécies que agregam benefícios para o terreno assim como produtos para o agricultor.

A agrofloresta recupera antigas técnicas de povos tradicionais de várias partes do mundo, unindo a elas o conhecimento científico acumulado sobre a ecofisiologia das espécies vegetais, e sua interação com a fauna nativa.

Sistemas agroflorestais multiestrato
Os SAFs, como são conhecidos, são a reprodução no espaço e no tempo da sucessão ecológica verificada naturalmente na colonização de áreas novas ou deterioradas. Não é a reconstrução da mata original porque inclui plantas de interesse econômico desde as primeiras fases, permitindo colheitas sucessivas de produtos diferentes ao longo do tempo.

A modelagem de um SAF exige grande conhecimento interdisciplinar sobre solos e sua microfauna e microflora, função ecofisiológica dos organismos que constituem os vários estratos, sucessão ecológica, além de fitossanidade.

Ernst Götsch, um dos pioneiros dos SAF no Brasil, demonstrou através da revegetação de uma área devastada pelo manejo incorreto na zona cacaueira da Bahia, que hoje se tornou uma RPPN, o potencial de sustentabilidade dos SAFs.

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Conceitos de Agroecologia

Conceitos de Agroecologia

Conceitos de AgroecologiaConsidera-se Agroecologia como Ciência ou campo de conhecimentos de natureza multidisciplinar, cujos ensinamentos pretendem contribuir na construção de estilos de agricultura de base ecológica e na elaboração de estratégias de desenvolvimento rural, tendo-se como referência os ideais da sustentabilidade numa perspectiva multidimensional. Adiante destacamos três sínteses conceituais de renomados Agroecólogos (Altieri, Gliessman, Sevilla Guzmán), seguidas de um artigo de opinião, com o objetivo de colocar ênfase na natureza científica da Agroecologia.

Agroecologia

Miguel A. Altieri (Universidade da Califórnia, Campus de Berkley, EUA)

É a ciência ou a disciplina científica que apresenta uma série de princípios, conceitos e metodologias para estudar, analisar, dirigir, desenhar e avaliar agroecossistemas, com o propósito de permitir a implantação e o desenvolvimento de estilos de agricultura com maiores níveis de sustentabilidade. A Agroecologia proporciona então as bases científicas para apoiar o processo de transição para
uma agricultura “sustentável” nas suas diversas manifestações e/ou denominações.

Enfoque agroecológico

Stephen R. Gliessman (Universidade da Califórnia, Campus de Santa Cruz, EUA)

O enfoque agroecológico corresponde a aplicação dos conceitos e princípios da Ecologia no manejo e desenho de agroecossistemas sustentáveis.

Agroecologia e desenvolvimento rural

Eduardo Sevilla Guzmán (Universidade de Córdoba – Espanha)

Agroecologia constitui o campo do conhecimentos que promove o “manejo ecológico dos recursos naturais, através de formas de ação social coletiva que apresentam alternativas à atual crise de Modernidade, mediante propostas de desenvolvimento participativo desde os âmbitos da produção e da circulação alternativa de seus produtos, pretendendo estabelecer formas de produção e de consumo que contribuam para encarar a crise ecológica e social e, deste modo, restaurar o curso alterado da coevolução social e ecológica. Sua estratégia tem uma natureza sistêmica, ao considerar a propriedade, a organização comunitária e o restante dos marcos de relação das sociedades rurais articulados em torno à dimensão local, onde se encontram os sistemas de conhecimento portadores do potencial endógeno e sociocultural. Tal diversidade é o ponto de partida de suas agriculturas alternativas, a partir das quais se pretende o desenho participativo de métodos de desenvolvimento endógeno para estabelecer dinâmicas de transformação em direção a sociedades sustentáveis”.

Agroecologia: enfoque científico e estratégico (1)

Francisco Roberto Caporal (2); José Antônio Costabeber (3)

De algum tempo para cá, quase todos nós temos lido, ouvido, falado e opinado sobre Agroecologia. As orientações daí resultantes têm sido muito positivas, porque a referência à Agroecologia nos faz lembrar de uma agricultura menos agressiva ao meio ambiente, que promove a inclusão social e proporciona melhores condições econômicas para os agricultores de nosso estado. Não apenas isto, mas também temos vinculado a Agroecologia à oferta de produtos “limpos”, ecológicos, isentos de resíduos químicos, em oposição àqueles característicos da Revolução Verde. Portanto, a Agroecologia nos traz a idéia e a expectativa de uma nova agricultura, capaz de fazer bem aos homens e ao meio ambiente como um todo, afastando-nos da orientação dominante de uma agricultura intensiva em capital, energia e recursos naturais não renováveis, agressiva ao meio ambiente, excludente do ponto de vista social e causadora de dependência econômica.Realização Comissões Conceitos Histórico Buscar Títulos Programa. Por outro lado, e isto é importante que se diga, o entendimento do que é a Agroecologia e onde queremos e podemos chegar com ela não está claro para muitos de nós ou, pelo menos, temos tido interpretações conceituais diversas que, em muitos casos, acabam nos prejudicando ou nos confundindo em relação aos propósitos, objetivos e metas do trabalho que todos estamos empenhados em realizar. Apenas para dar alguns exemplos do mau uso do termo, não raras vezes tem-se confundido a Agroecologia com um modelo de agricultura, com um produto ecológico, com uma prática ou tecnologia agrícola e, inclusive, com uma política pública. Isso, além de constituir um enorme reducionismo do seu significado mais amplo, atribui à Agroecologia definições que são imprecisas e incorretas sob o ponto de vista conceitual e estratégico, mascarando a sua real potencialidade de apoiar processos de desenvolvimento rural. Por estes motivos, e sem ter a pretensão de fazer, neste momento, qualquer aprofundamento teórico e/ou metodológico, nos parece conveniente mencionar, objetivamente, como a Agroecologia vem sendo encarada sob o ponto de vista acadêmico e o seu vínculo com a promoção do desenvolvimento rural sustentável.

