IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DA CORRELAÇÃO DE ESPÉCIES FLORESTAIS E AS CONDIÇÕES DE SOLO EM FLORESTA NATURAL NO ESTADO DE RONDÔNIA


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Importância do estudo da correlação de espécies florestais versus condições de solo em floresta natural para o estado de Rondônia


A maioria dos solos da Amazônia correspondem a terras baixas, sendo altamente intemperizados, lixiviados, e pobres em nutrientes minerais, conservando seu balanço positivo de nutrientes essencialmente pela entrada permanente da liteira, que é regulada por uma intensa bio-dinâmica de organismos no solo, onde também as raízes finas fazem sua importante contribuição (Schubart et al., 1984).

O estado de Rondônia é constituído na sua maioria (58%) por Latossolos, os quais apresentam-se no Estado bem intemperizados, profundos ou muito profundos, bem drenados, pouca diferenciação de cor e textura em seus horizontes superficiais e subsuperficiais, fertilidade natural baixa e na sua maioria ácidos. Apesar do conhecimento deste aspecto, os solos do Estado estão sob degradação antrópica desde o processo ocupacional. Segundo Pequeno et al. (2002 b), o incremento de área desmatada em Rondônia no período de 1988 a 1999 é de 2.683.675 há, aliado a esse fator, Pequeno (2002) mostra que o processo de queimadas no Estado, quando comparados os meses de junho, julho e agosto de 2001 com o mesmo período em 2002, um aumento no número de queimadas em junho e julho. Estes fatos vêm corroborar para a degradação do meio ambiente e da qualidade de vida.

Práticas degradatórias são feitas sem conhecimento da classe de solo, da forma de uso e manejo corretos, e principalmente pela prática do empirismo. O plantio de espécies florestais na sua maioria é baseado em conhecimentos práticos de alguns silvicultores e produtores, porém não há uma resposta científica quanto ao porque do desenvolvimento desuniforme de uma dada espécie em uma mesma área com classe de solo igual, ou em localidades diferentes para igual ou diferente classe de solos.

Na avaliação de sítios florestais é importante ter em mente que o desenvolvimento das árvores reflete influências combinadas de vários fatores abióticos e ambientais. Dentro de zonas climáticas e fisiográficas uniformes, podem ser separadas diferenças em produtividade baseada em variáveis de solo. Diversas propriedades do solo são freqüentemente relacionadas com produtividade em um sítio (umidade do solo, nutrientes e aeração) (Pritchett & Fisher, 1987).

Segundo Salomão (2002), o estudo integrado das características físico-hídricas do solo, do substrato rochoso, relevo e cobertura vegetal, define unidades de paisagem, entendidas como sendo porções do território onde coexistem determinadas unidades geomorfológicas e de solos permitindo a caracterização dos processos morfogenéticos e pedogenéticos. A amplitude ecológica é unidade da paisagem que expressa a qualidade do solo, lençol freático, clima, relevo e vegetação. A importância do relevo é revelada especialmente na relação que existe entre a vegetação, a água, o solo e o microclima e por isto as comunidades podem mudar abruptamente em curtas distancias. Esta complexidade é usualmente representada nos mapas de vegetação e definida com os tipos de comunidades. A relação solo planta na visão ecológica pode explicar os padrões de distribuição que geram informações para identificação das potencialidades e restrições ao uso do solo urbano e rural e para a mitigação de impactos ambientais, como por exemplo, a problemática da contaminação das águas subterrâneas e a deflagração de processos erosivos.

Para Cunha (2002), a distribuição das comunidades de plantas na paisagem não ocorre acidentalmente, cada fitocenose tem seu lugar determinado pelo padrão de distribuição. O especial interesse em comunidades deve-se ao fato de que elas são os componentes da vegetação. O estudo da comunidade (seu inventário, localização, distribuição geográfica, relação com o ambiente, mudanças) serve de base científica para o planejamento da paisagem, visando uso e conservação.

Tarrá (2002) estudando as relações entre a Biomassa da Macrofauna e Propriedades Físico-Hídricas do Solo em Sistemas Agroflorestais da Amazônia Central conclui que o latossolo onde se encontram implantados os sistemas agroflorestais, a macrofauna do solo parece afetar a macro-porosidade superficial (0-5 cm) quando esta apresenta maior abundancia no solo. Sua influencia também parece atingir a umidade do solo na camada de 10 a 20 cm, aumentada em conseqüência da macro-porosidade superficial. Porém, influencia um cone de infiltração da água mais profundo no perfil do solo. O referido autor ainda conclui que o ciclo hidrológico flui mais eficientemente em torno das árvores de I. edulis e B. gasipaes. Também o tipo de espécie afeta a estrutura física do solo, caso de Berthollettia excelsa, que neste trabalho apresentou uma tendência a aumentar a porcentagem dos macro-poros e diminuir a densidade aparente do solo, especialmente na camada mais profunda (10-20 cm).

A condição de desenvolvimento de cada espécie florestal está ligada intrínsicamente a fatores genéticos comuns a cada uma, como também a fatores ambientais, tais como clima, solo e microrganismos. A relação solo x planta apresenta uma certa complexidade em virtude das interações ocorrentes entre microrganismos do solo, forma de ocorrência, quantidade de matéria orgânica, teor de umidade do solo, profundidade, pH, temperatura, aeração. Segundo Pequeno et al. (2002 a), em geral a população dos seres vivos dentro do solo não chega a 1% do volume total, entretanto, é essencial para a fertilidade e produção agrícola. O solo abriga uma população vegetal e animal variável em quantidade e qualidade indo desde os roedores e minhocas até seres microscópicos como bactérias, participando as raízes das plantas, deste mundo vivo do solo.
Tratando-se da influência do solo na ocorrência de espécies florestais, Silva Junior (1997) estudando comunidades de árvores e sua relação com os solos na mata do Pitoco Reserva Ecológica do IBGE, Brasília-DF, concluiu que as diferenças nas propriedades dos solos ao longo do gradiente topográfico foram responsáveis por grande parte das variações na distribuição espacial das espécies arbóreas.

Dinâmica da Liteira Fina Sob Diferentes coberturas Florestais na Amazonia Central.
A maioria das florestas tropicais úmidas cresce sobre solos antigos, fortemente intemperizados e, portanto, muito pobres em nutrientes. A liteira é a principal fonte de matéria orgânica nos ecossistemas tropicais, propiciando fornecimento de nutrientes, retenção de cátions, complexação de elementos tóxicos e manutenção da estabilidade da estrutura do solo. O presente trabalho procura quantificar a camada de liteira sobre o solo e avaliar a produção de liteira em diferentes coberturas florestais. A camada de liteira foi quantificada nos meses de agosto (inicio da estação seca), novembro (início da transição) e fevereiro (estação chuvosa), usando amostras compostas, com um quadro de madeira de 20 cm x 20 cm; a produção de liteira pela vegetação foi medida com coletores de PVC de 0,50 x 0,50 m, com fundo de tela de náilon, em diferentes tipos de coberturas florestais (capoeira, floresta e SAFs). Os estudos foram realizados na EMBRAPA/CPAA, no km 54 da BR-174 e na Reserva Biológica do Cuieiras, do INPA, na estrada vicinal ZF-2. Os estoques de liteira sobre o solo, nos meses de agosto, novembro e fevereiro, foram significativamente maiores na capoeira (ANOVA, F=12,5; p<0>0,05). A produção de liteira foi maior na floresta (ANOVA, F= 17,5; p<0>
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