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Caatinga | Bioma Exclusivamente Brasileiro

Caatinga | Bioma Exclusivamente Brasileiro

Caatinga | Bioma Exclusivamente BrasileiroA Caatinga ocupa 10% do território nacional, abrangendo os estados do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco, de Sergipe, de Alagoas, da Bahia, o sul e o leste do Piauí e o norte de Minas Gerais. A vegetação da caatinga é típica de áreas secas, com folhas finas ou inexistentes. Algumas plantas armazenam água e outras possuem raízes superficiais para captar o máximo de água da chuva. As espécies mais comuns são a amburana, a aroeira, o imbuzeiro, a baraúna, a maniçoba, a macambira, o mandacaru e o juazeiro. Na caatinga vive a ararinha-azul, ave em risco de extinção.As temperaturas médias anuais são elevadas e oscilam entre 25 ºC e 29ºC. O clima é semi-árido e o solo, raso e pedregoso. A falta de chuvas é um dos grandes problemas da região, onde vivem atualmente cerca de 20 milhões de pessoas. As secas são cíclicas e prolongadas, interferindo de maneira decisiva na vida do sertanejo - nome pelo qual é conhecido o típico habitante da caatinga. Elas prejudicam bastante a produção agrícola e a pecuária, as bases da economia local. Com isso, a região enfrenta também graves problemas sociais, entre eles o baixo nível de renda e escolaridade, a falta de saneamento básico e altos índices de mortalidade infantil. Para combater as secas, são construídos açudes e poços artesianos. Desde o período imperial, boa parte das tentativas de promover o desenvolvimento na caatinga esbarra na aridez da terra e na instabilidade das precipitações.

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Biomas Terrestres

Biomas Terrestres

Biomas Terrestres

Tundra
A Tundra é encontrada na região do Círculo Polar Ártico, acima dos 57° Norte. É característica do seu clima possuir apenas duas estações; um inverno longo e frio, com noites contínuas e um verão curto com temperaturas amenas. Apesar da quantidade de chuva estar concentrada no verão e ser inferior a 100 mm por ano, este não é um fator limitante para a vida, já que a taxa de evaporação também é baixa. As baixas temperaturas e as curtas épocas de crescimento são os principais fatores limitantes da vida nesse bioma.

TundraTodo o solo passa o inverno congelado e durante o verão apenas uma fina camada superior, cerca de 15 cm, descongela, e, o subsolo que continua congelado é chamado em inglês de permafrost. Com isso, a tundra possui um solo com pouca profundidade e encharcado durante o verão, devido à precipitação, o que possibilita o crescimento da vegetação, que é formada principalmente por gramíneas, plantas lenhosas anãs e liquens. A fauna é composta na sua maioria de animais migratórios que chegam durante o verão, mas alguns animais são residentes como o caribu, as raposas, as aves predadoras, o urso polar e pequenos mamíferos que constroem túneis no manto da vegetação, como os lemingues. Muitos dos animais residentes, como a Raposa-do-Ártico (Alopex lagopus), são miméticos no inverno, tornando branca a cor dos seus pêlos. Este fato ocorre, na maioria das vezes, por mudas sazonais da pelagem.

A tundra é um bioma frágil devido à fina camada do seu solo fértil, que com o aumento dos impactos antrópicos, como a exploração pode ter seu solo facilmente destruído.mineral,

Tundra
Taiga
Taiga ou Floresta Setentrional de Coníferas constitui um cinturão abaixo do Círculo Polar Ártico que limita o domínio da Tundra ocorrendo entre os paralelos 45° N e 70° Norte, da América do Norte até a Eurásia. Para a maioria dos autores não existem correspondentes no Hemisfério Sul. Outros classificam a Mata de Araucária, localizada no sul do Brasil, como um bioma correspondente.

Este bioma recebe menos de 300 mm de chuva por ano distribuída durante todo ano, e como a Tundra, possui duas estações bem distintas com o predomínio do inverno sobre o verão. O solo se congela durante o inverno, mas ao contrário do que ocorre na Tundra, no verão ele descongela totalmente. Porém, em algumas áreas como nas florestas de spruce (Picea) parte do solo continua congelado durante todo ano.

A forma vegetal dominante é formada por árvores de conífera, como os pinheiros (Pinus), abetos (Abies) e spruce (Picea), que possuem folhas adaptadas à falta de água, com pequena área e em forma de acículas (agulhas). A biomonotonia, que consiste em florestas onde apenas uma espécie de árvore é encontrada, caracteriza essa vegetação, podendo gerar condições ideais para o desenvolvimento de pragas e epidemias. Devido ao fato das árvores deste bioma permitir pouca passagem de luz para os estratos inferiores, aliado ao fato da baixa decomposição das folhas das coníferas no solo, o desenvolvimento arbustivo e herbácea é muito baixo. Além disso, algumas espécies são alelopáticas, impedindo o crescimento de outras plantas no solo e assim diminuindo a competição por água.

Entre os muitos animais que habitam a Taiga, como o alce, o tentinhão e tetraz, os que mais chamam a atenção são os que possuem oscilações em suas populações entre presa e predador, como o caso clássico da lebre americana e seu predador, o lince.

Floresta temperada decídua
É um bioma encontrado nas regiões situadas entre os pólos e os trópicos e abrange o oeste e o centro da Europa, leste da Ásia e o leste dos Estados Unidos, embora algumas fontes citem que no Chile as possua. As árvores dominantes das florestas temperadas são as que perdem suas folhas (decídua) durante o outono ficando em seguida dormentes. Por este motivo, também recebem o nome de floresta decídua caducifólia. O clima é temperado com médias anuais moderadas e caracteriza-se pela ocorrência de quatro estações bem definidas com os dias de invernos curtos e baixas temperaturas, inclusive abaixo de zero, podem perdurar por até seis meses. Esse bioma recebe de 750 a 1.500 mm de chuva por ano distribuído uniformemente.

Os solos são geralmente abundantes em matéria orgânica, com uma grande riqueza de ervas que crescem durante a primavera enquanto as árvores ainda estão sem folhas. Diversos animais fazem parte deste bioma como ursos, raposas e veados. No entanto, grande parte dos animais migra no outono-inverno e os que permanecem possuem adaptações que lhes permitem sobreviver em baixas temperaturas, como os que hibernam ou os que armazenam comida, como os esquilos, para ser usada durante o inverno. Estas florestas são, geralmente, dominadas por poucas espécies de plantas como são os casos de florestas de carvalho (Quercus) e de castanheiras (Castanea) da América do norte.

Floresta Tropical
Floresta TropicalAs florestas tropicais se desenvolvem em baixas altitudes e próximas do equador, entre os trópicos de Câncer (30oN) e Capricórnio (30oS), estando presente em ambos os hemisférios e encontradas principalmente na África, Austrália, Ásia e Américas Central e do Sul. No Brasil correspondem à floresta amazônica e à Mata Atlântica.

Todos os biomas do mundo podem ser considerados os primos pobres, quando comparados com as florestas tropicais. Isto porque este bioma, apesar de cobrir apenas 6% da cobertura da Terra, abriga mais da metade das espécies de plantas e animais do planeta. Ainda não existe uma hipótese conclusiva para a grande diversidade de espécies existentes neste bioma, mas uma das mais empregadas é que quando ocorriam as grandes eras do gelo, essas florestas por estarem próximas aos trópicos não se congelavam por completo, mas formavam “ilhas” de florestas isoladas e após milhares de anos isoladas, essas diversificavam, quando uma era do gelo terminava, essas florestas formavam, novamente, florestas contínuas, cada vez mais diversificadas.

Este é o bioma de maior produtividade biológica da Terra, resultado da alta radiação solar, com temperaturas que variam entre 18 e 30° C, e do alto índice pluviométrico já que recebe durante um ano inteiro mais de 2000 mm de chuvas. Todos os outros biomas são mais frios ou mais secos e todos são mais sazonais, ou seja, todos possuem estações mais definidas com as chuvas restritas a determinadas épocas do ano que as florestas tropicais. Na verdade, as florestas tropicais mantêm uma temperatura praticamente invariável ao longo do ano, com pouca distinção entre verão e inverno, ocorrendo uma ou mais épocas um pouco mais secas.

Essas florestas são formadas por árvores que alcançam entre 18 e 46 metros de altura. A vegetação é nitidamente estratificada verticalmente com, no mínimo, três estratos, cada um com um microclima, fauna e flora específica e adaptada. A parte mais alta da floresta é chamada de dossel, e possui uma grande densidade de folhas sempre verdes e galhos que se espalham para captar o máximo de luz solar. Quase todas as ações em uma floresta tropical ocorrem no seu dossel, incluindo fotossíntese, floração, frutificação, predação e herbivoria. Devido à densa cobertura no dossel da floresta, a parte mais inferior da floresta, chamado de sub-bosque, recebe pouca luminosidade e não é denso sendo composto de espécies arbustivas e herbáceas. Estas plantas são adaptadas para fazer fotossíntese com pouca luz, e são chamadas de umbrófilas. Por outro lado, uma característica comum em florestas tropicais é o fato de muitas plântulas e árvores jovens permanecem por muitos anos dormentes, esperando uma oportunidade para crescerem e alcançarem o dossel da floresta. Esta oportunidade só ocorre quando uma clareira é aberta fornecendo luz e espaço para esta planta crescer até o dossel da floresta.

Essa batalha travada dentro da floresta por espaço e luz, faz com que algumas espécies tenham estratégias diferentes para alcançar o dossel, como as trepadeiras e lianas, que são plantas longas, que escalam as grandes árvores e depois se misturam a copa das árvores. Algumas espécies de plantas, chamadas epífitas, crescem diretamente na superfície úmida superior das árvores. Estas plantas, que incluem uma variedade de orquídeas e samambaias, formam a área mesófila, o estrato da floresta abaixo do dossel; e, por não poderem retirar nutrientes do solo, retiram de fendas e húmus dasárvores.

Nas florestas tropicais plantas de um mesmo gênero podem florescer em épocas distintas do ano, provendo recursos durante o ano inteiro. Não há uma espécie claramente dominante, situação diferente das florestas de coníferas no hemisfério norte. São espécies características da floresta tropical as castanheiras, o guaraná, seringueiras, palmeiras, samambaias, bromélias e orquídeas.

