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Superabundância Global e Capacidade Produtiva

Superabundância Global e Capacidade Produtiva

Superabundância Global e Capacidade Produtiva

Para se obter uma perspectiva da superabundância global, talvez seja útil concentrar-se em três proposições que são cruciais para a doutrina, uma delas relativa a oferta e as outras duas, a demanda. As proposições são as seguintes:

1. A capacidade de produção Global está crescendo a uma taxa excepcional, talvez sem precedentes.
2. Nos países avançados, a demanda não consegue acompanhar o crescimento da oferta potencial.
3. 0 crescimento das novas economias emergentes irá contribuir muito mais, em termos globais, para a oferta que para a demanda.

São essas proposições verdadeiras em relação ao presente, ou há possibilidade de serem verdadeiras no futuro?

As discussões econômicas de caráter popular tendem a se basear mais em impressões e relatos episódicos do que em estatísticas. Há algo a ser dito em favor dessa atitude, sobretudo em épocas de mudança acelerada: as estatísticas concebidas para acompanhar a economia da geração passada pode facilmente deixar passar aspectos cruciais do que esta ocorrendo no presente. Por outro lado, os relatos tendem a enfatizar o excitante e o diferente e a deixar escapar o que é contínuo. As coisas fundamentais permanecem iguais ao longo do tempo, mas é fácil esquecer-se disto se concentrar em demasia nas anedotas interessantes.

Há épocas em que o equilíbrio é evidente: no fundo de uma grave recessão, o mesmo após uma queda modesta como a de 1990-91, há um evidente predomínio de um excesso de oferta. Independentemente de sua exatidão, as estimativas oficiais da taxa global de crescimento da capacidade dos países avançados estão muito longe de ser impressionantes. Tanto a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico como o Fundo Monetário Internacional avaliam a taxa de crescimento do PIB potencial (o volume de produção de urna economia baseado nas taxas normais de utilização de sua capacidade instalada), nas economias avançadas corno um todo, em não mais que 2% ou 3% ao ano - aproximadamente o mesmo que nas duas décadas anteriores e bem abaixo das taxas de crescimento registradas nas décadas de 1950 e 1960. Porém, serão confiáveis essas estimativas? Os entusiastas da tecnologia são os primeiros a apontar os avanços qualitativos desconsiderados pelas estimativas normais do PIB efetivo, como os ganhos em conveniência proporcionados pelas máquinas de automação bancária. Por outro lado, pode-se argumentar que tais melhoras qualitativas medidas de maneira precária foram igualmente importantes nas décadas passadas; ninguém sabe com certeza se hoje a margem de erro é maior do que antes.

Há um ponto, entretanto, sobre o qual não há a menor dúvida: a industrialização assombrosamente rápida de alguns países em desenvolvimento, sobretudo na Ásia, contribuiu para a aceleração do crescimento da capacidade mundial. Se se estabelecer uma média entre essas melancólicas estimativas oficiais de crescimento potencial e as impressionantes taxas de crescimento efetivo na Ásia, ver-se-á que a capacidade produtiva global nas economias de mercado do mundo está aumentando por volta de 4% ao ano. Isto é melhor do que o crescimento de cerca de 3% nas décadas de 1970 e 1980, mas ainda inferior ao registrado nas décadas de 1950 e 1960. Talvez as estimativas estejam mais equivocadas agora do que naquela época, mas o argumento em favor de um crescimento excepcionalmente elevado é, na melhor das hipóteses, bastante frágil, e não há argumentos que sustentem as alegações ainda mais precipitadas quanto a uma expansão sem precedentes. Por fim, oculta por trás da tese da superabundância global talvez haja uma velha falácia sobre a relação entre consumo e investimento. Uma das coisas que as economias capitalistas fazem e acumular capital. Nem toda a sua capacidade produtiva e empregada na produção de bens de consumo; parte dela e usada para produzir bens de capital que irão expandir, mais adiante, a capacidade produtiva como um todo. Mas nem toda a capacidade produtiva futura será usada para satisfazer os consumidores - parte dela será usada para expandir ainda mais a capacidade, e assim por diante. Ora, nada mais fácil, quando se coloca a questão dessa maneira, começar a ver todo esse processo como uma espécie de corrente ou pirâmide: certamente, é de se imaginar, em algum ponto esse negócio de construir máquinas que constróem máquinas deve chegar a um limite, com resultados desastrosos. Na verdade, como Karl Marx poderia ter dito, não há nada de implausível a respeito de um estoque de capital sempre crescente em uma economia sempre crescente. Funcionou assim nos últimos cinqüenta anos, e não se divisa no horizonte nenhum fim para esse processo.

A Demanda nos Países Avançados

Mesmo Se o crescimento na capacidade for mais modesto do que se imagina, essa capacidade continuará sub-aproveitada a menos que os consumidores garantam uma demanda suficiente. Os economistas tradicionais não veriam nenhum problema nisso. Afinal, se a capacidade crescente dos países avançados for usada de fato, o crescimento da renda será concomitante; e se a renda aumentar, por que isto não se daria também com a demanda de consumo?

No entanto, se se ater às entrelinhas, parece provável que os defensores da superabundância global, tal como os antigos adeptos da estagnação secular, têm como pressuposto a ideia de que, à medida que aumenta a renda, os consumidores se tornam saturados - tendo adquirido todas as coisas que necessitam, eles hesitam em ampliar os gastos mesmo se houver um aumento em seus rendimentos. Essa idéia parece se confirmar na experiência cotidiana: em geral, as famílias mais ricas de fato poupam uma parcela muito maior de sua renda que as mais pobres. Alguns dos adeptos da superabundância global levam ainda mais longe essa lógica, sugerindo que a demanda de consumo também e limitada, nos países avançados, ou pelo menos nos Estados Unidos, pela má distribuição de renda. As famílias mais pobres gastariam mais se pudessem, mas em vez disso os ganhos de renda vão para os ricos, que os acumulam em vez de gastá-los. Trata-se, evidentemente, de um relato convincente. Mas ela se choca com um fato incômodo na realidade, nos Estados Unidos, os gastos com consumo vêm há muito acompanhando o aumento dos rendimentos. Hoje, a renda per capita efetiva é aproximadamente o triplo do que era no final da década de 1940, que viu o apogeu da doutrina da estagnação secular. E essa renda e distribuída de maneira significativamente mais desigual. No entanto, a parcela dos rendimentos pessoais poupados pelos consumidores é hoje, na verdade, mais baixa do que naquela época. De uma maneira ou de outra, a maioria dos americanos, incluindo muitos daqueles nas faixas superiores de renda, encontraram maneiras de gastar sua renda sem ficar saturados. É inegave1 que pessoas com renda acima da média tendem a poupar mais que aquelas com rendimentos mais baixos. Mas há muito os economistas sabem que isto se deve sobretudo a uma espécie de ilusão de óptica estatística. Em qualquer ano, o conjunto das pessoas com renda elevada inclui um número desproporcional de indivíduos que estão ganhando mais do que normalmente e poupando para as épocas difíceis, ao passo que o conjunto das pessoas de baixa renda inclui um numero desproporcional de indivíduos que estão ganhando menos do que costumam e recorrendo a poupanças anteriores. Porém, quando aumenta a renda normal ou típica (ou, no jargão dos economistas, "permanente") das pessoas, o que ocorre sempre que a economia cresce, os gastos delas acompanham esse crescimento. Em suma, é difícil encontrar qualquer justificativa para a crença de que a demanda de consumo nos países avançados não irá acompanhar o aumento da capacidade.

Gado | Características das raças do Gado de corte e de Leite


Gado | Características das raças do Gado de corte e de Leite

Gado de corteGado de corte

As tradicionais raças de corte, originárias da Inglaterra, são adaptadas a zonas temperadas. A multiplicação das raças deveu-se principalmente ao desenvolvimento de gado de corte em regiões onde as raças inglesas não conseguiram prosperar. Fatores como adaptação ao meio e velocidade no ganho de peso são determinantes para a escolha da raça adequada. Modernamente, o novilho de corte é resultado de cruzamento de duas raças, uma vez que a hibridez favorece o aprimoramento das qualidades próprias do gado destinado ao abate. No Brasil são criados bovinos de corte de origem inglesa, francesa e indiana, além de algumas raças desenvolvidas no país, como a indubrasil e a canchim.


Gado leiteiroGado leiteiro

Os critérios de classificação do gado vacum sofreram modificações decorrentes dos avanços tecnológicos e das exigências do mercado. Na Comunidade Europeia, por exemplo, a carne passou a ser subproduto do leite, já que noventa por cento da carne ali produzida é extraída de raças leiteiras. Mesmo no Reino Unido, onde se selecionaram as primeiras raças de corte, como hereford e aberdeen-angus, a maior parte da carne provém do gado de raça holandesa.

Os novos hábitos alimentares em todo o mundo levaram os consumidores a preferir as carnes magras do gado leiteiro, antes consideradas de segunda. A carne gorda das raças de corte tende a ser progressivamente rejeitada pelo mercado, o que compromete o futuro dessas raças. Para o Brasil, no entanto, as raças mais adequadas são ainda as rústicas de corte, como a nelore, predominante no pantanal mato-grossense e em Marajó, onde não há condições para a cria de raças mais produtivas.

Gado de dupla Aptidão Gado de dupla Aptidão

IndubrasilExistem raças igualmente utilizadas para a produção leiteira e para corte, que são as mais convenientes para as condições climáticas e econômicas do Brasil. A algumas delas pertence grande parte dos rebanhos nacionais; outras, como a caracu, mocho nacional e friburguesa, tiveram desenvolvimento mais restrito.

Indubrasil

Resultado do cruzamento de raças indianas, com predomínio de guzerá e gir, a raça indubrasil foi desenvolvida por criadores do Triângulo Mineiro que pretendiam preservar as características do puro zebu. O indubrasil predominou, em sua região de origem, até a década de 1930, quando começaram a ressurgir as raças nelore, guzerá e gir. De boa precocidade, apresenta ganho de peso às vezes superior ao apresentado pelas raças nelore e guzerá. De pelagem uniforme branca, cinza-claro ou cinza-escuro, tem grande porte e pernas mais longas que outras raças zebuínas. As fêmeas apresentam boa conformação, com ancas afastadas, membros mais curtos e arqueamento das costelas.

Raça HolandesaRaça Holandesa

Originária da Frísia, nos Países Baixos, a raça holandesa é conhecida desde o princípio da era cristã. O padrão preferencial exibe três manchas pretas básicas: a primeira recobre a cabeça e o pescoço, a segunda se estende pelo dorso, lombo e costados, e a terceira, na região posterior da garupa, abrange parte das nádegas e da cauda. Apresenta uma estrela branca na testa, e as manchas pretas não ultrapassam a metade da cauda nem os joelhos. Existe uma variedade malhada de vermelho e outra, menos conhecida, denominada groninguense, preta de cabeça branca.
O gado holandês é considerado o de melhor produção leiteira do mundo. Em condições favoráveis, as fêmeas adultas pesam 550 a 700kg e os novilhos, aos dois anos, de 600 a 700kg. Preparados para corte, chegam a 450kg aos 12 ou 14 meses. As novilhas podem ser fecundadas aos 15 meses. Os melhores exemplares produzem até sessenta quilos de leite por dia.

No Brasil, o gado holandês adapta-se bem a regiões de clima temperado dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, especialmente para a criação intensiva, em que as reses permanecem em estábulo. Em zonas tropicais e subtropicais, ou frias e montanhosas, o cruzamento do gado holandês com raças mais rústicas, como a gir, produz raças mistas, com boa produção leiteira e muito mais resistentes.

Gado South Devon Gado South Devon

Uma das mais antigas raças inglesas, a south devon é boa produtora de carne e leite para a fabricação de manteiga. Apresenta pelagem vermelha, pele amarela e chifres de tamanho médio. Os novilhos podem atingir 800kg sem acumular gordura em excesso.

