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Desenvolvimento Econômico do País e Conservação da Biodiversidade Amazônica

Desenvolvimento Econômico do País e Conservação da Biodiversidade Amazônica

Desenvolvimento Econômico do País e Conservação da Biodiversidade Amazônica

O processo atual de desenvolvimento do país e do mundo, de uma maneira geral, ainda está baseado em um modelo sócio-econômico excludente e em um sistema de aproveitamento da natureza com grande ênfase em atividades predatórias para o meio ambiente. Entretanto, desde a década de 1960, com a denúncia dos grandes desastres ambientais, tem crescido o movimento ambientalista mundial, assim como a consciência ecológica das populações de modo geral. Decorrentes desse processo, diversas ações têm sido realizadas para se construir mecanismos de preservação e conservação da natureza.

Primordialmente, grande ênfase foi dada aos procedimentos de comando e controle, tendo  priorizado-se, por exemplo, a criação de áreas protegidas de proteção integral, concebidas como locais de natureza intocada, sem qualquer alteração humana, e também a elaboração de legislações ambientais com enfoques restritivos e punitivos. Posteriormente, começa a se desenvolver concepções mais integradoras, possibilitando o desenvolvimento de ações com ênfase na integração homem e natureza. Dentro dessa nova perspectiva, começam a ser construídas as concepções de desenvolvimento sustentável, por exemplo, que defendem a possibilidade de integrar, ao desenvolvimento econômico, as variáveis ambientais, sociais e também culturais.


Esse novo enfoque de integração das sustentabilidades econômica, social, ambiental e cultural nas diversas ações de desenvolvimento econômico, e também de conservação ambiental do país, representa uma mudança de paradigma. Para a estruturação dessa nova perspectiva, grandes avanços precisam ser realizados em diversas áreas, como na pesquisa e desenvolvimento, na política ambiental e econômica, dentre outras. A ciência e a tecnologia, por exemplo, têm um importante papel a desempenhar no sentido de oferecer soluções concretas, em termos de produção e consumo, para estruturação de uma  sociedade sustentável. Mudanças nas estruturas de produção e consumo tendem a ocorrer por meio da pesquisa e desenvolvimento de processos e produtos, com a união entre ciência e tecnologia (C&T).

Em termos de políticas ambientais, o Brasil tem procurado desenvolver os marcos institucionais que amparem o processo de mudança das normas legais relativas à bioprospecção e ao uso econômico das riquezas naturais do país. Nesse sentido, está sendo discutido o projeto de lei de acesso aos recursos genéticos da biodiversidade. Esse projeto representa um dos mecanismos de implementação das diretrizes previstas na Convenção da Diversidade Biológica (CDB), de 1992, da qual o Brasil é signatário.

Para o país que detém a maior biodiversidade do globo, é bastante claro que a gestão do patrimônio genético brasileiro pode ser o elo chave para o processo de transformação da situação brasileira no contexto socioeconômico e político global. Nesse sentido, percebe-se que o Brasil tem um grande potencial a ser desenvolvido, transformando os recursos naturais em produtos de viabilidade econômica, dentro de um processo que garanta a sustentabilidade ambiental e sócio-cultural, promovendo a valorização dos conhecimentos tradicionais e a repartição de benefícios, quando devidos, em todos os elos desse processo. Para tanto, é necessária a ocorrência de avanços no sentido de garantir uma maior integração entre as políticas ambientais governamentais, as ações relativas às pesquisas e desenvolvimento e à produção econômica do país. Procurando, dessa forma, garantir a integração necessária para se promover a sustentabilidade do uso dos recursos naturais, em suas diversas acepções, econômica, ambiental e sócio-cultural.

O Brasil concentra em seus limites a maior biodiversidade de organismos e de ecossistemas do globo. O país lidera o ranking da biodiversidade de plantas, peixes de água doce e mamíferos; ocupa a segunda posição na diversidade de anfíbios; a terceira em aves e a quinta em répteis. A floresta tropical úmida – que cobre cerca de 7% do planeta – contém, segundo estimativas, cerca de 50% da biodiversidade mundial. A Amazônia brasileira, com 7 milhões de km2, ocupa 80% da Amazônia sul-americana e representa um percentual de  67% das florestas tropicais do mundo.

Apesar das grandes potencialidades dessa megabiodiversidade, pode se dizer que o país ainda sub-aproveita essa riqueza biológica, tanto em termos econômicos como sociais. Grande parte dessa diversidade de espécies ainda não é conhecida por pesquisadores, e apenas uma pequena parcela de espécies descritas é utilizada de forma efetiva pela sociedade brasileira, em termos de benefícios sociais, econômicos, garantindo-se melhoria da qualidade de vida da população de modo geral. Observa-se que o retorno para o setor produtivo e para as comunidades ainda é muito aquém em relação ao potencial previsto por especialistas.

Essas questões adquirem um status preocupante dado que os mecanismos de proteção e conservação dos ecossistemas naturais, mantenedores dessa biodiversidade,  ainda apresentam muitas imperfeições, o que tem refletido em um grande número de espécies e de biomas estarem ameaçados e em processo de extinção, mesmo com o  fortalecimento do movimento ambientalista nas últimas décadas, e a ocorrência de uma evolução global da consciência ecológica. Se as políticas públicas voltadas para a conservação dos recursos naturais ainda são insatisfatórias, pode-se dizer que ainda mais embrionário é o estado da arte das políticas públicas relativas ao aproveitamento sustentável do imenso potencial sócio-econômico da biodiversidade brasileira. 

A bioprospecção e o uso sustentável da biodiversidade são, segundo especialistas, ferramentas estratégicas para a conservação da biodiversidade e dos biomas. Ainda assim, o governo federal não tem uma política para o acesso e aproveitamento do patrimônio genético e para a bioprospecção.

O relatório da Conservation International, de dezembro de 1997, aponta que o Brasil e mais outros 16 países reúnem em seu território 70% das espécies animais e vegetais do planeta, o que lhes credenciou o título de países megadiversos. O Brasil lidera o ranking da biodiversidade de plantas, peixes de água doce e mamíferos; ocupa a segunda posição na diversidade de anfíbios; a terceira em aves e a quinta em répteis. Além disso, a floresta tropical úmida – que cobre cerca de 7% do planeta – contém, segundo estimativas, cerca de 50% da biodiversidade mundial.

A Amazônia brasileira, com 7 milhões de km2, ocupa 80% da Amazônia sul-americana e 67% das florestas tropicais do mundo. A Mata Atlântica é um dos biomas mais biodiversos, e ao mesmo tempo, um dos mais ameaçados do globo. O Cerrado e a Caatinga, também apresentam grande riqueza de espécies, de certa forma ainda pouco conhecidas, além de um elevado grau de endemismo de organismos. Apesar disso, o Cerrado apresenta atualmente as mais elevadas taxas de desmatamento, representando a principal “fronteira agrícola” do país.

Nesse contexto, o atual modelo econômico brasileiro, em especial da região amazônica, encontra restrições e esgotamentos. A substituição da floresta por terras para agricultura e pecuária, por meio do desmatamento, assim como a extração madeireira predatória, não têm apresentado ganhos socioeconômicos e ambientais que justifiquem sua reprodução, além dos consideráveis problemas ambientais que vem ocasionando. Tal quadro tem trazido pouca expectativa de aumento da inclusão social e de geração e melhoria da distribuição de renda.

Por outro lado, a megadiversidade brasileira, sobretudo da região amazônica, oferece vantagem comparativa para o estabelecimento de bioindústrias e bionegócios, ramo da atividade econômica com grande potencial para propiciar o desenvolvimento econômico e social, estimulando, ao mesmo tempo, a conservação e o manejo da diversidade biológica. O uso econômico da floresta e seus produtos constituem, inequivocamente, alternativa real à dinâmica de desmatamento atual, uma vez que incorpora os recursos da biodiversidade como bens efetivos, a serem explorados de forma sustentável e compatível com as demandas de um mercado em expansão.