Dentre as florestas tropicais existem as florestas tropicais sazonais, também chamadas de subperenifólias, estas são consideradas por alguns autores como biomas distintos. Essas florestas possuem um período de seca pronunciado e algumas ou todas (depende da severidade da seca), as árvores perdem suas folhas. Essas florestas ocorrem, por exemplo, na Ásia tropical e no interior do estado de São Paulo, onde são chamadas de florestas estacionais.

Savana
Savana
As savanas ou campos tropicais localizam-se em regiões quentes da América do Sul, África e Austrália e a precipitação varia de 1.000 a 1.500 mm por ano. No entanto, como as chuvas não são distribuídas uniformemente podem ocorrer longos períodos de seca com ocorrência de fogo, que constitui um fenômeno importante deste ambiente, principalmente, na estrutura da vegetação.

A vegetação que predomina nesse bioma é herbácea, geralmente baixa, com algumas árvores e arbustos espaçados entre si. Nas savanas, ao contrário do que ocorre nas florestas tropicais, uma única espécie de gramínea ou árvore pode dominar a paisagem por grandes áreas.

A fauna das savanas, principalmente de grandes herbívoros e carnívoros, não é superada por nenhum bioma do mundo. Nestes biomas são encontrados a girafa, o rinoceronte, os leões, a capivara e aves como o avestruz e a ema. O fato de ocorrer longos períodos de seca os insetos são mais abundantes durante o período chuvoso e os répteis durante o período seco.

As estações são marcadas por abundância de alimentos durante o período chuvoso e escassez de alimento no período seco, sendo que em anos mais secos os animais herbívoros sofrem com extrema fome e mortalidade. Desta forma, muitas espécies, principalmente de aves, não conseguem encontrar recursos suficientes para sobreviver neste bioma durante o ano inteiro e migram para outras áreas durante o período seco.

Pradaria
Pradaria
Pradaria é uma planície vasta e aberta onde não há sinal de árvores nem arbustos, com capim baixo em abundância. Estão localizadas em praticamente todos os continentes, com maior ocorrência na América do Norte. A pradaria brasileira é o campo. São regiões muito amplas e oferecem pastagens naturais para animais de pastoreio e as principais espécies agrícolas alimentares foram obtidas das gramíneas naturais através de seleção artificial. Ocorre em regiões onde a queda pluviométrica é muito baixa para suportar a forma de vida da floresta ou em regiões de floresta onde as questões edaficas favoreçam o desenvolvimento de gramíneas e desfavoreça o de plantas lenhosas (Odum, Fundamentos de Ecologia, 2004) O solo geralmente é cheio de túneis e tocas de animais. As pradarias são também encontradas ao lado de desertos. O clima varia bastante: as pradarias tropicais são quentes durante o ano, mas as pradarias temperadas têm estações quentes e frias.

Formam extensas áreas de paisagens naturais, muito utilizadas por muitos países para o desenvolvimento da atividade pecuária.

Na América do Sul, as pradarias, localizadas na Argentina, Uruguai e no estado do Rio Grande do Sul (no Brasil), também são chamadas de pampas.

Deserto
Deserto
Regiões que recebem anualmente menos de 250 mm de chuva por ano. A reduzida precipitação deve-se a sua localização em áreas de alta pressão, onde se originam os ventos, o que impede a chegada de umidade nessas regiões, ou em áreas atrás de altas cadeias montanhosas ou em altitudes muito elevadas, e mesmo quando ocorrem em regiões que recebem uma maior precipitação, esta é distribuída de forma muito desigual. Nos desertos, o clima é geralmente quente, mas existem desertos frios como nas montanhas do Tibet na Ásia. Devido às grandes temperaturas nos desertos quentes as chuvas raras, fortes e de pequena duração não se infiltram no solo, evaporando rapidamente. Ocorre uma grande oscilação de temperatura variando em até 30° C entre a manhã e a noite.

A vegetação é rara e espaçada, predominando o solo nu. A vegetação dos desertos pode ser enquadrada em dois padrões de comportamento. Muitas espécies são oportunistas e a germinação é estimulada pelas chuvas imprevisíveis. Estas crescem rapidamente e completam seus ciclos de vida depois de poucas semanas. Outro padrão diferente são as plantas perenes com processos fisiológicos lentos com caules suculentos, como os cactos, que controlam a perda e falta de água através do fechamento dos seus estômatos.

Devido à baixa produtividade vegetal e a indigestibilidade dessas, a diversidade animal é baixa e muitos animais são nômades, que se deslocam constantemente pela necessidade de encontrar água. No deserto só alguns animais conseguem retirar água do seu alimento. Entre eles há vários artrópodes, lagartos, algumas aves e roedores como os da família Gerbillinae que apesar de não pertencerem à família dos ratos são chamados de ratos do deserto. Entre os mamíferos que habitam o deserto um dos mais conhecidos é o camelo que ao contrario que se pensava ao se alimentarem de vegetais ricos em líquido, como os cactos, não armazenam água nas suas bossas, mas sim gordura, e isto confere reservas para andar grandes distâncias sem beber água ou alimentar-se.

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Biomas Brasileiros

Biomas Brasileiros

Biomas BrasileirosFloresta amazônica (Hileia): Recobre a bacia do Rio Amazonas e afluentes (região Norte e Centro-oeste). Tem pluviosidade superior a 1800 mm/ano e temperatura acima de 25oC. O dossel (conjunto de copas das árvores mais altas) atinge 50 m. Um dos biomas de maior riqueza de espécies no planeta.

Floresta costeira (Mata Atlântica): Estende-se ao longo do litoral (do RN ao RS), ocupando planícies e elevações que bloqueiam as massas de ar oceânicas e provocam chuvas contínuas. O dossel supera 35 m, com grande estratificação da vegetação e consequente diversidade de fauna e flora.

Floresta de araucárias: Distribuindo-se na Região Sul (clima subtropical, mais frio), assemelha-se à Mata Atlântica em estrutura, mas com predomínio do pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia).

Cerrado: No Planalto Central, essa denominação é empregada para formações abertas (campos) e florestas densas (cerradão), incluindo paisagens onde os componentes herbáceo, arbustivo e arbóreo se equilibram (cerrado propriamente dito). Matas ciliares (ou de galeria) acompanham o curso dos rios. Tais fisionomias estão submetidas a altas temperaturas diurnas e chuvas concentradas no verão, sobre um solo pobre em nutrientes. No inverno, há escassez de água e risco de queimadas, contra as quais fauna e flora apresentam adaptações especiais. Atualmente, é a região agrícola de crescimento mais significativo do país.

Caatinga: Vegetação predominantemente arbustiva do interior do Nordeste. Ocorre sobre solo rico em nutrientes, mas com restrição de água no período de seca, quando a maioria das plantas perdem as folhas. A alternância entre uma paisagem de aspecto árido e uma vegetação verde e florida é típica desse bioma.

Mata de cocais: Formação florestal do Nordeste (MA, PI, RN), dominada pela palmeira babaçu (Orbignya martiana), importante produtora de óleo.

Pantanal: Localizado na depressão do Rio Paraguai, tem alagamento sazonal em virtude das chuvas intensas nas elevações vizinhas e da pequena declividade da região. Terrenos ligeira-mente altos e livres das inundações apresentam formações florestais (capões), enquanto que as formações campestres (utiliza-das como pastagem para o gado) revestem as planícies. Matas ciliares acompanham os cursos d’água. Após a cheia, a água retorna lentamente aos rios, originando lagoas (baías) que concentram peixes e atraem grande diversidade de aves.

Campos gaúchos (Pampas): Formações abertas (predomínio de herbáceas) muito homogêneas que ocorrem na região Sul (clima subtropical).

Manguezal: Floresta de baixa diversidade arbórea situada ao longo de estuários (desembocadura de rios) das regiões tropicais. Na interface terra-água salobra, é submetida ao alagamento dia-rio pela maré. Recebe matéria orgânica das áreas vizinhas, cuja decomposição enriquece o solo e a água com nutrientes minerais. O plâncton, em grande abundância e diversidade, é a base da cadeia alimentar local.

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Bioma Pampa ou Campos Sulinos

Bioma Pampa ou Campos Sulinos

O Que é o Pampa?

O Que é o Pampa?

Bioma Pampa ou Campos Sulinos

Termo de origem Quíchua, que designa as extensas planícies cobertas de vegetação rasteira, características do sul do Brasil e das repúblicas Platinas. essas planícies, que oferecem boas forrageiras, são por excelência zonas de criação de gado. Planícies semelhantes se encontram no Canadá e nos estados Unidos (as pradarias) e na Hungria (chamadas de Puszta).

A vegetação e a fauna

PampaO projeto radam Brasil classificou a vegetação do Pampa como estepe, também chamada de campos Sulinos por alguns autores. Tais desig- nações soam estranhas para os gaúchos, que reconhecem a região como Pampa, pampa gaúcho ou campanha.

O Pampa é constituído basicamente por campos nativos, mata ciliar e capões de mato (porção de mato isolado que surge no campo). São extensas planícies, cuja altitude não ultrapassa os 200 metros, com suaves ondulações chamadas de coxilhas. Suas pequenas matas são constituídas de árvores de pequeno porte, como a aroeira (Lithraea brasiliensis) e o salgueiro (Salix humboldtiana), também chamado de “chorão” pela sua inconfun- dível fisionomia.

Em razão do valor econômico da região, em 1906, lindmann, em A Vegetação no Rio Grande do Sul, já classificava os campos como paleáceos, subarbustivos e gramados. outro pesquisador, Ávila de Araújo, citado por lindmann, usou a nomenclatura comum aos fazendeiros para clas- sificá-los: campos finos, por apresentarem uma cobertura vegetal pouco elevada e pastagens de boa qualidade, e campos grossos, por serem dominados por gramíneas altas e duras.