Gado Simmental Gado Simmental

De origem suíça, a raça simmental produz na Europa vacas adultas de 600 a 700kg e touros de 900 a 1.200kg; os novilhos chegam a 500kg dos 12 aos 14 meses. De pelagem malhada, apresenta manchas que variam do amarelo-claro ao vermelho, com cabeça branca. Nos machos, os pêlos da cabeça e do pescoço costumam ser longos e ondulados. É selecionada intensamente na Suíça, para carne e leite, e na Alemanha, onde sua média de produção leiteira apresentou expressivo aumento. Os produtos do cruzamento simmental-zebu são de ótima qualidade.

Gado Shorthorn Gado Shorthorn

Inglesa com influência do gado holandês, a raça shorthorn apresenta três possibilidades de pelagem: vermelha uniforme, branca ou creme e a rosilha, que é uma combinação de pêlos vermelhos e brancos. Foi a primeira raça formada intencionalmente, por meio de estreita consangüinidade, que determinou, em algumas linhagens, redução da fertilidade. Embora não apresente a mesma rusticidade da hereford, serviu de base para a formação de uma nova raça adaptada aos trópicos, a santa gertrudis. As vacas chegam aos 800kg, enquanto os machos podem ultrapassar uma tonelada.

Gado Schwyz Gado Schwyz

A mais antiga raça selecionada pelo homem é a schwyz ou suíça, proveniente das regiões montanhosas da Suíça. Apresenta pelagem cinza-claro ou escuro. Em produção de leite, coloca-se logo após a raça holandesa e, cruzada com gado zebu, produz excelentes novilhos de corte. Juntamente com a jersey, é das raças européias mais resistentes ao clima tropical, embora muito suscetível à aftosa.

Gado Red Sindhi Gado Red Sindhi

O gado vermelho sindhi é muito apreciado na Índia como produtor de leite, mas no Paquistão sua seleção está mais aprimorada. É um gado manso, rústico e de pequeno porte. Seus poucos representantes no Brasil fazem parte do plantel paulista de Ribeirão Preto.

Gado Red Polled Gado Red Polled

Resultante do cruzamento das raças inglesas norfolk e suffolk, a red polled é mocha e tem pelagem vermelha. Sendo sua carne excelente, as fêmeas destinadas ao abate alcançam melhor cotação que as das raças especializadas para leite.

Gado Nelore Gado Nelore

A nelore é a raça de zebus mais freqüente no Brasil central. De grande porte, rústicos e bons reprodutores, dotados de excepcional longevidade, os nelore partiram dos núcleos iniciais em Uberaba MG, no Rio de Janeiro e na Bahia e se disseminaram pelos estados do Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e pela Amazônia. Em confronto com outras raças indianas criadas no Brasil, os bezerros nelore exigem menos cuidados em criações extensivas e a raça apresenta os melhores resultados em melhoramento e expansão. De cor branca, acinzentada, prateada ou com manchas, os machos nelore são em geral mais escuros nas espáduas, no pescoço e nos quartos traseiros. Os chifres são achatados, implantados como estacas simétricas para trás e para fora. As orelhas, curtas, terminam em ponta-de-lança. Como as demais raças indianas, possui giba desenvolvida. No Brasil, encontrou boas condições para melhorar a produção de carne, com maior velocidade de crescimento, melhores pesos em idades precoces e melhor cobertura de músculos nos cortes mais valorizados.

Gado Normando

Gado Normando
Oriunda da Normandia, a raça normanda tem pelagem que varia do vermelho-claro ao escuro, com manchas claras características. Já foi criada em Minas Gerais, mas a falta de uma associação de defesa e difusão da raça prejudicou seu desenvolvimento. Há plantéis no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Gado Mocha Tabapuã Gado Mocha Tabapuã

O touro tabapuã foi o ponto de partida da linhagem desenvolvida no município paulista de mesmo nome. Tão logo se constatou sua produção uniforme, isto é, filhos mochos e de excelente conformação, o touro passou a ser utilizado intensamente como reprodutor. Consta que descendia de pais mestiços de guzerá e nelore, com predomínio da primeira raça. Os novilhos mostraram bom rendimento de carne limpa e as fêmeas são leiteiras razoáveis.

Gado Gersey Gado Gersey

Proveniente da ilha de Jersey, no canal da Mancha, a menor das raças leiteiras é, pelo seu porte reduzido, deficiente para a produção de carne. Seu leite é o mais gordo entre as raças européias. De pelagem amarela uniforme, é rústica e se reproduz precocemente. Intensamente explorado na Nova Zelândia, grande produtora de laticínios, o gado jersey, no Brasil, tem seus maiores núcleos em São Paulo e no Rio Grande do Sul.

Gado Hereford Gado Hereford

Originária do condado de Hereford, a raça inglesa que leva esse nome expandiu-se nos Estados Unidos, Argentina, Uruguai, Brasil e Austrália. Sua pelagem vermelha é matizada de branco, que recobre a cabeça e pode estender-se, na parte anterior, pela barbela, peito e ventre. São brancas também as extremidades e o tufo de pêlos da cauda. Rústicos, bons reprodutores e velozes no ganho de peso, os animais dessa raça têm carne macia e gordura distribuída de modo uniforme. Há uma variedade mocha, conhecida como polled hereford.

Gado Guzerá Gado Guzerá

Embora selecionado em alguns rebanhos nacionais para a produção de leite, o animal guzerá apresenta características inequívocas de bom produtor de carne: tronco profundo, costelas arqueadas, ancas afastadas, equilíbrio entre quartos dianteiros e traseiros e dorso longo. De pelagem uniforme cinza-claro ou cinza-escuro, com manchas quase negras, o guzerá apresenta chifres em forma de lira alta e orelhas largas e pendentes como folhas de fumo. Tem postura imponente e temperamento dócil.

Gado Guernsey Gado Guernsey


De pelagem amarela malhada e porte superior ao da jersey, a raça guernsey, originária da ilha de mesmo nome, na Mancha, é excelente produtora de leite gordo. Cria-se no Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Argentina e Brasil

Gado Gir Gado Gir

Desenvolvida inicialmente para a produção de carne, a raça gir conquistou, em porte e em peso, desempenho melhor que o obtido na Índia, onde é considerada leiteira. Distingue-se de outras raças indianas criadas no Brasil pela pelagem, cuja coloração varia do branco ao vermelho, sempre com uma mancha em alguma parte do corpo, e pela implantação típica dos chifres, que se desenvolvem em espiral. A raça apresenta características extraordinárias para animais de corte. Os maiores plantéis brasileiros localizam-se na região do Triângulo Mineiro e em Mococa, Casa Branca e Jacareí, no estado de São Paulo. Nessas localidades, foi submetida a intenso trabalho de seleção, que a transformaram numa raça de grandes possibilidades leiteiras e também de corte.

Gado santa Gertrudes Gado santa Gertrudes

Desenvolvida no Texas, Estados Unidos, a raça santa gertrudis apresenta animais rústicos e de bom rendimento. Depois de vários cruzamentos de animais shorthorn com mestiços de zebu, chegou-se ao monckey, considerado o marco inicial da nova raça. O gado santa gertrudis caracteriza-se pela cor vermelha, giba inferior à do zebu puro e umbigo longo. É precoce, ganha peso rapidamente e adapta-se bem às condições climáticas de São Paulo e do Rio Grande do Sul.

Gado Pitangueiras Gado Pitangueiras

O gado pitangueiras foi desenvolvido pela Companhia Frigorífica Anglo do Brasil, e nele entram 3/8 de sangue guzerá e 5/8 de red polled. As reses são vermelhas, mochas e boas produtoras de leite. Os machos atingem a idade de abate com bom peso.

Gado Charolês Gado Charolês

Melhor raça de corte da França, o gado charolês apresenta bons resultados no cruzamento com gado leiteiro e também com zebuínos, para obtenção de novilhos de corte em regiões subtropicais. De cor branca ou branco-creme uniforme, tem couro macio e pêlos finos e longos, que tendem a ondular-se. Sua carne, embora não seja tão macia quanto a das raças inglesas, é menos gordurosa que aquelas. No Brasil serviu de base para a formação do gado canchim.

Gado Devon Gado Devon

Originária dos condados ingleses de Devon e Sommerset, a raça devon apresenta pelagem uniforme, vermelho-acaju. Sua carne é considerada das melhores e o rendimento de suas carcaças, elevado. Rústica e dócil, supera em certas regiões os animais das raças hereford e shorthorn, mas, como estas, não suporta as condições dos trópicos.

Gado ChianinaGado Chianina

De pelagem branca sobre pele preta, o boi da raça chianina assemelha-se ao nelore. Com cabeça pequena em relação ao tronco, tem chifres curtos, mucosas escuras e poderosa ossatura. Apresenta características de animal de tração e acentuado dimorfismo sexual: as fêmeas têm tórax mais profundo, ancas mais afastadas e membros mais curtos. É notável a resistência dessa raça ao calor. Em São Paulo e Minas Gerais foram realizados cruzamentos entre as raças chianina e nelore, com resultados promissores.
Gado Canchim

Gado Canchim

Formado numa fazenda de criação de São Carlos SP, o gado canchim resultou do cruzamento de zebu com a raça charolesa. De pelagem branco-creme, forte ossatura e poderosa massa muscular, o canchim mostrou-se rústico, bom ganhador de peso e adaptado ao clima paulista.

Gado BrahmanGado Brahman

Obtidos por criadores do sul dos Estados Unidos que buscavam um gado resistente às doenças, às secas e às temperaturas elevadas, capaz de longas caminhadas em busca de água e alimento, os animais brahman mostraram-se aptos a ingerir forragens com alto conteúdo fibroso e baixo teor protéico. Fruto do cruzamento da várias raças indianas com predomínio da guzerá, da qual herdou a cor cinza com manchas escuras do pêlo, a brahman mostrou-se indicada para exploração direta e para cruzamento com raças britânicas.

Gado Aberdeen-angusGado Aberdeen-angus

Os animais da raça aberdeen-angus possuem pelagem preta, membros muito curtos e não têm chifres. São precoces e produzem excelente carne. Originários da Inglaterra, adaptaram-se bem nos Estados Unidos, na Argentina e no Uruguai. Não toleram os climas tropicais e são criados, no Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul.

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Cadeia Produtiva do Leite e Mercado Mundial de Bovinos de Corte

Cadeia Produtiva do Leite e Mercado Mundial de Bovinos de Corte

Cadeia Produtiva do Leite e Mercado Mundial de Bovinos de Corte

Cadeia Produtiva do Leite

Gerenciamento da produção e qualidade do leite. Os aumentos de produção e de produtividade bovinas pelo incremento da eficiência nos processos de melhoramento genético e dos controles sanitário, reprodutivo e nutricional dos animais tornam-se possíveis e facilitados pelo uso de tecnologias de informação que viabilizem maior rapidez na geração, envio e/ou tratamento dos dados zootécnicos. A transparência e rapidez do fluxo de informação contribuem para maior eficiência de todos os segmentos componentes das cadeias de produção animal, podendo resultar não só na melhoria do gerenciamento, mas também na maior segurança de qualidade do alimento.

No caso da cadeia produtiva do leite no Brasil, apesar dos avanços observados durante a década de 90, aspectos associados à melhoria da qualidade do produto ainda representam desafios a serem superados. A indústria leiteira nacional caracteriza-se por rebanhos que diferem em tamanho, condições de manejo, condições climáticas regionais, estrutura comercial e atitude gerencial. A busca pela qualidade tem mudado o nível de tecnologia nas unidades de produção, promovendo o uso de ordenhadeira mecânica e tanques de resfriamento. A indústria mudou o perfil da coleta de leite, adotando a granelização, e, ainda que de uma forma tímida, tem estimulado a adoção do pagamento pela qualidade, com critérios baseados na qualidade (resfriamento, análise bacteriana e dos componentes) e volume da produção.

A matéria-prima ou produto comercializado origina-se da mistura (ainda na fazenda) da produção de vários animais, o que significa realizar o monitoramento do rebanho, para se garantir que o leite é seguramente produzido desde a ordenha. Isto implica o estabelecimento de um programa de qualidade a nível dos rebanhos, envolvendo a garantia de que os animais recebem alimentos adequados e seguros, a prevenção no uso de aditivos e agentes potencialmente contaminantes para o leite, e a certeza de que todas as vacas estejam saudáveis. Deve-se ainda orientar o manuseio do leite desde a ordenha até o seu processamento final de forma que os seus parâmetros de qualidade permaneçam inalterados. Neste contexto, a implementação do sistema APPCC em propriedades leiteiras e na indústria de laticínios significaria um avanço na garantia de qualidade dos produtos lácteos, mas a introdução desta ferramenta de gestão em fazendas leiteiras ainda enfrenta dificuldades, no curto prazo, quanto à organização das informações e monitoramento do processo.