Cabe ao governo, por meio de políticas públicas, estabelecer as estratégias nacionais de inserção da economia regional nos novos modelos econômicos sustentáveis.  Para tanto, é necessário inserir tecnologia aos processos produtivos existentes incluindo todos os segmentos sociais, resguardando a cultura local e garantindo a justa repartição de benefícios associados ao uso da biodiversidade.

www.megatimes.com.br
www.klimanaturali.org

Introduções Indesejadas de Animais Exóticos ou Alóctones

Introduções Indesejadas de Animais Exóticos ou Alóctones

Introduções Indesejadas de Animais Exóticos ou Alóctones
O caracol Achatina fulica, uma das 100 espécies mais invasivas do mundo, é um problema ambiental, econômico, agrícola e de saúde pública para vários países, incluindo o Brasil.

As espécies exóticas invasoras têm um significativo impacto na vida e no modo de vida das pessoas. O impacto sobre a biodiversidade é tão relevante que essas espécies estão, atualmente, sendo consideradas a segunda maior ameaça à perda de biodiversidade, após a destruição dos habitats, afetando diretamente as comunidades biológicas, a economia e a saúde humana. As espécies exóticas invasoras assumem no Brasil grande significado como ameaça real à biodiversidade, aos recursos genéticos e à saúde humana. Várias delas estão se disseminando e dominando, de forma perigosa, diferentes ecossistemas, ameaçando a integridade e o equilíbrio dessas áreas, e causando mudanças, inclusive, nas características naturais das paisagens.
            
De  acordo  com  a  Convenção  sobre  Diversidade  Biológica  -  CDB, espécies exóticas invasoras são organismos que, introduzidos fora da sua área de distribuição natural, ameaçam ecossistemas, habitats ou outras espécies. Possuem elevado  potencial  de  dispersão,  de  colonização  e  de  dominação  dos  ambientes invadidos, criando, em conseqüência desse processo, pressão sobre as espécies nativas e, por vezes, a sua própria exclusão.
          
A  crescente  globalização,  a  ampliação  das  vias  de  transporte,  o incremento do comércio e do turismo internacional, aliado às mudanças no uso da terra, das águas e às mudanças climáticas decorrentes do efeito estufa, tendem a ampliar significativamente as oportunidades e os processos de introdução e de expansão de espécies exóticas invasoras nos diversos ecossistemas da terra.
           
A disseminação de espécies exóticas leva a homogeneização dos ambientes, com a destruição de características peculiares que a biodiversidade local proporciona e a alteração nas propriedades ecológicas essenciais. Tais alterações são exemplificadas pelas modificações dos ciclos hídricos e de nutrientes, da produtividade, da cadeia trófica, da estrutura da comunidade vegetal, da distribuição de biomassa, do acúmulo de serrapilheira, das taxas de decomposição, dos processos evolutivos e das relações entre plantas e polinizadores, além da dispersão de sementes. As espécies exóticas podem, ainda, gerar híbridos com espécies nativas, colocando-as sob ameaça de extinção.
           
Em ecossistemas pobres em nutrientes, a presença de espécies invasoras cria,  muitas  vezes,  condições favoráveis  para  o  estabelecimento  de outras  espécies invasoras, que normalmente não se estabeleceriam. As plantas invasoras, em seu processo de ocupação, aumentam sua área de ocorrência e dominam e eliminam a flora nativa por competição direta. Os animais são eliminados ou obrigados a sair do local à procura de alimentos, antes abundantes pela diversidade de espécies existentes. Assim, lentamente as invasões biológicas vão promovendo a substituição de comunidades com elevada diversidade por comunidades monoespecíficas, compostas por espécies invasoras, ou com diversidade reduzida.
         
Outros  efeitos  resultantes  da  ocorrência  de  plantas  invasoras  podem passar pela alteração de ciclos ecológicos, como regime de fogo; quantidade de água disponível; alteração da composição e disponibilidade de nutrientes; remoção ou introdução de elementos nas cadeias alimentares; alteração dos processos geomorfológicos; e mesmo pela extinção de espécies.
          
As invasões biológicas podem se originar de introduções intencionais ou não intencionais, e causam danos ecológicos, econômicos, culturais e sociais. Ao longo dos últimos séculos muitas espécies foram intencionalmente introduzidas pelo homem a novos ambientes. As introduções são realizadas sempre com boas intenções. Em muitos casos elas são benéficas, a exemplo da maioria das espécies cultivadas, de muitas plantas ornamentais e de alguns organismos para controle biológico. Muitas espécies, entretanto, se tornam invasoras, cujos impactos negativos se sobressaem a eventuais benefícios.
           
Por meio de estudos realizados nos Estados Unidos da América, Reino Unido, Austrália, Índia, África do Sul e Brasil, concluiu-se que os custos decorrentes da presença de espécies exóticas invasoras nas culturas agrícolas, em pastagens e nas áreas de florestas atingem cifras anuais da ordem de US$ 250 bilhões. Adicionalmente, os custos ambientais nesses mesmos países chegam a US$ 100 bilhões anuais. Uma projeção mundial dessas cifras indica que as perdas globais anuais decorrentes do impacto  dessas  espécies  ultrapassa US$  1,4  trilhões,  aproximadamente  5% do  PIB mundial.
         
Considerando-se esses valores, estima-se que no Brasil esse custo pode ultrapassar os US$ 100 bilhões anuais. Esse montante pode ainda sofrer aumento significativo,  especialmente,  se  incluirmos  os  custos  relacionados  às  espécies  que afetam a saúde humana. Nos Estados Unidos da América, as estimativas de custo, considerando  apenas os  prejuízos e os  gastos  com o  controle de espécies exóticas invasoras, são da ordem de US$ 137 bilhões ao ano.
         
Se valores monetários pudessem ser atribuídos à extinção de espécies, à perda de biodiversidade  e aos  serviços  proporcionados  pelos  ecossistemas,  o  custo decorrente  dos  impactos  negativos  gerados  pela  presença  das  espécies  exóticas invasoras seria muitas vezes maior. 
          
Dados indicam que mais de 120 mil espécies exóticas de plantas, animais e microorganismos já foram introduzidas nos seis países acima mencionados. Com base nesses números, estima-se que um total aproximado de 480 mil espécies exóticas já foram introduzidas nos diversos ecossistemas da Terra. Considera-se que mais de 70% dessas introduções ocorreram como resultado de ações humanas. Se imaginarmos que 20 a 30% dessas espécies introduzidas são consideradas pragas e que estas são as responsáveis pelos grandes problemas ambientais enfrentados pelo homem, é fácil imaginar o tamanho do desafio que, forçosamente, temos de enfrentar para o controle, monitoramento, mitigação e, eventualmente, a erradicação dessas espécies de ambientes naturais. Desde o ano de 1600, as espécies exóticas invasoras já contribuíram com 39% das extinções de animais cujas causas são conhecidas.
            
No caso das plantas, por exemplo, alguns autores, na década de 1970, quantificaram que os prejuízos econômicos na produção agrícola, decorrentes da ação de espécies invasoras eram da ordem de 11,5% em regiões temperadas. Já em regiões tropicais, a redução da produção se situava entre os 30 e 40%. Outros autores, na década de 1980, estimaram que essas perdas eram da ordem de 10% da produção agrícola mundial.
            
Os prejuízos causados por espécies exóticas invasoras às culturas, pastagens e áreas de florestas na América do Sul excedem a muitos bilhões de dólares ao ano. Na Argentina, por exemplo, o gasto relacionado ao controle da mosca das frutas ultrapassa os US$ 10 milhões de dólares anuais, além da perda adicional anual de 15 a 20% da produção de frutas. Essas perdas equivalem a US$ 90 milhões de dólares ao ano, sem contabilizar os impactos econômicos e sociais indiretos gerados com a redução da produção e a perda de mercados de exportação. Na Nova Zelândia, por outro lado, onde todos os materiais postais são examinados visando prevenir a entrada de material biológico, conseguiu-se reduzir a tal ponto os prejuízos decorrentes da mosquinha-das- frutas que o saldo positivo da produção agrícola paga todo o sistema de inspeção.
             
No  Rio  Grande  do  Sul,  a  espécie  Eragrostis  plana  (capim-annoni) ameaça os sistemas seculares de produção bovina em função da perda da cobertura vegetal nativa, composta por diversas espécies de gramíneas, leguminosas e outras famílias importantes na composição dos campos naturais. Estima-se que dos 15 milhões de hectares de campos naturais presentes no estado do Rio Grande do Sul, cerca de três milhões já estejam invadidos por essa gramínea africana, com prejuízos de mais de US$ 75 milhões anuais à pecuária do Estado. Atualmente essa espécie já está presente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná e vem se disseminando para outras regiões.
         