BIOMA PAMPA
Várias espécies animais habitam o Pampa, sendo o quero-quero (Vanellus chilensis) e o joão-de-barro (Furnarius rufus) figuras típicas da paisagem. É comum ver no horizonte revoadas de marrecos e marrecões de várias espécies e emas (Rhea americana).

Outros animais podem ser vistos com algu- ma freqüência e há registro de várias espécies ameaçadas de extinção, como tatus (Tolypeutes tricinctus), tamanduás (Tamaduá tetradactyl), lobos-guará (Chrysocyon brachyuruse), graxains- do-campo (Pseudalopex gymnocercus) e zorrilhos (Conepatus chinga).
MAPA DO BIOMA PAMPAO Bioma Pampa está caracterizado por extensas planícies cobertas de vegetação rasteira, características do sul do Brasil, da Argentina e do Uruguai que dá origem aos campos. Essas planícies, com forrageiras, são por excelência zonas de criação de gado e ovinos. O Pampa ocupa pouco mais de 176 mil quilômetros quadrados no Brasil, mas se estende também pela Argentina e Uruguai, chegando a 700 mil quilômetros quadrados. É uma das maiores regiões de campos do mundo e o único bioma brasileiro restrito a um estado, representando 63% da área do Rio Grande do Sul. Os Campos caracterizam-se pela presença de uma vegetação rasteira (gramíneas), leguminosas e pequenos arbustos distantes uns dos outros. Em alguns pontos, se avistam pequenas matas, os capões. As árvores de maior porte são encontradas nas margens dos rios, sangas e arroios. Sete tipos de cactos e bromélias só são encontradas naquela região. Quanto à fauna, existem 102 espécies de mamíferos, 476 de aves e 50 de peixes. O relevo do Pampa é constituído por extensas planícies, cuja altitude não ultrapassa 200 metros, com suaves ondulações chamadas de coxilhas. O clima do Pampa é subtropical, com temperaturas médias de 18Cº e precipitações próximas dos 2000mm. No entanto a temperatura pode chegar a -5Cº no inverno e próximo dos 40Cº nos verões mais quentes. A vegetação desse bioma é composta por matas que são constituídas de árvores de pequeno porte como a aroeira e o salgueiro, além de inúmeras espécies de gramíneas. Várias espécies de aves habitam o Pampa destacando-se a ema, ave de maior porte desse bioma além de outras 475 espécies de aves. No entanto há inúmeras espécies da fauna do Pampa ameaçadas de extição, na qual podemos destacar os tatus (tolypeutes tricinctus), tamanduás (Tamanduátetradactyl), lobos guará (chrysocion brachyuruse), graxaíns-do-campo (Pseudolopex gymnocercus) e zorrilhos (conepatus chinga). Abaixo do solo do Pampa está o Aqüífero Guarani, uma das maiores reservas de água doce subterrânea do mundo, dividida entre Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. Talvez a maior expressão da identidade cultural do Pampa seja a milonga, gênero poético encontrado nos três países e que está na base da canção popular gaúcha. Em toda a música da região a gaita tem papel de destaque. Vale lembrar também que a vitalidade da música dos Pampas deve muito aos movimentos tradicionalista e nativista em todo país com os Centros de Tradições Gaúcha, CTGs.
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Amazônia Não é Pulmão do Mundo

Amazônia Não é Pulmão do Mundo

Não se sabe quem utilizou esta expressão pela primeira vez, mas o sentido dela é que na Amazônia haveria uma enorme produção de oxigênio, o que na verdade não corresponde a realidade, segundo especialistas.
Descobertas científicas demonstram que a floresta amazônica encontra-se em estado de clímax ecológico: toda a biomassa (o conjunto de matéria viva da região) acaba sendo utilizada por outros organismos para seu metabolismo, produzindo dióxido de carbono. É verdade que a floresta produz uma imensa quantidade de oxigênio mediante a fotossíntese durante o dia. porém, as plantas superiores e outros organismos associados vivendo nessa mesma floresta respiram 24 por dia, ou seja o oxigênio que a floresta produz acaba sendo utilizado na respiração dela mesma. 

É importante salientar que a floresta amazônica constitui um enorme reservatório de carbono e, quando queimada, produz dióxido de carbono, aumentando assim o efeito estufa.

A Amazônia não é o "pulmão do mundo" no sentido comum do termo. No entanto, o sistema florestal da região, alem de evitar a erosão, funciona como uma esponja, absorvendo substâncias trazidas pelos ventos e pelas chuvas, sob a forma de poeira e partículas, da África e do Atlântico.

Amazônia Não é Pulmão do Mundo

Leia matéria publicada no site Globo Amazônia sobre o assunto:

Amazônia não é o 'pulmão do mundo' 
Na capa de muitos jornais, sites, comunidades virtuais e blogs a Amazônia ainda é encarada como o grande pulmão do mundo. A ideia de que a floresta seria uma grande purificadora do ar, transformando gás carbônico em oxigênio, já foi desmentida por muitos cientistas, mas ainda sobrevive por aí. Apenas em dois textos do Blog da Amazônia, há 16 comentários que tratam a floresta dessa forma.

Apesar de haver muitas provas de que a Amazônia não exerce esse papel, é consenso entre os pesquisadores que as extensas áreas de floresta do Norte do Brasil têm grande influência no clima do planeta. Mesmo não sendo o tal pulmão, a Amazônia ainda seria um órgão vital. 

Floresta em equilíbrio  
Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e um dos cientistas mais respeitados no mundo quando se fala de aquecimento global, o erro já começa no próprio apelido que se deu à Amazônia: ?O pulmão não supre o oxigênio, ele tira.

O pesquisador explica que a floresta está em equilíbrio. Todo o gás carbônico capturado por meio da fotossíntese é liberado novamente à atmosfera quando as plantas respiram e quando as árvores morrem e entram em decomposição.

Feranside ressalta, contudo, que o fato de a Amazônia não funcionar como o tal pulmão do mundo não significa que ela possa ser destruída. O desmatamento de milhões de quilômetros quadrados de floresta poderia desregular o regime de chuvas e acentuar o aquecimento global.  
Círculo vicioso  
A floresta está em equilíbrio apenas quando está em pé. Se ocorre uma queimada ou desmate, grandes quantidades de gás carbônico são liberadas na atmosfera, contribuindo para o efeito estufa. Hoje, o Brasil ocupa o quarto lugar entre os maiores emissores de gases que causam esse problema, sendo que cerca de três quartos dessa poluição provêm da destruição da mata.

De acordo com Fearnside, o desmatamento é um péssimo negócio para o Brasil. Além de emitir muito mais carbono do que o combustível fóssil, ele também traz muito pouco benefício para a economia do país, gera muito pouco emprego, avalia.

Com o aquecimento do planeta, a floresta corre o risco de entrar em um círculo vicioso de destruição e emissão de gases de efeito estufa, revela o cientista: Na medida em que se começa a esquentar na Amazônia, morrem muitas as árvores. Com o aumento da temperatura, as árvores também precisam de mais água, e aí aumentam os problemas de incêndio. Além disso, esquenta-se o solo, que começa a liberar carbono. As grandes secas que houve na Amazônia, como a que aconteceu em 2005, tendem a aumentar.

Amazônia Não é Pulmão do Mundo

Falta de água
Ainda que o desmatamento e as queimadas não liberassem gases de efeito estufa, a transformação da floresta em pastos ou plantações poderia mudar radicalmente o regime de chuvas. Fearnside explica que grande parte das chuvas do Centro-sul do Brasil são causadas por ventos que trazem vapores da mata no Norte. Se transformarmos a floresta em pastagens, as chuvas cairão lá (na Amazônia) e irão direto para o oceano. A água não será mais evaporada, revela.
Além da falta de água potável problema que já afeta periodicamente a cidade de São Paulo ? a diminuição das chuvas também acarretaria na falta de energia. No Centro-sul há muitas barragens, que geram energia para o Brasil. Essas hidrelétricas enchem em poucas semanas. Se falharem as chuvas nessas semanas críticas, as represas não enchem pelo resto do ano, alerta o pesquisador.

Relevo e Solo da Amazônia

Relevo e Solo da Amazônia

Na Floresta Amazônica destacam-se basicamente três ecossistemas, de acordo com o relevo da região em que se localizam.

Em áreas permanentemente inundadas, com as matas de igapó, crescem vegetações típicas de trepadeiras e árvores com até 20 metros de altura.

As faixas de várzea permanecem inundadas apenas durante um período do ano.

Relevo e Solo da Amazônia

E o relevo das planícies de terra firme, onde há as formações vegetais de até 60 metros de altura, e livre das inundações.

O solo da região é caracterizado pela pobreza de nutrientes, porém, protegido pela cobertura vegetal, de onde se abastece com nutrientes oriundos da decomposição das folhas, troncos e raízes. 

Biomas | O Que São Biomas?

Biomas | O Que São Biomas?

Em ecologia chama-se bioma a uma comunidade biológica, ou seja, fauna e flora e suas interações entre si e com o ambiente físico: solo, água e ar.

Biomas | O Que São Biomas?

Entendendo os biomas

Área biótica é uma área geográfica ocupada por um bioma, ou seja, regiões com um mesmo tipo de clima e vegetação. Entretanto, um bioma pode ter uma ou mais vegetações predominantes.

Apesar de poderem apresentar diferentes animais e plantas, sabe-se que há muitas semelhanças entre as paisagens dos mais diferentes continentes, isso ocorre devido à influência do macroclima (tipo de solo, condição do substrato e outros fatores físicos).
Segundo alguns, os cinco tipos mais importantes de biomas são: aquático, desértico, florestal, de vegetação rasteira e tundra (vegetação proveniente do material orgânico que aparece no curto período de degelo das regiões de clima polar).

Entretanto, alguns vão um pouco mais longe nesta classificação. Segundo estes, só no Brasil há seis diferentes tipos de biomas, sendo eles: Floresta Amazônica, Cerrado, Pantanal, Caatinga, Mata Atlântica e Zonas Costeiras.
Biomas do Brasil

Há também uma classificação para os biomas aquáticos, que são divididos em biomas de água doce e marinhos, ou seja, aqueles que pertencem a água do mar.