A melhoria da qualidade do leite cru tem sido um tema da maior relevância, refletindo a mudança de paradigma que experimenta o agronegócio do leite no Brasil. As perspectivas de avanço tecnológico são permeadas pelo envolvimento de todos os setores da cadeia, de forma colaborativa e associativa, com legítimas representações técnica, política e institucional. A própria indústria de laticínios tem manifestado interesse nas medidas de avaliação da matéria-prima, para implementar o pagamento por qualidade de leite aos produtores e expandir a área de controle sanitário dos rebanhos. A mudança de enfoque iniciada com as medidas de estímulo ao resfriamento e granelização se complementa com a adoção de controle baseado em análise laboratorial de amostras de leite, para se obter resultados de composição físico-química e contagem de células somáticas, além das técnicas convencionais de plataforma.

Sistemas de informação: rastreamento e controle sanitário nos rebanhos A demanda por competitividade e a tendência de modernização dos sistemas de produção em busca da melhoria da eficiência é consequência direta da abertura de mercados e da economia e da informação globalizada. Neste contexto, a informação assume importância vital para os diversos segmentos da cadeia produtiva, mas especialmente para o setor de produção primária, uma vez que este é o elo que se encontra menos preparado para as mudanças que têm sido impostas. Este setor, além de possuir pouca tradição no uso de informações é carente no tocante à coleta de dados e, principalmente, no tratamento dos dados coletados.

A estruturação de bancos de dados com informações nacionais é uma realidade nos países de pecuária caracterizada por eficiência técnico-econômica e competitividade no cenário internacional. Com o crescimento do comércio de animais entre rebanhos e, particularmente, entre países, observa-se, atualmente, a nível internacional, uma preocupação com os sistemas de identificação animal, e sua eficiência no manejo e seleção dos recursos genéticos, e principalmente no controle e erradicação de doenças que necessitam de procedimentos precisos no monitoramento e rastreamento de animais na eventualidade de sua ocorrência.

Um sistema nacional de registro sanitário de rebanhos leiteiros comparável com sistemas existentes na América do Norte ou Europa ainda não existe no Brasil. Não há estatísticas que permitam caracterizar a incidência e prevalência de doenças infecciosas, importantes para o monitoramento e controle do estado sanitário do rebanho. Os programas de controle sanitário envolvem medidas preventivas, vacinações para determinadas doenças e exames de rotina nos animais, associadas a outras práticas de manejo da alimentação, reprodução etc. O monitoramento da sanidade é realizado sobre os animais, e, por extensão, sobre os rebanhos e as populações. Os registros individuais dos animais são essenciais para se identificar e caracterizar eventuais problemas e a sua natureza. Neste sentido, avaliações rotineiras permitem o diagnóstico de doenças clínicas e subclínicas, e o seu registro viabiliza o monitoramento e análise dos problemas de saúde do rebanho.

No contexto da sanidade dos rebanhos, a prevenção se estabelece por um sistema de alimentação e manejo adequados e programas de vacinação para determinadas doenças. Outras ações consistem de análises laboratoriais, para o diagnóstico de doenças clínicas, e, ainda, a análise periódica de indicadores que permitem o controle de estado sanitário do rebanho e a sua certificação, em termos de padrões e referenciais estabelecidos para este objetivo. Portanto, a sanidade do rebanho é monitorada por meio dos registros de desempenho e laboratoriais, medicamentos e vacinações aplicadas aos animais e visitas regulares de inspeção veterinária.

Legislação e controle de qualidade

De modo geral, os países têm estabelecido a sua própria legislação para monitorar a higiene e qualidade dos produtos agropecuários, para atender os interesses públicos em proteger os consumidores e garantir que os produtos que lhes são ofertados sejam saudáveis e seguros. Na concepção moderna de produção de alimentos é importante, senão indispensável, que se viabilize a possibilidade de seu rastreamento. No caso da comercialização internacional da carne, a União Européia, por meio da Resolução CE 820/97, exige que todo o processo de produção esteja inserido em um programa de identificação e registro que possibilite o levantamento de todas as informações sobre o animal, desde o seu nascimento até o consumo do produto final. Tal Resolução atinge tanto aos produtores e indústrias da Europa quanto dos países dos quais importa e ainda verifica-se uma tendência mundial de aplicação de exigências nesse sentido.

As questões relacionadas com a saúde e as consequências ambientais provenientes de atividades, produtos e serviços de quem disponibiliza alimentos, quer sejam processados quer sejam in natura, têm resultado na evolução dos conceitos e em maior conscientização do consumidor, induzindo à incorporação de estratégias que buscam o acompanhamento da produção em todo seu processo, com tendência clara de favorecimento dos alimentos de boa aparência, de preferência sem conservantes, produzidos sem agrotóxicos e sem risco para o ambiente.

Tecnologias e insumos modernos, como hormônios, produtos biotecnológicos e antibióticos, mais intensamente aplicados na produção agropecuária, ante os resultados potenciais no aumento da produtividade, devem ser obrigatória e constantemente avaliados para não acarretarem riscos para a saúde humana. Não se pode ignorar as exigências concernentes à segurança para o consumidor e também as barreiras fitossanitárias impostas pelas exigências atuais do mercado internacional.

Tudo isto faz com que o consumidor exija o rastreamento do alimento dentro da cadeia produtiva, requerendo, ainda, que o processo seja transparente. Nesse contexto, a padronização de conceitos e, principalmente, de ações, constitui-se em tema de importância estratégica para o País, viabilizando a disponibilização de alimentos certificados, ou seja, com garantia de origem, de qualidade ambiental e de qualidade de produto.

No caso da cadeia produtiva do leite, as transformações recentes têm induzido os produtores em busca de maior competitividade, e as suas percepções sobre maior volume, produtividade e qualidade da matéria-prima têm evoluído. A atividade leiteira avançou em produção e produtividade, entretanto, caminhou pouco para melhorar a qualidade, em que pese o processo da granelização da coleta do leite e a tentativa de implementação de um programa nacional de melhoria da qualidade do leite.

A qualidade do leite ainda é uma questão fundamental, tanto pela exigência do consumidor quanto pela restrição que ela representa, caso o País queira exportar derivados lácteos. Mesmo que a disponibilidade de recursos naturais possibilite ao Brasil ter excedentes exportáveis, isto dificilmente ocorrerá em escala significativa no curto prazo, dado o atual padrão de qualidade do leite produzido. Exigências da legislação elaborada pelo Departamento de Inspeção de Produtos Origem Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária do MAPA – DIPOA/SDA/MAPA e do mercado têm provocado modificações no entendimento e no trabalho realizado pelo setor de controle de qualidade dos laticínios no Brasil. A adequação às normas internacionais, a certificação da qualidade, a sobrevivência em um mercado competitivo e maior nível de exigência dos consumidores têm levado à valorização do controle de qualidade. Um avanço significativo neste sentido foi a criação da Rede Brasileira de Laboratórios de Controle de Qualidade do Leite, com atribuições de realizar análises laboratoriais para fiscalização de amostras de leite cru, recolhidas em propriedades rurais e em estabelecimentos de laticínios.

Sistema brasileiro de identificação e certificação de origem bovina e bubalina - sisbov Recentemente, o governo brasileiro por meio de instrução normativa elaborada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento publicou uma Instrução Normativa criando o SISBOV – Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina, que tem como objetivo identificar, registrar e monitorar, individualmente, os bovinos e bubalinos nascidos no Brasil ou importados. O Sisbov constitui-se de uma série de ações, medidas e procedimentos para caracterizar a origem, o estado sanitário, a produção e a segurança dos produtos de origem bovina ou bubalina, objetivando regulamentar o rastreamento no Brasil. Esta iniciativa brasileira é resultado de uma demanda que se iniciou na União Européia e vem se expandindo entre os principais países e regiões de produção e importação. Neste contexto têm sido estabelecidos códigos de comercialização internacional da carne bovina, observando-se os requerimentos sanitários como garantia à sua segurança para o consumo.

As orientações normativas do Sisbov caracterizam as regras para credenciamento de entidades certificadoras do sistema de rastreabilidade. Para seu atendimento a certificadora deve estruturar um sistema ou banco de dados, para gerenciar um conjunto de informações, por rebanho, com identificação individual de cada animal e seu rebanho de origem, o mês de nascimento ou data de seu ingresso na propriedade, sexo, aptidão, sistema de criação e de alimentação, e informações referentes ao controle sanitário a que o animal foi submetido.

No contexto da produção de carne, já se iniciaram gestões para se implementar a rastreabilidade, envolvendo produtores e criadores, frigoríficos e distribuidores. Também se observa a iniciativa de empresas do setor privado em prestar o serviço de identificação de animais, estruturando-se como certificadoras, estabelecendo parcerias e buscando o seu credenciamento oficial perante o MAPA. Atualmente sete certificadoras já foram credenciadas pelo MAPA. No caso da pecuária de leite, pode-se dizer que a rastreabilidade ainda está em sua fase de planejamento, e tem características próprias, distintas da carne, devido às particularidades do sistema de produção e do produto leite em si. Na medida em que se avançar nos procedimentos e processos para a rastreabilidade na pecuária de corte, acredita-se que deverão ser estendidas ações similares para a organização da informação e rastreamento em bovinos de rebanhos leiteiros, contemplando inclusive os registros dos resultados das análises laboratoriais de amostras de leite de animais.

Importância Econômica e social da Atividade Leiteira

Importância Econômica e social da Atividade Leiteira

O leite e seus derivados representam uma das principais fontes de proteína e cálcio na dieta da população brasileira, especialmente para classes de menor poder aquisitivo. Além disso, a atividade leiteira caracteriza-se por ser grande geradora de emprego, renda e tributos.

As condições edafoclimáticas do País permitem que a bovinocultura de leite seja desenvolvida em todo o seu vasto território, adaptada às peculiaridades regionais, de forma atomizada e, predominantemente, por pequenos e médios produtores. O último censo agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2007) identificou no País 1,8 milhão de propriedades leiteiras. A pecuária de leite está presente em aproximadamente 40% das propriedades rurais do Brasil.

Admitindo-se que a produção primária ocupa mão-de-obra de, pelo menos, duas pessoas por propriedade, pode-se afirmar que somente esse segmento da atividade leiteira gera 3,6 milhões de postos de trabalho permanentes.

Para 2010, as estimativas da Comissão Nacional de Pecuária de Leite (CNPL) da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicam que a produção de leite será de 36 bilhões de litros. O Valor Bruto da Produção de leite in natura será de aproximadamente R$ 10 bilhões.

De acordo com estudos do Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Leite (CNPGL) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, em 1996, o faturamento do setor de leite e derivados foi de R$ 17,34 bilhões, descontando-se os impostos indiretos líquidos e as margens de transporte e comercialização. Naquele ano a arrecadação de ICMS sobre o setor foi de R$ 3,1 bilhões, correspondendo a 4% do total arrecadado com esse imposto.

O estudo ainda demonstra que o Sistema Agroindustrial do leite apresentou indicadores favoráveis em termos de multiplicação da produção e emprego, em comparação aos demais setores, bem como se mostrou relevante em termos de geração de renda. Além do mais, o setor demonstrou-se capaz de gerar novos postos de trabalho por valores reduzidos. A cada aumento na demanda final por leite e derivados, de R$ 5.080,78, um emprego permanente é gerado na economia.

Os resultados do trabalho da Embrapa evidenciam que as políticas públicas, que visem gerar emprego e renda, devem tomar a atividade leiteira como prioritária.