Com base em vários estudiosos e pesquisadores nesta área (Altieri, Gliessman, Noorgard, Sevilla Guzmán, Toledo, Leff), a Agroecologia tem sido reafirmada como uma ciência ou disciplina científica, ou seja, um campo de conhecimento de caráter multidisciplinar que apresenta uma série de princípios, conceitos e metodologias que nos permitem estudar, analisar, dirigir, desenhar e avaliar agroecossistemas. Os agroecossistemas são considerados como unidades fundamentais para o estudo e planejamento das intervenções humanas em prol do desenvolvimento rural sustentável. São nestas unidades geográficas e socioculturais que ocorrem os ciclos minerais, as transformações energéticas, os processos biológicos e as relações sócio-econômicas, constituindo o lócus onde se pode buscar uma análise sistêmica e holística do conjunto destas relações e transformações. Sob o ponto de vista da pesquisa Agroecológica, os primeiros objetivos não são a maximização da produção de uma atividade particular, mas sim a otimização do equilíbrio do agroecossistema como um todo, o que significa a necessidade de uma maior ênfase no conhecimento, na análise e na interpretação das complexas relações existentes entre as pessoas, os cultivos, o solo, a água e os animais. Por esta razão, as pesquisas em laboratório ou em estações experimentais, ainda que necessárias, não são suficientes pois, sem uma maior aproximação aos diferentes agroecossistemas, elas não correspondem à realidade objetiva onde seus achados serão aplicados e, tampouco, resguardam o enfoque ecossistêmico desejado. São relações complexas deste tipo que alimentam a moderna noção de sustentabilidade, tão importante aspecto a ser considerado na atual encruzilhada em que se encontra a humanidade.

Em essência, o Enfoque Agroecológico corresponde à aplicação de conceitos e princípios da Ecologia, da Agronomia, da Sociologia, da Antropologia, da ciência da Comunicação, da Economia Ecológica e de tantas outras áreas do conhecimento, no redesenho e no manejo de agroecossistemas que queremos que sejam mais sustentáveis através do tempo. Se trata de uma orientação cujas pretensões e contribuições vão mais além de aspectos meramente tecnológicos ou agronômicos da produção agropecuária, incorporando dimensões mais amplas e complexas que incluem tanto variáveis econômicas, sociais e ecológicas, como variáveis culturais, políticas e éticas. Assim entendida, a Agroecologia corresponde, como afirmamos antes, ao campo de conhecimentos que proporciona as bases científicas para apoiar o processo de transição do modelo de agricultura convencional para estilos de agriculturas de base ecológica ou sustentáveis, assim como do modelo convencional de desenvolvimento a processos de desenvolvimento rural sustentável.

Suas bases epistemológicas mostram que, historicamente, a evolução da cultura humana pode ser explicada com referência ao meio ambiente, ao mesmo tempo em que a evolução do meio ambiente pode ser explicada com referência à cultura humana. Ou seja: a) Os sistemas biológicos e sociais têm potencial agrícola; b) este potencial foi captado pelos agricultores tradicionais através de um processo de tentativa, erro, aprendizado seletivo e cultural; c) os sistemas sociais e biológicos co-evoluíram de tal maneira que a sustentação de cada um depende estruturalmente do outro; d) a natureza do potencial dos sistemas social e biológico pode ser melhor compreendida dado o nosso presente estado do conhecimento formal, social e biológico, estudando-se como as culturas tradicionais captaram este potencial; e) o conhecimento formal, social e biológico, o conhecimento obtido do estudo dos sistemas agrários convencionais, o conhecimento de alguns insumos desenvolvidos pelas ciências agrárias convencionais e a experiência com instituições e tecnologias agrícolas ocidentais podem se unir para melhorar tanto os agroecossistemas tradicionais como os modernos; f) o desenvolvimento agrícola, através da Agroecologia, manterá mais opções culturais e biológicas para o futuro e produzirá menor deterioração cultural, biológica e ambiental que os enfoques das ciências convencionais por si sós (Norgaard, 1989).

Dentro desta perspectiva, especialmente ao longo dos últimos 3 anos, o Rio Grande do Sul vem se transformando em um estado onde existem referências concretas quanto ao processo de transição agroecológica a partir da adoção dos princípios da Agroecologia como base científica para orientar esta transição a estilos de agricultura e desenvolvimento rural sustentáveis. Não obstante, ainda que o tema, como abordamos acima, tenha sido objeto de discussão em distintos eventos realizados em todas as regiões do estado e esteja presente em vários textos e documentos de ampla circulação, continuamos a observar que segue existindo um uso equivocado do termo Agroecologia e de seu significado. Por este motivo, nos parece importante reforçar a noção de Agroecologia que vem respaldando o processo de transição agroecológica em curso com seu caráter ecossocial, como fazemos neste artigo de opinião. Na prática e teoricamente, a Agroecologia precisa ser entendida como um enfoque científico, uma ciência ou um conjunto de conhecimentos que nos ajuda tanto para a análise crítica da agricultura convencional (no sentido da compreensão das razões da insustentabilidade da agricultura da Revolução Verde), como também para orientar o correto redesenho e o adequado manejo de agroecossistemas, na perspectiva da sustentabilidade.

Assim sendo, o Enfoque Agroecológico, como o estamos entendendo no Rio Grande do Sul, traz consigo as ferramentas teóricas e metodológicas que nos auxiliam a considerar, de forma holística e sistêmica, as seis dimensões da sustentabilidade, ou seja: a Ecológica, a Econômica, a Social, a Cultural, a Política e a Ética (Caporal e Costabeber, 2002). Partindo desta compreensão, repetimos que a Agroecologia não pode ser confundida com um estilo de agricultura. Também não pode ser confundida simplesmente com um conjunto de práticas agrícolas ambientalmente amigáveis. Ainda que ofereça princípios para estabelecimento de estilos de agricultura de base ecológica, não se pode confundir Agroecologia com as várias denominações estabelecidas para identificar algumas correntes da agricultura “ecológica”. Portanto, não se pode confundir Agroecologia com “agricultura sem veneno” ou “agricultura orgânica”, por exemplo, até porque estas nem sempre tratam de enfrentar-se aos problemas presentes em todas as dimensões da sustentabilidade.