Curiosidade:
- O bioma da Terra compreende a biosfera.
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Biomas do Estado da Paraíba

Biomas do Estado da Paraíba

Biomas do Estado da Paraíba
Bioma é conceituado no mapa como um conjunto de vida (vegetal e animal) constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e identificáveis em escala regional, com condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria.

Dois dos principais biomas que a Paraíba está incluída são a Caatinga e um pequena parte da Mata Atlântica.

Caatinga - A Caatinga ocupa oficialmente 844.453 Km² do território brasileiro e ocupa a Paraíba em 92% aproximadamente.Há aproximadamente 260 milhões de anos, toda região onde hoje está o semi-árido foi fundo de mar, mas o bioma caatinga é muito recente.

Há apenas dez mil anos atrás era uma imensa floresta tropical, como a Amazônia. Para conhecer bem esse bioma do semi-árido brasileiro, basta fazer uma visita ao Sítio Arqueológico da Serra da Capivara, no sul do Piauí. Ali estão os painéis rupestres, com desenhos de preguiças enormes, aves gigantescas, tigres-dente-de-sabre, cavalos selvagens e tantos outros. No Museu do Homem Americano estão muitos de seus fósseis.

Com o fim da era glacial, há dez mil anos atrás, também acabou a floresta tropical. Ficou o que é hoje a nossa Caatinga.

#Caatinga-Paraiba

Algumas plantas como o Pau-Ferro, o Umbuzeiro, a Jurema Preta, são encontrados na Caatinga, e são bem características por serem plantas resistentes a seca pois algumas delas como por exemplo o Umbuzeiro, além de produzir frutos para o consumo humano, ela possuem as raízes chamadas de “Xilopódios” que são conhecidas também como “Batatas do Umbuzeiro” e são caracterizadas por armazenar água, daí é o que sustenta o fruto o ano todo.

Mata Atlântica - Já foi a grande floresta costeira brasileira. Ocupava a faixa costeira desde o Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Em alguns lugares adentrava o continente, como no Paraná, onde ocupava 98% do território Paranaense.Era também o mais rico bioma brasileiro em biodiversidade.Hoje é o mais devastado de nossos biomas. Restam aproximadamente 7% de sua cobertura vegetal. São manchas isoladas, muitas vezes sem comunicação entre si.

A Mata Atlântica é o exemplo mais contundente do modelo desenvolvimento predatório desse país. Foi ao longo dele que se saqueou o pau Brasil e depois se instalaram os canaviais, tantas outras monoculturas, além do complexo industrial. Quem vive onde já foi esse bioma muitas vezes nem conhece seus vestígios, tamanha sua devastação.

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ONU prevê savanização da Amazônia até 2080

ONU prevê savanização da Amazônia até 2080

ONU prevê savanização da Amazônia até 2080

Um dos temas brasileiros mais discutidos no exterior - a Amazônia - ganhou ainda mais destaque com a divulgação de relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) neste ano. A maior floresta tropical do mundo, que já perdeu 20% de sua área original, enfrenta o perigo de se transformar parcialmente em savana em consequência do aquecimento global, alertou a segunda parte do relatório do IPCC.

Outras regiões do Brasil também seriam afetadas: a região Nordeste pode perder manguezais e ver secar grande parte de suas fontes de água, transformando-se de território semi-árido em terra árida. No Sul, o aumento de precipitações pode obrigar populações a se adaptar.

Mas o próprio órgão reconhece sua dificuldade em lidar com as chamadas "questões regionais", isto é, em avaliar o efeito da mudança climática sobre uma ou outra região específica. No caso brasileiro, por exemplo, a falta de dados limitou o esboço dos alertas.

O perigo para a Amazônia é mencionado de passagem em trechos do relatório. Já em entrevistas com jornalistas, os cientistas disseram que entre 10% e 25% da floresta poderia desaparecer até 2080, dependendo de quanto for a elevação da temperatura. Por falta de dados, o grupo só pôde conferir uma probabilidade de 50% a esse evento, o que na classificação do IPCC significa "mais provável que improvável".

Um dos modelos adjetivados como mais "catastróficos" analisado pelo IPCC, elaborado pelo Hadley Centre, mostra o ecossistema desaparecendo completamente até 2080.

Desmatamento - O desmatamento é amplamente atribuído por ambientalistas a grileiros, fazendeiros de gado e plantadores de soja, acusados de forçar a expansão da fronteira agrícola para áreas virgens da floresta. O desflorestamento é a segunda maior causa de emissões de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, respondendo por 17,3% das emissões, segundo o IPCC. A primeira causa é a queima de combustíveis fósseis (56,6%).

Há outras previsões sombrias. Um modelo analisado pelo IPCC diz, por exemplo, que a região Nordeste poderia perder até 75% de suas fontes de água com o aumento da temperatura. A elevação do nível das águas poderia submergir manguezais no litoral nordestino.

Já no Sul do país, o perigo é de que ocorram mais chuvas. Mas Paulo Artaxo considera que este fator poderia beneficiar o país, já que nesta região "está 70% do potencial hidrelétrico do país".

A falta de estudos e de dados confiáveis sobre esses processos fez com que a abordagem do IPCC sobre eles tenha sido mínima. Muitos não são sequer citados na síntese do relatório, que a organização divulga nesta semana em Valência, na Espanha.

"Este relatório aborda pouco as questões regionais. Esse é um dos aspectos críticos dele: um refinamento regional próximo de zero", diz a pesquisadora Thelma Krug, líder de uma força-tarefa do IPCC.

Para o físico Paulo Artaxo, do Instituto de Física da USP - Universidade de São Paulo, o desmatamento da Amazônia é o "ponto fraco" do Brasil nas discussões sobre o clima. Em outros aspectos, o país tem "vantagens comparativas" para combater a mudança climática, ele afirma.

Bioenergia - "O Brasil tem um programa nacional de álcool e combustíveis renováveis, tem recursos de energia eólica e solar, quer dizer, tem tudo para ser um sucesso energeticamente e ambientalmente. O problema é que tem de encontrar maneiras de evitar o processo de ocupação e destruição da Amazônia."

Para Artaxo, a falta de amplitude dos estudos do IPCC representa um desafio para governos que têm de tomar decisões "com base em uma enorme escassez de dados". "Requer muita cautela, mas também requer que ações sejam tomadas agora, porque em cinco ou dez anos pode ser muito tarde", ele afirma.

"O governo brasileiro tem de adotar estratégias de mitigação desses problemas", ele alerta. No caso amazônico, isto significa "combater a ocupação desordenada" do território.

Jà no caso do Nordeste, defende o cientista, é preciso "investir pesado em programas de irrigação, levar em conta programas de inserção social para ocupar as pessoas que serão afetadas e o redirecionamento da economia local para uma economia sustentável com menos chuvas". (Estadão Online)