Esquema de partes comerciais de um bovino

Bovinos e suas Funções no Mercado Mundial  


Bovino

Em várias religiões antigas, o boi e a vaca são animais carregados de significado simbólico relacionado a ritos religiosos. Assim, no Egito se incluía entre as divindades a vaca Hathor, encarnação da Grande Mãe celestial. O culto hindu à deusa Sarasvati identifica o bovino com a Terra e o Sol. Bovino é um mamífero ruminante da ordem dos artiodáctilos e da família dos bovídeos, dotado em geral de chifres constituídos por substância córnea, ocos em quase toda sua extensão. A terminologia normalmente empregada em pecuária designa por touro o macho não castrado, a partir de dois anos, destinado à reprodução; vaca é a fêmea depois da primeira parição; os machos castrados são chamados novilhos de corte ou, se destinados à tração, bois. Bezerros (ou terneiros) são os recém-nascidos até a desmama. No Brasil central, da desmama aos 24 meses a denominação comum é garrote. A fêmea, do ponto de enxerto até a primeira cria, denomina-se novilha.


Características

Animais de grande porte, os bovinos apresentam tronco volumoso e pesado, com o ventre muito desenvolvido. A cauda é longa e fina e apresenta, na extremidade, um tufo de pêlos longos. Os membros, relativamente curtos e com articulações salientes, terminam em cascos fendidos. O segundo e o terceiro dedos se apóiam no chão, enquanto que o primeiro e o quarto são rudimentares e se apresentam como terminações córneas na parte posterior dos membros. A coluna vertebral é composta de sete vértebras cervicais, 13 a 14 dorsais, seis lombares, cinco sacrais e 18 a 20 coccigianas. As costelas são longas, achatadas e arqueadas, em número correspondente ao das vértebras dorsais (13 a 14 pares). Não há dentes incisivos superiores nem caninos, mas apenas seis incisivos inferiores e 24 molares. O estômago ocupa quase três quartos da cavidade abdominal e divide-se em quatro compartimentos: rume ou pança, retículo, folhoso e coagulador. A capacidade do estômago varia com a idade e o porte do animal e pode atingir mais de 200 litros. O rume, que representa oitenta por cento do volume do estômago, é uma verdadeira câmara de fermentação, onde os alimentos são atacados por variadíssima fauna e flora microbianas, o que produz decomposições e sínteses de proteínas e vitaminas. Dentre esses microrganismos há bactérias capazes de digerir a celulose, o que permite aos bovinos ingerir grandes quantidades de alimentos fibrosos, como palha, feno e capim. O período de gestação dura de 283 a 290 dias, conforme a raça, e o primeiro parto dá-se aos dois ou três anos de idade. O filhote caminha logo após o nascimento e desde o primeiro dia se alimenta de colostro, leite de cor avermelhada muito rico em nutrientes. Deve ingerir diariamente dez por cento de seu peso em leite até os noventa dias, quando pode começar a alimentar-se de pasto e forragem.

História

Não se sabe ao certo quando o homem passou a utilizar bovinos, mas na pré-história europeia, há cerca de trinta mil anos, já eram caçadas espécies selvagens. Existem desenhos primitivos desses animais nas paredes das cavernas ou em pedras. Acredita-se que o boi tenha sido um dos primeiros animais domesticados, devido a sua utilidade na agricultura. Em 5000 a.C. os babilônios possuíam gado vacum, assim como os egípcios em 3500 a.C.

No antigo Egito, havia pelo menos duas raças de origem europeia e uma zebuína. O boi Ápis, considerado encarnação do deus Osíris, era negro, com pêlos duplos na extremidade da cauda, a figura de uma águia branca no dorso, um crescente branco na testa e o desenho de um escaravelho na mucosa bucal. Na Índia, o zebu é sagrado desde tempos imemoriais. O selo de cobre de Mohenjo-Daro, descoberto às margens do Índus e datado de mais de 3000 a.C., traz a estampa de um touro com chifres semelhantes aos da raça guzerá. Os indianos bebem leite de vaca, mas não comem carne bovina. Na China já se importavam bovinos em 3400 a.C. e sua criação deve ter sido responsável pela prosperidade do país na antiguidade.

A Grécia pré-clássica já possuía rebanhos bovinos. Nos tempos de Homero, o boi era a medida pela qual se avaliavam as fortunas e servia como moeda. Os dotes eram frequentemente pagos em bois, costume que perdura entre povos asiáticos e africanos. Os lacedemônios sacrificavam um boi a Áries cada vez que obtinham uma vitória por meio da astúcia. Em Creta, terra de origem da lenda do Minotauro, surgiram provavelmente as primeiras lutas com touros, esporte que se disseminaria depois pela zona mediterrânea. O carro real dos etruscos era puxado por um touro branco, que simbolizava a força e a bravura, e por uma vaca da mesma cor, símbolo da fartura. Na Roma antiga, era proibido matar bois destinados ao trabalho, mas havia o costume de imolar bois brancos a Júpiter Capitolino depois de uma vitória militar. As cabeças dos bois imolados eram suspensas às portas dos templos. Antes do sacrifício, os romanos adornavam os chifres dos animais. As pessoas que não podiam pagar o preço de um animal sacrificavam uma imagem moldada em farinha.

Após a queda do Império Romano, a criação de gado declinou muito na Europa, situação que perdurou até o século XVII. A veneração religiosa explica a pouca vulgarização do consumo de carne bovina durante tantos séculos, com a consequente decadência da bovinocultura. Depois da invenção da refrigeração industrial, em 1868, o consumo de carne popularizou-se rapidamente.

A criação de gado vacum expandiu-se notavelmente no continente americano, principalmente no Brasil, Argentina, Uruguai, Estados Unidos e México, onde encontrou situação ecológica favorável. No Brasil, o gado bovino foi importante fator de desbravamento, de dilatação de fronteiras e de alimentação rica em proteínas. No final do século XX, os rebanhos bovinos ainda eram uma das principais fontes de riqueza do pampa sulino, do pantanal mato-grossense, da ilha de Marajó, dos campos e cerrados do Centro-Oeste e da caatinga nordestina.

Domesticação Para as regiões em que as condições do solo -- terras ácidas ou pobres em nutrientes -- ou a posição geográfica de difícil acesso tornam pouco econômica a instalação de lavouras, a pecuária é a solução ideal. Permite a ocupação de vastos espaços inexplorados com escassa mão-de-obra e sem meios de transporte, já que os rebanhos podem deslocar-se por grandes distâncias. Dentre as espécies de bovinos domesticadas, destacam-se três: o boi comum ou europeu (Bos taurus), provavelmente uma subespécie do auroque (B. primigenius), cujo habitat nos tempos pré-históricos estendia-se pela Europa e parte da África; o zebu ou boi indiano (B. indicus), dotado de giba, habitante natural das regiões tropicais, domesticado provavelmente na Ásia em épocas remotas; e o búfalo (Bubalus bubalis), criado no sul da Ásia.

O boi europeu tem pêlos longos, couro espesso, chifres curtos e pelagem pouco pigmentada. O indiano tem pêlos mais curtos e lisos, couro mais fino e pigmentado, barbela desenvolvida e giba. É provável que as duas espécies tenham se cruzado, em tempos remotos, dando origem a grande número de variedades, que de acordo com suas características se adaptaram a diferentes regiões. Os cruzamentos entre as espécies foram depois promovidos pelo homem, a fim de combinar a resistência do boi indiano aos climas quentes com a melhor produção leiteira do gado europeu. Considera-se que a zootecnia moderna surgiu na Inglaterra na segunda metade do século XVIII, quando se inventaram técnicas que permitiam a conservação de alimentos perecíveis e passou-se a empregar novas plantas forrageiras como alimento do gado. A expansão das populações urbanas que se seguiu à revolução industrial trouxe maior demanda de alimentos e incentivou os ingleses a produzirem mais carne.

Outros países começaram a desenvolver técnicas de melhoramento do gado europeu, para corte e produção de leite, além de aprimorar o alimento das reses e suas condições sanitárias. Assim, as raças europeias tornaram-se muito produtivas e foram o ponto de partida dos excelentes rebanhos surgidos depois nos Estados Unidos, Canadá, Argentina, Uruguai, Brasil, Austrália, Nova Zelândia e sul da África.

As raças europeias, em climas adversos, perdem a resistência e não revelam as qualidades de que são portadoras por herança genética. O zebu, pelo contrário, embora por motivos religiosos não tenha sido submetido a processos de melhoramento em seu lugar de origem, adaptou-se bem às regiões onde o boi europeu encontrava dificuldades de aclimatação, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais. A seleção da espécie só começou por volta de 1920, mas deu ótimos resultados. O Brasil foi muito beneficiado pela importação de zebus, iniciada no final do século XIX. Esses bois encontraram no país condições de alimentação, de defesa sanitária e aplicação de procedimentos zootécnicos superiores às existentes em seu país de origem. Puro ou cruzado com o boi europeu, concorreu para a multiplicação dos rebanhos por ser resistente e fecundo. Outros países tropicais dedicaram-se a programas de melhoramento do zebu, para carne e leite, obtendo excelentes raças provenientes da combinação de suas qualidades com as do boi europeu.

O búfalo doméstico é originário da Ásia e descende provavelmente do arni (Bubalus arni), ainda encontrado em estado selvagem na Índia. Levado à Europa no primeiro milênio da era cristã, expandiu-se pelo sul da Rússia, Balcãs, Turquia e Egito, bem como pelo oriente asiático, Myanmar, Indochina, Java, Sumatra, Nova Guiné e Filipinas. Sua entrada no Brasil, onde é explorado para produção de leite e carne, data de fins do século XIX ou dos primeiros anos do século XX. Encontram-se grandes rebanhos no estado do Pará e na ilha de Marajó, além de pequenas boiadas em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná.

Raças Em zootecnia, a classificação em raças é, em boa parte, arbitrária e convencional, pois se baseia em traços superficiais como coloração dos pêlos, conformação craniana, presença de chifres ou procedência geográfica. Com a aplicação de técnicas destinadas ao aprimoramento das características de importância econômica, como produção de leite e carne, os melhores espécimes adquirem propriedades inerentes a essas funções, que deixam de ser distintivos raciais para se tornarem características próprias de bons animais de qualquer raça. Segundo sua destinação econômica, as raças bovinas são em geral classificadas em três grupos: raças leiteiras, como a holandesa, suíça, jersey e guernsey entre as europeias; sahiwal e red-sindhi, entre as indianas; raças de corte, como hereford, charolesa e aberdeen, europeias, e nelore e santa gertrudis, de sangue asiático; por último, entre as raças de dupla aptidão estão as europeias simmental, red polled e normanda, além das indianas gir e guzerá. Existem ainda os animais de tração, muito empregados no Brasil e em outros países com agricultura não mecanizada. Na Índia há raças especializadas em tração, como nagore, bachaur, malvi e kangayam, esta última a única introduzida no Brasil.

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O Problema do Abandono de Animais

O Problema do Abandono de Animais

O abandono animais domésticos, bem como os animais nativos e exóticos, em vias públicas e parques tem sido uma prática cada vez mais frequente nos grandes centros urbanos do mundo. Principalmente, causado por modismo passageiro ou dificuldade econômica, o abandono de animais gera problemas ambientais de higiene nas pequenas e grandes cidades.

Os animais não são abandonados somente por pessoas, mas também por empresas, como por exemplo, os inúmeros casos de abandono de leões e tigres feito pelos circos, pelo simples fato do dono do circo não ter condições para alimentar a fera.

o caso de pessoas que compram filhotes de iguanas, tartarugas e outras espécies nativas pelo modismo que determinada espécie demonstra num determinado grupo social ou época, e quando percebem que o animal cresce mais do que o esperado ou que provoca uma maior atenção, largam o animal num parque, área verde ou no meio da rua.

O Problema do Abandono de Animais

Na cidade de São Paulo, há a Associação Santuário Ecológico Rancho dos Gnomos que há 15 anos, recolhe animais abandonados e os encaminha para a Polícia Ambiental e para o Ibama. Animais domésticos como o cão e o gato são encaminhado para centros de zoonoses onde são acolhidos e sacrificados.

Em 2008, segundo a Apasfa (Associação Protetora de Animais São Francisco de Assis) no período de dezembro a janeiro, fase de férias, foi detectado que a quantidade de animais abandonados cresce em média 1.000 %, com 50 denúncias diárias de maus-tratos e abandono de animais em todo o território nacional. Durante os outros meses do ano, a média de denúncia é de 5 ao mês.