Estas são considerações que julgamos ser de suma importância quando se almeja promover a construção de processos de desenvolvimento rural sustentável, orientados pelo imperativo socioambiental, com participação e equidade social, como já nos referimos em outro texto (Caporal e Costabeber, 2000; 2001).
Agroecologia na Atualidade
 Na agroecologia o uso de produtos químicos não é aceito na agricultura, portanto ela  defende a diversidade genética no espaço agrário, conceito não obrigatório nos trabalhos da agricultura orgânica. O termo “agroecologia” foi empregado pela primeira vez em 1928, por meio de uma publicação assinada por Basil Bensin, agrônomo russo.

Quando falamos em agroecologia, nos referimos a uma ciência e movimento que busca uma visão mais ampla sobre o cultivo no solo e sua relação com a natureza e a sociedade, tendo como base a reciclagem integral de todos os componentes envolvidos com a produção e consumação agrícola.

O amadurecimento dessa ciência teria ocorrido a partir dos anos 1960 e 1970, época de preocupação inicial pela preservação dos recursos naturais. Desde então, tem crescido a preocupação das relação das atividades antropogênicas com o solo, recursos hídricos, fauna, flora e ecossistema, de forma que tais atividades não ocasionassem perdas irreversíveis ao meio ambiente e possibilitassem a segurança alimentar.

Conceitos de Agroecologia

Em novembro de 2012, a ONU divulgou o documento Agroecology and the right to food  (Agroecologia e o Direito à Alimentação) como um caminho para incentivar os governos a investirem mais em agroecologia em detrimento dos atuais investimentos em biotecnologias (empregadas, por exemplo, na geração de espécies transgênicas).

Um dos passos proposto pelo documento é conscientizar o fazendeiro a não utilizar combustíveis fósseis em suas máquinas e sistemas de plantação e colheita, fornecendo técnicas e procedimentos sustentáveis de trabalho sobre o solo. Porém, os cientistas que ajudaram na composição do documento assumem que a agroecologia é apenas uma das soluções possíveis, uma solução que deve ser defendida de maneira científica e não ideológica.

No Brasil, em regiões como São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, técnicas agroecológicas já estão sendo empregadas nas colheitas. Segundo informações disponibilizadas pela  Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, a rápida disseminação de práticas agroecológicas ocorrem graças às atividades de extensão organizadas. Tais atividades, em solo brasileiro, obteve uma elevação considerável, de 30.000 atividades anuais no período 2007-2009 para 150.000 anuais no período 2012-2013.

Segundo o Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), os recursos disponíveis investidos na área da agroecologia ainda não são suficientes para reforçar o setor no Brasil. Ainda carecemos de linhas de financiamento e cursos de capacitação para os nossos profissionais.

Agroecologia como paradigma para a Sustentabilidade

  Conceitos de AgroecologiaAgroecologia como paradigma para a sustentabilidade

Por: Francisco Roberto Caporal

Vêm do início do século passado as proposições de tipos de agriculturas de baixos impactos ambientais. No Brasil, na década de 80, nasceu e cresceu um movimento sócio-ambiental dedicado a promover a chamada agricultura alternativa. Por certo, ainda não havia uma ampla consciência na sociedade sobre os efeitos não desejados no modelo agrícola da Revolução Verde, com seus pesticidas, adubos químicos e mecanização intensiva, mas já se delineava, aqui, como e muitos lugares do mundo, a necessidade de pensar e implementar políticas públicas e estratégias de desenvolvimento e de produção agrícola menos agressivas ao meio ambiente. Nos Estados Unidos, no mesmo período nasceu a proposta da Agricultura de Baixos Insumos Externos, enquanto na Europa cresciam os esforços no sentido de melhorar a qualidade dos alimentos produzidos no campo.

O “ambientalismo cientifíco”, fortalecido após a conferência de Estocolmo, ocorrida em 1972, determina a necessidade de mais estudos no campo da agricultura visando reduzir ou eliminar as externalidades negativas do modelo da “modernização agrícola”, sejam aquelas relacionadas com os impactos ambientais, sejam as que afetam diretamente a saúde humana, como a crescente contaminação por agrotóxico ou a presença de resíduos agroquímicos nos alimentos, como tem mostrado a Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA). Neste sentido, não é surpresa que estudos recentes estejam mostrando a relação existente entre contaminação por agrotóxicos e a presença de doenças, como câncer de mama, câncer de próstata, mal formação de fetos, distúrbios nervosos, etc.

Muitos destes sintomas presentes na sociedade e no meio ambiente, desde algumas décadas, indicam que não podemos seguir produzindo com base em um modelo agrícola que gera renda e riqueza para alguns poucos, enquanto coloca a maioria da população como devedora na balança ambiental, ou numa condição de riscos, como mostram pesquisadores da área da saúde. Sob o slogan de “acabar com a fome no mundo”, criamos e implementamos um modelo de agricultura social, econômica e ambientalmente insustentável. Este modelo, dependente de fontes não renováveis de energia, está agora com seus dias contados. Se não bastasse, novas pesquisas (Centro de Pesquisas Meteorológicas Aplicadas às Agricultura – Cepagri/Unicamp), estão alertando para um provável grande impacto sobre a produção agrícola brasileira em razão do aquecimento global que vem ocorrendo de forma constante.

Tudo isso leva a crer que necessitamos pensar em novas contribuições, inclusive no campo da produção agropecuária, que permitam o estabelecimento de processos produtivos capazes de ajudar a reduzir impactos ambientais, a produzir alimentos limpos e que, ao mesmo tempo, nos aproximem dos ideais de sustentabilidade no médio e longo prazos. Nesta perspectiva, a Agroecologia, como enfoque cientifico, vem aportando conhecimentos capazes de oferecer as bases para uma transição agroecológica, sem perder de vista a necessidade de produção de alimentos de forma estável e permanente, para atender as necessidades alimentares de uma população mundial que segue crescendo.

A Agroecologia, stritu senso, propõe uma nova aproximação entre a Agronomia e a Ecologia, de modo que possamos melhor entender o funcionamento dos agroecossistemas e redesenhá-los de acordo com as funções ecológicas horizontais e verticais que possam ser potencializadas a partir das características de cada bioma brasileiro, tomando em conta os elementos de cultura e os saberes locais que influem no estabelecimento e no manejo das agriculturas de cada zona.