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Vegetação do Brasil

Vegetação do Brasil

Vegetação do Brasil

A grande extensão territorial e latitudinal e a diversidade climática do Brasil explicam a extraordinária riqueza vegetal que o país possui. Situado quase totalmente dentro da Zona Neotropical, podemos dividi-lo para fins geográficos em dois territórios: o amazônico e o extra-amazônico. No amazônico (área equatorial ombrófila) o sistema ecológico vegetal decorre de um clima de temperatura média em torno de 25°C com chuvas torrenciais bem distribuídas durante o ano. No extra-amazônico (área inter-tropical), o sistema ecológico vegetal responde a dois climas: o tropical com temperaturas médias por volta de 22°C e precipitação estacional, com período seco, e o subtropical com temperatura média anual próxima dos 18°C, com chuvas bem distribuídas.
A grande quantidade de espécies vegetais nativas e exóticas de importância econômica, conhecida e descrita em trabalhos científicos, representa apenas uma amostra das que provavelmente existem. Não podemos esquecer que grande parte da cobertura vegetal primitiva já foi e continua sendo impiedosamente devastada, criando sérios riscos de acidentes e desequilíbrios ecológicos.
A ação do homem como devastador da vegetação original se iniciou com a colonização do Brasil, sendo acentuada nas regiões Sul, Sudeste, Nordeste e parte do Centro-Oeste. Estados como São Paulo, Paraná e Minas Gerais já devastaram a maior parte da cobertura primitiva.
Na Região Norte a ação depredadora data da década de 60, com crescimento nos anos 70/80, provocando o quase desaparecimento de espécies raras e já sendo motivo de preocupação em áreas como Rondônia, oeste do Tocantins e sul do Pará, enquanto o reflorestamento e a preservação são incipientes.
A vegetação brasileira pode ser classificada em três grupos principais: formações florestais ou arbóreas, formações arbustivas e herbáceas e formações complexas e litorâneas. Quanto aos tipos de vegetação, encontramos no território brasileiro as seguintes:
1) vegetação do tipo Savana (Cerrado/Campos) — Ocorre principalmente na região Centro-Oeste, aparecendo também no norte amazônico, desde o vale do rio Tacatu (Roraima) até os tabuleiros do Amapá; no litoral e interior do Nordeste; no planalto sedimentar da bacia do Paraná; na região sudeste; na Região Sul em áreas do Planalto Meridional.
2) Estepe (Caatinga e Campanha Gaúcha) — No árido sertão nordestino a estepe (conhecida como caatinga) corresponde a várias formações vegetais que se constituem num tipo de vegetação estacional decidual, com várias cactáceas. A outra área de estepe brasileira se encontra no Sul do Brasil, nas fronteiras com o Uruguai e Argentina; é a Campanha Gaúcha, que recobre as superfícies conservadas do planalto da Campanha e da depressão dos rios Ibicuí e Negro.
3) A Savana estépica (vegetação chaquenha, campos de Roraima e Campanha Gaúcha) - É um tipo de vegetação constituída por uma cobertura arbórea e várias cactáceas, que recobre um estrato graminoso. No Brasil ocupa três áreas bem diversas geograficamente, o Pantanal Mato-Grossense, os Campos de Roraima e a Campanha Gaúcha. A primeira situa-se entre a Serra da Bodoquena (Mato Grosso do Sul) e o rio Paraguai, sendo a maior área de ocorrência no Brasil desse tipo de vegetação. A segunda, a de Roraima (limites com a Venezuela), aparece entre as áreas dissecadas do monte Roraima e a planície do rio Branco. E a terceira ocupa a parte sul-sudeste do Rio Grande do Sul, fazendo parte da Campanha Gaúcha.
4) Vegetação lenhosa oligotrófica dos pântanos e das acumulações arenosas (Campinarana) — Esse tipo de vegetação se restringe às áreas amazônicas do alto rio Negro e seus afluentes adjacentes, recobrindo as áreas deprimidas e embrejadas, caracterizada por agrupamentos de formações arbóreas altas e finas.
5) Floresta ombrófila densa (Floresta Amazônica/Floresta Atlântica) — Ocupa parte da Amazônia, estendendo-se pelo litoral desde o sul de Natal, Rio Grande do Norte até o Espírito Santo, entre o litoral e as serras pré-cambrianas que margeiam o Atlântico, estendendo-se ainda pelas encostas até a região de Osório, no Rio Grande do Sul. A floresta Atlântica já foi quase totalmente devastada, restando apenas poucos locais onde se encontra a floresta original. Esse tipo de vegetação nas duas áreas (Amazônica e Atlântica) consiste de árvores que variam de médio a grande porte e com gêneros típicos que as caracterizam.
6) Floresta ombrófila aberta (Floresta de Transição) — Encontra-se entre a Amazônia e a área extra-amazônica. É constituída de árvores mais espaçadas, com estrato arbustivo pouco denso. Trata-se de uma vegetação de transição entre a floresta Amazônica úmida a oeste, a caatinga seca a leste e o cerrado semi-úmido ao sul. Essa região fitoecológica domina, principalmente, os estados do Maranhão e Piauí, aparecendo também no Ceará e Rio Grande do Norte.
7) Floresta ombrófila mista (Mata dos Pinheiros) — Esse tipo de vegetação, também conhecida por "mata dos pinhais ou de araucárias", é encontrada concentrada no Planalto Meridional, nas áreas mais elevadas e mais frias, com pequenas ocorrências isoladas nas serras do Mar e Mantiqueira (partes altas). Destacam-se os gêneros Araucária, Podocarpus e outros de menos importância.
8) Floresta estacional semidecidual (Mata semicaducifólia) — Esse tipo de vegetação está ligado às estações climáticas, uma tropical, com chuvas de verão e estiagem acentuada, e outra subtropical, sem período seco mas com seca fisiológica por causa do frio do inverno. Ocorrem nas áreas brasileiras com esses tipos climáticos.
9) Floresta estacional decidual (Mata caducifólia) — Ocorre no território brasileiro dispersivamente e sem continuidade, pois só aparece em áreas caracterizadas por duas estações climáticas bem definidas, chuvosa e seca. O estrato arbóreo é predominantemente caducifólio (perdem as folhas na seca).
10) Áreas das formações pioneiras de influência marinha (Vegetação de Restinga e Manguezal) — As áreas de influência marinha são representadas pelas restingas ou cordões litorâneos e pelas dunas que ocorrem ao longo da costa. São formados pela deposição de areias, aí ocorrendo desde formações herbáceas até arbóreas. Os manguezais sofrem influência fluviomarinha onde nasce uma vegetação de ambiente salobro que também apresenta fisionomia arbórea e arbustiva; são encontrados em quase todo o litoral brasileiro, mas as maiores concentrações aparecem no litoral norte e praticamente desaparecem, a partir do sul da ilha de Santa Catarina, pois é vegetação típica de litorais tropicais.
11) Áreas das formações pioneiras ou de influência fluvial (Vegetação Aluvial) — É um tipo de vegetação que ocorre nas áreas de acumulação dos cursos dos rios, lagoas ou assemelhados; a fisionomia vegetal pode ser arbórea, arbustiva ou herbácea, formando ao longo dos cursos dos rios as Matas-Galerias. A vegetação que se instala varia de acordo com a intensidade e duração da inundação.
12) Áreas de Tensão ecológica (Contatos entre tipos de vegetação) — São denominadas assim as regiões de contato entre grandes tipos de vegetação, em que cada tipo guarda sua identidade. Ocorre em vários locais do país, inclusive no Pantanal nas áreas alagadas, periodicamente alagadas e nas livres das inundações. Existem aí várias associações vegetais como palmeiras, gramíneas e bosques chaquenhos.
13) Refúgio ecológico (Campos de altitude) — Qualquer tipo de vegetação diferente do contexto geral da flora da região é considerada como um "refúgio ecológico". Este é o caso da vegetação que se localiza, no Brasil, acima de 1800m de altitude.

Bioma da Mata dos Cocais

Bioma da Mata dos Cocais

Bioma da Mata dos Cocais

É uma zona de transição entre as florestas úmidas da Bacia Amazônica e as terras semi-áridas do Nordeste brasileiro, presente nos estados do Maranhão e do Piauí e no norte do Tocantins. Esse ecossistema se caracteriza por áreas secas e de florestas dominadas por palmeiras. O clima é úmido, e a vegetação fica mais exuberante na medida em que se avança para o oeste, em direção à floresta Amazônica. Das palmeiras nativas, como o babaçu e a carnaúba, são extraídos óleos e ceras utilizados na fabricação de cosméticos, margarinas, sabões e lubrificantes. A economia local é basicamente extrativista e agrícola, em que predominam as plantações de arroz nos vales úmidos do estado do Maranhão. Na década de 1980, no entanto, tem início o processo de industrialização da área, com a instalação dos projetos minerais da Amazônia.

Vegetação
Definida como um sistema de transição, a vegetação da mata de cocais inclui grande quantidade de palmeiras, como buriti, oiticica, babaçu e carnaúba. No lado oeste, onde a proximidade com o clima equatorial da Amazônia torna a região mais úmida, é mais frequente o babaçu, que pode atingir mais de 20 metros de altura. Dos cocos dessa palmeira se extrai o óleo de mesmo nome. No lado mais seco, a leste, predomina a carnaúba, com altura de até 20 metros.

BIOMA AMAZÔNIA - DIVERSIDADE AMAZÔNICA

BIOMA AMAZÔNIA, HISTÓRIA E DIVERSIDADE AMAZÔNICABioma Amazônia, História e Diversidade Amazônica

A Amazônia é ícone mundial da biodiversidade, é onde está localizada a maior bacia hidrográfica e a maior floresta tropical do mundo, além disso a Amazônia possui ainda uma fantástica diversidade cultural.
A Amazônia é a região brasileira relativamente mais preservada dentre todas as outras. Por isso, constitui a última fronteira do avanço desenvolvimentista do Brasil.

O bioma Amazônia possui quase 8 milhões de km2, distribuídos em nove países da América do Sul: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. Se formasse um país, a Amazônia latino-americana seria de tamanho equivalente aos Estados Unidos e toda Europa Ocidental. no Brasil, se estende por 4,1 milhões de km2. Mas a Amazônia Legal, conceito criado na década de 1950, é ainda maior, abrangendo 5,5 milhões de km2, ou dois terços do País, com 18 milhões de habitantes.

A Amazônia se espalha por nove Estados da federação: Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso. Embora parte dessa área adicional (de 1,4 milhão de km2) não seja composta pela típica Floresta Amazônica (a hileia, conforme a definição do cientista alemão Alexandre Humboldt), mas por mata mais rala e por cerrado, ela foi incluída na Amazônia Legal para poder também usufruir incentivos fiscais concedidos pelo governo federal, a partir da década de 1950, para acelerar o desenvolvimento da região. O Pará, com pouco mais de 7 milhões de habitantes, é o mais populoso (e é o nono do País). Roraima, com pouco mais de 390 mil habitantes, é o menor em população.

Atualmente, 32,9% do bioma Amazônia no Brasil conta com proteção especial (descontadas as sobreposições), sendo 20,84% terras indígenas e 12,09% unidades de conservação federal e estadual.

 na Amazônia, vivem e se reproduzem mais de um terço das espécies existentes no Planeta. A floresta abriga 2.500 espécies de árvores (um terço da madeira tropical da Terra) e 30 mil das 100 mil espécies de plantas que existem em toda a América Latina. Além da riqueza natural, a Amazônia contém uma fantástica diversidade cultural. nela vivem cerca de 170 povos indígenas, com uma população aproximada de 180 mil indivíduos, 357 comunidades remanescentes de antigos quilombos e centenas de comunidades localizadas, como as de seringueiros, castanheiros, ribeirinhos e babaçueiros.

A Amazônia possui, ainda, grande importância para a estabilidade ambiental do Planeta. Estimativas conservadoras indicam que a floresta amazônica é responsável pela absorção de pelo menos 10% dos cerca de 3 bilhões de toneladas de carbono retirados da atmosfera pelos ecossistemas terrestres. no outro extremo, estudo publicado pela revista Science conclui que a Amazônia responde por quase 40% de tudo que a biota terrestre absorve. Sua massa vegetal, composta por árvores de até 50 metros de altura, com copas frondosas, libera cerca de sete trilhões de toneladas de água anualmente para a atmosfera, através da evaporação e transpiração das plantas. já seus rios despejam cerca de 12% de toda a água superficial doce que chega aos oceanos através de toda a rede hidrográfica existente no globo terrestre. O Amazonas é o mais extenso e caudaloso de todos os rios, chegando a descarregar no Atlântico 230 milhões de litros de água por segundo.

Tudo isso em um ecossistema frágil: a floresta extrai poucos nutrientes do solo, que, em grande parte de sua extensão, é pobre. As árvores vivem do próprio material orgânico que lançam sobre o chão. Geram, dessa maneira, uma formidável cadeia de vida, que se nutre desse cardápio de massa vegetal e da água abundante gerada pelas próprias árvores e trazida do oceano e da Cordilheira dos Andes, em um ambiente de umidade sem igual. A menor imprudência pode causar danos ao seu equilíbrio delicado.

Mapa da Amazônia LegalDesmatamento no Bioma Amazônia

Apesar de ter chegado ao século XXI com a maior parte do seu território ainda preservado, a destruição acelerada da floresta é uma realidade preocupante. A taxa anual de desmatamento na Amazônia Legal ao longo do tempo foi mais extensa do que todo o estado de Sergipe por ano. 