Dentre as práticas no período de férias, a justificativa para abandonar um animal nas férias é para viajar, além de enxergá-lo como objeto. Quem viaja e não abandona o animal, acaba deixando o bicho preso em casa com pouco armazenamento de comida e água.

Segundo as entidades responsáveis, uma família ou pessoa que adquire um animal deve considerar o animal como um membro da família, pois os animais domésticos em média vivem de 10 a 15 anos, sentem dor e frio. Quem não pode cuidar de um animal, o aconselhável é não adquirir um.

Uma pessoa que abandona, explora ou aprisiona um animal em casa pode ser processado e perder a guarda do animal. A lei de proteção aos animais é a Lei Federal 9.605/98 que abrange os crimes ambientais.

Segundo o artigo 32, abuso, maus-tratos e mutilação em animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos podem gerar pena de três meses a um ano de prisão, pena a ser acrescentada em caso de morte do animal.

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Diagnóstico da Pecuária em Rondônia

Diagnóstico da Pecuária em Rondônia Diagnóstico da Pecuária em Rondônia

Aspectos Físicos
Localização geográfica, limites e extensão O estado de Rondônia está localizado na região Norte do Brasil, na Amazônia Ocidental, limitando-se ao norte e nordeste com o estado do Amazonas; a leste e sudeste com o Mato Grosso; a sudeste e oeste com a República da Bolívia e a noroeste com os Estados do Acre e Amazonas. Sua posição geográfica está definida pelas seguintes coordenadas: 7o5' e 13o45' de latitude sul e 66o47' e 59o55' de longitude oeste, abrangendo uma área de 243.044 Km2. O estado apresenta duas mesorregiões: Leste Rondoniense e Madeira-Guaporé. A primeira possui seis microrregiões: Ariquemes, JiParaná, Alvorada d'Oeste, Cacoal, Vilhena e Colorado d'Oeste. A segunda tem apenas duas: Porto Velho e Guajará-Mirim. b) Clima Rondônia, segundo a classificação de Koppen, apresenta clima tropical chuvoso dos tipos Am e Aw. O tipo Am caracteriza-se por total pluviométrico anual elevado e moderado período de estiagem e o Aw por total pluviométrico anual entre elevado e moderadamente elevado com nítido período de estiagem. O tipo Am ocorre nas regiões de Porto Velho e Ariquemes e o Aw nas demais regiões do estado. A precipitação pluviométrica é o componente que proporciona maiores diferenciações climáticas no estado; seus valores anuais variam de menos de 2.000 mm na região de Guajará-Mirim; de 2.000 a 2.100 mm na parte alta do Vale do Rio Ji-Paraná no sentido sul do estado e, mais de 2.100 mm na área que abrange os municípios de Porto Velho, Candeias do Jamari e Jamari.
A estação chuvosa tem início em setembro e prolonga-se até maio, sendo dezembro a março o período de maiores precipitações. A menor queda pluviométrica concentra-se no trimestre junho-agosto. Entretanto, as alturas pluviométricas dos meses de maio e, notadamente de setembro, alcançam freqüentemente valores inferiores a 50 mm, principalmente em Ouro Preto d'Oeste, Vilhena e Guajará-Mirim. As temperaturas médias, máximas e mínimas oscilam, respectivamente, entre 24 oC; 28 e 33oC e 18 e 21oC. Os limites mínimos térmicos ocorrem na localidade de e 26 Vilhena. Considerando-se as temperaturas mínimas, ocorrem no estado três zonas térmicas: a primeira situa-se em torno de Porto Velho; a segunda abrange Guajará-Mirim e Ariquemes e a terceira engloba as regiões de Ouro Preto d'Oeste até Vilhena, zona onde são registradas as temperaturas mais baixas, as quais, em grande parte, são influenciadas pela ação conjunta do fenômeno "friagem" e da altitude. Salienta-se que esta "friagem" caracteriza-se pela queda brusca da temperatura por um período de curta duração. A umidade relativa do ar, em todo o estado, apresenta-se mais elevada no período de dezembro a maio, entretanto, esse parâmetro varia consideravelmente em espaço, em termos de magnitude. Em Porto Velho, são encontrados, em geral, os valores médios mensais e anuais mais elevados, enquanto que em Vilhena são registrados os menores. As médias anuais de umidade relativa do ar oscilam entre 75 e 83%. c) Solos De acordo com o levantamento de solos efetuado pela EMBRAPA (1983), as principais unidades de mapeamento que ocorrem em Rondônia estão representadas pelos Latossolos Amarelo e Vermelho-Amarelo álicos que ocorrem em mais de 40% da área do estado, e pelos Podzólicos Vermelho-Amarelo álicos distróficos em mais de 20%, seguindo-se com menor freqüência Podzólicos eutróficos e Terra Roxa Estruturada, que representam cerca de 10% da superfície do estado. O restante é representado por Areias Quartzosas, Glei Pouco Úmico, Cambissolos, Plintissolos, Aluviais distróficos, Hidromórficos e Afloramentos Rochosos.

Unidades de Mapeamento Área (km2) % Fertilidade Latossolo Amarelo álico 19.393 7,98 Baixa Latossolo Vermelho-Escuro álico 4.844 2,03 Baixa Latossolo Vermelho-Amarelo álico 76.268 31,36 Baixa Latossolo Vermelho-Amarelo dist. 8.629 3,55 Baixa Terra Roxa Estruturada 1.973 0,81 Alta Podzólico Vermelho-Escuro eutrófico 25.496 10,49 Alta Podzólico Vermelho-Amarelo álico 50.432 20,78 Média Planossolo eutrófico 1.237 0,55 Média Cambissolo álico 8.305 3,41 Baixa Plintissolo álico 10.383 4,29 Baixa Gley Húmico álico 25 0,01 Baixa Gley Pouco Húmico álico 8.106 3,34 Baixa Solos Hidromórficos 2.276 0,94 Baixa Areias Quartzosas Hidromórficas 230 0,09 Baixa Areias Quartzosas álicas 14.943 6,15 Baixa Solos Aluviais álicos 260 0,11 Baixa Solos Aluviais distróficos 2.696 1,46 Baixa Solos Litólicos arenosos 3.520 1,11 Baixa Solos Litólicos distróficos 2.484 1,02 Baixa Afloramentos de rochas 301 0,13 Águas Internas 1.153 0,49 FONTE: EMBRAPA/SNLCS (1983) d) Vegetação Rondônia encontra-se, em grande parte, coberta pela Floresta Amazônica, seguida por cerrados e campos. Estas fisionomias vegetais variam por causa do clima, relevo e solo. Segundo levantamento da EMBRAPA (1983), ocorrem no estado as seguintes fases de vegetação: - Floresta equatorial perenifólia de várzea - Florestas equatorial perenifólia - Floresta equatorial subperenifólia - Floresta equatorial subcaducifólia - Floresta equatorial higrófila de várzea - Cerrado equatorial subperenifólio - Cerrado equatorial subcaducifólio.

Campo-cerrado equatorial - Campo equatorial higrófilo de várzea e) Relevo O relevo de Rondônia é bastante variável, ocorrendo planícies inundáveis no Vale do Rio Guaporé e aluviões no Rio Madeira, passando por superfícies tabulares e dissecadas das Serras e Chapadas do Cachimbo (400 m de altitude), até montanhas escarpadas. Em geral, o relevo é formado por baixos e altos platôs intercalados por superfícies dissecadas onde a altitude varia de 100 até mais de 500 metros. A Encosta Setentrional do Planalto Brasileiro, com altitudes variando de 100 a 600 m foi a área escolhida para concentrar os Projetos de Colonização. É cortada pela BR 364 e se caracteriza pela exploração pecuária e cultivos de café, cacau, arroz, feijão, milho, mandioca e frutíferas tropicais. A Chapada do Parecis, Pacaás Novos (planaltos residuais) formam uma faixa estreita no sentido noroeste-sudeste, variando de 600 a 1.000 m de altitude. É a região dos cerrados de Rondônia. Finalmente, o Vale dos Rios Guaporé-Mamoré se caracteriza pelas inundações periódicas típicas de um pantanal.

Antecedentes - Os primeiros dados registrados pelo IBGE sobre a pecuária em Rondônia datam de 1973, revelando um efetivo bovino total de 20.249 cabeças, no então território. Nos anos seguintes, registrou-se uma taxa geométrica de crescimento de 35,1% ao ano, sendo constatado já em 1979 no levantamento realizado pelo mesmo órgão, um total de 176.221 cabeças de bovinos no estado. Os anos 70, em especial 78 e 79, foram marcados pela injeção de significativo volume de crédito através dos programas especiais PROTERRA (Programa de Redistribuição de Terras e de Estímulo à Agricultura do Norte e Nordeste) e POLAMAZÔNIA (Programa de Desenvolvimento de Pólos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia), que repassaram recursos para investimentos e custeio a juros médios de 7% ao ano, sendo esta a forma esperada para incentivar um crescimento mais rápido da pecuária, com vistas a suprir a demanda interna em níveis de expansão cada vez mais elevados, em virtude do intenso fluxo migratório experimentado pelo território. A partir do ano de 1979, com a decisão do Conselho Monetário Nacional de retirar gradativamente os subsídios ao Crédito Rural, o volume de recursos emprestados aos pecuaristas pelas às instituições financeiras evoluiu negativamente, registrando-se no ano de 1983, em valores deflacionados, um volume de apenas 11% daquele tomado pelo produtor no ano de 1978. A soma dos recursos tomados nos quatro últimos anos (1980/83) foi de 42% do total dos recursos concedidos nos dois anos iniciais (1978/79).

Apesar de penalizada com taxas de juros elevadas, a bovinocultura de Rondônia continou a crescer nos anos 80, registrando-se, segundo estimativas do IBGE (Acompanhamento Conjuntural de Agropecuária de Rondônia, 1984) um rebanho de 653.000 cabeças em 1984, com uma taxa geométrica de crescimento de 27% ao ano, a partir de 1980. Este crescimento que, se por um lado não foi devido à concessão de crédito subsidiado pelas autoridades monetárias, por outro, deve-se creditar parte ao Governo estadual e ressaltar o trabalho desenvolvido pela Secretaria de Agricultura com a promoção de atividades de incentivo (Exposições Agropecuárias e leilões), procurando facilitar a integração e troca de experiência entre os produtores e agilizar a comercialização e a introdução de matrizes e reprodutores de melhor padrão genético, visando, com tais medidas, a melhoria dos índices zootécnicos do rebanho estadual. Também o Programa de Inseminação Artificial, implantado nesta época (Comissão Estadual de Planejamento Agrícola, 1983) contribuiu decisivamente neste sentido. É importante ressaltar ainda que uma parcela do crescimento do rebanho bovino em Rondônia deve ser creditada à tendência natural de expansão da atividade, na medida em que o fluxo migratório torna-se mais intenso, mais produtores dedicam-se à pecuária e, consequentemente, novas áreas são formadas em pastagens.

Tipos de Explorações

 Os tipos de exploracão agropecuária estão diretamente relacionados com os níveis de fertilidade natural dos solos. Nas regiões onde predominam solos de baixa fertilidade, o arroz e a mandioca são as culturas mais frequentes. O extrativismo vegetal ainda ocupa um lugar de destaque com a exploração de seringais nativos e castanha-doBrasil. Na região central do estado, onde os solos são de baixa a alta fertilidade, a utilização das terras se intensificam e diversificam com o uso de culturas de subsistência (arroz, milho, feijão e mandioca), perenes (café, cacau, guaraná, pimenta-do-reino etc.) e frutíferas (banana, abacaxi, cupuaçu, citros etc). Nestas regiões, a grande maioria dos agricultores adotam baixo nível tecnológico nos sistemas de uso da terra, caracterizando uma agricultura itinerante, onde se procede o desmatamento da floresta ou da capoeira, queima e plantio. Normalmente, a área desbravada é utilizada com culturas de subsistência, cedendo lugar para pastagens, café ou outras culturas perenes, quando não ficam em descanso, após três anos de uso intensivo. Os principais modelos de produção utilizados são os que associam culturas anuais, café e pastagens; culturas anuais e pastagens, ou, formação de pastagens logo após a derruba e queima da floresta, o que concorre para que a pecuária represente a principal atividade do setor primário estadual.