Ainda na Região Sul do Brasil, as espécies Tecoma stans (amarelinho) e a Houvenia dulcis (uva do japão), entre outras, vem desenvolvendo, no estado do Rio Grande do  Sul,  um  crescente processo  de  invasão. No estado  do  Paraná,  a  planta Tecoma stans encontra-se disseminada em mais de 170 dos 393 municípios do Estado, estando já registrada como invasora em 85 deles, com seu cultivo e uso proibidos no Estado. Sua presença está confirmada em cerca de 50 mil hectares de pastagens, dos quais 15 mil já estão totalmente improdutivos.
           
Ao considerar a fauna invasora, vale registrar a crescente disseminação da Achatina fulica (caracol gigante africano), atualmente presente no Distrito Federal e em   mais   23   estados   brasileiros.   Outros   exemplos   que   estão   trazendo   sérias preocupações aos governos estaduais se referem às espécies Sus scrofa (javali), Aedes aegypti (mosquito da dengue) e Callithrix jacchus (sagüi).
              
Nos ambientes aquáticos, destacam-se as macrófitas exóticas que causam inúmeros problemas para os diversos usos da água em diferentes regiões do país. Os problemas envolvem desde o acumulo de lixo e outros sedimentos até a proliferação de vetores patogênicos,  além das dificuldades  relacionadas  à navegação,  à geração de energia, à distribuição de água à populações humanas, à irrigação, à recreação e à pesca, com prejuízos ao turismo regional, bem como perda de receita e empobrecimento dos municípios.
            
De fato, espécies exóticas invasoras geram graves conseqüências em ambientes aquáticos continentais em todo o mundo, com destaque para: a invasão da Perca do Nilo (Lates niloticus), no Lago Victoria, na África, que, junto com a tilápia- do-Nilo (Oreochromis niloticus), causou a extinção de centenas de espécies nativas de peixes; do Mexilhão Zebra (Dreissena polymorpha) e da Lampréia (Petromyzon marinus), nos Grandes Lagos da América do Norte, que resultou no colapso da pesca comercial nessa região. Alguns estudos quantificaram as perdas econômicas associadas à introdução de 13 espécies exóticas invasoras no Canadá e obtiveram uma estimativa anual da ordem de 187 milhões de Dólares Canadenses. Em ambientes aquáticos, a invasão de moluscos e da lampréia marinha provocam perdas anuais de 32,3 milhões de Dólares Canadenses.
             
É importante considerar que o custo de controle e manejo de espécies exóticas invasoras em um novo ambiente é elevado. Portanto, investimentos em ações de prevenção de futuras introduções podem evitar a perda de bilhões de dólares à agricultura, à floresta e a ecossistemas naturais e manejados e à saúde humana.
               
Ao contrário de muitos problemas ambientais que se amenizam com o passar  do  tempo,  a  contaminação biológica  tende  a  se  multiplicar  e  se  espalhar, causando problemas de longo prazo que se agravam e não permitem a recomposição natural dos ecossistemas afetados.   Essas degradações ambientais colocam em risco atividades  extrativistas  e outras  atividades  econômicas  ligadas  ao  uso  dos  recursos naturais.
             
Reconhecendo  a importância do  problema das  invasões  biológicas,  o Brasil, por meio do Ministério do Meio Ambiente - MMA, e em estreita articulação com os diferentes setores da sociedade, vem desenvolvendo, desde 2001, uma série de ações relacionadas à prevenção de novas introduções; detecção precoce; erradicação; controle/manejo; e monitoramento de espécies exóticas invasoras que podem afetar ecossistemas, habitas e espécies nativas. Estas ações dizem respeito à revisão e  ao desenvolvimento de normativas relacionadas à matéria, realização de inventários das espécies exóticas ocorrentes nos diversos ecossistemas brasileiros, inclusive no âmbito de  bacias  hidrográficas,  discussão  sobre  a  elaboração  de lista  oficial  de  espécies exóticas invasoras em âmbito nacional e estímulo à abertura de linhas de financiamento para ações de controle, bem como atividades de pesquisa.
          
Certos ambientes parecem ser mais suscetíveis  que outros à invasão, especialmente quando degradados. Além da maior suscetibilidade de alguns ambientes, existem espécies cujas características facilitam o seu estabelecimento em novas áreas. A ecologia das espécies invasoras é um tema complexo, que envolve desde os mecanismos de entrada e dispersão destas espécies, passando pelas características biológicas que as tornam invasoras, relação entre as atividades humanas e sua disseminação, impactos sócio-econômicos (positivos ou negativos) que causam, até os aspectos legais e técnicas de manejo.
             
Em razão da complexidade dessa temática, as espécies exóticas invasoras envolvem  uma  agenda  bastante ampla,  com  ações  interinstitucionais  e multidisciplinares. Ações de prevenção, erradicação, controle e monitoramento são fundamentais e exigem o envolvimento e a convergência de esforços dos diferentes órgãos dos governos federal, estadual e municipal envolvidos no tema, além do setor empresarial e das organizações não-governamentais. A implementação da presente Estratégia Nacional deverá contribuir decisivamente para a prevenção de novas introduções,  bem  como  para a mitigação  dos  impactos decorrentes  da  presença de espécies exóticas invasoras aos diferentes biomas do país ou às suas diferentes bacias hidrográficas.
              
A Estratégia Nacional se constitui no primeiro documento aprovado no âmbito do Governo Federal que pode orientar as diferentes esferas do governo no trato das   questões   relativas   às   espécies   exóticas   invasoras.   Obviamente,   legislações específicas serão necessárias para prevenir ou diminuir a introdução e a translocação de exóticas invasoras no país.
             
A Estratégia Nacional representa, ainda, um importante instrumento para a  internalização  e  implementação  no  país  do  artigo  8(h)  da  Convenção  sobre Diversidade Biológica. Da mesma forma, a Estratégia se traduz em uma efetiva ferramenta que o país dispõe para a consecução das determinações das Decisões V/8, VI/23 e IX/4, das Conferências das Partes, da CDB, quando foram tratadas, em profundidade, as complexas questões relacionadas às espécies exóticas invasoras.
            
Prevenir e mitigar os impactos negativos de espécies exóticas invasoras sobre a população humana, os setores produtivos, o meio ambiente e a biodiversidade, por meio do planejamento e execução de ações de prevenção, erradicação, contenção ou controle de espécies exóticas invasoras com a articulação entre os órgãos dos Governos Federal, Estadual e Municipal e a sociedade civil, incluindo a cooperação internacional.
          
Para os propósitos desta Estratégia Nacional sobre Espécies Exóticas Invasoras, entende-se por:
         
Espécie   Exótica   ou   Alóctone   -   espécie   ou   táxon   inferior   e   híbrido interespecífico introduzido fora de sua área de distribuição natural, passada ou presente, incluindo indivíduos em qualquer fase de desenvolvimento ou parte destes que possa levar à reprodução. 
          
Espécie Exótica Invasora ou Alóctone Invasora - espécie exótica ou alóctone cuja introdução, reintrodução ou dispersão representa risco ou impacta negativamente a sociedade, a economia ou o ambiente (ecossistemas, habitats, espécies ou populações).
           
Introdução – movimento de espécie exótica por ação humana, intencional ou não intencional, para fora da sua distribuição natural. Esse movimento pode realizar-se dentro de um país, entre países, ou fora da zona de jurisdição nacional.
         
Introdução Intencional - movimento ou liberação deliberada de uma espécie exótica fora da sua distribuição natural por ação humana.
         
Introdução Não-Intencional – todas as outras formas de introdução por ação humana que não as intencionais.
          
Estabelecimento – processo de reprodução com êxito de uma espécie exótica com probabilidade de contínua sobrevivência em um novo habitat.

Análise de Risco – (i) avaliação das conseqüências da introdução, da probabilidade de estabelecimento de uma espécie exótica, com base em informação científica e (ii) identificação de medidas que podem ser implementadas para reduzir ou gerir os riscos, levando em conta os aspectos ambientais, sócio-econômicos e culturais.