A Agroecologia, como defendemos no Congresso Brasileiro de Florianópolis, em 2005, vem se constituindo num novo paradigma. Não se trata de um tipo de agricultura, mas de uma “matriz disciplinar”, do campo da complexidade, que, a partir de novas bases epistemológicas, pretende orientar processos sócio-produtivos mais sustentáveis e assentados em um novo conjunto de princípios éticos pautados pela inclusão social, soberania alimentar, respeito à vida e ao meio ambiente.

Seguramente, o imperativo sócio-ambiental que nos desafia, exige novos esforços nos campos da pesquisa, do ensino e da assistência técnica e extensão rural. Por sorte, já temos iniciativas como a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Pnater), o Marco de Referência para Pesquisa em Agroecologia, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e o Programa de Agroecologia do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que, entre outras, indicam que é possível caminhamos em busca dos processos produtivos mais sustentáveis, que a sociedade está exigindo.

A Agroecologia, como enfoque cientifico, vem se mostrando como uma abordagem promissora, não somente para a pequena produção ecológica, senão que pode passar a oferecer elementos de conhecimento para a ecologização da agricultura empresarial brasileira, tornando os sistemas produtivos mais sustentáveis. A produção orgânica de larga escala, já presente em nosso país, com produtividade equivalente à agricultura agroquímica, tem dado provas de que podemos evoluir para uma produção mais limpa e menos agressiva sem perdas econômicas e com muitos ganhos sócio-ambientais.
Conceitos de Agroecologia
Conceitos de Agroecologia

O conceito de agroecologia quer sistematizar todos os esforços em produzir um modelo tecnológico abrangente, que seja socialmente justo, economicamente viável e ecologicamente sustentável; um modelo que seja o embrião de um novo jeito de relacionamento com a natureza, onde se proteje a vida toda e toda a vida, estabelecendo uma ética ecológica que implica no abandono de uma moral utilitarista e individualista e que postula a aceitação do princípio do destino universal dos bens da criação e a promoção da justiça e da solidariedade como valores indispensáveis. A rigor, pode-se dizer que agroecologia é a base científico-tecnológica para uma agricultura sustentável.

O modelo de agricultura sustentável são os conhecimentos empíricos dos agricultores, acumulados através de muitas gerações, ao conhecimento científico atual para que, em conjunto, técnicos e agricultores possam fazer uma agricultura com padrões ecológicos (respeito à natureza), econômicos (eficiência produtiva), sociais (eficiência distributiva) e com sustentabilidade a longo prazo. Na agroecologia a agricultura é vista como um sistema vivo e complexo, inserida na natureza rica em diversidade, vários tipos de plantas, animais, microorganismos, minerais e infinitas formas de relação entre estes e outros habitantes do planeta Terra.

O conceito de agroecologia e agricultura sustentável consolidou-se na Eco 92, quando foram lançadas as bases para um desenvolvimento sustentável no planeta. Nos dias de hoje, o termo é entendido como um conjunto de princípios e técnicas que visam reduzir a dependência de energia externa e o impacto ambiental da atividade agrícola, produzindo alimentos mais saudáveis e valorizando o homem do campo, sua família, seu trabalho e sua cultura. A Agroecologia também é definida como a produção, cultivo de alimentos de forma natural, sem a utilização de agrotóxicos e adubos químicos solúveis.

A produção agroecológica ou orgânica cresce no mundo todo a passo acelerado a uma taxa de 20 a 30% ao ano. Estima-se que o comércio mundial movimenta atualmente cerca de 20 bilhões de dólares, despontando a Europa, Estados Unidos e Japão como maiores produtores e consumidores. A Agroecologia engloba modernas ramificações e especializações, como a: agricultura biodinâmica, agricultura ecológica, agricultura natural, agricultura orgânica, os sistemas agro-florestais, etc.

Os sistemas agroecológicos têm demonstrado que é possível produzir propiciando a possibilidade natural de renovação do solo, facilita a reciclagem de nutrientes do solo, utiliza racionalmente os recursos naturais e mantém a biodiversidade, que é importantíssima para a formação do solo.

Agroecologia no Brasil
O Brasil também está investindo firme neste setor e, segundo dados atuais, o comércio nacional atingiu, em 1999/2000, cerca de 150 milhões de dólares. Estima- se que a área cultivada organicamente no país já atinge cerca de 25 mil hectares, perto de 2% da produção total nacional. 70% da produção nacional vai para a exportação, despontando a soja, laranja, banana, açúcar mascavo e café.

O mercado interno ainda é pequeno, com predominância de hortifrutigranjeiros, todavia o potencial de crescimento é enorme. A taxa de crescimento no Brasil já é estimada em 50% anual.
Em Santa Catarina, há quatro ou cinco anos atrás não havia mais do que cinco ou seis grupos ou associações de produtores agroecológicos, agora em 2001 já existem cerca de 40 associações, perfazendo 1000 famílias rurais, fora produtores e empreendimentos isolados em várias regiões do Estado.

As organizações não governamentais foram entidades pioneiras na introdução e divulgação da produção agroecológica em Santa Catarina, como de resto no Brasil. Entretanto, nos últimos anos, as universidades e o sistema de pesquisa e extensão também se voltaram a este importante segmento.

Agroecologia: enfoque científico e estratégico
Agroecologia: enfoque científico e estratégico
De algum tempo para cá, quase todos nós temos lido, ouvido, falado e opinado sobre Agroecologia. As orientações daí resultantes têm sido muito positivas, porque a referência à Agroecologia nos faz lembrar de uma agricultura menos agressiva ao meio ambiente, que promove a inclusão social e proporciona melhores condições econômicas para os agricultores de nosso estado. Não apenas isto, mas também temos vinculado a Agroecologia à oferta de produtos “limpos”, ecológicos, isentos de resíduos químicos, em oposição àqueles característicos da Revolução Verde. Portanto, a Agroecologia nos traz a idéia e a expectativa de uma nova agricultura, capaz de fazer bem aos homens e ao meio ambiente como um todo, afastando-nos da orientação dominante de uma agricultura intensiva em capital, energia e recursos naturais não renováveis, agressiva ao meio ambiente, excludente do ponto de vista social e causadora de dependência econômica.Realização Comissões Conceitos Histórico Buscar Títulos Programa.

