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Biodiversidade Desconhecida no Brasil

Biodiversidade Desconhecida no Brasil

Biodiversidade Desconhecida no Brasil

O Brasil é um país com mais de 10 mil quilômetros de costa e uma das maiores e mais diversificadas combinações de ecossistemas costeiros e marítimos do mundo, o Brasil apresentará na próxima reunião de avaliação das metas da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) um relatório pobre, que é quase uma confissão: colocou sob proteção legal apenas 1,5% desses ecossistemas, bem menos do que a meta de 10% que havia fixado, e conhece muito pouco de suas espécies marinhas.

A décima Conferência das Partes (COP 10) signatárias da CDB - documento aprovado na Conferência Rio-92 - será realizada no fim deste mês na cidade japonesa de Nagoya, com a presença de representantes de mais de 190 países. Eles avaliarão quanto se avançou no cumprimento das metas de preservação da fauna e da flora assumidas nas reuniões anteriores e definirão objetivos para os próximos dez anos.

Uma das metas mais relevantes anunciadas pelo Brasil era colocar 30% da Amazônia sob alguma forma de proteção legal. Esta foi alcançada, até com alguma folga, pois mais de 40% da área florestal está protegida, segundo o relatório a ser apresentado em Nagoya pelo governo brasileiro. A área protegida inclui terras indígenas e unidades de conservação estaduais e federais, como mostrou o repórter Herton Escobar, na edição de 3 de outubro do Estado.


Mas uma área de grande importância ambiental e econômica, os 4,2 milhões de quilômetros quadrados de território brasileiro cobertos pelo mar, continuou esquecida. Da pequena fatia de ecossistemas que o País conseguiu colocar sob proteção, a maior parte está em ambientes terrestres ligados ao mar, como restingas, praias e manguezais.

Não há nenhuma área de conservação inteiramente coberta pelo mar. O Ministério do Meio Ambiente reconhece que o bioma marinho constituiu "a grande lacuna" do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc). A biodiversidade marinha brasileira já conhecida é considerada relativamente pobre, quando comparada à de outros países.

Mesmo assim, estima-se que estão no Brasil cerca de 6% das espécies existentes no mundo de invertebrados "não insetos", a maioria dos quais vive no mar.

Pobreza muito maior do que a de espécies marinhas é a de pesquisas e de pesquisadores, diz o biólogo Antonio Marques, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. "Considero isso uma vergonha", confessa. Além de escasso, o conhecimento é muito concentrado geograficamente. As pesquisas se limitam ao litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. "Sobre o Nordeste, ainda sabemos muito pouco. E, sobre o Norte, quase nada."

É quase total a falta de conhecimento do País sobre sua diversidade marinha - e sem conhecer é impossível proteger.

É difícil, porém, dizer que o desconhecimento seja o pior dos aspectos da ação do governo brasileiro na preservação da biodiversidade marinha. Nos poucos casos de conhecimento relativamente extenso de espécies marinhas, que geralmente são as de maior valor comercial, pouco ou nada se faz para protegê-las. Entre 1995 e 2006, o governo executou o Programa de Avaliação do Potencial dos Recursos Vivos da Zona Econômica Exclusiva, que era mais um balanço do estoque pesqueiro do que uma tentativa de conhecimento da biodiversidade marinha. O programa constatou que cerca de 80% das espécies pescadas comercialmente eram sobre-exploradas ou plenamente exploradas.

Desde a conclusão do estudo, nada foi feito ou anunciado pelo governo para assegurar a recuperação desses estoques. "A gestão pesqueira no Brasil está um caos", diz o pesquisador José Angel Alvarez Perez, da Universidade do Vale do Itajaí, de Santa Catarina. O caos é o resultado prático da ação de um governo que não tem uma política definida para a área.

De um lado, o Ministério do Meio Ambiente busca assegurar a manutenção dos estoques das espécies de maior valor comercial; de outro, o Ministério da Pesca estimula a pesca, sem levar em conta a ameaça à sobrevivência das espécies.

Esse conflito mostra que falta ao governo um rumo na questão da biodiversidade marinha.

Grandes Regiões Naturais do Planeta


Grandes Regiões Naturais do Planeta

Grandes Regiões Naturais do PlanetaGrande Região Natural é o termo usado pela CI para denominar um grande bloco de floresta tropical ainda praticamente intacto, com mais de 10.000 km² e mais de 70% de sua vegetação original. Em muitos casos, as Grandes Regiões Naturais apresentam baixa densidade populacional, menos de 5 pessoas por km², e são habitadas por comunidades indígenas.

As Grandes Regiões Naturais têm importante papel na continuidade da vida na Terra. Inicialmente, elas abrigam extensas amostras de ambientes intocados, com suas faunas e floras bem preservadas, com todos os seus predadores, presas, parasitas e as complexas relações que os unem. Além disso, elas também oferecem inúmeros serviços ambientais, ou seja, benefícios gerados pela natureza que são essenciais à sociedade, como: a proteção de recursos hídricos e do solo, os usos recreativos, os valores culturais, a contribuição ao equilíbrio dos regimes climáticos, dentre outros.

Segundo o estudo realizado por mais de 200 cientistas e liderado por Russell Mittermeier, presidente da CI, foram identificadas 37 Grandes Regiões Naturais em todo o mundo. Três delas ocorrem no Brasil: Amazônia, Pantanal e Caatinga. Se excluirmos as áreas do planeta ocupadas pelos grandes centros urbanos, as regiões naturais cobrem 46% da superfície terrestre. Porém, apenas 7% desse território desfruta de algum tipo de proteção. Com o aumento das populações locais e o descontrole nas atividades agrícolas e no extrativismo, as ameaças são crescentes.

Cinco regiões apresentam mais de 1.500 espécies endêmicas de plantas, o que lhes confere a categoria de "Regiões Naturais de Alta Biodiversidade". A Amazônia é uma delas.

GeleirasGeleiras


Acúmulo de gelo que se origina da deposição contínua de neve sobre partes da superfície dos continentes. Ocupam aproximadamente 11% da superfície terrestre e concentram cerca de três quartos da água doce existente no planeta. A Antártica e a Groenlândia juntas, com quase 16.000.000 km², correspondem a 99% desse total.

As geleiras podem ser de dois tipos: de montanha e continentais. As primeiras são pequenas e ocorrem em grandes altitudes, como os Andes, os Alpes, o Himalaia e o Alasca. As continentais abrangem vastas dimensões e recobrem a Antártica, no pólo sul, e a Groenlândia, no círculo polar ártico. No pólo norte não há geleiras – nessa região não existe continente e a massa de gelo flutua sobre o oceano. A fragmentação das geleiras dá origem aos icebergs, blocos de gelo flutuantes.

Apesar das condições ambientais severas – baixas temperaturas, falta de água líquida e fortes ventos –, várias espécies de animais adaptadas ao clima frio habitam as regiões de geleiras. Na Antártica existem, por exemplo, focas e baleias. Na área do círculo polar ártico, de clima mais ameno, vivem mamíferos terrestres como lobos e ursos.


Eras Glaciais

Caracterizam-se pela expansão das geleiras, decorrente da queda da temperatura média da Terra. Nesse período, o gelo dos pólos avança, cobrindo 30% da superfície terrestre (normalmente ocupa 10%).

Nos últimos 2,7 bilhões de anos houve cerca de 25 glaciações, cada uma delas durando por volta de 100 mil anos. No hemisfério sul, as geleiras chegaram até a Patagônia, na Argentina, e no hemisfério norte atingiram os Grandes Lagos, nos EUA, e o Reino Unido. Atualmente o mundo está em um período interglacial. A próxima glaciação deve acontecer daqui a 25 mil anos, provocando a diminuição do nível do mar – cerca de 100 metros – e o aumento das áreas emersas – cerca de 30%.


Aquecimento da Terra

Os pesquisadores alertam que a ligeira elevação da temperatura da Terra registrada neste século pode atrasar, ou até mesmo impedir, o início da próxima glaciação. Esse aquecimento também está provocando o derretimento de parte das geleiras e, em conseqüência, a elevação do nível dos oceanos – de 10 cm a 25 cm nos últimos cem anos, segundo o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC).

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Talassociclo | Biociclo Marinho

Talassociclo | Biociclo Marinho

Talassociclo | Biociclo MarinhoO talassociclo é o biociclo marinho, ou seja, o conjunto dos ecossistemas marinhos. O talassociclo é estudado pela biologia marinha.

O talassociclo ocupa quase três quartos da superfície terrestre e tem uma profundidade média de quase quatro quilômetros, podendo considerar-se o maior dos três biociclos da biosfera. Caracteriza-se por ser composto de ecossistemas aquáticos mas, ao contrário do limnociclo, a água do mar é salgada, ou seja, possui sais dissolvidos numa quantidade (em média, cerca de 3,5 %) que faz com que os seres vivos que aí existem devem estar adaptados a este fator abiótico. Os seres vivos que vivem em água salgada são representados pelo plâncton, nécton e benton.

Fatores abióticos fundamentais no talassociclo
Perto da costa, principalmente nos estuários, a água do mar sofre a influência das marés e dos efluentes provenientes do epinociclo, ou seja, do meio terrestre. À superfície, os oceanos sofrem ainda a influência dos fatores atmosféricos, principalmente o calor do Sol e os ventos, que promovem a deslocação das massas de água. No entanto, à medida que aumenta a profundidade, são a falta de iluminação (por a luz solar ser absorvida pelas partículas em suspensão e substâncias dissolvidas, para além da refração), da diminuição do oxigénio dissolvido (por haver menos ou nenhuma fotossíntese), e a pressão, que aumenta em uma atmosfera por cada dez metros de profundidade, os principais fatores que determinam quais os seres vivos que aí podem existir.