Infra-Estrutura de Apoio à Produção

 Estradas, meios de transporte, eletrificação e comunicações. Excetuando-se as propriedades situadas ao longo das rodovias pavimentadas (BR 364, Rolim de Moura/Pimenta Bueno, Guajará Mirim/Abunã, Vilhena/Colorado do Oeste), as demais ficam sujeitas às dificuldades de acesso durante o período mais chuvoso do ano (dezembro/março). Os meios de transporte são predominantemente rodoviários, cabendo ao fluvial uma parcela insignificante. A eletrificação e comunicação (telefone, rádio, telex, fax etc), ficam restritos às cidades, distritos e núcleos urbanos de apoio rural. Com o funcionamento da hidroelétrica de Samuel e a implantação de redes de abastecimento ao longo da Br 364, a eletrificação rural tende a se intensificar.

b) Sindicatos, associações e cooperativas de criadores Nos últimos anos, houve um expressivo aumento dessas entidades, as quais promovem dentre outros, as exposições e feiras agropecuárias. Os sindicatos e as cooperativas se dedicam, além de suas atribuições regimentais, à venda de insumos agropecuários e a prestação de assistência técnica. Atualmente, as Associações têm participado ativamente nos projetos de financiamento de bovinos leiteiros, através do FNO/BASA.

Distribuição da rede bancária que atua em crédito rural Praticamente, todas as cidades possuem agências bancárias oficiais e/ou privadas. Atualmente, existe uma linha de financiamento para pecuária, através do Fundo Constitucional do Norte (FNO), operacionalizado pelo Banco da Amazônia S.A. (BASA) e outra pelo FUNDAGRO (Fundo de Desenvolvimento Agropecuário de Rondônia), com recursos do PLANAFLORO (Plano Agropecuário e Florestal de Rondônia), através do BERON (Banco do Estado de Rondônia).

Agroindústrias que oferecem subprodutos e resíduos para alimentação animal. As agroindústrias desse gênero se restringem às usinas de beneficiamento de arroz e algodão, que comercializam seus subprodutos em quantidades razoáveis e a preços acessíveis. Em Cacoal (Frigorífico Santa Elvira), Ariquemes (Frigorífico Rio Jamary) e em Porto Velho (FRIRONDON) produzem a farinha de sangue, carne e ossos. e) Fábricas de ração e de misturas minerais. Ainda inexpressivas, estas fábricas estão localizadas ao longo da BR 364 (Porto Velho - NORSAL; Ouro Preto d’Oeste - Côcho Rico; Ji-Paraná - BomSal). f) Regularidade no suprimento de insumos. O mercado regional atende satisfatoriamente a demanda por fertilizantes, defensivos, vacinas, medicamentos veterinários, sais minerais e sementes.

Disponibilidade de matrizes e reprodutores melhorados. Os pecuaristas de maior poder aquisitivo geralmente adquirem reprodutores e matrizes em leilões e exposições agropecuárias realizadas em outros estados. O número de produtores que praticam a inseminação artificial é expressivo, os quais dispõem de uma usina de produção de nitrogênio líquido localizada em Porto Velho. O sêmen é adquirido de empresas, como: Pecplan-Bradesco, Nova Índia e Lagoa da Serra, as quais contam com representantes locais. Alem disso, a realização de leilões regionais (Porto Velho, Ariquemes, Jarú, Ouro Preto d’Oeste, Ji-Paraná, Cacoal e Vilhena) são cada vez mais freqüentes e contribuem, significativamente, para a melhoria do padrão genético do rebanho estadual.

Pesquisa e Assistência Técnica

 Instituições de pesquisa pecuária que atuam no estado A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), através do Centro de Pesquisa Agroflorestal de Rondônia (CPAF-Rondônia) é a única instituição oficial que executa pesquisas relativas à pecuária no estado. O Centro possui cinco Campos Experimentais, estrategicamente distribuídos, em função das diferentes condições edafoclimáticas. Atualmente, dispõe de uma equipe composta por seis pesquisadores desenvolvendo pesquisas na Área de Produção Animal. Ao longo de 20 anos de atividades, o CPAF-Rondônia já realizou dezenas de Projetos de Pesquisa nessa área, envolvendo vários assuntos, tais como: • • • • • • • • • • • • Introdução e avaliação de germoplasma forrageiro (gramíneas e leguminosas); Manejo de plantas forrageiras (sistema de pastejo, carga animal, diferimento); Consorciação de gramíneas e leguminosas forrageiras; Seleção de gramíneas forrageiras resistentes às cigarrinhas-das-pastagens; Calagem e adubação de plantas forrageiras; Métodos de controle de plantas invasoras; Avaliação de cultivares de sorgo forrageiro e granífero; Manejo de leguminosas arbustivas; Microbiologia do solo (micorrizas); Sistema de produção para gado de leite e corte; Bioclimatologia em bovinos leiteiros; Manejo de capineiras (altura e freqüência de corte, diferimento, consorciação com leguminosas, sistemas de pastejo); • Formação e manejo de bancos-de-proteína; • Recuperação e renovação de pastagens degradadas; • Manejo da mandioca para produção de forragem; • Introdução e avaliação de ovinos deslanados e caprinos de dupla aptidão (carne e leite); • Desempenho produtivo de pequenos ruminantes em sistemas silvipastoris; • Formulação de misturas minerais para ruminantes; • Avaliação de sistemas de produção para bubalinos de carne e leite; • Epidemiologia e controle de helmintos gastrintestinais em bovinos de carne e leite; • Epidemiologia de helmintos gastrintestinais em ovinos deslanados; • Controle químico e biológico da mosca-dos-chifres; • Utilização da tração animal na fazenda (bovinos e bubalinos); • Identificação e testes com plantas tóxicas (levantamento de espécies e determinação das doses letais).

Órgãos de Assistência Técnica e Defesa Sanitária Animal A assistência técnica, em todo o estado, é exercida pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Rondônia (EMATER-Rondônia) através de seus 57 escritórios locais e cinco regionais. Este serviço conta com aproximadamente 400 extensionistas. A defesa sanitária animal é coordenada e executada pelo Departamento de Produção Animal da Secretaria de Estado de Agricultura, através de quinze delegacias municipais. À Delegacia Federal da Agricultura e Reforma Agrária (DFARA) cabe a responsabilidade de fiscalização das fronteiras estaduais e internacionais e pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF).

Laboratório de Diagnósticos Com execeção da anemia infecciosa eqüina, brucelose, ecto e endoparasitoses, não há o instrumental laboratorial adequado para a diagnose de doenças que exijam procedimentos sofisticados. Quando necessário, recorre-se a centros mais desenvolvidos como Belém (PA), Campo Grande (MS) , Rio de Janeiro (RJ) e Cuiabá (MT).

Rebanho Bovino

Num período de cinco anos (2004/2008), o efetivo bovino de Rondônia foi incrementado em 4.640.000 cabeças, o que representa um acréscimo de 85% . A tendência da bovinocultura estadual, conforme constatado nos últimos anos, deverá continuar expandindo a níveis surpreendentes, tendo em vista uma sucessão de fatores limitantes que desestimulam as explorações agrícolas (mão-de-obra cara e escassa, solos química e fisicamente desgastados, elevados preços de insumos, ocorrência de pragas e doenças, baixa lucratividade na comercialização e linhas de crédito rural deficitárias). Estas evidências vêm concorrendo para que a pecuária bovina seja uma das alternativas mais viáveis, já que é menos dependente de tais oscilações, além de assegurar maior liquidez e melhor remuneração.

Sinais nítidos dessa mudança são observados por duas tendências:

Formação de pastagens sempre que há ocupação de uma gleba;

Crescente substituição de lavouras por pastagens.

Estimativas do IBGE, indicam que 13,6% do efetivo bovino estadual corresponde a gado de leite. A rigor, distinguir essa aptidão no rebanho torna-se bastante difícil, uma vez que as evidências mostram que a produção de leite advém de um gado mestiço, eurozebu, de dupla aptidão (leite e carne).

Oferta e Demanda de Leite no Estado de Rondônia

Evolução e Sazonalidade A evolução da oferta de leite no estado está condicionada diretamente ao incremento do efetivo bovino, pois como se observa a produtividade vem se mantendo praticamente constante ao longo dos últimos anos. Quanto à sazonalidade de oferta, esta sofre influência direta da disponibilidade de forragem nas pastagens, que por sua vez depende do regime hídrico anual da região, sendo que as maiores produções se concentram no período de setembro a janeiro. Isto está diretamente relacionado com o baixo preço oferecido pelas usinas, o que não estimula o produtor a suplementar os rebanhos durante o período de estiagem. b) Importação de leite e derivados de outros estados e países. Apesar da grande capacidade instalada para o beneficiamento de leite e seus derivados em Rondônia, ainda é significativo o volume de importação de leite em pó, queijo, manteiga e demais derivados, principalmente da Europa e de São Paulo, Minas Gerais e Goiás. 4.2. Demanda a) Evolução da demanda e fatores que a afetam A evolução da demanda vem ocorrendo na razão direta do crescimento da população. Vale salientar que parte significativa da população do estado é constituída por migrantes das regiões Centro-Sul e nordeste do país, que durante os últimos 20 anos se deslocaram para Rondônia em busca de terras e trabalho nos mais diferentes setores da economia regional. O simples fato dessas pessoas serem oriundas de regiões mais desenvolvidas, naturalmente estimula mudanças nos hábitos alimentares da população local criando-se demanda por produtos lácteos. Porto Velho e Ji-Paraná, principais centros urbanos do estado, são também os maiores consumidores de leite e seus derivados.

Regiões Produtoras de Leite em Rondônia

 Em geral para efeito de sistemas de produção, distinguem-se cinco regiões produtoras de leite: Ji-Paraná, Cacoal, Colorado d’Oeste, Ariquemes e Porto Velho. A de Porto Velho caracteriza-se por apresentar os mais baixos índices de produtividade em consequência de estar situada em solos de baixa fertilidade natural; as de Ji-Paraná e Colorado d’Oeste, destacam-se por contribuírem com a maior parte da produção estadual e por possuírem as terras mais férteis do estado.

Estrutura das Propriedades -  A área dos estabelecimentos que exploram a pecuária de leite varia entre 50 e 500 hectares, todavia predominam os que se situam na faixa de 100 a 200 hectares. Quanto a utilização das terras, as pastagens assumem lugar de destaque representando até 50% da área. Vale ressaltar que essas pastagens, em sua quase totalidade, são cultivadas e estabelecidas em áreas desmatadas, anteriormente ocupadas com lavouras de subsistência.

Rebanho - Os rebanhos explorados na produção de leite não são especializados, apresentam aptidão mista (carne e leite). Quanto a produtividade, média do período 1992/93, as microrregiões de Ji-Paraná, Cacoal e Ariquemes alcançaram, respectivamente, 634, 540 e 626 litros de leite/vaca/ano. Entre os problemas de sanidade animal que comprometem a produção de leite no âmbito estadual destacam-se: alta prevalência de endo (verminoses) e ectoparasitoses (carrapato e berne), carências minerais e doenças infecto-contagiosas (brucelose, aftosa, tuberculose, carbúnculo sintomático, paratifo dos bezerros e mastite).

