AGENDA 21: HISTÓRIA DA AGENDA 21

AGENDA 21: HISTÓRIA DA AGENDA 21
Há 500 anos atrás, a paisagem dominante na costa brasileira era a densa Mata Atlântica. Entretanto, a floresta não era intocada quando chegaram os europeus, estima-se que em 1500 havia cerca de dois a quatro milhões de índios no Brasil. Os primeiros contatos foram de estranheza e de certa admiração e respeito. Foi praticada troca de sinais, presentes e informações. Quando os portugueses começam a explorar o pau-brasil das matas, começam a escravizar muitos indígenas ou a utilizar o escambo*. Davam espelhos, apitos, colares e chocalhos para os indígenas em troca de seu trabalho. Interessados nas terras, os portugueses usaram a violência contra os índios. Para tomar as terras, chegavam a matar os nativos ou até mesmo transmitir doenças a eles para acabarem com as tribos e tomar as terras. Esse comportamento violento seguiu-se por séculos, que é o motivo do pequeno número de índios que temos hoje. A visão que o europeu tinha a respeito dos índios era eurocêntrica. Os portugueses achavam-se superiores aos indígenas e, portanto, deveriam dominá-los e colocá-los ao seu serviço. A cultura indígena era considera pelo europeu como sendo inferior e grosseira. Dentro desta visão, acreditavam que sua função era convertê-los ao cristianismo e fazer os índios seguirem a cultura européia.

O processo de colonização levou à extinção muitas sociedades indígenas que viviam no território dominado, seja pela ação das armas, seja em decorrência do contágio por doenças trazidas dos países distantes, ou, ainda, pela aplicação de políticas visando à "assimilação" dos índios à nova sociedade implantada, com forte influência européia.

Dia 19 de Abril, Dia do Índio
O homem branco gosta de datas, todos os dias são dias de alguém ou de algo importante na vida civilizada. O fato é que todos os dias têm "dono". Como dia 19 de Abril, é dia de São Leão IX, e mais importante é Dia do Índio. Idealizado pelo homem branco, o Dia do Índio é mais uma data para reflexão. No passado o índio era um problema a parte das grandes questões nacionais. A preucupação dos exploradores europeis era a mesma das igrejas, todos tinham preconceito ao índio e todos trabalhavam para domina-lo, e transforma-lo em seres civilizados, igual a eles mesmos. O índio foi forçado a desistir de sua própria cultura, língua e costumes, e adotar modos civilizados. Até mesmo decorar a Bíblia. Ao passar de anos, passado o tempo da conquista, veio o tempo do abandono e depois da preservação, que foi quando o importante era garantir aos índigenas a num espaço especial, como um grande aquario, e deixá-los vivendo da caça e da pesca.Para serem estudados pelo homem brancos. Aos poucos foram perdendo dua liberdade na floresta. Cada vez mais e mais. Hoje não passam de uns 300 mil índios no Brasil. Vivendo em parques demarcados, em reservas, próximo a fazendas de cacau, de café ou de gado.

Hoje, no Brasil, vivem cerca de 460 mil índios, distribuídos entre 225 sociedades indígenas, que perfazem cerca de 0,25% da população brasileira. Cabe esclarecer que este dado populacional considera tão-somente aqueles indígenas que vivem em aldeias, havendo estimativas de que, além destes, há entre 100 e 190 mil vivendo fora das terras indígenas, inclusive em áreas urbanas. Há também 63 referências de índios ainda não-contatados, além de existirem grupos que estão requerendo o reconhecimento de sua condição indígena junto ao órgão federal indigenista

Foi assim, que aos poucos, os índios foram perdendo sua cultura e também sua identidade.

*escambo: A palavra escambo significa a troca de mercadorias por trabalho. Ela é muito utilizada no contexto da exploração do pau-brasil. Os portugueses davam bugigangas (apitos, espelhos, chocalhos) para os indígenas e, em troca de trabalho, os nativos deveriam cortar as árvores de pau-brasil e carregar os troncos até as caravelas portuguesas.
Wiaimiri Atroari
Os Waimiri são do tronco lingüístico Karib, e seu território de ocupação se localizam nas atuais Regiões Sul do Estado de Roraima e Norte do Amazonas. Quando tratava de seus primeiros contatos com os brasileiros, eram mais conhecidos como Crichanás. Ainda no começo desses contatos, houve duas estimativas de sua população: uma que os dava como sendo seis mil pessoas, e a outra, em torno de duas mil. Os contatos iniciais ocorreram nas atuais cidades de Moura e Airão, de forma quase sempre belicosa, com o apoio de forças militares coloniais. Aldeias inteiras foram destruídas por expedições militares ou por matadores profissionais, porque sua população era tida exploração das riquezas naturais existentes nas terras que ocupavam. Só por volta de 1870 é que aconteceu o primeiro contato amigável, por João Barbosa Rodrigues. Barbosa Rodrigues percorreu diversas vilas próximas do território indígena com intenção de coletar registros e relatos sobre aquele povo. Ele os denominou Crichanás, justificando de essa era a etnia encontrada no período de suas expedições e que os "terríveis e traiçoeiros" indígenas que ali habitavam não mais existiam. Essa nova denominação era justificada pelo fato de que o pacificador queria construir uma nova imagem dos indígenas daquela região. Isso facilitaria a sua missão e, assim, poderia manter um contato mais amigável entre os índios e não índios, que na época travavam relações de extrema hostilidade.

Os Waimiri Atroari viam seu território ser invadido por exploradores de recursos naturais (peles de animais, castanha, balata, pau rosa, entre outros) e, contra esses invasores, armava-se de arco e flecha. A fama de valentia desse povo chegava até a capital da província do Amazonas e expedições militares eram organizadas para tentar retaliar toda a comunidade indígena. Nessa tentativa de afastar os invasores de seu território, muito mais perdas, segundo os relatos e documentos, sofreram os Waimiri Atroari que os não indígenas. A população indígena tornava-se um incômodo para os coletores das "drogas do sertão", que viam nas terras indígenas. Invasões em áreas ocupadas por indígenas eram incitadas e denúncias dessas invasões eram tidas como acusações falsas contra os coletores, feitas por pessoas que impediam o crescimento da economia estadual. Como aconteceu no final do século passado, quando os indígenas reagiram contra a invasão de seu espaço territorial matando não índios, Eram organizados ataques para se vingar das mortes e punir seu povo. Porem era sempre desproporcional para os índios. Eram combates desiguais a começar pelo armamento: de um lado arma de fogo de outro arco e flecha. De um lado 300 não indígenas contra um número bem menor de indígenas, de acordo com os relatos das baixas em ambas as partes. Era uma guerra injusta e desigual, um se defendia enquanto o outro atacava. Devido ao reduzido número de combatentes, a posição dos Waimiri Atroari era mais de defesa do território, da honra, da comunidade. Aldeias inteiras eram destruídas em ataques, mesmo assim os índios combatiam com extrema habilidade guerreira. Assim a reputação atribuída aos Waimiri Atroari de valentes, guerreiros, bravos.

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