Divisões do meio marinho
Do ponto de vista físico, o meio marinho divide-se principalmente por zonas de profundidade (ou de distância da costa), considerando-se geralmente dois tipos de divisão:

Por distância à costa:
Província nerítica, próxima da costa, abrangendo a plataforma continental; nesta zona, muitas vezes distingue-se a zona litoral, que sofre a influência das marés, e os estuários, onde a água do mar se encontra sempre misturada com água doce dos rios; e
Província oceânica, correspondente às águas que não sofrem influência dos continentes (do ponto de vista legal correspondente, em geral, ao alto-mar); e

Zonas por profundidade:
Plataforma continental, a região geralmente com pouco declive que corresponde à continuação dos continentes, em média estendendo-se até uma profundidade de 200 m;

Talude continental, a região de declive acentuado que corresponde ao término dos continentes, ou seja, onde termina a crusta continental e começa a oceânica, em média próximo dos 2000 m de profundidade;

Zona abissal, correspondente à planícies abissais, uma região de declive suave, que se estende até cerca dos 6000 m de profundidade; e

Zona hadal, nas fossas oceânicas, a mais profunda das quais, a Fossa das Marianas, a leste das Filipinas, tem uma produndidade máxima de cerca de 11 000 m.

Do ponto de vista biológico, as grandes divisões adotadas são geralmente as seguintes:
Domínio pelágico, as águas livres da influência dos fundos oceânicos, onde vive o plâncton e seus predadores, e Domínio bêntico, o conjunto dos biomas assentes no substrato; estes grandes domínios, por sua vez, são subdivididos segundo as zonas de profundidade indicadas acima. Alguns autores consideram estas subdivisões os biócoros do meio marinho.

Outro fator que condiciona os biomas existentes nestes domínios é a penetração da luz solar que, mesmo em águas oceânicas, raramente atinge os 100 m de profundidade. Neste caso, a subdivisão utilizada é a seguinte:

    Zona eufótica, a camada de água iluminada; e
   Zona afótica, as águas a profundidades onde a luz solar não penetra, não podendo, portanto, aí realizar-se a fotossíntese.

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Biodiversidade e Biogeografia

Biodiversidade e Biogeografia

Biodiversidade e BiogeografiaAo observarmos a natureza, muitas vezes, não percebemos a complexa estrutura que a envolve e a faz continuar existindo. Esse grande bioma (conjunto de seres vivos de uma área ) que é o planeta Terra, possui muitas características e processos bem definidos, onde todas as formas de vida existentes no globo se inter-relacionem para formar uma biodiversidade. As diferenças regionais em cada local do mundo criam ambientes (hábitats) diferenciados. Nesses espaços, as relações bióticas (relativo às formas de vida ) e abióticas (ausência de vida ) demonstram suas diversas funções para interagir no mesmo espaço. Como resultado disso, forma ­ se o que os ecólogos (cientistas que estudam a ecologia ) chamam de “padrões geográficos em diversidades de espécies ”. Assim podemos compreender a existência de determinadas espécies em várias regiões do globo.

As estruturas ambientais demonstram características próprias onde cada uma se distingue de outra, criando assim, um ambiente rico em diversidade. Cada nicho (porção restrita de um hábitat ) possui uma grande diversidade de condições físicas, em que os animais e plantas, ali localizados, estão aptos a viver nessa “aldeia ”. Suas características variam de acordo com diversos fatores, sendo por exemplo: climático, da altitude, da temperatura, da luz solar etc. Dentro desses nichos, os animais predadores podem ser usados como base na compreensão da existência de outros seres vivos. Pode ­se exemplificar dizendo que num determinado nicho ecológico uma onça, com sua presa (dente) de 5 mm, busca animais que servirão de comida para ela possuindo características para serem mortos por suas próprias presas. Isso evidência a existência de uma diversidade muito grande, pois basta fazer uma relação entre a cadeia alimentar (estrutura alimentar entre os animais de uma determinada região ) e forma ­se uma grande quantidade de espécies variadas, constituindo um determinado nicho ecológico. Uma característica importante na diversidade de um nicho é a variedade de papéis ecológicos que cada ser vivo possui nesse ambiente. O resultado disso será uma grande diversidade localizada no nicho (fato que é abordado por muitos ecólogos).

Outro fator a ser considerado é o espaço que o nicho possui, esse fator demonstra que a diversidade pode ser maior quando o espaço local aumenta. Entende ­se isso de maneira simples, onde esse espaço irá permitir uma maior quantidade de espécies e assim resultando numa cadeia alimentar diversa, o que constitui a diversidade do ambiente.

Os espaços de fuga serão as possibilidades que as espécies possuem para evitar a mortalidade. Essa função irá depender de vários fatores, onde a percepção auditiva, visual ou a coloração idêntica à mata local, poderão ser características fundamentais para a fuga. Alguns estudos revelam que a capacidade de fuga depende do espaço local existente, a própria evolução ou adaptação de uma espécie a um ambiente pode significar uma vantagem na fuga. Exercendo assim, uma função natural entre as espécies, a busca pela sobrevivência. Essas características demonstram que a fuga pode ser em vários momentos, uma solução para a existência da diversidade, pois como se sabe, existe uma cadeia alimentar que é respeitada naturalmente e onde o ambiente a torna fator determinante para a sua existência. Conforme Darwin (cientista inglês que criou a Teoria da Evolução ), cada espécie irá adaptar ­se ao seu hábitat e a sua diversidade demonstrando suas f unções ecológicas na cadeia alimentar , evidenciando, assim, um equilíbrio no ambiente, pois cada ser vivo coexiste localmente através da intensidade da competição. Dentro dessas observações, nos cabe analisar que o número de espécies num determinado hábitat vai depender de suas relações internas, originando a “teoria do equilíbrio da biogeografia insular ”. Essa quantidade de espécies irá se estruturar no espaço local e constituir um pequeno bioma, onde a competição, a cadeia trófica (cadeia alimentar ), os espaços de fuga, entre outros, serão fatores importantes na formação dessa “ilha ”.

Nesses espaços de biodiversidade podemos observar a competição pela existência de cada espécie. Num mesmo hábitat , a coexistência demonstra ­se como fator de equilíbrio natural sendo definido por diversos fatores, como: dimensão do nicho, poder de adaptação e espaços de fuga. Assim as espécies irão controlar as populações de determinados seres igualmente. Podemos compreender também que os espaços influem na quantidade de espécies, tomemos como exemplo um rio. Em sua montante (nascente ) o número de espécies será menor do que em sua jusante (foz ), pois o espaço para a existência de uma cadeia trófica grande e diversa vai necessitar de um local amplo para coexistirem.

Portanto, tendo em vista que as r el ações ecológicas estruturam ­se de forma igualitária, percebemos que para haver a continuidade desse equilíbrio é necessário que a biodiversidade ocorra em todas as regiões do globo. Pois devemos ter em mente que nós, homens, somos parte da natureza e buscamos ser menos impactante em nosso meio.

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Biodiversidade do Planeta e a Vida Faunística da Terra

Biodiversidade do Planeta e a Vida Faunística da Terra

Biodiversidade do Planeta e a Vida Faunística da TerraBiodiversidade
Passados dois séculos desde que o botânico sueco Carolus Linnaeus ( 1707 – 1778 ) começou a classificar as formas vegetais e animais de vida, não se sabe quantas espécies existem no planeta até hoje, pois a cada dia que se passa, descobre-se uma espécie inteiramente nova. Há alguns anos, um grupo de pesquisadores passou cerca de vinte dias enfurnado na Mata Atlântica, no sul da Bahia, onde se encontrou nada menos de quatorze espécies que, ao que tudo indica, répteis e anfíbios desconhecidos, incluindo uma perereca que, com os seus 10 centímetros de comprimento, talvez seja uma das maiores da América do Sul.

Isso é biodiversidade, o explosivo potencial que a vida possui de se multiplicar em miriades de formas adaptadas aos mais variados e diversos ambientes. Desbravando o globo de pólo a pólo, embrenhando-se em florestas e mergulhando nos mares, o homem conseguiu descrever 1,4 milhão de espécies, como se designa a unidade biológica fundamental. Cerca de 750.000 são insetos, 41.000 são vertebrados, 250.000 são plantas e o restante é uma coleção desconjuntada de outros invertebrados, algas, fungos e ainda microorganismos como bactérias e vírus. Parece um desvario da natureza – mas é pouco mais do que uma amostra. A maioria dos biólogos concorda que aquele censo não dá nem conta nem de um decima parte das espécies existentes do planeta.

Os cientistas reconhecem , por exemplo, serem parcos os seus conhecimentos sobre a diversidade e a distribuição dos insetos, uma categoria que parece ter a preferencia da natureza, pois constitui folgadamente a maioria dos seres vivos. S. Haldane declarou certa vez : “Deus tem uma preferência desmesurada por besouros.”. O pesquisador americano Terry Erwin e seus colaboradores do Instituto Smithsonian de Washington tiveram a paciência de contar, uma a uma, as espécies de insetos nas copas de algumas arvores na Amazônia brasileira e peruana e extrapolaram o número encontrado para a área total de florestas tropicais. Resultado : somando as espécies estimadas dos insetos às outras presumivelmente existentes ali, obtiveram um megatotal de 30 milhões de formas distintas de vida. Mesmo quem acha que esse é um calculo inflacionado demais aceita a hipótese de que pelo menos 5 milhões de espécies povoam o mundo. E não há dúvida de que a maioria anônima está escondida no verde e na água das florestas tropicais.

Sabe-se no preto no branco que mais da metade dos animais do planeta tem seu endereço nos trópicos, mais precisamente nos 7% da superfície do planeta coberta por florestas tropicais. A desmedida variedade das espécies vegetais ainda é menor que a de insetos, peixes e microorganismos. Uma pesquisa recente mostrou que 950 espécies de besouros, 80% das quais desconhecidas, estavam instaladas em apenas 19 árvores da selva tropical do Panamá. Como em cada hectare da Floresta Amazônica existem 300 espécies de árvores, dez vezes mais do que nas regiões temperadas da América do Norte, por exemplo, não é de se espantar que o Brasil, onde a floresta ocupa 40% do território, seja o campeão mundial de biodiversidade.