Por outro lado, e isto é importante que se diga, o entendimento do que é a Agroecologia e onde queremos e podemos chegar com ela não está claro para muitos de nós ou, pelo menos, temos tido interpretações conceituais diversas que, em muitos casos, acabam nos prejudicando ou nos confundindo em relação aos propósitos, objetivos e metas do trabalho que todos estamos empenhados em realizar. Apenas para dar alguns exemplos do mau uso do termo, não raras vezes tem-se confundido a Agroecologia com um modelo de agricultura, com um produto ecológico, com uma prática ou tecnologia agrícola e, inclusive, com uma política pública. Isso, além de constituir um enorme reducionismo do seu significado mais amplo, atribui à Agroecologia definições que são imprecisas e incorretas sob o ponto de vista conceitual e estratégico, mascarando a sua real potencialidade de apoiar processos de desenvolvimento rural. Por estes motivos, e sem ter a pretensão de fazer, neste momento, qualquer aprofundamento teórico e/ou metodológico, nos parece conveniente mencionar, objetivamente, como a Agroecologia vem sendo encarada sob o ponto de vista acadêmico e o seu vínculo com a promoção do desenvolvimento rural sustentável. Com base em vários estudiosos e pesquisadores nesta área (Altieri, Gliessman, Noorgard, Sevilla Guzmán, Toledo, Leff), a Agroecologia tem sido reafirmada como uma ciência ou disciplina científica, ou seja, um campo de conhecimento de caráter multidisciplinar que apresenta uma série de princípios, conceitos e metodologias que nos permitem estudar, analisar, dirigir, desenhar e avaliar agroecossistemas. Os agroecossistemas são considerados como unidades fundamentais para o estudo e planejamento das intervenções humanas em prol do desenvolvimento rural sustentável. São nestas unidades geográficas e socioculturais que ocorrem os ciclos minerais, as transformações energéticas, os processos biológicos e as relações sócio-econômicas, constituindo o lócus onde se pode buscar uma análise sistêmica e holística do conjunto destas relações e transformações. Sob o ponto de vista da pesquisa Agroecológica, os primeiros objetivos não são a maximização da produção de uma atividade particular, mas sim a otimização do equilíbrio do agroecossistema como um todo, o que significa a necessidade de uma maior ênfase no conhecimento, na análise e na interpretação das complexas relações existentes entre as pessoas, os cultivos, o solo, a água e os animais. Por esta razão, as pesquisas em laboratório ou em estações experimentais, ainda que necessárias, não são suficientes pois, sem uma maior aproximação aos diferentes agroecossistemas, elas não correspondem à realidade objetiva onde seus achados serão aplicados e, tampouco, resguardam o enfoque ecossistêmico desejado. São relações complexas deste tipo que alimentam a moderna noção de sustentabilidade, tão importante aspecto a ser considerado na atual encruzilhada em que se encontra a humanidade. Em essência, o Enfoque Agroecológico corresponde à aplicação de conceitos e princípios da Ecologia, da Agronomia, da Sociologia, da Antropologia, da ciência da Comunicação, da Economia Ecológica e de tantas outras áreas do conhecimento, no redesenho e no manejo de agroecossistemas que queremos que sejam mais sustentáveis através do tempo. Se trata de uma orientação cujas pretensões e contribuições vão mais além de aspectos meramente tecnológicos ou agronômicos da produção agropecuária, incorporando dimensões mais amplas e complexas que incluem tanto variáveis econômicas, sociais e ecológicas, como variáveis culturais, políticas e éticas. Assim entendida, a Agroecologia corresponde, como afirmamos antes, ao campo de conhecimentos que proporciona as bases científicas para apoiar o processo de transição do modelo de agricultura convencional para estilos de agriculturas de base ecológica ou sustentáveis, assim como do modelo convencional de desenvolvimento a processos de desenvolvimento rural sustentável. Suas bases epistemológicas mostram que, historicamente, a evolução da cultura humana pode ser explicada com referência ao meio ambiente, ao mesmo tempo em que a evolução do meio ambiente pode ser explicada com referência à cultura humana. Ou seja: a) Os sistemas biológicos e sociais têm potencial agrícola; b) este potencial foi captado pelos agricultores tradicionais através de um processo de tentativa, erro, aprendizado seletivo e cultural; c) os sistemas sociais e biológicos co-evoluíram de tal maneira que a sustentação de cada um depende estruturalmente do outro; d) a natureza do potencial dos sistemas social e biológico pode ser melhor compreendida dado o nosso presente estado do conhecimento formal, social e biológico, estudando-se como as culturas tradicionais captaram este potencial; e) o conhecimento formal, social e biológico, o conhecimento obtido do estudo dos sistemas agrários convencionais, o conhecimento de alguns insumos desenvolvidos pelas ciências agrárias convencionais e a experiência com instituições e tecnologias agrícolas ocidentais podem se unir para melhorar tanto os agroecossistemas tradicionais como os modernos; f) o desenvolvimento agrícola, através da Agroecologia, manterá mais opções culturais e biológicas para o futuro e produzirá menor deterioração cultural, biológica e ambiental que os enfoques das ciências convencionais por si sós (Norgaard, 1989). Dentro desta perspectiva, especialmente ao longo dos últimos 3 anos, o Rio Grande do Sul vem se transformando em um estado onde existem referências concretas quanto ao processo de transição agroecológica a partir da adoção dos princípios da Agroecologia como base científica para orientar esta transição a estilos de agricultura e desenvolvimento rural sustentáveis. Não obstante, aindque o tema, como abordamos acima, tenha sido objeto de discussão em distintos eventos realizados em todas as regiões do estado e esteja presente em vários textos e documentos de ampla circulação, continuamos a observar que segue existindo um uso equivocado do termo Agroecologia e de seu significado. Por este motivo, nos parece importante reforçar a noção de Agroecologia que vem respaldando o processo de transição agroecológica em curso com seu caráter ecossocial, como fazemos neste artigo de opinião. Na prática e teoricamente, a Agroecologia precisa ser entendida como um enfoque científico, uma ciência ou um conjunto de conhecimentos que nos ajuda tanto para a análise crítica da agricultura convencional (no sentido da compreensão das razões da insustentabilidade da agricultura da Revolução Verde), como também para orientar o correto redesenho e o adequado manejo de agroecossistemas, na perspectiva da sustentabilidade. Assim sendo, o Enfoque Agroecológico, como o estamos entendendo no Rio Grande do Sul, traz consigo as ferramentas teóricas e metodológicas que nos auxiliam a considerar, de forma holística e sistêmica, as seis dimensões da sustentabilidade, ou seja: a Ecológica, a Econômica, a Social, a Cultural, a Política e a Ética (Caporal e Costabeber, 2002). Partindo desta compreensão, repetimos que a Agroecologia não pode ser confundida com um estilo de agricultura. Também não pode ser confundida simplesmente com um conjunto de práticas agrícolas ambientalmente amigáveis. Ainda que ofereça princípios para estabelecimento de estilos de agricultura de base ecológica, não se pode confundir Agroecologia com as várias denominações estabelecidas para identificar algumas correntes da agricultura “ecológica”. Portanto, não se pode confundir Agroecologia com “agricultura sem veneno” ou “agricultura orgânica”, por exemplo, até porque estas nem sempre tratam de enfrentar-se aos problemas presentes em todas as dimensões da sustentabilidade. Estas são considerações que julgamos ser de suma importância quando se almeja promover a construção de processos de desenvolvimento rural sustentável, orientados pelo imperativo socioambiental, com participação e equidade social, como já nos referimos em outro texto (Caporal e Costabeber, 2000; 2001).