Introdução de Espécies

Introdução Intencional
Não deveria haver primeira introdução intencional ou introduções posteriores de uma espécie exótica considerada invasora ou potencialmente invasora  em  um  país  sem  que  houvesse  autorização  prévia  de  uma autoridade competente do estado receptor. Uma análise de risco apropriada, que poderia incluir uma avaliação do impacto no meio ambiente, deveria ser conduzida como parte do processo de avaliação antes de uma decisão conclusiva sobre autorizar ou não a introdução proposta ao país ou às novas zonas ecológicas, dentro de um país. Os estados deveriam conduzir todos os esforços necessários para permitir somente a introdução de espécies cuja ameaça à diversidade biológica seja improvável. O ônus da prova de que uma introdução proposta não ameace a diversidade biológica deveria corresponder ao proponente da introdução, ou ser atribuída, conforme apropriado, ao estado receptor. A autorização de uma introdução pode, quando apropriado, ir acompanhada de condições (por exemplo, preparação de um plano de mitigação, procedimentos de monitoramento, pagamento pela avaliação e manejo ou, ainda, requisitos de contenção).

As decisões relativas à introduções intencionais deveriam ser baseadas no abordagem precautória, incluindo as análises de riscos, estabelecida no Princípio  15  da  Declaração  do  Rio  sobre  Meio  Ambiente  e Desenvolvimento e no preâmbulo da Convenção sobre Diversidade Biológica.  Onde  existir  ameaça  de redução  ou  perda  de  diversidade biológica, a falta de certeza científica e conhecimento sobre uma espécie exótica não deveria impedir que uma autoridade competente adotasse uma decisão a respeito da introdução intencional de tal espécie exótica, de modo a evitar a disseminação e os impactos negativos da espécie exótica invasora.
Introdução Não-Intencional

Todos   os   estados   deveriam   ter   disposições   que   abordassem introduções não intencionais (ou introduções intencionais que tenham se estabelecido  e  se tornado  invasoras). Estas  disposições  poderiam  incluir medidas estatutárias e regulatórias, bem como o estabelecimento e o fortalecimento de instituições e órgãos com responsabilidades apropriadas. Recursos operativos deveriam ser suficientes para permitir ação rápida e efetiva.

Deve-se identificar rotas comuns que conduzam a introduções intencionais, assim como disposições deveriam ser disponibilizadas para minimizar   tais   introduções.   Atividades   setoriais,   tais   como   pesca, agricultura, silvicultura, horticultura, transporte marítimo (incluindo a descarga de águas de lastro), transporte de superfície e aéreo, projetos de construção, paisagismo, aqüicultura, incluindo a aqüicultura de espécies de uso ornamental, turismo, indústria de animais de estimação e reservas de caça   são vias de introduções não intencionais. Avaliação de impacto ambiental dessas atividades deveria incorporar o risco de introdução não intencional de espécies exóticas invasoras. Quando apropriado, análise de risco de introdução não intencional de espécies exóticas invasoras deveria ser conduzida para essas rotas.
Mitigação de impactos

Mitigação de Impactos – interna e externa
Uma vez detectado o estabelecimento de uma espécie exótica invasora, os estados, individual e cooperativamente, deveriam adotar etapas apropriadas, tais  como  erradicação,  contenção  e  controle,  para  mitigar  os  efeitos adversos. As técnicas utilizadas para a erradicação, contenção ou controle devem ser seguras para os seres humanos, para o meio ambiente e para a agricultura e, também, aceitáveis eticamente pelos interessados nas áreas afetadas pelas espécies exóticas invasoras. Medidas de mitigação deveriam, com base na abordagem precautória, ser adotadas nos primeiros estágios da invasão. Em consonância com a política ou legislação nacional, uma pessoa ou entidade responsável pela introdução de espécie exótica invasora deveria assumir os custos das medidas de controle e da restauração da diversidade biológica, sempre que comprovada a falha no cumprimento das leis e regulamentos nacionais. Portanto, é importante a detecção precoce de novas introduções de espécies exóticas potencialmente invasoras ou invasoras conhecidas, e precisam ser combinadas com a capacidade de tomada de ação rápida.
Erradicação

Onde for exequível, a erradicação é, freqüentemente, a melhor medida para tratar da introdução e estabelecimento de espécie exótica invasora. A melhor oportunidade  para  erradicar  espécie  exótica  invasora  é  nos  primeiros estágios da invasão, quando as populações são pequenas e localizadas. Por conseguinte, sistemas de detecção precoce, focados em pontos de entrada de alto risco, podem ser particularmente úteis, enquanto monitoramento de pós- erradicação podem ser necessários. Com freqüência o apoio da comunidade é indispensável para se obter êxito nas atividades de erradicação, e é especialmente efetivo quando se aplica mediante consultas. Também devem ser considerados os efeitos secundários sobre a diversidade biológica.
Contenção

Quando a erradicação não é apropriada, limitar a propagação (contenção) de espécies exóticas invasoras é, freqüentemente, uma estratégia apropriada nos casos onde o alcance dos organismos ou de uma população é suficientemente pequeno para tornar estes esforços factíveis. O monitoramento regular é indispensável e deve estar vinculado com ação rápida para erradicar qualquer nova invasão.
Controle

Medidas de controle deveriam focar na redução do dano causado, bem como na redução do número das espécies exóticas invasoras. Um controle efetivo dependerá, freqüentemente, do alcance das técnicas de manejo integrado, incluindo o controle mecânico, químico, biológico e manejo do habitat, executados de acordo com os regulamentos nacionais e os códigos internacionais existentes.
Controle de Espécies Exóticas Invasoras em Áreas Protegidas

Ações deverão ser desenvolvidas visando contemplar, prioritariamente, as Unidades do Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SNUC. Ênfase inicial será dada às UCs de Proteção Integral, tanto em âmbito federal quanto estadual, com vistas à: (i) identificação das espécies exóticas presentes; (ii) avaliação de risco de dano real e potencial; (iii) avaliação de impactos causados no âmbito de cada espécie, se for o caso; (iv) definição de unidades prioritárias para ação; e (v) definição  de medidas necessárias para prevenção, erradicação, mitigação e controle e monitoramento.
Unidades de Conservação de Proteção Integral

Promover a elaboração de planos de ação para prevenção, erradicação, controle  e  monitoramento  de  espécies  invasoras  em  cada  UC,  independente  da existência ou não de planos de manejo.
Unidades de Conservação de Uso Sustentável

Elaborar regulamentação de uso para espécies exóticas utilizadas em sistemas de produção, contemplando ações de prevenção, controle e manejo.

Demais   Áreas   Protegidas   e   Áreas   Prioritárias   para   a Conservação da Biodiversidade

Elaborar e implementar planos de ação para erradicação e controle de espécies invasoras com ênfase para Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Áreas  Prioritárias  para  a  Conservação  da  Biodiversidade,  conforme  definido  nos decretos 5.092 de 21 de maio de 2004 e 5,758, de 13 de abril de 2006.

A introdução de espécies "estranhas", num país, constitui uma das maiores ameaças à biodiversidade do planeta e é um factor de prejuízos económicos, danos para a saúde pública, entre outros. Esta situação torna-se problemática porque as espécies que são introduzidas podem seguir dois caminhos: ou ocupam nichos ecológicos idênticos aos seus originais, livres, e podem conseguir adaptar-se com sucesso; ou pelo contrário inserem-se em nichos ecológicos já ocupados e proporcionam competições com as espécies já existentes, originando a exclusão de alguma delas. Existe uma diferença entre as espécies introduzidas, consoante o seu "grau" de adaptabilidade ao meio, podendo estas ser: exóticas ou alóctones (que não são indígenas/autóctones de uma dada área) ou invasoras (que também não são autóctones dum determinado sítio, mas que dada a sua proliferação descontrolada, atingem as proporções de praga). Note-se, no entanto, que as espécies começam a ser introduzidas como exóticas e que, posteriormente, devido a óptimas condições para o seu desenvolvimento, se tornam numa autêntica praga (invasoras); contudo, esta observação não implica que todas as espécies alóctones introduzidas se tornem pragas!

A maior causa de introdução de novas espécies é a intervenção humana, pois, por ela, muitas das espécies actualmente existentes apresentam uma área de distribuição que não foi a determinada inicialmente.

Umas, como é o caso do camaleão (que foi introduzido no Pinhal de Monte-Gordo), do achigã (peixe que foi introduzido um pouco por todas as albufeiras do país), por terem encontrado nichos ecológicos desocupados, e consequentemente por não terem competidores directos, sobreviveram e adaptaram-se bem ao meio em que foram inseridos. Outras como a acácia, o eucalipto, o jacinto-de-água, com a sua introdução, encontraram outras espécies com as quais competiram, e sendo as mais aptas implantaram a sua supremacia, e tornaram-se pragas.