Segundo uma classificação elaborada pela respeitável WWF, o Brasil é o primeiro país do mundo em número de espécies de plantas e de anfíbios, o terceiro em aves e o quarto em borboletas, repteis e mamíferos. “Das 1100 espécies conhecidas de sempre-vivas ( um tipo de flor comum em adornos ), 700 se encontram entre Minas Gerais e Bahia” contabiliza a botânica Ana Maria Giuletti, da USP. “Só numa lagoa do Parque do Rio Doce, em Minas, existem mais espécies de libélulas do que em todo o território britânico”, compara por sua vez o entomologista Ângelo Machado, da UFMG.

Machado explica por que “nossas várzeas têm mais flores, nossas flores tem mais vida”, como se gabam os versos ufanistas de Gonçalves Dias. “No passado, as zonas temperadas sofreram o rigor das glaciações, que sacrificaram inúmeras espécies e empurraram outras a regiões de climas mais quentes. Enquanto isso, próximo dos trópicos, o ambiente permaneceu estável, o que facilitou o desenvolvimento de ecossistemas mais ricos e complexos, adaptados a um clima com pouca variação.”. É o que aconteceu, não apenas no Brasil, mas também no México, Colômbia, África central e sul da Ásia, igualmente bem situados no ranking da WWF. A Colômbia é o pais mais rico em diversidade de espécies por unidade de área. Já a Indonésia se destaca não apenas pela variedade de espécies terrestres mas por possuir no seu litoral o mais rico tesouro de organismos marinhos.

Mesmo nas regiões tropicais existem áreas de preferencia dos animais. Perplexos com essa valorização, biólogos do mundo inteiro, seguiram o exemplo do brasileiro Paulo Emílio Vanzolini e foram buscar respostas na Geomorfologia, ramo da ciência que estuda as formas do relevo terrestre. Baseado por sua vez nos trabalhos de um colega da USP, o geógrafo Aziz Ab’Saber, Vanzolini – um especialista no mecanismo de multiplicação das espécies – descobriu que a distribuição da vida nas florestas da Amazônia e na Mata Atlântica esta relacionada à historia antiga dessas formações. Durante a mais recente glaciação, que durou cerca de 10.000 anos, nesta parte do globo períodos frios e secos alternaram-se com outros quentes.

Quando o clima esfriava, as florestas encolhiam, cercadas por cerrados, pradarias e caatingas. Os pequenos grupos de espécies, isolados de seu território ancestral, lentamente começaram a se adaptar às peculiaridades locais. É o que os cientistas chamam de diferenciação em isolamento, um processo que leva ao endemismo. Este fenômeno, que ocorre em lugares menos acessíveis, montanhas e ilhas, marcou a peculiar flora e fauna da Austrália – simbolizada por cangurus e coalas – assim como da ilha de Madagascar, na costa oriental da África, o paraíso das orquídeas e primatas. Muito mais tarde, quando a floresta voltou a se expandir, aquelas espécies já tinham acumulado tantas variações genéticas que perderam por completo o parentesco com seus antepassados.

Comparados às espécies terrestres, os organismos marinhos estão bem mais distribuídos justamente porque toparam com menos barreiras físicas. Não é de estranhar, portanto, que a diversidade de espécies nos oceanos seja também menor. Em compensação, como a vida surgiu na água muitos milhões de anos antes que em terra, os oceanos abrigam formas mais antigas, como algas, moluscos, esponjas e corais. Para o biólogo Eurico Cabral de Oliveira, “o equivalente marinho das florestas tropicais são os recifes de corais” – colônias de organismos invertebrados onde vivem numerosas espécies de peixes, moluscos, além de pássaros e tartarugas. “Como as florestas, os corais são ecossistemas complexos e por isso mesmo de equilíbrio delicado.”

Por pouco que se saiba sobre as espécies terrestre, ainda é muito comparado com o que se sabe dos oceanos. Recentemente – para surpresa de quem achava que a vida em profusão só existia nas águas mais iluminadas – se descobriu no fundo do Pacifico nada menos de uma centena de espécies estranhíssimas de organismos. Mais do que quaisquer outros terráqueos, são uma prova da incrível capacidade de diversificação e adaptação a todo tipo de ambiente. Costuma-se dizer que a variedade é a própria essência da vida, pois sem a matéria-prima que ela proporciona não haveria evolução. Cada organismo, como se sabe, contem uma quantidade colossal de informações genéticas que determinam todas as suas características. Mas os organismos individuais não evoluem – eles só podem crescer, reproduzir-se e morrer. As mudanças que entram para a historia ocorrem nas espécies, a unidade básica da evolução. Assim, de um mesmo ancestral podem se originar espécies tão diferentes como as lhamas que se adaptaram à Cordilheira dos Andes e os camelos aos desertos da África.

Quando o clima, a água e a alimentação são constantes, as espécies podem repartir o ambiente para não tropeçar umas nas outras, ocupando diferentes nichos ecológicos, como dizem os biólogos. Nas planícies africanas, por exemplo, existem vários tipos de mamíferos que se alimentam de folhagens. Só que as girafas vão buscar o alimento nas copas das árvores, os rinocerontes preferem os arbustos e as zebras comem gramíneas. Mas o destino de uma dada espécie está sujeito a mais interferências do que é capaz de conceber a ciência humana – sem falar que o acaso desempenha um papel não desprezível nessa loteria. Desse modo, sem que se saiba ao certo porquê, algumas espécies tiveram mais sucesso, ao passo que outras passaram despercebidas pelo livro da vida e outras ainda desapareceram abruptamente durante as grandes extinções do passado, como aconteceu com os dinossauros há 65 milhões de anos atrás.
Diante da interdependência e da complexidade dos processos que acontecem na natureza, nunca se sabe quando uma espécie pode representar um papel fundamental para a sobrevivência do homem. Assim, se não por um respeito moral à vida, ou pelo desfrute da beleza que sua variedade proporciona, o mero egoísmo aconselharia salvar o próximo. Não se trata de um raciocínio hipotético. Quem acha, por exemplo, que o mundo estaria melhor sem a enorme variedade de insetos que parecem Ter nascido com a exclusiva finalidade de nos infernizar deveria dar uma olhada numa pesquisa feita por americanos. Essa pesquisa calculou que os insetos causavam um prejuízo de 7 bilhões de dólares anuais nos EUA. Ruim com eles, pior sem eles. Se os insetos fossem destruídos, os prejuízos que a agricultura teria com a ausência de polinização das plantas seria da ordem de 9 bilhões de dólares. Um exemplo brasileiro : se desaparecesse a mosca que poliniza o cacau no sul da Bahia ou a abelha que faz o mesmo com a castanha no Pará, estaria decretada a falência de importantes atividades econômicas dessas duas regiões.

Com o advento da Engenharia Genética, o estudo da diversidade dos animais e plantas tornou-se uma prioridade cientifica nos países ricos. Isso porque, cada espécie, seja de macaco, barata, rosa ou bactéria, representa um estoque de genes cujo potencial apenas começa a ser arranhado. A humanidade já lucra muito com a herança transmitida por alguns organismos : calcula-se que um em cada quatro tipos de medicamentos contém ingredientes derivados de plantas silvestres. Pacientes com leucemia sobrevivem graças a substancias contidas numa planta chamada pervinca. O cará proporciona o ingrediente ativo dos anticoncepcionais. O jaborandi combate o glaucoma. A barba-de-bode e a casca do salgueiro tem propriedades analgésicas semelhantes às da aspirina. Fungos e microorganismos – categorias ainda menos identificadas que a dos insetos – foram a chave para o desenvolvimento dos antibióticos e mais recentemente da ciclosporina, o remédio que diminui os riscos de rejeição em transplantes.

O problema é que, para onde quer que se olhe, o homem parece ter declarado guerra às plantas e aos animais. É o desmatamento, os acidentes ecológicos, a ocupação desordenada e a poluição em terra. Os conservacionistas fizeram as contas e obtiveram um número de arrepiar. Se continuar o ritmo atual de destruição da natureza, nos próximos 25 anos cerca de 1,2 milhão de espécies desaparecerão por completo da face da Terra. Ou seja, estamos assistindo sem saber a um genocídio de cem espécies por dia.

Cientificamente, o conceito de diversidade é um indicador ecológico relacionado com a quantidade de espécies e indivíduos presentes nos ecossistemas. 

Este parâmetro é constituído basicamente por dois componentes distintos: riqueza e dominância.

A riqueza é a quantidade de espécies presentes no ambiente, enquanto que a dominância é um indicador da distribuição dos indivíduos em cada espécie. Diversidades elevadas ocorrem quando há grande numero de espécies (riqueza) e os indivíduos estão distribuídos em quantidades mais ou menos similares entre as espécies. Assim, um ambiente com 10 espécies, cada uma delas composta por uma população de 5 indivíduos, tem maior diversidade que um ambiente com as mesmas 10 espécies, mas tendo duas populações com 100 indivíduos cada e as outras oito populações com 7 indivíduos.

A diversidade pode ser medida através de índices ecológicos, como os de Shannon, Margalef, entre outros, e são características fundamentais dos ecossistemas.

O termo biodiversidade tem sido muito utilizado na última década, especialmente nos foros de discussões científicas e políticas envolvidos com a preservação do meio ambiente a nível global. Um bom exemplo disso é a convenção Eco-92, feita no Rio de Janeiro. Nessa ocasião, os diversos segmentos da sociedade a nível mundial consideraram a biodiversidade um ponto chave para o equilíbrio ecológico do planeta. Nesse contexto, ela é entendida como todos os organismos vivos presentes no planeta, distribuídos em espécies as quais povoam os mais diversos ecossistemas naturais na terra e nos oceanos. É portanto um termo mais geral, o qual não está vinculado a medidas ecológicas populacionais de cunho científico. 

Ainda não foi possível avaliar cientificamente se a biodiversidade é maior na terra (nos continentes, inclusive nos rios e lagos) ou no mar. Sabe-se por exemplo que em termos de grandes grupos, os oceanos comportam pelo menos 43 dos 70 Filos de organismos vivos presentes hoje no planeta.