Histórico da Agroecologia
A Agroecologia é uma nova abordagem da agricultura que integra diversos aspectos agronômicos, ecológicos e socioeconômicos, na avaliação dos efeitos das técnicas agrícolas sobre a produção de alimentos e na sociedade como um todo. Agroecologia representa um conjunto de técnicas e conceitos que surgiu em meados dos anos 90 e visa a produção de alimentos mais saudáveis e naturais. Tem como princípio básico o uso racional dos recursos naturais.

A evolução para essa forma de produção foi gradual, iniciando-se no fim da 1ª Guerra Mundial, quando surgiam na Europa as primeiras preocupações com a qualidade dos alimentos consumidos pela população. Os primeiros movimentos de agricultura nativa surgiram respectivamente na Inglaterra (Agricultura Orgânica) e na Áustria (Agricultura Biodinâmica). Naquela época, as idéias da Revolução Industrial influenciavam a agricultura criando modelos baseados na produção em série e sem diversificação.

Após a 2° Guerra Mundial, a agricultura sofreu um novo incremento, uma vez que o conhecimento humano avançava nas áreas da química industrial e farmacêutica. Logo depois desta fase, com o objetivo de reconstruir países destruídos e dar base a um crescente aumento populacional, surgiram os adubos sintéticos e agrotóxicos seguidos, posteriormente, das sementes geneticamente melhoradas.

A produção cresceu e houve grande euforia em todo o setor agrícola mundial, que passou a ser conhecido como Revolução Verde. Por outro lado, duvidava- se que esse modelo de desenvolvimento fosse perdurar, pois ele negava as leis naturais. Neste contexto, surgiram em todas as partes do mundo movimentos que visavam resgatar os princípios naturais, a exemplo da agricultura natural (Japão), da agricultura regenerativa (França), da agricultura biológica (Estados Unidos), além das formas de produção já existentes, como a biodinâmica e a orgânica.
Os vários movimentos tinham princípios semelhantes e passaram a ser conhecidos como agricultura orgânica. Nos anos 90, este conceito ampliou-se e trouxe uma visão mais integrada e sustentável entre as áreas de produção e preservação, procurando resgatar o valor social da agricultura e passando a ser conhecida como Agroecologia.

Em vista da necessidade de produção rápida em grande escala de alimentos, criou-se há muitas décadas um sistema de produção agrícola baseado na aplicação de agroquímicos, chamado de agricultura tradicional. Todavia, após a Conferência para o Desenvolvimento e o Meio Ambiente, a ECO-92, no Rio de Janeiro, chegou-se a conclusão de que os padrões de produção e atividades humanas em geral, notadamente a agrícola, teriam que ser modificadas.

Dessa forma, foram criadas e desenvolvidas novas diretrizes às atividades humanas, compiladas na Agenda 21, com o objetivo de alcançarmos um desenvolvimento duradouro e com menor impacto possível, que se chamou de desenvolvimento sustentável e que vem norteando todos os campos de atuação. Assim, os movimentos no sentido da implantação de uma maior qualidade dos produtos agrícolas cresceram, desenvolvendo-se de forma ímpar. Aparece com mais força então no cenário mundial a agroecologia, conhecida ainda por agricultura alternativa.

Como fazer Agroecologia? Como fazer Agroecologia?
Ao se trabalhar uma propriedade agro-ecologicamente é preciso considerar a complexidade dos sistemas, dentro e fora da propriedade. Os agricultores e os técnicos vêem a lavoura e a criação como elementos dentro da natureza, que não podem ser trabalhados isoladamente. Precisa-se conhecer os elementos dessa diversidade para que se possa manejá-los adequadamente, trabalhando a favor da natureza e não contra ela, como é feito na agricultura convencional.

Trabalha-se a conservação do solo ao invés de destruí-lo com arações e gradagens sucessivas. Em vez de se eliminar os inços, aprende-se a trabalhar a parceria entre as ervas e as culturas, entre as criações e as lavouras.

Nesta lógica não se considera os insetos como pragas, pois com plantas resistentes e com equilíbrio entre as populações de insetos e seus predadores, eles não chegam a causar danos econômicos nas culturas. Dentro desse mesmo princípio não se trata doença com agrotóxico, mas busca-se fortalecer a planta para que esta não se torne suscetível ao ataque de doenças e de insetos.