Introdução  irresponsável de espécies exóticas. As nossas espécies autóctones estão ameaçadas, talvez, de extinção.

Em próximos trabalhos, iremos  abordar o efeito desvastador que alguns destes invasores  têm vindo causar na biodiversidade do nosso país.

Como apontamento final, fica aqui a nossa chamada de atenção para a importância da educação ambiental e, acima de tudo, para a criação de espaços onde o cidadão anónimo e, especialmente, os jovens sejam sensibilizados para a problemática da biodiversidade ao nível local e planetário.  São muitas as espectativas criadas com a criação do centro de interpretação ambiental em Viana do Castelo.

Biodiversidade da Zona Costeira e Marinha do Brasil

Biodiversidade da Zona Costeira e Marinha do Brasil

Biodiversidade da Zona Costeira e Marinha do BrasilO Brasil é campeão mundial em biodiversidade: de cada cinco espécies do planeta, uma encontra-se aqui. Essa enorme variedade de animais, plantas, microrganismos e ecossistemas, muitos únicos em todo o mundo, deve-se, entre outros fatores, à extensão territorial e aos diversos climas do país. O Brasil detém o maior número de espécies conhecidas de mamíferos e de peixes de água doce, o segundo de anfíbios, o terceiro de aves e o quinto de répteis. Com mais de 50 mil espécies de árvores e arbustos, tem o primeiro lugar em biodiversidade vegetal. Nenhum outro país tem tantas variedades de orquídeas e palmeiras catalogadas. Os números impressionam, mas, segundo estimativas aceitas pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), eles podem representar apenas 10% da vida no país. Como várias regiões ainda são muito pouco estudadas pelos cientistas, os números da biodiversidade brasileira tornam-se maiores na medida em que aumenta o conhecimento. Durante uma expedição de apenas 20 dias pelo Pantanal, coordenada pela ONG Conservation International (CI) e divulgada em 2001, foram identificadas 36 novas espécies de peixe, duas de anfíbio, duas de crustáceo e cerca de 400 plantas cuja presença naquele bioma era desconhecida pela ciência. O levantamento nacional de peixes de água doce coordenado pela Universidade de São Paulo (USP), publicado em 2004, indica a existência de 2.122 espécies, 10% a 15% delas desconhecidas até então.

Biodiversidade da Zona Costeira e Marinha do BrasilPotencial econômico
A biodiversidade pode contribuir de forma significativa para a agricultura, a pecuária, a extração florestal e a pesca. No entanto, quase todas as espécies exploradas economicamente, seja vegetal, como a soja e o café, seja animal, como o frango, são originárias de outros países, e sua exploração é feita de forma freqüentemente danosa ao meio ambiente. Já o aproveitamento econômico de espécies nativas ainda engatinha. Para o PIB brasileiro, o setor florestal representa pouco mais de 1% e a pesca, 0,4%. A pequena participação das espécies nativas na economia tem, entre suas causas, a falta de políticas e investimentos tanto para a pesquisa básica como para o desenvolvimento de produtos. Na falta disso, não há como calcular quanto o Brasil poderia receber por patentes e tecnologias desenvolvidas com o estudo de sua biodiversidade – algo que, segundo alguns especialistas, estaria na casa dos trilhões de dólares. Um único medicamento para o controle da hipertensão, desenvolvido com o veneno da jararaca, espécie brasileira, rendia cerca de 1,5 bilhão de dólares por ano ao laboratório estrangeiro que o patenteou, um valor comparável às exportações nacionais de carne bovina e suína somadas.

Biodiversidade da Zona CosteiraA Zona Costeira do Brasil é uma unidade territorial que se estende, na sua porção terrestre, por mais de 8.500 km, abrangendo 17 estados e mais de quatrocentos municípios, distribuídos do Norte equatorial ao Sul temperado do país. Inclui ainda a faixa marítima formada por mar territorial, com largura de 12 milhas náuticas a partir da linha da costa . Possuímos uma das maiores faixas costeiras do mundo, entre a foz do rio Oiapoque, no Amapá e Chuí, no Rio Grande do Sul.A Zona Marinha tem início na região costeira e compreende a plataforma continental marinha e a Zona Econômica Exclusiva – ZEE que, no caso brasileiro, alonga-se até 200 milhas da costa.

Além de toda essa área, segundo os preceitos da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos do MAR- CNUDM, o Brasil pleiteou, junto à Organização das Nações Unidas- ONU, um acréscimo de 900 mil km2 a essa área, em pontos aonde a Plataforma Continental vai além das 200 milhas náuticas (segundo a CNUDM, podendo ir até um máximo de 350 milhas). O pleito foi aceito aumentando a área das águas jurisdicionais brasileiras para aproximadamente 4,5 milhões de km2, cuja área total está sendo chamada pela Comissão Interministerial sobre os Recursos do Mar – CIRM, de Amazônia Azul.

Os sistemas ambientais costeiros no Brasil são extraordinariamente diversos.Nosso litoral é composto por águas frias, no sul e sudeste, e águas quentes, no norte e nordeste, dando suporte a uma grande variedade de ecossistemas que icluem manguezais, rcifes de corais, dunas, restingas, praias arenosas, costões rochosos, lagoas, estuários e marismas que abrigam inúmeras espécies de flora e fauna, muitas das quais só ocorrem em nossas águas e algumas ameaçadas de extinção. Desses ecossistemas destacam-se os manguezais, berçários de diversas espécies marinhas e de água doce e os recifes de coral, aclamados como os mais diversos habitats marinhos do mundo.

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Corredores Ecológicos ou Corredores de Biodiversidade

Corredores Ecológicos ou Corredores de Biodiversidade

Corredores Ecológicos ou Corredores de BiodiversidadeCorredores Ecológicos são áreas que unem os remanescentes florestais possibilitando o livre trânsito de animais e a dispersão de sementes das espécies vegetais. Isso permite o fluxo gênico entre as espécies da fauna e flora e a conservação da biodiversidade. Também garante a conservação dos recursos hídricos e do solo, além de contribuir para o equilíbrio do clima e da paisagem. Os corredores podem unir Unidades de Conservação, Reservas Particulares, Reservas Legais, Áreas de Preservação Permanente ou quaisquer outras áreas de florestas naturais.

O conceito de corredor ecológico é novo no Brasil mas sua aplicação é de extrema importância para a recuperação e preservação da Mata Atlântica, já que os remanescentes estão espalhados por milhares de pequenos e médios fragmentos florestais. Estes fragmentos são ilhas de biodiversidade que guardam as informações biológicas necessárias para a restauração dos diversos ecossistemas que integram o Bioma.

O que são corredores ecológicos?
Corredores Ecológicos , segundo o conceito original são áreas de ligação entre fragmentos florestais ou setores de alta diversidade biológica (protegidas ou não) que garantem uma conexão entre estas partes gerando configurações contínuas e lineares.

Atualmente, após a constatação de que a continuidade de habitats nem sempre é obtida por meio de formações lineares do tipo corredor, corredor ecológico pode ser entendido como uma ampliação da escala ou dos limites da área que se pretende conservar.

O desenvolvimento do sistema de corredores se deu com a constatação de que a manutenção de amostras de biodiversidade por meio de áreas protegidas que, em muitos casos, se tornavam verdadeiras "ilhas" em meio a regiões totalmente degradadas, é um fator limitante da conservação.

Esta realidade, não muito alentadora, levou à idéia de expansão da escala de conservação além dos limites da zona protegida que poderia vir a englobar outras regiões vizinhas e, se possível, ecossistemas inteiros. A partir daí o sistema de corredores ecológicos foi adotado para muitas áreas relevantes quanto à diversidade biológica.

Ibama cria corredor ecológico
Um workshop realizado no Ibama, com a participação de entidades ligadas à gestão do meio ambiente como a JICA ( Japan International Cooperation Agency ), CI ( Conservation International ),órgãos ambientais de Goiás e Tocantins, o Centro Brasileiro de Análise e Cooperação, o IBGE e a Embrapa definiu as áreas onde será implantado o corredor ecológico Paranã-Tocantins nos referidos estados. A criação de mais um Corredor Ecológico demonstra o avanço que este novo instrumento vem conquistando para um dos setores mais importantes da causa ambiental que é a conservação da biodiversidade.