Sistemas de produção - Em geral, os sistemas de produção das diversas regiões do estado se assemelham,uma vez que as dificuldades são comuns a todos. Assim sendo, as contribuições para o melhoramento genético dos rebanhos têm sido bastante restritas principalmente pelas limitações de crédito e pela falta de incentivos governamentais que impedem a aquisição de reprodutores e matrizes de boa linhagem leiteira em outros pontos do país. Geralmente, ocorre a entrada de animais de baixo padrão zootécnico provenientes de outros estados, o que afeta negativamente a produtividade dos rebanhos. Com raras exceções, os criadores fazem seleção no rebanho, predominando os cruzamentos entre animais mestiços. Quanto a alimentação, esta constitui-se quase que exclusivamente de pastagens cultivadas. Dependendo do nível de fertilidade do solo, as espécies forrageiras mais comuns são: capim-Colonião (Panicum maximum cvs. Comum, Mombaça, Vencedor, Centenário, Tanzânia-1); braquiarias (Brachiaria decumbens, B. humidicola, B. ruziziensis, B. mutica, B. brizantha cv. Marandu, B. radicans), capim-estrela (Cynodon nlenfuensis), para solos de média a alta fertilidade natural e, B. humidicola, B. ruziziensis e B. brizantha cv. Marandu e, mais recentemente o capim-andropogon (Andropogon gayanus cv. Planaltina), para solos de baixa fertilidade natural. Na maioria dos casos as pastagens são formadas em áreas não destocadas, sendo comum a utilização de práticas de manejo inadequadas (sistema de pastejo contínuo e altas pressões de pastejo). Não é comum o uso de concentrados. A utilização de capineiras é uma prática bastante generalizada, notadamente para às vacas em lactação durante o período de estiagem; no entanto, o manejo adotado é inadequado, o que proporciona efeitos pouco significativos na produtividade animal. O capim-elefante (Pennisetum purpureum cvs. Cameroon e Napier) é a espécie mais utilizada para a formação de capineiras no estado. A mineralização do rebanho é deficiente; por não atender as exigências minerais dos animais, por ser descontínua e por se restringir, na maioria dos casos, ao fornecimento de sal comum.

Quanto a sanidade do rebanho, são mínimos os cuidados dispensados aos animais. O controle às principais doenças infecto-contagiosas, restringe-se à vacinação contra a aftosa, que na maioria dos casos não é sistemática. É bastante elevada a incidência de brucelose no rebanho, chegando a atingir, em média 10% das vacas em produção. A falta de higiene, principalmente durante a realização das ordenhas tem contribuído significativamente para o aumento dos casos de mamite. As helmintoses gastrintestinais são responsáveis em grande parte pela mortalidade de animais jovens (± 15%) e pela baixa produtividade leiteira; isso reflete a falta de vermifugações sistemáticas. A pneumoenterite em bezerros é muito freqüente sendo uma das doenças que mais dizimam essa categoria. As moléstias transmitidas pelo carrapato são preocupantes. Em área de pastagens “sujas”, onde a ocorrência de plantas invasora é generalizada, ou naquelas estabelecidas em solos arenosos, são bastante freqüentes mortes causadas por plantas tóxicas e por doenças carenciais. A reprodução, geralmente, se dá através da monta natural a campo, sem controle e sem critério de natureza genética. A inseminação artificial já está sendo adotada por um considerável número de pecuaristas. O sistema de criação adotado é o semi-extensivo. Na quase totalidade dos casos, realiza-se apenas uma ordenha e a duração de lactação das vacas é em média de 180 dias. Ainda utiliza-se o bezerro para apojar a vaca. A ausência de um manejo animal faz com que fêmeas ainda muito jovens sejam cobertas, prejudicando assim o desenvolvimento ponderal e a vida útil do animal. As instalações usadas são rústicas, porém, na maioria dos casos, atendem às necessidades principalmente levando-se em conta as práticas de manejo utilizadas. Em geral, constam de um estábulo (tamanho variável em função do rebanho) cobertos com telhas amianto ou cavacos de madeiras, piso de cascalho batido, pedras ou cimentado, cocheiras de alvenaria, divisões com réguas de madeira e curral anexo construído em madeira lavrada. Em muitos casos apresentam um brete rústico. Vale ressaltar que as madeiras de lei são abundantes na região.

Insumos e mão-de-obra

a) Disponibilidade e qualidade de insumos Praticamente, a maioria dos insumos utilizados na pecuária leiteira do estado são importados de outras regiões do país, principalmente de São Paulo. Em matéria de subprodutos de agroindústrias, dispõe-se apenas do farelo de arroz e caroço de algodão provenientes das usinas de beneficiamento locais e, mais recentemente, da farinha de carne e ossos cuja produção é insignificante.

b) Disponibilidade e qualificação da mão-de-obra

Além de bastante escassa, a mão-de-obra local apresenta baixos níveis de qualificação. A opção pelo trabalho em mineração constitui a principal causa da escassez de mão-de-obra para as atividades agropecuárias.

Prognóstico - Apesar da existência de um rebanho não especializado para a produção de leite, do baixo nível tecnológico adotado e das dificuldades inerentes às regiões em fase de desbravamento e colonização (falta de crédito, altos preços dos insumos, mão-de-obra escassa e pouco qualificada etc.), observa-se ainda uma nítida expansão da pecuária leiteira. Esta tendência é conseqüência dos melhores retornos na comercialização dos produtos e subprodutos, maior liquidez e por oferecer menores riscos do que as demais explorações agrícolas. Entre os fatores que mais afetam negativamente o desempenho da bovinocultura de leite no estado e que devem ser priorizados pelos órgãos ligados ao setor primário (pesquisa, extensão e fomento), destacam-se: a) rebanho não especializado para a produção de leite;

b) pastagens mal manejadas e de baixo valor nutritivo;
c) manejo inadequado do solo;
d) manejo inadequado do rebanho;
e) suplementação alimentar precária durante o período de estiagem;
f) suplementação mineral deficiente;
g) ausência ou deficiência de controle sanitário.

Pecuária de Corte

Constituição do Rebanho de Corte - A bovinocultura de corte é uma atividade em franca expansão no estado, apresentando um crescimento de 80% nos últimos cinco anos. Entre os fatores que têm contribuído para este acelerado crescimento destacam-se a carência e o elevado preço da mão-de-obra, dificuldades no escoamento da produção, falta de estrutura para beneficiamento e armazenagem de cereais, baixo retorno econômico das atividades agrícolas e insuficiência da produção de carne para atender a demanda. O rebanho é constituído, basicamente, por animais azebuados, havendo, contudo, predominância da raça Nelore. a) Distribuição dos Criadores e do Rebanho de Corte de Acordo com a Atividade Predominante. Em Rondônia, a pecuária de corte está presente em todo o estado; no entanto, os maiores efetivos concentram-se nas microrregiões de Ji-Paraná (22,25%), Vilhena (21,75%), Cacoal (18,49%) e Colorado d’Oeste (16,35%), perfazendo um total de 1.973.386 cabeças. Em geral, há especialização dos produtores quanto as fases de criação (cria, recria, engorda), e em menor proporção o confinamento.

Abates e Produção de Carne - A produção média estimada de carne bovina para Rondônia, durante o ano de 2009 é de 1,2 milões de t, devendo serem abatidas aproximadamente de 1.200.000 cabeças, o que corresponde a uma taxa de desfrute de 15% e um rendimento médio de carcaça de 55%, o que eqüivale a uma produção de 210 kg de carcaça/animal. Esta produção é insuficiente para atender a demanda de carne bovina do estado, já que aproximadamente de 60% deverá ser exportada, sendo destinado ao mercado local 40% (12.600 t), o que corresponde a aproximadamente 70% da demanda efetiva atual, constituindo os 30% remanescentes em importações de outros estados e da Bolívia.

Comercialização do Gado - A comercialização do gado é feita diretamente aos matadouros, frigoríficos ou açougues, havendo na maioria das vezes intermediação do processo, o que contribui para reduzir a margem de lucro dos produtores e elevar o preço final da carne pago pelos consumidores. A ocorrência de correntes de gado (para cria, recria ou engorda) de uma região para outra do estado já é expressiva. O transporte do gado é feito, basicamente, através de caminhões-cegonha (boiadeiros) dentro do estado e por via fluvial do gado procedente da Bolívia.

Matadouros - Frigoríficos - O abate de animais no estado ocorre em matadouros e frigoríficos de propriedade dos municípios e da iniciativa privada, num total de 26 unidades. A produção oriunda de abatedouros municipais se destina ao abastecimento local, enquanto que a oriunda dos privados é exercida por três frigoríficos que possuem capacidade de abate de 2.500 cabeças/dia, no entanto, atualmente, com apenas 50% de sua capacidade instalada (FRIRONDON em Porto Velho; FRIGOVIRA em Cacoal e Rio Jamary em Ariquemes), todos registrados e inspecionados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), vindo a constituírem-se, portanto, como os únicos exportadores de carne legalizadas de Rondônia para outros estados, em particular para o Amazonas. As câmaras de resfriamento têm capacidade para estocar 200 bois (0ºC), enquanto que os túneis para congelamento de miúdos, destinados a fabricação de embutidos (mortadela e lingüiça) têm capacidade para 3 toneladas (-25ºC). Os abatedouros clandestinos representam cerca de 30%, os quais não realizam as mínimas práticas de higiene, inspeção e padronização dos produtos comercializados. Dentro do próprio segmento verifica-se a existência de atividades diversificadas através do aproveitamento de resíduos (sebo, ossos, vísceras, sangue), especialmente na fabricação de sabão, farinha de ossos e carne. A produção de carne em Rondônia não é suficiente para suprir a demanda.

As tendências de oferta e demanda por carne bovina no mercado, tomando como base o comportamento de produção estimada para 2009, apresenta um quadro que leva ao prognóstico de manutenção dos níveis atuais e decréscimo do consumo “per capita”/ ano nos períodos 2007/08. Tal tendência é definida pelas perspectivas de implantação de novos projetos, projeção de oferta e demanda, expansão dos mercados exportadores, dentre outros fatores. Avaliando-se comparativamente os níveis de oferta e demanda, conclui-se que há uma demanda aparentemente insatisfeita da ordem de 9.900.000 kg/ano (considerando-se um consumo “per capita” de 18,5 kg), o que expressa um nível de 45,7% de demanda do produto potencialmente a margem do mercado de consumo local.

O mercado em análise passa a eleger a atividade da bovinocultura de corte como uma das principais opções entre as alternativas de produção de proteína animal, inclusive a nível de competição com as proteínas tradicionais, a exemplo do pescado, marcadamente afetada pela sazonalidade de produção, poluição mercurial dos rios e pesca predatória; da carne suína, intensamente vulnerável pela existência de abatedouros clandestinos, sem inspeção e controle, que põem em risco um alto consumo de carne afetada por doenças infecto-contagiosas. Tais fatos predizem a capacidade que tem a atividade bovina de concorrer para a substituição de tais produtos.

Regiões de Pecuária de Corte - As principais regiões de pecuária de corte correspondem aos municípios de Vilhena (5.372.000), Corumbiara (3.185.000), Pimenta Bueno (1.112.000) e Ouro Preto d´Oeste (1.060.000), que juntos participam com cerca de 35% do efetivo estadual. Em geral, ocorrem várias combinações de atividades, destacando-se a criação de gado de corte associado com produção de leite, lavouras comerciais (café, cacau e seringueira) ou de subsistência (arroz, milho, feijão e mandioca), cujas participações variam de acordo com as características sócio-econômicas específicas de cada produtor.