O desmatamento acumulado já consumiu 17% de toda a Amazônia, equivalendo a duas vezes o tamanho do Estado de São Paulo, que concentra um terço da riqueza nacional e abriga a maior população do Brasil, com quase 40 milhões de habitantes. nunca a humanidade destruiu tanta floresta como têm feito os brasileiros (e alguns estrangeiros) na Amazônia desde o final da década de 1950, quando começaram a ser construídas as primeiras estradas (a Brasília-Belém e a Brasília-Acre) visando a integração física da região ao País.

Até então, a Amazônia esteve completamente isolada por terra do restante do Brasil, já que nenhum dos seus grandes ciclos históricos anteriores (drogas do sertão, madeira, cacau e borracha) conseguiu criar uma atividade comercial consolidada e duradoura. O mais importante, o da borracha, que durou quase 50 anos (entre o final do século XIX e a primeira década do século seguinte), chegou a manter a região como a terceira mais importante do País nesse período, mas o plantio de sementes de seringueira no Oriente acabou com a hegemonia mundial da produção brasileira e logo a tornou totalmente irrelevante para o mercado.

Por considerar que, nessa condição de baixa densidade demográfica, a região estava sujeita à cobiça internacional, os governos militares (1964-85) promoveram obras de grande impacto (estradas, hidrelétricas, portos, cidades) para atrair colonos e empresas, que, integrando a região, evitariam que ela fosse “entregue” aos estrangeiros. Prevalecia a “doutrina de segurança nacional” como a matriz do pensamento oficial, que se manteve na região, a despeito da redemocratização, iniciada em 1985, através de iniciativas como o Programa Calha norte e o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). Por isso, a ordem era desenvolver o mais rapidamente possível, ainda que o custo social e ambiental se tornasse elevado, como acabou sendo. Além do desmatamento descontrolado, essa ampla ofensiva transformou a região, que deveria ser um Éden fundiário, na qual todos os migrantes (originários de regiões latifundiárias, que os excluem e expulsam) teriam, finalmente, um lote de terras para explorar, consolidando- se como proprietários rurais, no mais sangrento cenário de conflitos pela posse da terra no País.

Conceitos da Amazônia

O que no início foi um processo sumário de expulsão de ocupantes tradicionais e de formação de legiões de posseiros, sem a titularidade da terra, transferida para poucos proprietários, só começou a mudar com a posição assumida inicialmente pela Igreja e, em seguida, por movimentos sociais organizados. A tensão, entretanto, continua em estado latente ou de conflito aberto, manifestando-se em seguidos choques entre os principais atores da fronteira, como índios, garimpeiros, madeireiros, lavradores e grandes corporações econômicas, nacionais e estrangeiras.

Parte da explicação para o recrudescimento do desmatamento na primeira década de século XXI, coincidindo com o incremento das exportações brasileiras, está na ampliação da área plantada na região, por conta da expansão do gado, da soja e do arroz. Essas frentes econômicas avançam em direção ao coração da Amazônia, desencadeando novos empreendimentos mineradores, siderúrgicos e metalúrgicos, de grande porte (conhecidos como “grandes projetos” porque exigem muito capital e tecnologia avançada). Também pesa a desvalorização do real no início de 2001, a maior competitividade da madeira abatida impune- mente na região, a inexistência de crédito para manejo sustentável dos recursos florestais e a crônica incapacidade de implementação de órgãos governamentais – como o Ibama – debilitados por anos de redução orçamentária.

Esse enfraquecimento favorece a indefinição fundiária, causa de inúmeros e sangrentos conceitos pela posse da terra, cujo domínio é mal definido, além de sua posse ser injustamente distribuída (1% dos proprietários controlam 57% da área dos imóveis rurais).

Mesmo chocantes, os números sobre destruição de florestas representam apenas uma estimativa, já que o satélite TM-Landsat, utilizado pelo Instituto nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para essas medidas, não consegue captar derrubadas em áreas menores que 6,25 hectares. Assim, deixa de fora o impacto provocado por milhões de posseiros e colonos. Além disso, os dados não incluem o corte seletivo de madeira, resultante da atuação de milhares de madeireiros em atividade na Amazônia, e tampouco o desmatamento provocado por grandes incêndios florestais, como o de Roraima, que aconteceu em 1998. Também não captam os efeitos indiretos do rompimento do equilíbrio ecológico sobre os diversos ciclos de vida que se mantinham quando havia a floresta.

O desmatamento extrapolou de uma área conhecida como Arco do Desmatamento – que vai de leste para o sul do Pará, na direção oeste, passando por Mato Grosso, Rondônia e Acre – impulsionado por um consórcio madeira-pastagem-produção de grãos para exportação. Fortes desmatamentos estão ocorrendo também na margem esquerda do Rio Amazonas e no sudeste da “Terra do Meio”, um vasto bolsão de terras localizadas entre os rios Xingu e Tapajós, no centro do Pará. O ataque à região ocorre também pelo oeste, vindo de Mato Grosso e se irradiando a partir das margens da rodovia Cuiabá-Santarém (BR-163), que ainda é, em metade da sua extensão, de revestimento primário, mas se encontra em vias de ser asfaltada.

Além disso, relatório elaborado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos – ligada à Presidência da República – reconhece que 80% da produção madeireira da Amazônia provém da exploração ilegal. Existem 22 madeireiras estrangeiras conhecidas na região, sobre cuja atividade há pouca fiscalização. O desperdício da madeira entre 60% e 70% do que é derrubado. no entanto, o setor florestal contribuiu com 15% a 20% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia.

Entre os problemas que propiciam esta situação, podem ser apontados: a insuficiência de pessoal dedicado à fiscalização, as dificuldades em monitorar extensas áreas de difícil acesso, a fraca administração das áreas protegidas e a falta de envolvimento das populações locais.

Grandes Empreendimentos na Amazônia

Outra forma de destruição têm sido os alagamentos para a implantação de usinas hidrelétricas. É o caso da usina de Balbina, no nordeste de Manaus. A baixíssima relação entre a área alagada e a potência instalada nessa hidrelétrica tornou-se um exemplo de inviabilidade econômica e ecológica em todo o mundo.

A atividade da mineração organizada, através de empresas, e da garimpagem também trouxe graves consequências ambientais, como a erosão do solo e a contaminação dos rios com mercúrio. Como as principais mineradoras instaladas na Amazônia são voltadas para a exportação, usufruem isenção de impostos e contam com energia subsidiada, apenas uma fração da renda que geram na própria região. É por isso que as grandezas quantitativas da mineração, que transformaram o Pará no segundo maior Estado minerador do País (prestes a ultrapassar Minas Gerais), não se refletem nos indicadores sociais.

Mas um novo ciclo de “grandes projetos” se inicia, tendo como eixo a maior província mineral do mundo, em Carajás, no Pará, para a produção de concentrado de cobre, níquel, gusa e aço, consolidando a atividade meramente extrativa ou que apenas faz o beneficiamento primário da matéria-prima. O ganho maior para quem compra esses bens, de baixo valor relativo. Grande parte da produção vai para o exterior. Em escalas crescentes, para o Japão e a China. O Japão, por exemplo, que até recentemente era o maior comprador de Carajás, compra na Amazônia 15% do alumínio e 15% do minério de ferro de que precisa para seu enorme parque industrial. A China, que desbancou seu vizinho como cliente preferencial da Companhia Vale do Rio Doce, já obtém em Carajás quase 20% da produção da província, que em 2007 deveria alcançar 100 milhões de toneladas anuais.
Usina Hidrelétrica de Belo Monte
Usina Hidrelétrica de Belo Monte

Exploração e Desigualdade na Amazônia

O Atlas do Desenvolvimento Humano, lançado no início de outubro de 2003, mostra que a Amazônia cresce menos do que as outras regiões brasileiras e tem uma das maiores concentrações de renda do País. Conforme os dados do Atlas, elaborado em conjunto pelo Programa das nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e Fundação João Pinheiro, todos os Estados da Amazônia tiveram desenvolvimento – entre 1991 e 2016 – abaixo da média nacional. Pará, Amazonas, Acre e Tocantins estão na faixa mais pobre do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) brasileiro.

Nos últimos dez anos, enquanto os grandes projetos de infraestrutura continuavam o padrão predatório, centenas de iniciativas comunitárias criavam um novo modelo de desenvolvimento amazônico, baseado no manejo sustentável de recursos naturais e na gestão participativa de políticas públicas. Em alguns casos, esse modelo foi assumido por diversos setores públicos, criando novas maneiras de pensar e agir em harmonia com a floresta e suas comunidades.

Todo esse processo, no entanto, não está sendo levado em consideração por muitos dos atuais dirigentes federais, estaduais e municipais, o que tem provocado o crescimento da violência no campo, a partir das ações de quadrilhas organizadas de grileiros de terras públicas. A ausência do Estado e a impunidade têm proporcionado o desmatamento ilegal, a expulsão de comunidades, a morte de lideranças indígenas e de pequenos agricultores, a invasão de áreas já protegidas por lei e o incentivo ao latifúndio.

Aliada à falta de recursos para pesquisa na região, a biopirataria também representa uma ameaça aos recursos da Amazônia. Aproveitando-se de um vazio na legislação brasileira, que não proíbe o registro de espécies animais ou vegetais, grupos internacionais têm se apoderado de alguns dos nomes mais populares da nossa biodiversidade, através de patentes em várias partes do mundo. Desde a quebra-pedra, patenteada na década de 1990, passando pela andiroba, açaí e copaíba, são mais de 50 produtos roubados ou visados para apropriação das populações tradicionais da Amazônia. A mais recente espécie da lista é o cupuaçu, que a empresa japonesa Asahi Foods – cuja pronúncia é açaí – tentou patentear na Europa, Estados Unidos e Japão, só não consumando a pilhagem por causa da reação de instituições nacionais.

Alternativas para a Amazônia

A riqueza da Amazônia, região de solos pobres e de alta pluviosidade, está na floresta em pé e na implementação de um novo modelo de desenvolvimento, baseado na sustentabilidade ambiental e uso responsável dos recursos naturais. As pesquisas e a prática demonstram que a exploração sustentável da floresta na Amazônia é uma atividade mais rentável e que gera mais empregos do que outras, às quais tem sido dada prioridade pelo governo, como a agropecuária.