O Corredor Paranã-Tocantins teve suas áreas escolhidas de forma consensual e foi o primeiro a obter o apoio de entidade internacional como a JICA. Na escolha levou-se em conta fatores relevantes quanto ao meio ambiente como os recursos hídricos, a diversidade biológica - ocorrência de espécies endêmicas (que existem exclusivamente na região) e em risco de extinção -, diversidade de paisagens e cultural. E fatores críticos, como poluição dos recursos hídricos, fragilidade institucional (ausência do estado), desorganização sócio-econômica (pobreza) e outras ações de degradação ambiental provocadas pelo homem.

A área no sentido sul-norte é demarcada principalmente pelos seguintes pontos: Ecomuseu do Cerrado - que tem Pirenópolis como o município mais conhecido - Distrito Federal (com destaque para as áreas do Parque Nacional e a Estação Ecológica de Águas Emendadas), Bacia do Rio Paranã , região de Pouso Alto/Chapada dos Veadeiros, região da APA Santa Tereza, região do Parque Estadual de Terra Ronca, região dos municípios de Mambaí e Posse e seguindo até o município de Peixe, em Tocantins.

Panamá luta contra corredor
Durante os últimos dois anos e meio, a Fundação para o Desenvolvimento da Liberdade Cidadã, uma ONG panamenha, vem lutando para deter um projeto que pode trazer graves danos para a Baia do Panamá. O projeto, que inclui a auto-estrada Corredor Sur , está sendo construído pela companhia mexicana ICA e é financiado pela Corporação Financeira Internacional (IFC). A parte mais negativa do projeto é o aterramento de parte da baia para loteamentos de luxo, o que, segundo especialistas independentes em Hidrologia da Philip Williams & Associates (PWA), com sede na poderá transformar a Baia do Panamá em um pântano de lodo fecal. Conforme os ambientalistas a Baia já está seriamente contaminada devido ao despejo de 40 milhões de toneladas de esgoto sem tratamento a cada ano.

Cientistas estudam Jalapão
(Agência Brasil - ABr) - O Jalapão , região localizada no extremo leste do estado de Tocantins, na divisa com os estados da Bahia, Maranhão e Piauí, será estudado por expedição científica e conservacionista que percorrerá a região por mais de um mês. O objetivo da expedição, composta por pesquisadores do Ibama, Universidade de Brasília (UnB), Conservation International e da organização Pesquisa e Conservação do Cerrado (Pequi), é realizar uma avaliação ecológica rápida, sobre botânica, fauna e espeologia , visando ao desenvolvimento dos projetos de ecorregiões , corredores ecológicos do Cerrado e gestão biorregional do Jalapão ". A região é considerada um ecótono - zona de transição entre os biomas Cerrado e Caatinga - abrangendo cerca de 30 municípios.

Zona
A criação do corredor poderá ter uma função de zona tampão e proporcionar uma maior proteção às áreas núcleo que são as unidades de conservação; permitir o deslocamento com maior segurança de populações de várias espécies (assegurando a conexão entre os diferentes grupos) e tendo como conseqüência um maior fluxo gênico e a manutenção da biodiversidade; valorizar e estimular atividades econômicas que têm sustentabilidade ambiental; elaboração de planos específicos de gestão ambiental para a área; entre outras

Os principais corredores ecológicos criados no Brasil são o de Itenez-Bolívia /Guaporé-Brasil, o do Atlântico Sul/SC e o da região do Araguaia/Bananal. Segundo o Coordenador do Programa de Conservação de Ecossistemas do Ibama, Moacir Arruda, a área elevada ao status de Corredor Ecológico não pode ser considerada como unidade de conservação, caso em que seria possível estabelecer restrições ao seu uso, mas se torna área prioritária para pesquisas e desenvolvimento de programas governamentais e de ONG's.

Desertos e DUNAS
Essa natureza praticamente intocada vem promovendo o crescimento do ecoturismo na região. O governo de Tocantins, já tentando disciplinar a ocupação turística, criou, no ano passado, a Área de Proteção Ambiental ( Apa ) e o Parque Estadual do Jalapão . O que mais chama a atenção na região são as gigantescas dunas formadas pela erosão da serra do Espírito Santo. São as únicas dunas existentes em região de Cerrado no Brasil. Há informações de que também existão cavernas e inscrições rupestres ainda não localizadas.

A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Pernambuco considera que a formação dos consórcios é um passo adiante para a execução das políticas de Meio Ambiente, entre elas a de resíduos sólidos. "O Meio Ambiente não tem fronteiras", enfatiza a secretária adjunta, lembrando que é importante mudar a cultura isolacionista dos municípios para a da cooperação e solidariedade. Outra área em que os consórcios poderão atuar é na do Saneamento Rural.

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Lista de Estações Ecológicas do Brasil


Lista de Estações Ecológicas do Brasil

Lista de Estações Ecológicas do Brasil
  1. ESTAÇÃO ECOLÓGICA ACAUÃ - MG
  2. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DA ILHA DO MEL - PR
  3. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DA SERRA DAS ARARÁS - MT
  4. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE AIUABA - CE
  5. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE ANGATUBA - SP
  6. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE ARACURI - RS
  7. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE ASSIS - SP
  8. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE BANANAL - SP
  9. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE CAETETUS - SP
  10. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE CARIJÓS - SC
  11. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE CORUMBÁ - MG
  12. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE FECHOS - MG
  13. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE GUARAGUAÇU - PR
  14. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE GURAQUEÇABA - PR
  15. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE IBICATU - SP
  16. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE ITABERÁ - SP
  17. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE ITAPETI - SP
  18. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE ITAPEVA - SP
  19. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE ITIRAPINA - SP
  20. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE MOGI GUAÇÚ - SP
  21. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE MURICI - AL
  22. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE PARANAPANEMA - SP
  23. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE PIRAPITINGA - ES/RJ
  24. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE RIBEIRÃO PRETO - SP
  25. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE SANTA BÁRBARA - SP
  26. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE SÃO CARLOS - SP
  27. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE TAIAMÃ - MT
  28. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE TAMOIOS - RJ
  29. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE TUPINAMBÁS - SP
  30. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE URUÇUÍ - UNA - PI
  31. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE VALINHOS - SP
  32. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DO CAIUÁ - PR
  33. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DO CASTANHÃO - CE
  34. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DO RIO DA CASCA - MT
  35. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DO RIO FLOR DO PRADO - MT
  36. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DO RIO MADEIRINHA - MT
  37. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DO RIO RONURO - MT
  38. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DO RIO ROOSEVELT - MT
  39. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DO SERIDÓ - RN
  40. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DO TAIM - RS
  41. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DO TRIPUÍ - MG
  42. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DOS CHAUÁS - SP
  43. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DOS TUPINIQUINS - SP
  44. ESTAÇÃO ECOLÓGICA JURÉIA - ITATINS - SP
  45. ESTAÇÃO ECOLÓGICA MAR DE ESPANHA - MG
  46. ESTAÇÃO ECOLÓGICA MATA DO CEDRO - MG
  47. ESTAÇÃO ECOLÓGICA MATA DOS AUSENTES - MG
  48. ESTAÇÃO ECOLÓGICA MICO LEÃO PRETO - SP
  49. ESTAÇÃO ECOLÓGICA PAULO DE FARIA - SP
  50. ESTAÇÃO ECOLÓGICA RASO DA CATARINA - BA
  51. ESTAÇÃO ECOLÓGICA RIO DOS TOUROS - PR
  52. ESTAÇÃO ECOLÓGICA SAGARANA - MG
  53. ESTAÇÃO ECOLÓGICA SANTA MARIA - SP
  54. ESTAÇÃO ECOLÓGICA SÍTIO RANGEDOR - MA
  55. ESTAÇÃO ECOLÓGICA XITUÉ - SP
  56. ESTAÇÃO ECOLÓGICA ÁGUA LIMPA - MG

Novas Espécies de Fungos Foram Descobertas na Mata Atlântica em Santa Catarina

Novas Espécies de Fungos Foram Descobertas na Mata Atlântica em Santa Catarina

Phylloporia-nodostipitata
Phylloporia-nodostipitata (Foto: Valéria Ferreira Lopes/Arquivo pessoal)

Três novas espécies de fungos foram descobertas por uma estudante de mestrado da Universidade Federal de Santa Catarina. Foram dois anos e três meses de pesquisa que resultou na proposição de três novas espécies, que foram localizadas no bairro João Paulo, em Florianópolis.