Em termos de ecossistema, pode-se dizer que manguezais, recifes de coral, florestas tropicais úmidas e a zona costeira dos oceanos são redutos especiais do planeta por possuírem a mais alta biodiversidade.

A nível global a biodiversidade está sendo seriamente ameaçada pelas mais variadas ações antrópicas em todos os ambientes do planeta. A poluição do ar, oceanos, lagos rios e solo; a devastação das florestas como a Amazônia e a Mata Atlântica; a exploração descontrolada dos recursos naturais; a expansão imobiliária e a caça predatória são alguns exemplos das muitas causas da redução progressiva da Biodiversidade do planeta. Calcula-se que dezenas de espécies são extintas por ano em todo o mundo, muitas delas sem terem sido sequer descobertas, descritas e estudadas. O numero de espécies de peixes já descobertos no planeta é hoje de cerca de 21.000, mas todos os anos dezenas de novas espécies são encontradas, acreditando-se que este número seja superior a 28.000 espécies. Na Amazônia e nas regiões abissais dos oceanos residem centenas ou mesmo milhares de espécies ainda não descobertas.

Fragmentação, Efeito de Borda e Perda de Biodiversidade

O crescente avanço do desenvolvimento em direção da Amazônia tem sido responsável pelo acelerado processo de fragmentação das paisagens do bioma da Amazônia. Atividades agrícolas (pastagem e cultivo), incêndios florestais, construção de barragens, mineração e exploração de recursos da fauna e flora resultam na perda da biodiversidade. Para crescer de forma sustentável é preciso que as instituições governamentais e não governamentais busquem alternativas para valorizar os elementos da biodiversidade. Anseia-se que esses valores sejam considerados nas discussões voltadas para o desenvolvimento econômico e nas aplicações de educação e gestão ambiental.
          
Estudos sobre os efeitos da fragmentação florestal sobre a estrutura genética das espécies são importantes para o planejamento e gerenciamento de estratégias de conservação. A fragmentação de habitats é uma das mais importantes e difundidas conseqüências da atual dinâmica de uso da terra pelo homem (Brooks et al. 2002). A taxa com que o homem está alterando as paisagens naturais é muitas vezes maior do que a da dinâmica de perturbação natural dos ecossistemas (Goling e Willian 2000).
          
A transformação de habitats em pequenos remanescentes impõe uma grande ameaça para muitas espécies selvagens (Ricklefs 2003, Pattanavibool 2004), devido à diminuição da capacidade dos organismos em se deslocarem em decorrência das modificações ocorridas. A ocupação humana e a modificação do uso das terras, esta convertendo paisagens naturais em áreas de cultivo, pastagem e urbanização (Brooks et al. 2002; Myers et al 2000; Goling and Willian 2000; Begon et al. 1999). Com isso, restam apenas pequenos fragmentos de paisagens naturais, muitas vezes isoladas, tornando-se numa área insular entre as atividades humanas (Brooks et al. 2002). A resposta das espécies existentes nesses fragmentos dependerá da sua capacidade de sobrevivência dentro desses fragmentos (Laurence 1991). Algumas espécies conseguem se adaptar, prosperar e circular livremente nas áreas fragmentadas, ao passo que a maioria, que não consegue, sofre extinção local. Portanto, muitas vezes os remanescentes naturais são pequenos e(ou) isolados e acarretam a extinção local das espécies (Goling e Willian 2000).
        
Fragmentação, Efeito de Borda e Perda de Biodiversidade

A destruição de habitats resulta na fragmentação destes, aumenta a perda de habitat original, reduz o tamanho e aumenta o isolamento das manchas de habitat (Scribner et al 2001, Curtis e Taylon 2004). O perfil dos remanescentes florestais pode diferir na forma, tamanho, microclima, regime de luminosidade, solo, grau de isolamento e tipo de propriedade. Conseqüentemente, a fragmentação da floresta pode influenciar os padrões locais e regionais de biodiversidade devido à perda de micro-habitats únicos, isolamento do habitat, mudanças nos padrões de dispersão e migração e erosão do solo (Laurence 1991). Adicionalmente, os efeitos de borda, que podem alterar a distribuição, comportamento e sobrevivência de espécies de plantas e animais, serão magnificados em áreas de alta intensidade de fragmentação florestal. 
         
As modificações nas paisagens afetam de forma diferenciada os parâmetros demográficos de mortalidade e natalidade de diferentes espécies e, portanto, a estrutura e dinâmica dos ecossistemas. No caso de espécies arbóreas, a alteração na abundância de polinizadores, dispersores, predadores e patógenos afetam as taxas de recrutamento de plântulas. Os incêndios e mudanças microclimáticas atingem de forma mais intensa as bordas dos fragmentos, alterando as taxas de mortalidade de árvores (Brooks et al. 2002). As evidências científicas sobre esses processos têm crescido nos últimos anos. No Brasil, a exploração antrópica da Amazônia tem ocasionado a perda da sua biodiversidade devido à substituição das paisagens naturais por campo agrícola, pastagens e urbanização (Klink 2005). Estima-se que já tenha perdido mais de 30 % da sua área original, e que os cenários científicos mostram uma tendência de aumento desse processo. A criação de gado, exploração da madeira, atividades relacionadas com mineração e mais recentemente com a possibilidade da expansão agrícola por causa do programa de biocombustível e geração de energia hidrelétrica incentivado pelo governo, estão entre as principais ameaças. Assim, o grande desafio dos órgãos ambientais é evitar que a floresta Amazônica tenha o mesmo destino do Cerrado e da Mata Atlântica, sobretudo porque há muitas espécies que ainda não foram catalogadas. Além do mais, a perda da biodiversidade do bioma Amazônico poderá trazer consequências globais.

O planejamento e manejo de reservas naturais deve necessariamente considerar os efeitos da fragmentação da floresta relacionados à persistência das espécies e dos mecanismos ecológicos. Se a área de uma reserva natural está abaixo do tamanho mínimo necessário para que seja mantida a população de uma espécie, então a espécie estará em risco de extinção nessa reserva. A fusão rápida do conhecimento científico com políticas públicas, relacionadas ao uso e ocupação do solo, é urgente para evitar uma degradação ambiental intensa e, pró-ativamente, manejar as áreas naturais que irão enfrentar grande onda de desenvolvimento no futuro. As ações econômicas, social, política e ambiental decidirão sobre o destino das espécies e dos mecanismos que sustentam a vida. Dessa forma, a sociedade deverá tomar decisões embasadas nos conhecimentos científicos e tecnológicos.

Dore e Webb (2003) analisaram um estudo de caso para determinar o valor da biodiversidade. Foi realizada uma prospecção da biodiversidade para procurar compostos químicos e informação genética produzidos por organismos silvestres e, que pudesse ter algum valor comercial, cujo preço refletisse no mercado. O comércio agrícola, a indústria farmacêutica e de cosméticos têm grande interesse nessas aplicações. Esperava-se que a prospecção fosse utilizada para determinar um valor comercial para a preservação de áreas ricas em biodiversidade. Mas, existem diversos problemas de regulamentação de direito a propriedade. Por isso, as companhias farmacêuticas freqüentemente contratam coletores. De fato, seu custo de prospecção está associado às despesas com o coletor, ficando a preservação da área para segundo plano. 

Uma ampla classe de valoração, utilizada por economistas de recursos, tem sido valorar o estoque de uma espécie (Perrings et al. 1995 apud Dore e Webb 2003). Essa abordagem engloba diversos conceitos de valoração econômica, novos e antigos. A abordagem dos economistas de recursos é uma forma de valorar passo a passo uma única espécie, tentando primeiramente calcular sua biomassa. Dada a natureza do crescimento biológico, a equação logística tem sido muito utilizada para estimar a biomassa de uma espécie. A essa biomassa poderá ser atribuído um valor de diversas formas: pode ser atribuído um valor direto (de consumo) como alimento ou como uma espécie estruturante. Valores diretos de existência e herança também podem ser atribuídos à espécie. Contudo, de uma forma geral, os diferentes métodos podem ser classificados em dois grandes grupos, os métodos diretos e indiretos de valoração econômica da biodiversidade. A economia da natureza interpreta que relação ambiente-economia em termos da segunda lei de termodinâmica. A segunda lei vê a atividade econômica como um processo dissipativo. A partir desta perspectiva, a produção de bens econômicos e serviços invariavelmente requerem o consumo de matéria e energia disponíveis no ambiente. A economia necessariamente se alimenta de recursos de energia/matéria de alta qualidade (baixa entropia) para crescer e desenvolver. Isso tende a desordenar e homogeneizar a ecosfera. A ascendência da humanidade acompanhada por uma taxa crescente de degradação ambiental, resultando na perda da biodiversidade, redução dos sistemas naturais e poluição da água, ar e solo. Em suma, o paradigma dominante de desenvolvimento econômico baseado no crescimento é fundamentalmente incompatível com a sustentabilidade social e ecológica (Rees 2003). 

Então a valoração da biodiversidade deve ser estudada, utilizada e difundida, sendo uma ferramenta aliada e imprescindível nas políticas econômicas e sociais. Além disso, a valoração é essencial dentro da nova visão da economia ecológica, que prevê a internalização das externalidades (positivas ou negativas). Portanto, entre o desafio de atribuir valores aos elementos da biodiversidade, reduzir os processos de fragmentação das paisagens naturais e buscar um desenvolvimento de forma sustentável, está a necessidade urgente da aplicação dos instrumentos de gestão ambiental. Inclui-se não só o estabelecimento e aplicação das leis, mas a ética em todos os setores - político, governamental, empresarial e social - para inserir nas discussões econômicas e sociais os valores ecológicos (Ricklefs 2003). Por outro lado, é preciso que haja aplicação da educação ambiental nos setores da sociedade.