Os fatores que afetam o equilíbrio e a resistência das plantas são os que prejudicam a formação das proteínas, tais como: idade da planta, umidade, aplicação de agrotóxico, adubação com adubo químico solúvel, etc.

Para manter a planta equilibrada é preciso que ela receba uma nutrição adequada, o que não se consegue utilizando adubos químicos solúveis, devido a suas altas concentrações e solubilidade que provocam absorção forçada pela planta e consequentemente criam desequilíbrios metabólicos. Estes desequilíbrios deixam a seiva rica em aminoácidos livres, o alimento predileto dos parasitas.

Para uma nutrição adequada, é necessário que o solo seja fértil e biologicamente ativo, como terra de mato que sustenta árvores gigantescas sem nunca ter sido adubada. Solo fértil é solo vivo, com muita matéria orgânica e com diversas espécies vegetais, insetos e microorganismos. Quanto mais matéria orgânica, mais vida tem o solo, melhor nutrida e equilibrada é a planta que nele se desenvolve.

O agricultor deve conhecer cada vez mais os sinais da natureza. Ele deve saber que quando aparecem muitos insetos, ou determinado tipo de erva nativa, é devido a algum tipo de desequilíbrio ou alguma carência. Neste caso, o certo é corrigir o desequilíbrio, ao invés de matar os insetos ou eliminar a erva, pois devemos eliminar a causa do problema e não apenas suas conseqüências.

A terra se cobre daquilo que é melhor para ela: se tem samambaia é porque o solo é ácido; guanxuma é porque o solo está compactado; o cabelo de porco indica exaustão de cálcio etc. Isto tudo significa que, conhecendo estes e outros sinais da natureza, as práticas de manejo utilizadas pelo agricultor virão em benefício da natureza e não contra ela. Técnicas Agroecológicas.

Adubação verde
A adubação verde é o cultivo de plantas que estruturam o solo e o enriquecem com nitrogênio, fósforo, potássio, enxofre, cálcio e micronutrientes. As plantas de adubação verde devem ser rústicas e bem adaptadas a cada região para que descompactem o solo com suas raízes vigorosas e produzam grande volume de massa verde para melhorar a matéria orgânica, a melhor fonte de nutrientes para a planta.

Adubação orgânica
A adubação orgânica é feita através da utilização de vários tipos de resíduos, tais como: esterco curtido, vermicomposto de minhocas, compostos fermentados, biofertilizantes enriquecidos com micronutrientes e cobertura morta. Todos esses materiais são ricos em organismos úteis, macro e micro nutrientes, antibióticos naturais e substâncias de crescimento. Adubação Mineral
A adubacão mineral é feita com adubos minerais naturais de sensibilidade lenta, tais como: pó de rochas, restos de mineração, etc. Estes adubos fornecem nutrientes como cálcio, fósforo, magnésio, potássio e outros, em doses moderadas, conforme as necessidades da planta.

Não usar agrotóxicos
Os agrotóxicos, além de contaminar as águas, envenenar os alimentos, matar os inimigos naturais dos parasitas e contaminar quem os manuseia, desequilibram as plantas, tornando-as mais suscetíveis. É comum que logo depois de uma aplicação de agrotóxicos as plantas sofram ataques ainda mais fortes, obrigando o agricultor a recorrer a venenos mais fortes ainda.

Não usar adubos químicos solúveis
Este tipo de adubação é a causa de dois problemas sérios: a morte de microorganismos úteis do solo e a absorção forçada pela plantas, pois estes sais, além de se solubilizarem na água do solo, apresentam-se em altas concentrações. Este processo resulta em desequilíbrio fisiológico da planta, deixando-a suscetível aos parasitas.

Usar defensivos naturais
Defensivos naturais são produtos que estimulam o metabolismo das plantas quando pulverizados sobre elas. Estes compostos, geralmente preparados pelo agricultor, não são tóxicos e são de baixo custo. Como exemplos podemos citar: biofertilizantes enriquecidos, água de verme composto, cinzas, soro de leite, enxofre, calda bordalesa, calda sulfocálcica, etc.

Combinação e rotação de culturas
Esta consiste em cultivar conjuntamente plantas de diferentes famílias, com diferentes necessidades nutricionais e diferentes arquiteturas de raízes, que venham a se complementarem. Como, por exemplo, o plantio conjunto de gramíneas (milhos) e leguminosas (feijão). Também podem ser utilizadas plantas consideradas inços, pois elas são bem adaptadas, retiram nutrientes de camadas profundas, colocando-os em disponibilidade na superfície e produzem grande volume de biomassa. Antes de implantar a cultura, estas plantas são incorporadas através de aração rasa para que se decomponham e deixem os nutrientes disponíveis às culturas. No caso dos pomares, são deixadas na superfície e controladas com roçadas baixas. Como exemplo podemos citar o caruru, o picão branco, o nabo, a samambaia etc.


Referência bibliográficas

CAPORAL, F. R.; COSTABEBER, J. A. Agroecologia e desenvolvimento rural sustentável: perspectivas para uma nova Extensão Rural. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, v.1, n.1, p.16-37, jan./mar. 2000.

CAPORAL, F. R.; COSTABEBER, J. A. Agroecologia e desenvolvimento rural sustentável: perspectivas para uma nova Extensão Rural. In: Etges, Virgínia Elisabeta (org.). Desenvolvimento rural: potencialidades em questão. Santa Cruz do Sul: EDUSC, 2001; p.19-52.

CAPORAL, F. R.; COSTABEBER, J. A. Agroecologia: enfoque científico e estratégico. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, v.3, n.2, p.13- 16, abr./mai. 2002.

CAPORAL, F. R.; COSTABEBER, J. A. Agroecologia: enfoque científico e estratégico para apoiar o desenvolvimento rural sustentável. Porto Alegre

EMATER/RS, 2002. 54p. (Série Programa de Formação Técnico-Social da EMATER/RS. Sustentabilidade e Cidadania, texto, 5).

CAPORAL, F. R.; COSTABEBER, J. A. Análise multidimensional da sustentabilidade: uma proposta metodológica a partir da Agroecologia. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, Porto Alegre, v.3, n.3, p.70-85, jul./set. 2002.