Em sua dissertação de mestrado, a estudante Valéria Ferreira Lopes propõe três novas espécies de fungos. “Um dos destaques deste trabalho é a inclusão de mais espécies, o que ajuda a contar a história evolutiva do grupo, bem como amplia as informações sobre a distribuição geográfica das espécies”, avalia o orientador e professor de botânica Elisandro Ricardo Drechsler-Santos.

Phylloporia elegans
Um dos objetivos foi realizar um estudo aprofundado de diversos exemplares classificados no gênero Phylloporia, que até o momento continha vinte e quatro espécies catalogadas. O objetivo era assegurar se realmente eram uma das espécies já catalogadas ou novidades científicas. “Não sabia o que ia encontrar, mas havia uma hipótese de que poderia ser algo inédito”, explica Valéria.

Elas  receberam o nome de Phylloporia clariceae, Phylloporia elegans e Phylloporia nodostipitata. A primeira pode ser encontrada em cipós vivos. O nome é uma homenagem à professora da UFSC e criadora do Laboratório de Micologia, Clarice Loguércio Leite. Já a espécie Phylloporia elegans recebeu este nome pela sua forma mais delgada e elegante. É encontrada nas raízes de vegetação de restinga. E finalmente, a Phylloporia nodostipitata tem um formato de um caule com nós, daí o seu nome de origem latina (nodos = nós + stipitata = estipes). A espécie foi localizada junto a uma espécie de araçá (Psidium sp.), em restinga.

Phylloporia-clariceae
 “O problema ocorre na hora de reconhecer as espécies, uma vez que o pesquisador que coletou tinha à disposição somente um modelo de taxonomia, que é genérico demais. Não é um erro proposital, mas não se pode pegar a literatura disponível e achar que o trabalho terminou ali. Com a biodiversidade tão grande do nosso país, é de se pressupor uma diversidade de espécies de fungos maior que a conhecida”, afirma Valéria.

Para ir além da taxonomia disponível, o primeiro passo da metodologia de Valéria foi fazer uma análise detalhada da morfologia desses três novos fungos, adicionando outras características taxonômicas para descrevê-los. Foi a partir daí que ela descobriu que os fungos eram na verdade completamente diferentes de outras espécies. Para fazer a comparação, Valéria teve acesso a fungos depositados em herbários do Brasil, Estados Unidos, Inglaterra, Noruega, França, Ucrânia e Peru.

Ilha de Galés, Santa Catarina, Abriga Espécies Raras

Ilha de Galés, Santa Catarina, Abriga Espécies Raras

Ilha de Galés, Santa Catarina, Abriga Espécies Raras
Mergulho na Ilha das Galés (Foto: Alcides Dutra/Instituto Larus)

A Ilha das Galés pertence à Reserva Marinha do Arvoredo e fica próxima ao município de Bombinhas, no Litoral Norte de Santa Catarina. O local possui grande variedade de peixes, incluindo garoupas e robalos. No local, o único tipo de mergulho permitido é de pesquisadores em trabalhos autorizados pelo ICMBio.

No local existe um navio cargueiro afundado, que se tornou um criadouro natural de peixes para a região. O cargueiro Lily afundou no dia 17 de outubro de 1957. Ele fazia o roteiro Rio de Janeiro/Santa Catarina e, durante um nevoeiro, bateu contra as rochas. Confira algumas espécies encontradas na região e fotografadas durante mergulho do biólogo Alcides Dutra, presidente do Instituto Larus, no dia 30 de outubro:

O paguro é um crustáceo que habita uma concha que herdou de algum molusco. Ele a utiliza para proteção e troca a concha quando a atual fica muito pequena, segundo informações passadas pelo Instituto Larus.

Paguro
Paguro é um dos crustáceos encontrados na Ilha (Foto: Alcides Dutra/Instituto Larus)

O peixe paru, também conhecido como peixe-frade, costuma nadar em pares. Segundo informações passadas pelo Instituto Larus, quando jovem, o peixe faz serviço de limpeza, removendo parasitas e pele morta de outras espécies. Este ao lado é um filhote, e pode ser chamado também de Paruzinho.

Paru
Paru esperando algum peixe para oferecer seus serviços de limpador (Foto: Alcides Dutra/Instituto Larus)

As arraias podem ser encontradas em todas as águas tropicais do Oceano Atlântico. No Brasil, ocorrem mais frequentemente no Sudeste e Sul do país. Elas ficam, normalmente, no fundo de estuários e baías, apesar de serem capazes de nadar grandes distâncias em mar aberto.

Arraia
Arraia foi fotografada durante mergulho na Ilha de Galés (Foto: Alcides Dutra/Instituto Larus)

Amazônia Poderá Perder 70% de Cobertura Vegetal Até 2100

Amazônia Poderá Perder 70% de Cobertura Vegetal Até 2100

Amazônia Poderá Perder 70% de Cobertura Vegetal Até 2100

A Floresta Amazônica poderá sofrer uma redução de 70% da extensão da sua área ao fim do século, se houver um aumento da estação seca. A projeção consta do relatório completo do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que foi divulgado nesta segunda-feira, 30, na sequência do sumário para formuladores de políticas, anunciado na sexta passada, 27.

O material, com mais de mil páginas, traz com mais detalhes as bases físicas da ciência do clima e uma abordagem regional com projeções sobre como cada parte do planeta poderá ser afetada no futuro. O relatório lembra que no clima atual o crescimento intenso da floresta ocorre justamente durante a estação seca, quando a insolação é maior e há bastante água do período chuvoso armazenada nos aquíferos subterrâneos.

Há muitas incertezas ainda sobre como a mudança climática vai afetar a seca na região, mas simulações que consideram um cenário de aumento do período sem chuva observam essa redução dramática na vegetação. O painel de cientistas alerta que o cenário poderá ficar ainda pior diante de um quadro de aumento do desmatamento, que tende a prolongar a estação seca.
“Condições assim aumentam a probabilidade de incêndios naturais que, combinados com queimadas provocadas por atividades humanas, pode minar a resiliência da florestas às mudanças climáticas”, escrevem os autores.

O relatório afirma que é muito provável (mais de 90% de chance) que a temperatura suba em toda a América do Sul, com o maior aquecimento projetado para o sul da Amazônia. A projeção é de um aumento da temperatura média de 0,5°C (centro-sul) a 1,5°C (Norte, Nordeste e Centro-Oeste) no País até o fim do século no cenário mais otimista; e de 3°C (sul e litoral do Nordeste) a 7°C (Amazônia) no pior cenário.

Chuva
Em relação às chuvas, porém, há incertezas, com diferentes estudos mostrando diferentes tendências para algumas regiões, explica a pesquisadora Iracema Cavalcanti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), uma das autoras do capítulo que mostra as projeções regionais futuras.
Amazônia Poderá Perder 70% de Cobertura Vegetal Até 2100

“Mas temos grande confiabilidade para algumas. Os resultados são muito robustos de que na Região Sul do País e na bacia do Prata as chuvas vão aumentar. E no inverno, há mais confiança de que haverá excesso de chuvas no oeste da Amazônia e menos no leste e no sul”, diz.

Campylorhamphus gyldenstolpei
Campylorhamphus gyldenstolpei – Ave encontrada no sudoeste da Amazônia brasileira, a oeste do rio Madeira, e possivelmente também pode ser encontrada no leste do Peru

441 Novas Espécies de Plantas e Animais São Descobertas na Amazônia

De acordo com a organização não governamental WWF (o World Wildlife Fund), organização não governamental internacional que atua nas áreas de conservação, investigação e recuperação ambiental, centenas de espécies foram descobertas na Amazônia nos últimos anos.

A organização compilou uma lista com 441 novas espécies, dentre elas 258 plantas, 84 peixes, 58 anfíbios, 22 répteis, 18 aves e um mamífero, todas encontradas entre 2010 e 2013.

A Amazônia se estende por oito países, incluindo o Brasil, que é o que possui a maior porção da floresta, e é o lar de milhões de espécies – aproximadamente 1 em cada 10 encontradas na Terra. 