Por meio da educação ambiental é possível sensibilizar as pessoas e mostrar que os seres humanos dependem do ambiente para obtenção dos recursos que necessitam para a sua sobrevivência e, principalmente, que esses recursos são finitos. Ainda, que sejam levadas as informações dos cientistas e pesquisadores a todas as camadas da sociedade, para que a mesma possa refutar os acontecimentos. Tais informações devem ser avaliadas por cada indivíduo, pois a sustentabilidade do planeta depende primordialmente da ação de todos. Entretanto, a esfera política precisa estar bem assessorada para tomar decisões corretas que contribuam para manutenção dos ecossistemas. Além disso, devemos ter ciência que nós fazemos parte da biodiversidade e, não temos a moral de sentenciar uma espécie à extinção e beneficiar outra porque a consideramos mais valiosa economicamente em relação à anterior. Para isso, torna-se necessária a mudança dos nossos valores e só assim teremos a possibilidade de ter um planeta sustentável. Dessa forma, a prática da educação ambiental como instrumento de gestão, juntamente com as políticas públicas eficientes, e governância são imprescindíveis para que o Brasil minimize e conserve seus recursos naturais.

Dentre os vários temas integrados possíveis de investigação na Amazônia, os que estão mais relacionados com o processo de gestão territorial da região são o planejamento e a implementação de territórios sustentáveis, ou seja, um mosaico de usos de terra complementares gerenciados de forma integrada que permitam conservar a biodiversidade e manter tanto a dinâmica dos processos ecológicos como a dinâmica socioeconômica de um determinado território. É necessário o manejo florestal sustentável (Litlle 2003) e a participação social (Nascimento 2003). Para isso, é preciso integrar e aplicar os conhecimentos científicos para desenvolver modelos sustentáveis de uso do território na região. 

Outros mecanismos de resposta à conservação ambiental incorporam, também, a importância da agricultura familiar, a lógica dos créditos de carbono, a agricultura de floresta, o artesanato e o ecoturismo sustentável para diminuir os impactos dos produtores nessas regiões. A sustentabilidade depende de modelos alternativos de gestão ambiental. Políticas locais, regionais e federais devem convergir na mesma direção. Da prática coerente de instrumentos de educação e gestão ambiental com instrumentos econômicos de desenvolvimento (Bursztyn 2001). Assim, os recursos naturais existentes na Amazônia dependem de políticas públicas eficientes para minimizar o processo de fragmentação que ocorre na região de forma crescente. Portanto, a sociedade brasileira juntamente com as comunidades existentes na Amazônia deve atribuir valor aos elementos da biodiversidade e aplicar valores morais que possam contribuir para a sustentabilidade do planeta.

Efeito de borda
Efeito de borda é uma alteração na estrutura, na composição e/ou na abundância relativa de espécies na parte marginal de um fragmento. Tal efeito seria mais intenso em fragmentos pequenos e isolados.

Esta alteração da estrutura acarreta em uma mudança local, fazendo que plantas que não estejam preparadas para a condição de maior estress hídrico, característico das regiões de borda, acabem perecendo, acarretando em mudanças na base da cadeia alimentar e causando danos à fauna existente na região.

Muitas vezes essa morte dentre os integrantes da flora na região de borda, acarreta na ampliação desta região, podendo atingir segundo alguns autores, até 500m.

Na Floresta Atlântica, a maior parte dos remanescentes florestais, especialmente em paisagens intensamente cultivadas, encontra-se na forma de pequenos fragmentos, altamente perturbados, isolados, pouco conhecidos e pouco protegidos (Viana & Pinheiro, 1998). A fragmentação florestal é um dos fenômenos mais marcantes e graves do processo de expansão da fronteira agrícola no Brasil (Viana et al., 1992), provocando o isolamento de trechos de floresta de diferentes tamanhos, em meio a áreas perturbadas, ficando a periferia do fragmento mais exposta à insolação e à modificação do regime dos ventos. Essas mudanças provocadas pelos limites artificiais da floresta sãochamadas efeito de borda e têm enorme impacto sobre os organismos que vivem nesses ambientes fragmentados . Uma forma de se estudar essas mudanças é observar o padrão de agregação das espécies que pode ocorrer em resposta a diferenças locais entre habitat. Pelas mudanças provocadas nas condições do local, o efeito de borda afeta o padrão de distribuição espacial das espécies. A distribuição diamétrica busca permitir a avaliação prévia de condições dinâmicas da floresta, possibilitando previsões futuras quanto ao desenvolvimento da comunidade vegetal. E, através da avaliação da estrutura vertical em populações, pode-se identificar o comportamento ecológico e o hábito de cada população.

Outro ponto importante no estudo do comportamento das espécies seria com relação ao estudo de grupos sucessionais. A separação das espécies arbóreas em grupos ecológicos é uma maneira de possibilitar o manuseio do grande número de espécies da floresta tropical, mediante seu agrupamento por funções semelhantes e de acordo com as suas exigências. Os estudos dos grupos sucessionais servem não apenas para que se possa recuperar a vegetação original mas, também, porque em cada uma de suas fases se encontram potenciali- dades biológicas de grande utilidade para o homem, por exemplo, os grupos de espécies de rápido crescimento, que podem ser exploradas comercialmente . 

Perda de biodiversidade
Será que deveríamos nos preocupar com a extinção das espécies? Até pouco tempo atrás, a diversidade da vida vem aumentando aos níveis mais elevados de que se tem conhecimento na história da Terra (Chapin et al., 2000). Contudo, a exploração da natureza pelo homem tem tido, e ainda tem, conseqüências prejudiciais para a biodiversidade do planeta. Segundo estimativas, cerca de 150 tipos únicos de organismos são extintos diariamente (Lamont, 1955). É bem verdade que muitas espécies de plantas e animais estão desaparecendo e continuarão a desaparecer em decorrência de atividades humanas no passado e no presente (Chapin et al., 1996), mas será que essa perda afeta o funcionamento dos ecossistemas e influenciam o bem-estar da humanidade?

A ciência conhece quase dois milhões de espécies, mas acredita-se que existam pelo menos 10 milhões (e talvez até 30 milhões) de espécies (May, 1990). Com esse grande número de espécies, e a vasta diversidade que representam, seria realmente tão importante se perdêssemos algumas, ou muitas que sejam? Afinal, a extinção é um processo natural – mais de 99% de todas as espécies que já existiram estão hoje extintas (Leakey, 1996). Além disso, muitas espécies são consideradas redundantes (Walker, 1992), o que significa que desempenham as mesmas funções dentro de um ecossistema. Sendo assim, a perda de todas as espécies que desempenham uma certa função, com exceção de uma, não deveria importar. Ou deveria?

Em primeiro lugar, qualquer possível efeito negativo no funcionamento do ecossistema deve-se não apenas à perda de espécies propriamente ditas, mas à velocidade com que estão desaparecendo. Hoje em dia, as espécies estão desaparecendo de 100 a 1.000 vezes mais rapidamente do que em épocas anteriores à existência do homem na terra, e a extinção adicional das espécies ameaçadas pode acelerar substancialmente essa perda (Chapin et al., 1998). Além disso, para cada 10.000 espécies que se extinguem, somente uma nova espécie chega a evoluir (Chapin et al., 1998). Portanto, a velocidade de perda de biodiversidade atual supera largamente a velocidade com que a natureza consegue efetuar uma compensação e se adaptar. 

Em segundo lugar, as espécies redundantes conseguem se proteger contra as mudanças de função do ecossistema, no caso de perda de espécies, somente até certo ponto. Contudo, os organismos classificados por nós como idênticos em função muitas vezes demonstraram diferir o suficiente para adquirir uma importância significativa no funcionamento do ecossistema. Mesmo que algumas espécies sejam redundantes em termos da função que desempenham, elas geralmente têm diferentes condições ambientais favoráveis ao seu crescimento e reprodução, o que é uma proteção contra as mudanças no ecossistema se as condições ambientais se alterarem (Chapin et al., 1995). Consequentemente, a perda de espécies pode não só causar efeitos diretos num ecossistema, mas também afetar sua capacidade de proteção contra futuras mudanças ambientais.

Portanto, verificamos que as espécies estão desaparecendo mais rapidamente do que nunca, que a natureza não consegue acompanhar essa grande rapidez de extinção e que as espécies ecológicas equivalentes (se é que existem) são importantes como proteção contra futuras mudanças no ambiente. Portanto, existem motivos de preocupação. Mas será que existe alguma prova de que a perda de biodiversidade cause efeitos negativos no funcionamento dos ecossistemas? Existem pelo menos algumas indicações e, no texto abaixo, vou discorrer brevemente sobre alguns resultados de estudos que investigaram os efeitos da perda de biodiversidade. 

Investigações dos efeitos da perda de biodiversidade

Embora diversos estudos, particularmente na ciência agrícola, tenham investigado empiricamente a importância do agrupamento de várias espécies em épocas remotas, foi só no início da década de 90 que os primeiros estudos testando especificamente os efeitos da perda de biodiversidade nos processos e funcionamento do ecossistema foram publicados. Desde então, a pesquisa no campo da ecologia chamado Biodiversidade e Funcionamento do Ecossistema (BD-EF) aumentou consideravelmente (vide Loreau et al., 2001, 2002, para estudos ). A despeito de alguns problemas com projetos experimentais, estatísticas e extrapolação de resultados para os sistemas naturais, houve progresso. A seguir, vou expor e analisar o que considero ser as mais importantes realizações desses estudos.

Importância da Biodiversidade 

As primeiras contribuições empíricas no campo da BD-EF foram publicadas em meados dos anos 90 (Tilman e Downing, 1994, Naeem et al., 1994, 1995). Esses dois estudos concluíram que a biodiversidade era importante para o funcionamento do ecossistema. O estudo de Naeem et al. (1994, 1995) foi realizado no Ecotron, na Inglaterra, em ecossistemas artificiais constituídos de vários níveis tróficos (i.e. produtores primários, consumidores e predadores) contendo biodiversidade baixa, média ou alta. Descobriu-se que a biodiversidade afeta substancialmente diversos processos diferentes do ecossistema e que alguns processos aumentaram com a biodiversidade, enquanto outros diminuíram. Tilman e Downing (1994) realizaram seus estudos nos ecossistemas de pastagens em Cedar Creek, estado de Minnesota, EUA. Utilizaram tratamentos experimentais contendo de uma a 24 espécies, e verificaram que a produtividade e a retenção dos nutrientes do solo aumentaram com a diversidade vegetal. Esses estudos receberam muita atenção quando publicados; portanto, tiveram grande importância no impulso da pesquisa em BD-EF, aumentando a conscientização das conseqüências da perda de biodiversidade, tanto na comunidade científica como entre os tomadores de decisão. Propiciaram também um bom alicerce para futuras pesquisas.