Sistemas de Produção de Gado de Corte - O sistema de criação de bovinos para corte em Rondônia é predominantemente extensivo, verificando-se na maioria das propriedades grande descaso com respeito ao manejo dos rebanhos, fato que contribui para um baixo desempenho produtivo. Em geral, os rebanhos não são divididos em categorias e, quando o são, distinguem-se apenas as fases de cria e recria, sendo os animais mantidos, quase sempre, no mesmo pasto. A estação de monta não é definida, contudo, as cobrições concentram-se nos meses chuvosos e os nascimentos na época seca. As vacas prestes a parir não recebem cuidados especiais, a não ser que hajam problemas na gestação e/ou parto, enquanto que nas crias faz-se o corte e desinfecção do cordão umbilical, utilizando-se tintura de iodo ou repelentes cicatrizantes. A idade à primeira cria está próxima de 3 a 4 anos e a taxa de descarte anual das vacas de 10% (animais com 8 a 10 anos de idade, de baixa fertilidade ou com anomalias que afetam a reprodução). A relação touro/vaca é de 1/40. As taxas de natalidade e de mortalidade de bezerros até à desmama são de 60 e 15%, respectivamente. A desmama ocorre entre 10 e 12 meses, ocasião em que procede-se a marcação e castração dos machos. Os animais são abatidos com peso médio de 390 kg e 3,5 a 4 anos de idade. As pastagens cultivadas constituem a principal fonte para a alimentação dos rebanhos. Estas são formadas, basicamente, por gramíneas, destacando-se as de braquiarias (Brachiaria decumbens, B. ruziziensis, B. mutica, B. radicans, B. humidicola e B. brizantha cv. Marandu), colonião (Panicum maximum cvs. Comum, Tanzânia-1, Mombaça, Vencedor, Centenário e Tobiatã), capim-estrela (Cynodon nlenfuensis), para solos de média a alta fertilidade e, B. humidicola, B. brizantha cv. Marandu e capim-andropogon (Andropogon gayanus cv. Planaltina) para solos de baixa fertilidade natural. A utilização de leguminosas é uma prática ainda incipiente, ocorrendo esporadicamente, principalmente com Pueraria phaseoloides, espécie bastante disseminada no estado. As pastagens, na quase totalidade são formadas sem qualquer orientação técnica e manejadas inadequadamente (altas taxas de lotação e sistema de pastejo contínuo), atendem razoavelmente às necessidades do rebanho durante o período das águas, enquanto que no período de estiagem (maio a setembro), em algumas regiões, a carência alimentar dos rebanhos atinge níveis alarmantes com elevada mortalidade de bovinos nas várias faixas etárias. A suplementação do rebanho, quando feita, ocorre apenas durante o período de estiagem, sendo constituído basicamente de capim-elefante (Pennisetum purpureum cvs. Cameroon e Napier), o qual é fornecido aos animais jovens e vacas gestantes ou recém-paridas. No entanto, como a capineira, geralmente , não é manejada durante a estação chuvosa, o capim utilizado no período de estiagem está muito maduro (relação colmo/folha muito alta e elevada percentagem de folhas mortas) e com baixíssimo valor nutritivo (muita fibra e pouca proteína), o que implica em efeitos irrisórios na produtividade animal. O fornecimento de sal mineral ao rebanho é precário, não atendendo às necessidades minerais dos animais, já que não é feita sistematicamente e por consistir, na maioria das vezes, de apenas sal comum. Ademais, a mineralização dos bovinos, mesmo sendo uma prática bem difundida, não satisfaz plenamente em razão da grande diversidade carencial entre propriedades, não respondendo às formulações comerciais uniformes. Com relação à sanidade do rebanho, os cuidados dispensados aos animais são mínimos. As vacinações contra raiva (em caso de focos), febre aftosa, brucelose, pnemoenterite e carbúnculo sintomático são realizadas, porém não sistematicamente. Já é expressivo o número de produtores que realizam o controle eficiente das endo e ectoparasitoses. A vermifugação é realizada esporadicamente e, algumas vezes, de forma inadequada. Quanto às doenças infecto-contagiosa, seu controle está praticamente entregue à iniciativa do produtor, refletindo o seu conhecimento tecnológico. A ocorrência de enfermidades carenciais (em condições climáticas normais), devido a falta de mineralização dos animais é preocupante. Entre os problemas de sanidade animal que comprometem a eficiência produtiva e/ou reprodutiva do gado de corte destacam-se: brucelose, cara-inchada, verminoses, mosca-dos-chifres, febre aftosa, berne e tristeza parasitária. Em geral, as instalações são rústicas, até certo ponto regulares no que tange à funcionalidade, sendo constituídas, basicamente, por um curral simples ou com brete ou tronco.

A administração, principalmente das grandes fazendas, é feita pelo capataz ou administrador e, no caso de pequenas e médias propriedades, pelo proprietário. O controle do rebanho (anotações de nascimento, mortes, vacinações, compra e venda de animais etc...) é realizada, geralmente, de forma precária, variando em função do nível de exploração adotado e do nível cultural do proprietário. A disponibilidade de mão-de-obra é bastante escassa, notadamente da qualificada. A relação média empregado/número de bovinos é de 1/200. Quanto ao nível tecnológico, observa-se, em geral, que só um número reduzido de criadores empregam alta tecnologia e obtém elevados índices de produtividade e rentabilidade, o que contrasta com o outro contigente que utiliza baixos níveis de tecnologia e, consequentemente, obtém baixo desempenho econômico da atividade pecuária.

Prognóstico - O efetivo bovino de corte do estado deverá continuar crescendo a índices representativos, considerando-se duas tendências de significativa importância: 1) formação de uma área de pastagem sempre que se dá a ocupação de um lote e 2) crescente substituição de áreas de lavoura por pastagens, devido aos freqüentes insucessos na exploração agrícola (solos de baixa fertilidade, pragas e doenças, mão-de-obra escassa e de elevado preço, altos custos de produção, baixa lucratividade na comercialização, falta de crédito, dificuldade no escoamento da produção, etc.), concorrendo para uma pecuarização, com a aquisição de maior número de bovinos, via lucro das lavouras. Dentre os fatores que limitam à produção de gado de corte e que são de interesse às instituições de pesquisa, extensão rural e fomento, destacam-se: a) pastagens mal manejadas e de baixo valor nutritivo; b) manejo inadequado do solo e dos rebanhos; c) suplementação alimentar deficiente ou inexistente durante a seca; d) suplementação mineral e controle sanitário precários ou ausentes.

Búfalos em Rondônia

Búfalos em Rondônia

De elevada rusticidade, os búfalos foram domesticados no terceiro milênio a.C., na Mesopotâmia, e no segundo milênio a.C., na China. Durante a Idade Média, os búfalos foram introduzidos na Europa, Extremo Oriente e África. No Brasil eles chegaram entre 1870 e 1890, através da Ilha de Marajó, onde devido a sua grande capacidade de adaptação aos mais diversos climas, se multiplicaram rapidamente. Durante este século, foram feitas diversas importações de bubalinos com o objetivo de fomento e de melhorar o plantel nacional. Embora a região Norte concentre 50% (Tabela 18) do rebanho nacional, a bubalinocultura vem crescendo principalmente nas regiões Sudeste, Sul e Centro Oeste, além de algumas áreas do Nordeste, sendo que os sistemas de criação variam do extensivo ao intensivo. Até o ano 2000 o Brasil terá 5 milhões de cabeças de búfalos a persistir o ritmo de crescimento que tem sido registrado no País nos últimos anos, a taxas de de 13% ao ano, conforme levantamento feito em 1995 pela Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos (ABCB). Com rentabilidade 20% maior que a dos bovinos (que crescem em níveis mais baixos, na faixa de 1 a 2% ao ano), os bubalinos estão avançando na medida em que os pecuaristas procuram alternativas para melhor aproveitamento de toda extensão de suas áreas. Os bubalinos estão distribuídos por todo país e calcula-se que anualmente de 20 a 30 mil toneladas de carne de búfalos são colocadas no mercado brasileiro e comercializada como bovina. Isto ocorre por causa da apresentação da carne de búfalos que é mais vermelha, pela possível rejeição da população por uma questão de hábito alimentar, pelo total desconhecimento desta sobre os diversos tipos de carnes que são comercializados e por não haver diferença no sabor entre a carne de bovinos e a de bubalinos. A região Norte detém 50% do efetivo bubalino do Brasil o que coloca Rondônia em situação privilegiada por causa da grande adaptação dos bubalinos a temperaturas e umidades elevadas, estando presente em todas as regiões do estado, desde o cerrado de Vilhena até as áreas de pastagens nativas de campo no Vale do Guaporé, passando por propriedades com pastagens cultivadas ao longo da BR 364.

Os búfalos têm superado os bovinos em Rondônia devido a sua adaptação às condições climáticas do trópico úmido e por sua alta capacidade em transformar forragens de baixo valor nutricional em carne. Estudos realizados pela EMBRAPA/CPAF-Rondônia têm demonstrado a alta capacidade de produção de carne, leite e trabalho. Os búfalos atingiram o peso de abate seis meses a um ano antes dos bovinos. Quanto a produção de leite, produziram em média 3,9 litros/dia em um período de lactação de 210 dias. É no trabalho que está a grande potencialidade dos búfalos, que produzem energia a custo quase zero. Seus grandes cascos lhes permitem movimentar-se em terrenos alagadiços e lamacentos, seus membros flexíveis permitem-lhe transpor obstáculos com facilidade. Pesquisa realizada com tração animal, durante seis anos, pela EMBRAPA/CPAF-Rondônia, revelaram que uma junta de búfalos, exerce efeito significativo na capitalização do pequeno produtor rural, em função do aumento da produção e produtividade, diminuição da necessidade de mão-de-obra, aproveitamento de áreas encapoeiradas, redução dos desmatamentos e da agricultura itinerante, diminuindo o êxodo rural. Na Tabela 20, encontra-se estudo comparativo de bubalinos e bovinos em diversas atividades em Rondônia.

Rebanho - O rebanho bubalino no estado é composto principalmente das raças Jafarabadi e Mediterrâneo com poucos exemplares da raça Murrah. O rebanho não apresenta aptidão para produção de leite sendo basicamente explorado para produção de carne. Não existe disponibilidade de fêmeas para venda em virtude do búfalo ter uma vida reprodutiva muito longa (em torno de 20 anos) o que faz com que os produtores não comercializem matrizes, sendo vendido apenas animais para abate.

Estrutura das Propriedades - A criação de búfalos, geralmente, é feita juntamente com a de bovinos, entretanto os pecuaristas, destinam para os bubalinos as pastagens de baixa qualidade, o que afeta consideralmente o desempenho produtivo. O tamanho das propiedades varia de 100 a 300 hectares, sendo que a maioria destas possuem aguadas para os animais. As pastagens utilizadas são a Brachiaria humidicola (quicuio da Amazônia), B. brizantha cv. Marandu (brizantão), B. decumbens (braquiarinha) e Panicum maximum (colonião) em regiões de solos de média a alta fertilidade natural. As doenças mais freqüentes são as helmintoses, a brucelose , a febre aftosa e os ectoparasitos (principalmente o piolho - Hematopinus tuberculatus).

Comercialização - A comercialização e feita diretamente nos matadouros, frigoríficos ou açougues havendo intermediação no processo. O preço pago é o mesmo pago aos bovinos, a carne é vendida sem um prévio aviso aos consumidores.

Prognóstico - O efetivo bubalino em Rondônia apesar de inexpressivo em relação ao de bovino, tende a aumentar como consequência da crescente substituição das áreas de lavouras por pastagens, bem como aos constantes insucessos na exploração agrícola.
Pecuária e Sustentabilidade em Rondônia

Um projeto pioneiro - utilizando novas tecnologias para otimizar áreas de pastos já existentes - está promovendo o aumento da produtividade em pequenas e médias propriedades pastoris de Rondônia, poupando o desmatamento na Amazônia. A experiência vem sendo implementada em 22 propriedades do estado, com apoio e recursos do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

O sistema silvopastoril, como é chamado, foi uma iniciativa experimental, de caráter demonstrativo, iniciada em junho de 2006, com encerramento previsto para o final de 2009. O trabalho demonstra que, mesmo quando o assunto é criação de gado, é viável implementar sistemas que promovam a pecuária associada à agroecologia.

Realizado em nove municípios próximos a Ji-Paraná, segunda maior cidade de Rondônia, o projeto demonstrativo “Agricultores Familiares promovendo o Equilíbrio Ambiental em Rondônia” desenvolveu uma pesquisa para testar e descobrir que tipos de espécies vegetais poderiam ser inseridas em pastos (sistema silvopastoril), com o objetivo de melhorar o microclima, promover maior rendimento econômico e evitar novos desmatamentos na floresta.

Bovino em RondôniaReflorestamento - A proposta inclui ainda o reflorestamento de matas ciliares, nascentes e áreas degradadas com vegetação nativa e frutíferas, o que ajuda a recompor a cobertura vegetal original e adequar as propriedades às exigências da legislação ambiental.

O projeto é feito com a combinação de árvores, pastagem e criação de gado numa mesma área, ao mesmo tempo, com o manejo realizado de forma integrada. Outro objetivo é incrementar a produtividade por unidade de área com a preservação do meio ambiente. Atualmente, a estimativa é de que há 1,6 cabeças de gado por hectare, e o projeto pretende aumentar este índice para 5,2 animais na mesma área.

A criação de animais associada ao plantio de árvores em bloco ao longo das pastagens pode reduzir a erosão e melhorar a conservação da água. Também reduz a necessidade de fertilizantes minerais e ajuda a capturar e fixar o carbono. Além disso, diversifica a produção, melhora o conforto dos animais e aumenta a biodiversidade e a geração de renda dos agricultores.

Fonte: www.megatimes.com.br