Tometes camunani
Tometes camunani – Uma espécie herbívora de piranha foi achada na bacia do rio Trombetas, no Brasil


Potamotrygon tatianae
Potamotrygon tatianae – No Peru, no rio Madre de Dios, uma raia de água doce foi encontrada

Sobralia imavieirae
Sobralia imavieirae – Essa flor foi descoberta na parte da Amazônia que fica em Roraima, uma das zonas menos povoadas do Brasil

Passiflora longifilamentosa
Passiflora longifilamentosa – Essa nova espécie de flor de maracujá, com filamentos que lembram espaguete, foi encontrada no estado do Pará, no Brasil

Gonatodes timidus
Gonatodes timidus – Na Guiana, este lagarto, que possui cabeça preta com listras e manchas irregulares, pode evitar de ser visto se movendo entre rochas

Dicrossus warzeli
Dicrossus warzeli – Este peixe foi nomeado em homenagem a um aquarista alemão que foi capaz de observar o comportamento do animal no Brasil e na Colômbia

Chironius challenger
Chironius challenger – Nas montanhas do norte da Amazônia, a descoberta de serpentes é rara, mas esta foi encontrada em Tepuis, a 1.500 metros de altitude

Cercosaura hypnoides
Cercosaura hypnoides – Cientistas conseguiram coletar filhotes a partir de ovos deste lagarto evasivo, na Colômbia

Callicebus caquetensis
Callicebus caquetensis – Cerca de 20 espécies de macacos sauá vivem na bacia amazônica. Esta espécie recém-descoberta ronrona como um gato

Apistogramma cinilabra
Apistogramma cinilabra – Este animal faz parte da família ciclídea de peixes de água doce, e está potencialmente ameaçado de extinção

Allobates amissibilis
Allobates amissibilis – Possivelmente altamente ameaçado, este anfíbio encontrado na Guiana

Veja a Lista de espécies descobertas recentemente na Amazônia: amazon.news

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Análise Sobre a Extinção das Espécies

Análise Sobre a Extinção das Espécies

Análise Sobre a Extinção das Espécies
O debate sobre a extinção de espécies foi retomado recentemente em negociações durante a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Selvagem (Cites) em Bangcoc, na Tailândia - um tratado cujo objetivo é salvar espécies afetadas pelos efeitos devastadores do comércio.

A destruição do rinoceronte, do elefante, do tigre - a perseguição a essas e outras espécies foi denunciada entre os delegados que participavam do evento. E ao ouvir os protestos, as campanhas e as estatísticas chocantes sobre o que está sendo perdido, muitos podem pensar, erroneamente, que extinções são um mal recente, inventado após a chegada da voraz e descuidada espécie humana.

Desde já, quero declarar que alguns dos mais terríveis exemplos são, sim, resultado de atividades humanas, às vezes por ignorância, outras, por puro descaso.

Lei da Natureza
Mas se observarmos o passado lá atrás, veremos que extinções de espécies vêm ocorrendo na natureza ao longo da história da Terra. A mais famosa extinção em massa no planeta foi a dos dinossauros. E foram identificadas outras quatro grandes extinções - uma delas, resultando no extermínio de quase 90% das espécies.

Mas também existem as chamadas "extinções de fundo" (do inglês background extinctions), em que espécies vão desaparecendo devagar, ao longo dos anos. Silenciosamente, criaturas vão perdendo a batalha para outras até deixarem de existir. Essas perdas podem não ser espetaculares. Na verdade, são rotineiras.

Espécies duram, em média, alguns milhões de anos. Mamíferos se saem pior, sobrevivendo entre um e dois milhões de anos. Moluscos têm desempenho melhor - entre cinco e sete milhões de anos.

Alguns sobreviventes mais robustos - a tartaruga de couro é ótimo exemplo de design duradouro - conseguem sobreviver por dezenas de milhões de anos. Mas a dura verdade é que, no mundo natural, nada é para sempre. Quase todas as formas de vida que existiram no planeta até hoje morreram.

Vale fazermos uma pausa para assimilarmos o significado disso. Cerca de 90% - ou até 99%, segundo algumas estimativas - de todas as espécies marinhas ou terrestres de animais ou plantas que passaram pela Terra esvaneceram-se.

Restos mortais de algumas dessas espécies ficaram fossilizadas e foram parar em prateleiras de museus. Outros desapareceram sem deixar traços.

Vencedores e Perdedores?
O biólogo inglês Charles Darwin escreveu sobre extinções em seu influente livro "A Origem das Espécies", onde o autor expôs a teoria da seleção natural e evolução das espécies. Para Darwin, o surgimento de novas espécies, ganhando terreno sobre outras, mais antigas, é parte do processo de evolução. Ele certamente não chorou a morte dos "perdedores".

Então, na briga para preservar algumas espécies que desfrutam de grande importância simbólica na nossa cultura, não seria talvez válido adotarmos uma atitude mais realista em relação à nossa habilidade de intervir? Não será verdade - por mais desconfortável que isso nos pareça - que não podemos salvar tudo?

Com certeza, as criaturas que têm maior chance de sobreviver são as mais 'fofinhas', aquelas cuja aparência ou charme conquistaram o apoio dos homens. Ninguém vai brigar para salvar uma minhoca.

Por outro lado, será que deveríamos encarar a questão de forma diferente quando as extinções ocorrem por nossa culpa? Ou, pior ainda, se as perdas de espécies estão se acelerando por causa de nós? Por destruirmos habitats, por criarmos poluição ou por matarmos simplesmente todos os membros de uma determinada espécie?

Existe uma longa lista de animais cujo desaparecimento se deve puramente a ações humanas. Encontrei um deles nas Ilhas Galápagos alguns anos atrás. George Solitário, último sobrevivente de uma subespécie de tartarugas gigantes, era uma criatura desajeitada, de olhos tristes - e adorável.

Em sua ilha natal, as plantas de que ele e outros de sua espécie se alimentavam foram aos poucos exterminadas por cabras trazidas por marinheiros. Seus ovos, por sua vez, foram comidos por ratos trazidos nos grandes navios.

As próprias tartarugas costumavam ser levadas para as embarcações como alimento - uma prova de que atitudes em relação ao mundo natural tendem a se transformar com o passar do tempo e também variam de uma região para outra.

Para o morador de um vilarejo pobre na África, matar um elefante para extrair suas presas significa dinheiro fácil. Mas para os chineses, marfim e presas de rinoceronte têm importância cultural e medicinal (mesmo que as supostas propriedades medicinais desses materiais não passem de mito).

Conservacionismo é um conceito relativamente novo. O marfim, por exemplo, foi no passado um importante artigo de comércio para o Império Britânico.

No entanto, ver um carregamento ilegal de marfim apreendido no aeroporto de Bangcoc foi, para mim, uma experiência deprimente. O mau cheiro era intenso. Nas palavras de um oficial da alfândega tailandesa, o marfim 'tinha cheiro de morte'.

Não intencional
Então quais são os argumentos para que lutemos contra a extinção? Um é puramente egoísta: razões econômicas. Por exemplo, se pescarmos o último atum do planeta, milhares de trabalhadores da indústria pesqueira ficarão sem empregos. Igualmente, se cada leão e cada elefante forem mortos, a indústria do turismo vai sofrer. Ou seja, a extinção pode custar caro.

Além disso, é possível que a eliminação de algumas espécies "chave" tenha consequências não intencionais. A perda de uma planta ou animal na cadeia alimentar pode afetar toda uma rede de espécies das quais nós, humanos, dependemos mas ainda não nos demos conta disso.

Na Tailândia, ouvi alegações de que a diminuição no número de tigres pode resultar em um aumento em populações de veados. Isso, por sua vez, resultaria em uma maior destruição na vegetação, afetando pássaros e macacos que vivem nas florestas.

Família
Outro argumento é de natureza moral. Como espécie mais poderosa do planeta, temos o dever de não obliterar outras, especialmente se isso acontece por pura falta de cuidado. Em outras palavras, sentirmos responsabilidade pela sobrevivência de espécies mais fracas seria um indicador de civilização.

Um argumento final, que eu acho poderoso, é que somos a primeira espécie a adquirir o conhecimento de que cada coisa viva tem, em seu âmago, seu DNA. Todos compartilhamos isso. Talvez não gostemos de tudo o que existe - formigas, aranhas, caramujos e cobras - mas somos seus parentes. Em um certo sentido, somos todos da mesma família.