Importância do projeto experimental

Após esses primeiros estudos empíricos sobre os efeitos da perda de espécies, houve alguma polêmica sobre a causa desses resultados (Aarsen, 1997, Huston, 1997). Uma das sugestões era que, em vez da biodiversidade propriamente dita, algumas poucas espécies com forte impacto nos processos do ecossistema e a crescente probabilidade de essas espécies terem sido incluídas nos agrupamentos de alta diversidade poderiam ser responsáveis pelas correlações entre a biodiversidade e o funcionamento do ecossistema. Em outras palavras, os resultados poderiam ser fabricados pelo projeto experimental (i.e. “efeito de amostragem”). Contudo, outros ecologistas argumentaram que a importância de determinadas espécies e sua maior taxa de ocorrência em agrupamentos com maior número de espécies poderiam ser também uma característica importante dos sistemas naturais (Tilman et al., 1997). Essa questão foi solucionada de certa forma quando foram apresentadas técnicas estatísticas para separar os efeitos da biodiversidade e determinadas espécies (Jonsson e Malmqvist, 2000, Loreau e Hector, 2001). Além disso, a importância de determinadas espécies e determinadas composições de espécies deveria também ser objeto de interesse em estudos sobre fatores que afetam o funcionamento do ecossistema. De qualquer modo, esse debate foi importante pois conduziu a projetos experimentais mais sólidos sobre os efeitos da biodiversidade.

Redundância das espécies

Alguns estudiosos argumentaram que não é a biodiversidade per se, mas sim a diversidade funcional do grupo que é importante para o funcionamento do ecossistema. Esse argumento fundamenta-se na crença de que as espécies pertencentes ao mesmo grupo funcional são redundantes. De acordo com essa linha de raciocínio, as espécies podem se extinguir sem causar nenhum efeito no funcionamento do ecossistema, contanto que cada grupo funcional seja representado por pelo menos uma espécie. 

No entanto, embora as espécies possam parecer redundantes quanto à função que desempenham, elas podem se distinguir de inúmeras outras maneiras, i.e. atividade no tempo e no espaço, preferências ambientais (climáticas), escolha específica da presa, vulnerabilidade a predadores, e assim por diante. Sustentando a noção de que espécies aparentemente redundantes diferem o suficiente para que cada uma seja importante no funcionamento dos ecossistemas, existem estudos que investigaram os efeitos da perda de biodiversidade dentro de grupos funcionais (ex.: Jonsson e Malmqvist, 2000, Jonsson et al., 2001, Cardinale et al., 2002, Dangles et al., 2002, Huryn et al., 2002 Jonsson et al., 2002, Jonsson e Malmqvist, 2003a,b). Esses estudos constataram fortes efeitos de mudança na biodiversidade, embora as espécies utilizadas desempenhassem funções idênticas. Conseqüentemente, além dos efeitos definidos no funcionamento do ecossistema quando as últimas espécies de um grupo funcional desaparecem, a perda de espécies dentro de grupos funcionais também tem grande importância. Embora alguns desses estudos tenham comprovado o aumento do funcionamento do ecossistema com declínio da biodiversidade, eles ainda demonstram que a redundância de espécies, nesse sentido, é um conceito disfuncional.

Além do mais, as espécies redundantes podem, até certo ponto, atuar como um seguro biológico, minimizando o efeito das mudanças no funcionamento do ecossistema quando as condições ambientais mudam . Por exemplo, imaginemos que duas espécies aparentemente redundantes (A e B) desempenhem uma mesma função e que a espécie A predomine sobre a espécie B em abundância, já que as condições ambientais existentes favorecem a espécie A. Então, quando o ambiente se altera de modo que as novas condições passam a favorecer a espécie B, causando declínio do desempenho da espécie A, a espécie B aumenta em abundância e desempenho de modo que o funcionamento do sistema permanece inalterado. Se a espécie A fosse a única espécie do sistema no momento da mudança ambiental, ocorreria uma perda no funcionamento do ecossistema. Portanto, nesse sentido, a redundância das espécies é um traço importante dos sistemas naturais.

Explicações mecanicistas para os efeitos da biodiversidade

Explorar os mecanismos por trás dos efeitos da perda de biodiversidade é fundamentalmente importante se quisermos compreender as consequências da rápida perda de biodiversidade atual. A complementaridade de nicho é frequentemente utilizada como a explicação mais provável para os efeitos de biodiversidade modificada, principalmente se tanto a “diferenciação de nicho” como a “facilitação” estiverem incluídas na definição (ex.: Loreau e Hector, 2001). As características de uma espécie determinam como, quando e onde ela utiliza os recursos (o nicho). Embora todos os indivíduos de uma mesma espécie compartilhem essas características, eles geralmente se diferenciam entre espécies (diferenciação de nicho). Portanto, a diferenciação de nicho permite que as espécies coexistam, evitem uma forte concorrência e, consequentemente, desempenhem um processo com eficiência (ex.: Volterra, 1926, Lotka, 1932, Jonsson e Malmqvist, 2003a). A perda de espécies pode, portanto, reduzir o número de nichos utilizados, aumentar a concorrência e baixar a velocidade do processo, afetando negativamente o funcionamento do ecossistema. As interações positivas entre espécies, como a facilitação, por exemplo, são potencialmente muito importantes no funcionamento do ecossistema. Embora vários estudos tenham comprovado a facilitação entre alguns pares de espécies (ex., Soluk e Collins, 1988, Kotler et al., 1992, Soluk, 1993, Soluk e Richardson, 1997, Cardinale et al. 2002, Jonsson e Malmqvist, 2003a), não se sabe bem até que ponto tais interações são comuns ou importantes nos ecossistemas naturais. Contudo, tanto a diferenciação de nicho como a facilitação provavelmente são importantes para manter a velocidade do processo e o funcionamento do ecossistema. Assim, no caso de perda de espécie, o funcionamento do ecossistema poderia ser afetado negativamente seja pelo aumento da competição, pela lacuna de nicho ou pela perda de interações facilitadoras.

Investigação da perda de biodiversidade natural ou aleatória

Para testar realmente os efeitos da biodiversidade, um estudo deve utilizar espécies escolhidas aleatoriamente em um amplo grupo de espécies. A maioria dos estudos, contudo, utilizou determinadas espécies, ou composições de espécies aleatórias, colhidas em grupos menores e, portanto, não conseguiu tirar conclusões sobre os efeitos da biodiversidade propriamente dita. Em vez disso, os resultados podem ser relevantes somente para as espécies utilizadas no estudo. Embora possa ser interessante investigar se existe algum efeito geral da perda de biodiversidade no funcionamento do ecossistema utilizando-se espécies escolhidas aleatoriamente, a extinção de espécies muitas vezes segue padrões previsíveis, dependendo da espécie do sistema e do tipo de perturbação. Portanto, a melhor maneira de estudar os efeitos da perda de biodiversidade seria sujeitar uma comunidade natural a uma perturbação (Petchey et al., 1999), ou utilizar uma ordem de extinção previsível (Jonsson et al., 2002). Isso, é claro, limita a aplicabilidade geral dos resultados, mas, ao mesmo tempo, fornece resultados mais realistas e um conhecimento específico dos efeitos da perda de espécies no sistema estudado.

Extrapolação dos resultados experimentais para sistemas naturais

A persistência dos efeitos da biodiversidade observados em experiências controladas e de curta duração foi questionada (e.g. Symstad et al., 2003). Como, até o momento, a maioria dos estudos foi realizada durante períodos relativamente curtos, não se sabe ao certo se os efeitos (iniciais) são transitórios ou persistentes e, portanto, se são relevantes quanto aos efeitos da biodiversidade nos sistemas naturais. Entretanto, constatou-se num longo estudo de pastagens que o efeito inicial da biodiversidade persistiu ao longo do tempo, embora os mecanismos subjacentes tenham mudado (Tilman et al., 2001). Outro problema com a maioria dos estudos até agora é que, embora os sistemas naturais sejam em geral altamente complexos, as montagens experimentais têm utilizado relativamente poucas espécies e níveis tróficos. Os estudos que utilizaram baixa complexidade muitas vezes obtiveram resultados bastante diretos, mas os resultados de sistemas experimentais mais complexos têm sido difíceis de interpretar. Portanto, há uma troca entre a complexidade e a interpretabilidade dos resultados e ainda não há boas soluções para esse problema, apesar das tentativas para realizar estudos úteis sobre os sistemas complexos (vide Finke e Denno, 2004, como um exemplo).

O Futuro

Até hoje, os estudos têm demonstrado que a biodiversidade é importante para a velocidade dos processos do ecossistema e para o funcionamento do ecossistema – pelo menos em escalas espaciais relativamente pequenas e por curtos períodos de tempo. Além do mais, foram encontradas evidências de mecanismos por trás dos efeitos da biodiversidade. Assim, o desafio para os estudos no futuro será expandir em espaço, tempo e complexidade, de forma que os resultados obtidos sejam mais relevantes para os sistemas naturais. A pergunta se e como a biodiversidade é importante para o funcionamento dos ecossistemas é uma das questões mais importantes da ecologia hoje. Uma vez que a atual perda de biodiversidade ameaça seriamente os serviços que um bom funcionamento dos ecossistemas presta à humanidade (Luck et al., 2003), preservar a biodiversidade também pode nos ajudar a preservar a humanidade.