NORGAARD, R. B. A base epistemológica da Agroecologia. In: ALTIERI, M. A. (ed.). Agroecologia: as bases científicas da agricultura alternativa. Rio de Janeiro: PTA/FASE, 1989. p.42-48.

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O Que é a Agroecologia?

O Que é a Agroecologia?

O Que é a Agroecologia?Os defensores da Revolução Verde sustentam que os países em desenvolvimento deveriam optar por um modelo industrial baseado em variedades melhoradas e no crescente uso de fertilizantes e pesticidas a fim de proporcionar uma provisão adicional de alimentos as suas crescentes populações e economias. Mas, como analisamos anteriormente a informação disponível demonstra que a biotecnologia não reduz o uso de agroquímicos nem aumenta os rendimentos. Também não beneficia nem aos consumidores nem aos agricultores pobres. Dado este cenário, um crescente número de agricultores, ONGs e defensores da agricultura sustentável propõe que no lugar deste enfoque intensivo em capital e insumos, os países em desenvolvimento deveriam propiciar um modelo agroecológico que coloque ênfase na biodiversidade, na reciclagem de nutrientes, na sinergia entre cultivos, animais, solos e outros componentes biológicos, assim como na regeneração e conservação dos recursos naturais.

Uma estratégia de desenvolvimento agrícola sustentável que melhore o meio ambiente deve ter por base princípios agroecológicos e numa metodologia de maior participação para o desenvolvimento e difusão de tecnologia. A Agroecologia é a ciência que tem por base os princípios ecológicos para o desenho e manejo dos sistemas agrícolas sustentáveis e de conservação de recursos naturais, e que oferece muitas vantagens para o desenvolvimento de tecnologias mais favoráveis ao agricultor. A Agroecologia se baseia no conhecimento indígena e em seletas tecnologias modernas de baixos insumos capazes de ajudar a diversificar a produção. O sistema incorpora princípios biológicos e os recursos locais para o manejo dos sistemas agrícolas, proporcionando aos pequenos agricultores uma forma ambientalmente sólida e rentável de intensificar a produção em áreas marginais.

Estima-se que aproximadamente 1,9 a 2,2 milhões de pessoas ainda não foram atingidas direta ou indiretamente pela tecnologia agrícola moderna. Na América Latina a projeção era de que a população rural permaneceria estável em 125 milhões até o ano 2000, mas, 61 por cento desta população é pobre e a expectativa é de que aumente. As projeções para a África são ainda mais dramáticas. A maior parte da pobreza rural (cerca de 370 milhões de pessoas) vive em zonas de escassos recursos, muito heterogêneas e sujeitas a riscos. Seus sistemas agrícolas são de pequena escala, complexos e diversificados. A maior pobreza se encontra com mais freqüência em zonas áridas o semi-áridas e nas montanhas e ladeiras, que são vulneráveis desde o ponto de vista ecológico. Estas propriedades e seus complexos sistemas agrícolas se constituem em grandes desafios para os pesquisadores.

Para que beneficie aos agricultores pobres, a pesquisa e o desenvolvimento agrícola deveriam operar sobre a base de um enfoque “de baixo para cima“, usando e construindo sobre recursos disponíveis: a população local, seus conhecimentos e seus recursos naturais nativos. Deve se tomar muito a sério as necessidades, aspirações e circunstâncias particulares dos pequenos agricultores, através de métodos participativos. Isto significa que, desde a perspectiva dos agricultores pobres, as inovações tecnológicas devem:

• Economizar insumos e reduzir custos
• Reduzir riscos
• Ser adaptadas para as terras marginais frágeis
• Ser adequada aos sistemas agrícolas dos camponeses
• Melhorar a nutrição, a saúde e o meio ambiente

É precisamente devido a estes requisitos que a Agroecologia oferece mais vantagens que a Revolução Verde e os métodos biotecnológicos. As principais características das técnicas agroecológicas são:

• Têm como base o conhecimento indígena e a racionalidade do agricultor
• São economicamente viáveis, acessíveis e baseadas nos recursos locais
• São saudáveis para o meio ambiente e sensíveis desde o ponto de vista social e cultural
• Evitam o risco e se adaptam às condições do agricultor
• Melhoram a estabilidade e a produtividade total da propriedade e não só dos cultivos particulares

Há milhares de casos de produtores rurais que associados a ONGs e outras organizações, promovem sistemas agrícolas e conservam os recursos, mantendo altos rendimentos, adotando os critérios antes mencionados. Aumentos de 50 a 100 por cento na produção são bastante comuns com a maioria dos métodos de produção. Em alguns casos, os rendimentos dos cultivos que constituem o sustento dos pobres –arroz, feijão, milho, mandioca, batata, cevada– aumentam graças ao trabalho e ao conhecimento local mais que à compra de insumos caros, ademais de potencializar processos de intensificação e sinergia. Mais importante, talvez, que somente os rendimentos, é possível aumentar a produção total de forma significativa, diversificando os sistemas agrícolas, usando ao máximo os recursos disponíveis.

Muitos exemplos sustentam a efetividade da aplicação da Agroecologia no mundo em desenvolvimento. Estima-se que em torno de 1,45 milhões de famílias rurais pobres que vivem em 3,25 milhões de hectares optaram por tecnologias regeneradoras de recursos. Citamos alguns exemplos:

• Brasil: 200.000 agricultores que usam adubos verdes e cultivos de cobertura duplicaram o rendimento do milho e do trigo.
• Guatemala e Honduras: 45.000 agricultores usaram a leguminosa Mucuna, como cobertura para conservação do solo, triplicando os rendimentos do milho em ladeiras.
• México: 100.000 pequenos produtores de café orgânico aumentaram sua produção em 50 por cento.
• Sudeste da Ásia: 100.000 pequenos produtores de arroz que participaram de cursos para agricultores sobre MIP (manejo integrado de pragas) aumentaram substancialmente seus rendimentos, sem usar pesticidas.
• Quênia: 200.000 agricultores duplicaram seus rendimentos de milho usando sistemas agroflorestais, com base em leguminosas e insumos orgânicos.

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