Entre as medidas para garantir essa exploração sustentável estão o controle da origem da madeira explorada na Amazônia (como, por exemplo, a certificação pelo FSC, uma entidade internacional com representação no Brasil) e a vinculação de financiamentos apenas a atividades que não representem desmatamento (o Banco da Amazônia, responsável por 82% do crédito de fomento e 42% do crédito total na região, se comprometeu a seguir essa linha).

Outra opção seria uma moratória ou revisão dos grandes projetos propostos pelo governo até a realização e apresentação de estudos de impacto ambiental e social qualificados, com a participação do Ministério Público Federal e da sociedade civil organizada. Entre os projetos estão os gasodutos Urucum-Coari, Urucum-Porto Velho e Urucum-Manaus, as hidrovias nos rios Madeira e Araguaia-Tocantins, as barragens hidrelétricas do Complexo Madeira, de Belo Monte e dos rios Araguaia e Tocantins, além das rodovias como a Cuiabá-Santarém, Manaus-Porto Velho, Rio Branco-Cruzeiro Sul.

As obras de infraestrutura na Amazônia devem ser acompanhadas pela criação de unidades de conservação para evitar maior pressão sobre os recursos naturais. Um processo efetivo de criação e implementação de unidades de conservação deve também criar corredores de biodiversidade, capazes de funcionar como barreira ao avanço do desmatamento.

Além disso, é preciso garantir a proteção dos conhecimentos das populações tradicionais e indígenas, em suas áreas de existência, e políticas adequadas de etno-desenvolvimento, para combater a biopirataria. Outra medida essencial é efetivar a homologação de todas as terras indígenas, como aconteceu com a Raposa Serra do Sol (em Roraima), homologada em abril de 2005, onde está uma das maiores concentrações de população índia do País.

Também é recomendável o apoio financeiro e técnico às redes de produção sustentável na área de pesquisa de produtos, mercados, comercialização e certificação. O Mato Grosso tem entre 12 e 15 milhões de hectares abandonados. Aproveitando essas áreas, seria possível dobrar a produção de grãos naquele Estado sem cortar mais uma árvore, ou utilizá-las para a nascente atividade de geração de biocombustíveis, desde que sua implantação seja antecipada por pesquisas científicas visando definir as aptidões do solo e o equilíbrio ecológico.

O Ministério do Meio Ambiente, tentando reverter a tendência do desmatamento, concebeu, em 2002, e está começando a executar agora o mais ambicioso empreendimento ecológico em andamento no País, o Projeto de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa). Com vigência até 2012, deverá absorver 400 milhões de dólares na criação, consolidação e monitoramento de áreas protegidas para o bioma Amazônia. Abrangerá área de 500 mil km2 e deverá triplicar a área protegida na Amazônia brasileira, elevando dos atuais 4% para 12% o total do bioma sob proteção. Quando concluído, o programa terá criado 50 milhões de hectares de UCs de proteção integral e de uso sustentável, com sua infraestrutura consolidada e apta a cumprir a missão de conservação da biodiversidade amazônica.

Diversidade de Conceitos da AmazôniaDiversidade de Conceitos da Amazônia

Bacia Amazônica – Desde sua nascente, na Cordilheira dos Andes, no Peru, até a foz, o Amazonas tem uma extensão de 6.400 quilômetros, superando o Nilo, segundo as últimas pesquisas. É também o maior rio do Planeta em vazão, com volume variando de 120 milhões a 200 milhões de litros de água por segundo, e também em termos de área de drenagem, com cerca de 7 milhões de km2, ou seja, 40% do continente sul-americano. Essa vazão de água doce corresponde a 20% de todos rios do Planeta somados. Estima-se que por dia ele lance no Oceano Atlântico 1,3 milhões de toneladas de sedimentos.

Bioma Amazônia – Corresponde ao conjunto de ecossistemas que formam a Bacia Amazônica. Está presente em nove países da América do Sul. Além das florestas tropicais, sua paisagem também é composta por mangues, cerrados, várzeas, entre outros. no Brasil, o núcleo central dessa paisagem, a Hiléia amazônica, com grande concentração de árvores de grande porte, com até 50 metros de altura, tendo o rio Amazonas como eixo que domina 300 quilômetros para cada lado do seu curso, ocupa 3,5 milhões de km2.

Amazônia Clássica – É uma divisão política e geográfica, que inclui os seis estados num conjunto também conhecido como região norte: Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre e Amapá. São aquelas unidades com predominância da floresta tipo Hileia.

Amazônia Legal – É uma criação administrativa do governo federal, de 1996, que juntou os estados da Amazônia Clássica aos que se situavam em suas bordas (Maranhão, Tocantins e Mato Grosso), tendo com ela certa identidade física, humana e histórica, seja no Meio-norte (pelo lado do nordeste), como no Planalto Central (pelo Centro-Oeste). Essa região poderia receber recursos dos incentivos fiscais, um fundo formado pela renúncia da União à cobrança de impostos de empreendedores dispostos a investir nessa fronteira ainda pouco conhecida e ocupada. Ao invés de nela aplicarem capitais próprios novos, esses investidores podiam se habilitar a receber dinheiro que, sem os incentivos, teriam que ser recolhidos ao tesouro nacional na forma de imposto de renda. Esse fundo foi administrado por duas agências federais, primeiro a SPVEA (entre 1953 e 1966) e, em seguida, pela Sudam, que foi extinta em 2000 sob acusações de corrupção. Sua recriação foi prometida, mas até hoje não foi efetivada.

Amazonas – Maior estado em extensão do Brasil, com 1,5 milhão de km2 (20% do País). Como sua atividade econômica principal, surgida em função da Zona Franca, se concentra em Manaus (sede de 95% do Produto Interno Bruto), atualmente a maior cidade da Amazônia. Por isso é o Estado proporcionalmente menos alterado da Amazônia. Pelo mesmo motivo, sua fraca densidade demográfica é motivo de preocupação para as autoridades que vêem a região pelo prisma geopolítico da segurança nacional. Inquietam-se com as extensas fronteiras sem a presença de brasileiros.

Amazonense – Quem nasce no Estado do Amazonas.

Amazônico – Quem nasce na região amazônica.

Amazônida – Aquele que tem consciência da especificidade regional e da condição colonial da Amazônia. Ou seja: é um cidadão consciente da sua posição no tempo e no espaço regional.

Mudanças Climáticas na AmazôniaMudanças Climáticas na Amazônia

Caso o avanço da fronteira agrícola e da indústria madeireira seja mantido nos níveis de dezembro de 2006, a cobertura florestal na Amazônia brasileira poderá diminuir dos atuais 5,3 milhões de km2 (85% da área original) para 3,2 milhões de km2 em 2050 (53% da cobertura original).

Ao mesmo tempo, segundo estudo do Ministério do Meio Ambiente sobre os efeitos da mudança climática na biodiversidade brasileira, o aquecimento global vai aumentar as temperaturas na região amazônica e pode deixar o clima mais seco, provocando a savanização da floresta. O aumento da temperatura pode chegar a até 8°C no cenário mais pessimista; os níveis dos rios podem ter quedas importantes e a secura do ar pode aumentar os incêndios florestais.

Além disso, a habilidade da Amazônia em regular a chuva e resistir à mudança climática pode entrar em colapso, se levada em conta a associação de fatores como o desmatamento da floresta e as crescentes taxas de emissão de gás carbônico na atmosfera (com o consequente aumento do efeito estufa e da temperatura do Planeta). A drástica alteração do regime de chuvas na Amazônia proporcionada por altas temperaturas e pelo desmatamento pode extinguir a floresta em poucos anos.

Mecanismos de Desenvolvimento Limpo contra o desmatamento na Amazônia

Além da imensa perda de biodiversidade e da ameaça a povos e culturas tradicionais, o desmatamento da Amazônia afeta o ciclo das águas e adiciona, segundo o Instituto de Pesquisa da Amazônia (Ipam), 200 milhões de toneladas de carbono à atmosfera, colocando o Brasil entre os dez maiores vilões do aquecimento global.

O investimento nos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) é apontado pelo pesquisador Carlos nobre (Inpe) como uma opção real para deter a destruição florestal na Amazônia. Se a taxa anual de desflorestamento na Amazônia for reduzida em 10%, equivaleria a deixar de desflorestar 1,5 a 2 mil km2 por ano em relação a valores de desmatamento registrados nos últimos anos. Isto equivaleria a uma redução anual das emissões de 20 a 30 milhões de toneladas de carbono. Por conta disso, o cientista sugere que o País lidere, no âmbito das discussões do Protocolo de Kyoto, um movimento para a inclusão do papel de desmatamento evitado como MDL a vigorar no segundo período de comprometimento de redução de emissões, após 2012. Sugere, ainda, que corredores ecológicos sejam áreas preferenciais para manutenção das florestas.

Arquipélago de AnavilhanasArquipélago de Anavilhanas

Situado nos municípios de novo Airão e Manaus, o Arquipélago de Anavilhanas é o segundo maior arquipélago fluvial do mundo e compõe uma das paisagens mais famosas de toda a Amazônia brasileira. São cerca de 400 ilhas, em geral muito compridas e nas, formando cordões de vegetação que recortam o leito principal do Rio negro, compondo um labirinto de canais e lagoas.

A formação das ilhas se dá em decorrência do encontro das águas barrentas do Rio Branco com as águas ácidas do Rio negro. A força do encontro das águas faz com que um rio represe ligeiramente o outro, desacelerando a velocidade de ambos neste ponto. A diminuição da correnteza e a acidez das águas do Rio negro fazem com que os sedimentos carregados pelo Rio Branco se precipitem e se depositem, aos poucos, no fundo do leito do rio, formando as ilhas.