Lugares Brasileiros Listados na "Science" como Insubstituíveis

Quatro lugares brasileiros foram listados em estudo publicado na última edição da revista Science entre os 10 mais importantes do mundo. Dois são abrangidos por Terras Indígenas: Alto Rio Negro (Cabeça do Cachorro) e Vale do Javari (fronteira AM-Peru) , que ocuparam o 6º e 9º lugar respectivamente. Na sequência – em 7º e 8º estão duas belezas cênicas encontradas dentro de parques nacionais sob gestão do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio): a Serra do Mar, que abrange o Parque Nacional da Serra da Bocaina, entre outros; e a Serra da Mantiqueira, que abrange os parques nacionais da Serra dos Órgãos e do Itatiaia.

Ao todo foram analisados 78 lugares, que englobam 137 áreas protegidas em 34 países, que juntos protegem a maioria das populações de 627 espécies de pássaros, anfíbios e mamíferos, incluindo 304 espécies ameaçadas de extinção em todo o mundo. A maioria das áreas citadas estão em regiões de floresta tropical, montanhas e ilhas. A análise de dados abrangeu 173 mil áreas protegidas terrestres e 21.500 espécies que estão na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN - sigla em inglês). A coleta e análise de dados foram feitas por especialistas da IUCN, do Centro de Ecologia Funcional e Evolutiva (CEFE) na França, do Centro Mundial de Monitoramento (UNEP-WCMC), e da BirdLife International.


Serra da Mantiqueira
Serra da Mantiqueira
Além de apontar as áreas protegidas mais críticas para a proteção animal, o estudo dá conselhos práticos para que suas gestões sejam fortalecidas, como o de monitoramento das espécies que é responsabilidade da área proteger. Algumas das áreas citadas já são designadas como de "excepcional valor universal" pela Convenção do Patrimônio Mundial da UNESCO, como as Ilhas Galápagos no Equador, o Parque Nacional Manú no Peru e os Gates Ocidentais da Índia. No entanto, metade da terra coberta por essas áreas não tem reconhecimento do Patrimônio Mundial, o que de acordo com os pesquisadores poderia fortalecer a proteção de espécies únicas nessas áreas. É o caso do Parque Nacional das Montanhas Udzungwa, na Tanzânia, o pântano de Zapata, em Cuba, e o Parque Natural Sierra Nevada de Santa Marta, na Colômbia - considerado pelo estudo o lugar mais insubstituível do mundo para as espécies ameaçadas.

Lista dos 10 lugares mais insubstituíveis:

- Parque Nacional Kakadu (Austrália)
- Shark Bay (Austrália)
- Trópicos Úmidos de Queensland (Austrália)
- Apolobamba (Bolívia)
- Carrasco (Bolívia)
- Alto Rio Negro (Brasil)
- Serra do Mar (Brasil)
- Serra da Mantiqueira (Brasil)
- Vale do Javari (Brasil)
- Monte Camarões (Camarões)


Fauna Brasileira

O Brasil é responsável pela gestão do maior patrimônio de biodiversidade do mundo: são mais de 100 mil espécies de invertebrados e aproximadamente 8200 espécies vertebrados (713 mamíferos, 1826 aves, 721 répteis, 875 anfíbios, 2800 peixes continentais e 1300 peixes marinhos), das quais 627 estão listadas como ameaçadas de extinção, sendo uma obrigação do poder público e da sociedade protegê-las.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade atua para a melhoria do estado de conservação das espécies da fauna brasileira, utilizando três ferramentas integradas:

avaliação do risco de extinção das espécies - que permite a atualização das Listas Nacionais Oficiais das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção;

identificação de cenários de perda de biodiversidade - que permite identificar as áreas de maior vulnerabilidade para a perda de espécies ou suas populações;

definição e implementação de Planos de Ação Nacionais - que permitem identificar as ações com mais importância para a conservação das espécies ameaçadas de extinção.

Fauna Brasileira


Espécies de Animais do Brasil que estão entre os mais Ameaçados do Mundo

Lista com cem espécies que podem desaparecer foi divulgada. Primata, ave, roedor e duas borboletas correm risco no país, diz estudo.

Cinco espécies brasileiras de animais estão entre as cem mais ameaçadas de extinção no planeta, de acordo com uma lista publicada pela Sociedade Zoológica de Londres.
Muriqui-do-norte
Muriqui-do-norte, primata que vive no Brasil e que foi incluído na lista dos animais que correm risco de desaparecer. (Foto: Divulgação/Sociedade Zoológica de Londres)


Soldadinho-do-Araripe
Exemplar macho de Soldadinho-do-Araripe, espécie existente apenas no Ceará e que corre o risco de
desaparecer (Foto: Divulgação/Ciro Albano)
As espécies brasileiras citadas no livro "Valiosos ou Sem Valor" (numa tradução livre), lançado no Congresso Mundial da Natureza, na Coreia do Sul, incluem o macaco muriqui-do-norte (Brachyteles Hypoxanthus), o pássaro soldadinho-do-Araripe (Antilophia bokermanni), duas borboletas (Actinote zikani e Parides burchellanu) e uma espécie de preá (Cavia intermedi).

É a primeira vez que mais de 8 mil cientistas reúnem-se para avaliar os animais, plantas e fungos mais ameaçados ao redor do globo. A lista contém espécies encontradas em 48 países diferentes. "Todas as espécies listadas são únicas e insubstituíveis. Se elas desaparecerem, não haverá dinheiro que as traga de volta", disse Ellen Butcher, da Sociedade Zoológica de Londres, co-autora do relatório.

Um dos destaques da lista é o muriqui-do-norte, maior macaco das Américas, só encontrado na Mata Atlântica, no Sudeste do país. A população é calculada em menos de mil macacos, principalmente em algumas dezenas de reservas privadas e do governo.

A publicação cita também o soldadinho-do-araripe, ave de cerca de 14 centímetros que vive apenas na Chapada do Araripe, no Ceará. A população é calculada em 779 indivíduos. O relatório afirma que a principal ameaça é a "destruição do hábitat devido à expansão da agricultura, unidades de recreação e parques aquáticos."

O preá Cavia intermedia, que existe apenas nas Ilhas Moleques do Sul, em Santa Catarina, tem população de apenas 40 a 60 indivíduos, segundo a instituição baseada em Londres, que sugere que haja mais fiscalização ao parque estadual onde estão as ilhas, além de regulamentação do acesso à área.

Cavia intermedia
Da esquerda para a direita: preá 'Cavia intermedia', além das borboletas 'Actinote zikani' e 'Parides burchellanus'. (Foto: Divulgação/Sociedade Zoológica de Londres)
A lista de 100 espécies mais ameaçadas inclui ainda a borboleta Actinote zikani, que vive na Serra do Mar, perto de São Paulo, e a Parides burchellanus, com uma população de menos de 100 indivíduos no Cerrado brasileiro.

Flora Amazônica e sua Biodiversidade

Flora Amazônica
Nos últimos 20 anos, o numero estimado de espécies vegetais encontradas na Amazônia tem variado entre 17 e 60 mil.  Graças aos esforços em catalogação e descrição dispostos durante este período, atualmente existe um consenso entre os botânicos de que o número de espécies ainda a serem descobertas é relativamente baixo. A maior diversidade vegetal se encontra em uma faixa que se estende desde Colômbia e Venezuela no Alto Rio Negro até Manaus.  A região de Manaus provavelmente é o centro de origem de diversas famílias tais como Sapotaceae, Meliaceae, Lecythidaceae, Connaraceae e Caryocaraceae. Atualmente, registra-se a ocorrência de mais de 1600 espécies de monocotiledôneas em aproximadamente 30 famílias, e mais de 7000 espécies de dicotiledôneas em mais de 140 famílias.

Flora Amazônica
Flora Amazônica
Pteridófitas - Na Amazônia são representadas pelas samambaias. Constituem provavelmente constituem o primeiro grupo vegetal que apresenta sistema vascular que surgiu em nosso planeta, e também os primeiros vegetais a colonizarem ambientes terrestres. São plantas que não produzem sementes e que se reproduzem através de esporos, através de alternância de gerações. Compreendem esta divisão cinco classes: Psilophytopsida, Lycopsida, Psilotopsida, Articulatae e Filices, sendo que Rhyniophyta, Zosterophyllophyta, Trimerophytophyta foram extintas no fim do Devoniano. Samambaia gigante do brejo (Acrostichum danaefolium) Família Pteridaceae; Rabo de tainha (Nephrolepis biserrata) Família Davalliaceae.

Gymnospermas - Também apresentam vasos condutores de seiva e se reproduzem através de alternância de gerações, tais quais as pteridófitas, das quais diferem por produzem sementes, apesar de não produzirem frutos. Pinheirinho amazônico (Decussocarpus rospigliosii) Família Podocarpaceae.

Angiospermas - Monocotiledôneas - As angiospermas são as plantas que apresentam sementes envoltas por um fruto, e as monocotiledôneas constituem um grupo de angiospermas cujos embriões apresentam apenas um cotilédone, que é a folha primordial embrionária. As nervuras das folhas das monocotiledôneas são paralelas, suas flores são trímeras, que dão origem a fruto com três carpelos. As raízes das monocotiledôneas são em forma de cabeleira, e seus caules apresentam feixes liberolenhosos difusos. Costos vermelho (Costus spiralis) Família Zingiberaceae; Paxiúba (Socratea exorrhiza) Família Arecaceae (Palmae); Charuto (Chalatea lutea) Família Marantaceae;  Caiauê (Elaeis oleifera) Família Arecaceae; Ciclantus (Cyclanthus bipartitus) Família Cychlanthaceae.

Angiospermas - Dicotiledôneas - Apresentam dois ou mais cotiledônes, e não constituem um grupo monofilético, ou seja, algumas formas apresentam ancestral comum com as monocotiledôneas, mas outras não. Apresentam raiz axial, folhas com nervuras reticuladas, flores tetra ou pentâmeras, porém raramente trimêras ou monômeras. Seringueira (Hevea brasiliensis) Família Euphorbiaceae; Guajará (Chrysophillum excelsum) Família Sapotaceae; Guaraná (Paullinia cupana) Família Sapindaceae; Andiroba (Carapa guianensis) Família Meliaceae; Castanha do Pará (Betholletia excelsa) Família Lecythidaceae; Vitória Régia (Victoria amazonica) Família Nymphaeceae.

Diversidade de Espécies Preserva Ecossistema

A diversidade de espécies evita colapso de ecossistema, diz estudo Cientistas revelam que a biodiversidade torna o ambiente mais resistente. Pesquisadores observaram por 10 anos área em Vancouver, no Canadá.

O estudo da Universidade de Guelph, no Canadá, revela que redução da diversidade de espécies e a monocultura (produção de um único produto agrícola) podem tornar um ecossistema mais vulnerável a mudanças ambientais súbitas, como incêndios e invasão de pragas. O artigo foi publicado na quarta-feira (6 de fevereiro de 2013) na revista "Nature".

A pesquisa destaca a importância da biodiversidade na estabilidade de ecossistemas para amortecer os impactos de perturbações no meio ambiente. De acordo com os cientistas, os agricultores devem investir no cultivo de mais tipos de plantas em pastagens e bosques para evitar um futuro colapso no ecossistema.
Diversidade de Espécies Preserva Ecossistema

Os pesquisadores monitoraram a estabilidade de ecossistemas altamente produtivos, mas pobres em diversidades de espécies. Eles verificaram que, apesar de se mostrarem resistentes às variações climáticas anuais, o ecossistema entrou em colapso quando foi atingido pelo fogo, introduzido pelos cientistas experimentalmente. Em contrapartida, pastagens em áreas com uma alta diversidade de plantas sobreviveram ao incêndio.

“As espécies são mais importante do que pensamos. Nós precisamos proteger a biodiversidade”, afirmou Andrew MacDougall, um dos autores do estudo e professor de botânica e membro do Centro de Pesquisa em Biodiversidade da universidade.

Os pesquisadores estudaram por dez anos pastagens no sul de Vancouver, no Canadá. A área de dez hectares, de propriedade da “Nature Conservancy of Canadá”, consiste em um tipo de savana ou pastagem com a presença de algumas árvores, no caso carvalhos, que estava há 150 anos sem registrar nenhum incêndio.

Os cientistas isolaram partes do terreno e as queimaram para comprar a reação do ecossistema nas áreas com maior e menor diversidade de espécies e plantas nativas.

Os resultados revelam que as parcelas aparentemente estáveis de pastagens uniformes entraram em colapso e foram posteriormente invadidas por árvores, enquanto os locais com diversas espécies resistiram à invasão de plantas lenhosas.

A diversidade também afeta a vulnerabilidade ao fogo, sugere o estudo. As áreas com maior diversidade registraram macas no terreno menos persistentes e tornaram-se menos propensas a sofrer novamente um incêndio de alta intensidade, se comparadas às pastagens com única espécie.

"As monoculturas são um ecossistema muito produtivo que, entra ano e sai ano, produzem e parecem estáveis. Mas, de repente, uma grande perturbação acontece e toda a biodiversidade que foi perdida desde o início torna-se importante", disse o professor e autor do estudo, Kevin McCann.


A Fauna do Planeta Morre aos Poucos

O dia 04 de outubro é o Dia Mundial dos Animais. O problema da conservação da diversidade biológica é atualmente um dos mais urgentes do planeta. Segundo especialistas, quase um quinto dos organismos vivos está sob ameaça de extinção.

A cada hora, no mundo desaparecem três espécies de animais. O planeta está vivendo uma crise que consiste na rápida redução do número de espécies. Isto é especialmente relevante para mamíferos, destaca a diretora da representação de Moscou do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW) Maria Vorontsova:

“Sob ameaça de extinção estão rinocerontes, elefantes, tigres. No mundo restam apenas dois mil e setecentos tigres. No Extremo Oriente da Rússia vivem tigres do Amur, eles não são mais de quatrocentos. Lá vive também uma espécie maravilhosa de leopardos. Restam apenas 30-40 indivíduos. Também diminuiu bruscamente a população de saigas, que ainda há 20 anos eram cerca de dois milhões. No território da Rússia permanece um rebanho de entre três e cinco mil, e no total restam apenas 180 mil delas. Aparentemente, está diminuindo o número de ursos polares e morsas, que vivem no mar de Laptev.”

A Fauna do Planeta Morre aos Poucos

A redução do número de animais está ocorrendo em todo o mundo. Nos últimos 500 anos, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla inglesa), desapareceram completamente mais de 840 espécies de animais. Segundo diferentes estimativas, a extinção de animais está acontecendo cem ou até mesmo mil vezes mais rápido do que a taxa normal do processo evolutivo.

Isto é principalmente devido à interferência antrópica, ou seja, do homem. O aquecimento global provoca alterações climáticas irreversíveis e, como consequência, a extinção de espécies. Por outro lado, continua a urbanização de terras, desmatamentos em massa, a expansão de terras agrícolas.

Além disso, o homem está consumindo ativamente representantes do mundo animal. O mercado de comércio de plantas e animais está crescendo com incrível rapidez. São necessários séculos para o restabelecimento de suas populações. Comenta Maria Vorontsova:

“Diminuiu drasticamente o número de elefantes. Cada ano, caçadores furtivos matam na África até 60 mil elefantes. Matam-nos pelo marfim, que hoje é muito apreciado no Sudeste Asiático e na China. E o dinheiro assim ganho vai principalmente para apoiar organizações terroristas. Foi recentemente capturado um centro comercial em Nairóbi. A organização que se apoderou dele veio da Somália. Acredita-se que até 40 por cento do dinheiro que ela usa em atividades terroristas vem do comércio ilegal de marfim e da caça furtiva, na qual eles participam ativamente.”

Na Rússia, as autoridades não só combatem a caça furtiva mas também implementam diversos projetos de conservação de espécies raras de animais e pássaros. Entre eles, o projeto Morsas Árticas. As são habitualmente divididas em três subespécies, diz o coordenador de projetos de conservação da biodiversidade no Ártico da WWF da Rússia, Mikhail Stishov:

“A morsa do Pacífico habita o mar de Bering e o mar Siberiano Oriental. É uma morsa de pesca, com ela está tudo bem. A morsa do Atlântico habita na Groenlândia e no oriente do Canadá. Na Rússia, nos mares de Barents e de Kara. A população da morsa do Atlântico é pouca, mas não se sabe ao certo quantas são. Por isso, já durante vários anos nós estamos tentando descobrir locais de seu habitat. Encontramos novas colônias na ilha de Vaigach, no arquipélago de Nova Zembla. Agora começamos observações por satélite. Temos informações sobre como se movimentam as morsas no mar de Barents.”

A terceira subespécie habita as águas do mar de Laptev. Ela é a mais misteriosa. É possível que elas pertençam à espécie morsa do Pacífico. Isso ainda terá que ser averiguado. Para proteger a população de morsas, cientistas precisam ter dados sobre os locais onde elas vivem. A genética ajudará a responder a essa pergunta. Os cientistas conseguiram extrair amostras de material genético de morsas do Atlântico e do Pacífico. E a expedição realizada este ano permitiu colher amostras também da terceira subespécie, incluída na Lista Vermelha. Até o inverno, o Instituto de Genética vai obter dados exatos sobre como essas subespécies são ligadas umas às outras. É possível que esses estudos permitam salvar essa espécie da extinção.


Danos Ambientais Causados aos Corais

As barreiras de corais são ecossistemas ricos em biodiversidade, no entanto é um sistema extremamente vulnerável em nosso planeta. Muitas espécies dependem diretamente dos corais, porém, os impactos das mudanças climáticas nas barreiras de corais têm preocupado cientistas e instituições de pesquisas em todo o mundo.

Dentre as consequências visíveis, o processo de branqueamento do coral, é referente ao falecimento dos pólipos que funcionam como construtores dos recifes de coral. Os pólipos morrem a partir da destruição das zooxantelas, algas unicelulares existentes no celêntero dos pólipos. Essas algas são responsáveis pela alimentação dos pólipos por meio da fotossíntese.

A morte dos pólipos também ocorre pela diminuição do plâncton, que representa importante valor nutricional para o coral. Depois da morte dos pólipos, resta apenas o esqueleto (estrutura) de calcário que embranquece rapidamente num processo de decomposição.

Danos Ambientais Causados aos Corais

Além da mudança climática, o branqueamento ocorre também por causa de variações locais de temperatura das águas marinhas. Fenômenos como o El Niño também podem causar o processo de branqueamento na área atingida pelo fenômeno.

Desastres ambientais como o derramamento de produtos químicos nos mares, baixa dos níveis de sal das águas e assoreamento de recifes também gera a morte de corais. Em 2012, pesquisas realizadas por instituições da Austrália e Arábia Saudita iniciaram um processo de mapeamento na Grande Barreira de Corais e no Mar Vermelho.

O projeto irá mapear o genoma destes ecossistemas para detectar a respeito da resiliência dos corais, o nome do projeto é Sea-quence. No Mar Vermelho, o recife sofre intensos problemas relacionados à acidificação oceânica gerada por desastres naturais, como ciclones e tempestades.

Segundo outra pesquisa realizada nas ilhas de Galápagos, considerando registrados iniciados em 1983, desde esse ano até 2012, 90% dos corais foram mortos, alguns conseguiram se recuperar, mas a maioria despareceu.

Segundo Andrew Bruckner, cientista chefe da expedição que analisou os recifes de Galápagos: “Galápagos ofereceu um laboratório de campo único para nos ajudar a entender melhor como os extremos de temperaturas e a crescente acidificação afetarão a sobrevivência e crescimento dos recifes de coral no futuro”.

Pesquisando sobre  os corais e o seu processo de decomposição será possível elaborar novas maneiras de se proteger esse ecossistema fundamental para a vida marinha e biológica do planeta e entender a proporção que as mudanças climáticas podem gerar na Terra.

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