A vegetação que se formou nas ilhas ao longo dos anos é frágil e composta por árvores adaptadas à condição de constante alagamento - cerca de 10 meses por ano em algumas áreas. Este tipo de vegetação é chamado de igapó e, embora apresente uma diversidade menor que as florestas de terra firme (não alagadas), possui espécies

vegetais exclusivas que servem de abrigo e alimentação para muitas espécies de peixes, aves, mamíferos e outros animais. A condição de alagamento possibilita a navegação dentro do igapó, onde é possível observar a beleza das árvores refletida no calmo espelho d’água que se forma sob o abrigo da floresta.

Em 1981, uma área de cerca de 350 mil hectares, que compreende toda a extensão do Arquipélago de Anavilhanas, foi elevada à categoria de Estação Ecológica (ESEC) e passou a ter sua administração regulada pela extinta Secretaria Especial do Meio Ambiente - Sema (que, a partir de 1989, passou a compor o Ibama). As ESECs são Unidades de Conservação (UCs) de proteção integral com restrições severas de utilização, destinadas apenas às atividades de pesquisa científica e visitação pública com ns educativos. no entanto, desde sua criação, a ESEC de Anavilhanas vem sofrendo com atividades irregulares que ocorrem em seus limites. Entre elas estão a extração ilegal de areia, a caça e a pesca, mas, seguramente, a exploração madeireira e o turismo desordenado são as principais ameaças à Estação. Embora a lei restrinja a atividade turística nas ESECs, Anavilhanas está nos principais roteiros turísticos na região. Turistas mal orientados acabam acampando nas praias do Arquipélago, pescando e deixando todo o lixo gerado na Estação.

já a exploração madeireira é facilitada pelo acesso das embarcações às florestas alagadas, onde as toras são cortadas e transportadas pelo próprio rio. Uma das madeiras mais procuradas é a da Virola, uma árvore alta, que pode ser facilmente serrada e cuja madeira tem um uso descartável como tábuas de Azimbre para a construção civil em Manaus. Existem ilhas em Anavilhanas que se encontram severamente depauperadas pela exploração de madeira e a fiscalização destas áreas, além de difícil - dada a complexidade do arranjo de ilhas, canais e lagoas - demanda um contingente de fiscais que o Ibama não dispõe.

Amazônia Antropizada

Por volta do século XVI, a região amazônica do Alto Xingu abrigava aldeias com até 500 mil m2 e habitadas por até 5 mil pessoas. Tais núcleos se organizavam de forma circular em torno de grandes praças, interligadas por estradas que chegavam a 5 km de extensão e 50 m de largura. Esses complexos incluíam outras estruturas artificiais, como represas, pontes, fossos, aterros e lagos. Algumas aldeias eram fortificadas, com paliçadas e valas de até 5 m de profundidade e 2,5 km de extensão, cuja função, supõe-se, era a defesa contra os ataques de outros povos indígenas.

O ápice dessa estrutura regional no Alto Xingu, que era multiétnica e metalinguística, se deu por volta da época do ‘descobrimento’ do Brasil. O início da decadência, marcada por acentuada queda demográfica, ocorreu entre 1600 e 1700, em função dos primeiros contatos – ainda que indiretos – com doenças trazidas pelos colonizadores.

Outras grandes formações sócio-culturais amazônicas, porém, desapareceram antes da invasão europeia. na Amazônia Central, na região da confluência entre os rios negro e Solimões, os estudos arqueológicos recentes vêm mapeando antigos sítios de ocupação de dimensões ainda maiores que os do Alto Xingu. O sítio Açutuba, próximo à cidade de Manaus, se estende por uma faixa de 3 mil metros de extensão por quase 300 de largura (900 mil m2), o equivalente a 90 quarteirões de uma cidade. Estes grandes sítios costumam estar implantados em áreas de “terra preta”, solo fértil resultante da acumulação de detritos criados pela atividade humana. A espessura das camadas de terra preta (às vezes de quase dois metros), bem como a quantidade e natureza dos vestígios arqueológicos ali encontrados, sugerem ocupações muito prolongadas (até 300 anos seguidos), por parte de sociedades populosas e sócio-politicamente diferenciadas. Tais formações perduraram às vezes por séculos, sendo sucedidas por outras, de povos invasores ou migrantes,

portadores de diferentes tradições culturais. A cultura Açutuba ocupou a região próxima a Manaus por quase dez séculos, até 1600 anos atrás. A ela se seguiu a cultura Manacapuru, que perdurou por cerca de meio milênio na mesma região. Enquanto isso, uma cultura proveniente da Amazônia Oriental subia a calha do Solimões, varrendo ou absorvendo o que estivesse no caminho: a tradição chamada Guarita, fabricante de uma cerâmica semelhante à famosa cerâmica marajoara, que conheceu seu apogeu na Amazônia Central por volta de mil anos atrás.

Esse é, em linhas gerais, o cenário mostrado nos estudos que vêm sendo realizados no Alto Xingu e na Amazônia Central por arqueólogos como Eduardo neves, do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, e Michael Heckenberger, da Universidade da Florida- Gainesville. O trabalho destes e outros pesquisadores con rmam e precisam as hipóteses que alguns especialistas haviam formulado já há algum tempo sobre a ecologia histórica e a sionomia sócio-política da Amazônia pré-colombiana.

A partir dessas evidências, torna-se cada vez mais difícil defender a ideia, ainda corrente na opinião pública, de uma Amazônia intocada, coberta de matas virgens, habitada apenas por pequenas tribos esparsas por volta de 1500.

A pesquisa sobre o Alto Xingu, conduzida por Heckenberger em colaboração com antropólogos da UFRJ e com membros do povo Kuikuru, traz outros dados surpreendentes, como o fato de que, nas antigas áreas de assentamento ocupadas por esses povos, a oresta que ali cresceu, mesmo depois de mais de 4 séculos desde o abandono dessas terras, ainda não atingiu seu clímax. Em estudo publicado em 2005, esses pesquisadores sustentam que, além da pesca – abundante na região, onde estão as cabeceiras do Rio Xingu (ver Parque Indígena do Xingu, pág. 278) –, o cultivo da mandioca era feito em larga escala, de modo a sustentar milhares de pessoas, o que teria imposto uma “dramática alteração humana da cobertura vegetal”.

A situação do Xingu talvez não tenha sido excepcional, como mostram os estudos na região de Manaus. A Amazônia é uma região ocupada milenarmente por povos indígenas e, secularmente, por segmentos da população nacional de origem europeia e africana, que se acostumaram aos ritmos e exigências da floresta. Antes da enorme catástrofe (a invasão européia) que dizimou seus ocupantes originários, esta era uma região densamente povoada por sociedades que modificaram o ambiente tropical sem destruir suas grandes regulações ecológicas. A ‘mata virgem’ tem muito de fantasia: como hoje se começa a descobrir, boa parte da cobertura vegetal amazônica é o resultado de milênios de intervenção humana; a maioria das plantas úteis da região proliferara diferencialmente em função das técnicas indígenas de aproveitamento do território; porções importantes do solo amazônico (no mínimo 12% da superfície total) são antropogênicas, indicando uma ocupação intensa e antiga. Em síntese, a floresta que

os europeus encontraram ao invadirem o continente é o resultado da presença de seres humanos, não de sua ausência. naturalmente, não é qualquer forma de presença humana que é capaz de produzir uma floresta como aquela. É importante observar que as populações indígenas estavam articuladas ao ambiente amazônico de maneira muito diferente do complexo agroindustrial do capitalismo tardio. Em outras palavras, para a floresta amazônica, muito Kuikuru não é a mesma coisa que muito gaúcho.

Presentes

Os cem ou mais séculos de presença indígena na Amazônia nos deram presentes como a castanheira, a pupunha, o cacau, o babaçu, a mandioca, a borracha, dezenas de espécies de madeira de lei, águas limpas e abundantes, uma fauna rica e uma variedade de outros componentes da economia tropical. não vai ser incendiando milhões de hectares de floresta para plantar soja ou fazer pasto, roubando milhares de toneladas cúbicas de madeira nas barbas dos agentes fiscalizadores, ou poluindo rios inteiros com o mercúrio dos garimpos que se vai “desenvolver” a Amazônia.

nesse momento em que as mega plantações de soja se aproximam de Santarém (PA) ou transformam o Parque Indígena do Xingu em uma ilha verde cercada por um oceano de palha encharcada de agrotóxicos, parece que está na hora de dar uma paradinha para pensar. De fato, as pesquisas têm mostrado que a ‘ floresta virgem’ da Amazônia nada tem de virgem, pois os índios vêm sabendo estabelecer com ela uma relação mutuamente fecunda há milênios.

Curiosidades sobre o Bioma Amazônia

Maior peixe do mundo, o pirarucu é encontrado no Amazonas e atinge até 2,5 metros de comprimento e 250 quilos.
Maior flor do mundo, a vitória-régia também é da Amazônia e chega a medir 2 metros de diâmetro.

As florestas inundadas ocupam cerca de 8% do bioma amazônico, tendo como principal característica a flutuação cíclica dos rios, que podem atingir até 14 metros, entre as estações seca e enchente, resultando em inundações periódicas de grandes áreas ao longo de suas margens.

Metade das escolas públicas da Amazônia Legal não tem energia elétrica. A informação é do Inpe, que avaliou a situação por município a partir das informações colhidas no Censo Escolar de 2002. no Acre, 62% das escolas não têm luz elétrica. no Pará são 57,1%. O estado em melhor condição é o Amapá onde apenas 25,8% das escolas do ensino básico estão no escuro.

A segunda zona produtora de petróleo do Brasil, em terra, é a da bacia de Coari-Urucum, no Amazonas.
A maior fábrica de alumínio do continente é a Albrás, formada pela Companhia Vale do Rio Doce e um consórcio japonês, a 40 quilômetros de Belém, no Pará, em atividade desde 1985, e que, sozinha, é responsável por 1,5% de todo consumo de energia do Brasil.

Apesar de ter um quinto da água superficial do mundo, a Bacia Amazônica tem a população pior servida em matéria de abastecimento de água e esgoto em todo País.

As isenções concedidas pela Zona Franca de Manaus representam um terço de tudo que o governo federal deixa de arrecadar de impostos com o objetivo de promover o desenvolvimento regional e três vezes mais do que o saldo das exportações das outras regiões da Amazônia.