Diagnóstico da Pecuária em Rondônia

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Diagnóstico da Pecuária em Rondônia Diagnóstico da Pecuária em Rondônia

Aspectos Físicos
Localização geográfica, limites e extensão O estado de Rondônia está localizado na região Norte do Brasil, na Amazônia Ocidental, limitando-se ao norte e nordeste com o estado do Amazonas; a leste e sudeste com o Mato Grosso; a sudeste e oeste com a República da Bolívia e a noroeste com os Estados do Acre e Amazonas. Sua posição geográfica está definida pelas seguintes coordenadas: 7o5' e 13o45' de latitude sul e 66o47' e 59o55' de longitude oeste, abrangendo uma área de 243.044 Km2. O estado apresenta duas mesorregiões: Leste Rondoniense e Madeira-Guaporé. A primeira possui seis microrregiões: Ariquemes, JiParaná, Alvorada d'Oeste, Cacoal, Vilhena e Colorado d'Oeste. A segunda tem apenas duas: Porto Velho e Guajará-Mirim. b) Clima Rondônia, segundo a classificação de Koppen, apresenta clima tropical chuvoso dos tipos Am e Aw. O tipo Am caracteriza-se por total pluviométrico anual elevado e moderado período de estiagem e o Aw por total pluviométrico anual entre elevado e moderadamente elevado com nítido período de estiagem. O tipo Am ocorre nas regiões de Porto Velho e Ariquemes e o Aw nas demais regiões do estado. A precipitação pluviométrica é o componente que proporciona maiores diferenciações climáticas no estado; seus valores anuais variam de menos de 2.000 mm na região de Guajará-Mirim; de 2.000 a 2.100 mm na parte alta do Vale do Rio Ji-Paraná no sentido sul do estado e, mais de 2.100 mm na área que abrange os municípios de Porto Velho, Candeias do Jamari e Jamari.
A estação chuvosa tem início em setembro e prolonga-se até maio, sendo dezembro a março o período de maiores precipitações. A menor queda pluviométrica concentra-se no trimestre junho-agosto. Entretanto, as alturas pluviométricas dos meses de maio e, notadamente de setembro, alcançam freqüentemente valores inferiores a 50 mm, principalmente em Ouro Preto d'Oeste, Vilhena e Guajará-Mirim. As temperaturas médias, máximas e mínimas oscilam, respectivamente, entre 24 oC; 28 e 33oC e 18 e 21oC. Os limites mínimos térmicos ocorrem na localidade de e 26 Vilhena. Considerando-se as temperaturas mínimas, ocorrem no estado três zonas térmicas: a primeira situa-se em torno de Porto Velho; a segunda abrange Guajará-Mirim e Ariquemes e a terceira engloba as regiões de Ouro Preto d'Oeste até Vilhena, zona onde são registradas as temperaturas mais baixas, as quais, em grande parte, são influenciadas pela ação conjunta do fenômeno "friagem" e da altitude. Salienta-se que esta "friagem" caracteriza-se pela queda brusca da temperatura por um período de curta duração. A umidade relativa do ar, em todo o estado, apresenta-se mais elevada no período de dezembro a maio, entretanto, esse parâmetro varia consideravelmente em espaço, em termos de magnitude. Em Porto Velho, são encontrados, em geral, os valores médios mensais e anuais mais elevados, enquanto que em Vilhena são registrados os menores. As médias anuais de umidade relativa do ar oscilam entre 75 e 83%. c) Solos De acordo com o levantamento de solos efetuado pela EMBRAPA (1983), as principais unidades de mapeamento que ocorrem em Rondônia estão representadas pelos Latossolos Amarelo e Vermelho-Amarelo álicos que ocorrem em mais de 40% da área do estado, e pelos Podzólicos Vermelho-Amarelo álicos distróficos em mais de 20%, seguindo-se com menor freqüência Podzólicos eutróficos e Terra Roxa Estruturada, que representam cerca de 10% da superfície do estado. O restante é representado por Areias Quartzosas, Glei Pouco Úmico, Cambissolos, Plintissolos, Aluviais distróficos, Hidromórficos e Afloramentos Rochosos.

Unidades de Mapeamento Área (km2) % Fertilidade Latossolo Amarelo álico 19.393 7,98 Baixa Latossolo Vermelho-Escuro álico 4.844 2,03 Baixa Latossolo Vermelho-Amarelo álico 76.268 31,36 Baixa Latossolo Vermelho-Amarelo dist. 8.629 3,55 Baixa Terra Roxa Estruturada 1.973 0,81 Alta Podzólico Vermelho-Escuro eutrófico 25.496 10,49 Alta Podzólico Vermelho-Amarelo álico 50.432 20,78 Média Planossolo eutrófico 1.237 0,55 Média Cambissolo álico 8.305 3,41 Baixa Plintissolo álico 10.383 4,29 Baixa Gley Húmico álico 25 0,01 Baixa Gley Pouco Húmico álico 8.106 3,34 Baixa Solos Hidromórficos 2.276 0,94 Baixa Areias Quartzosas Hidromórficas 230 0,09 Baixa Areias Quartzosas álicas 14.943 6,15 Baixa Solos Aluviais álicos 260 0,11 Baixa Solos Aluviais distróficos 2.696 1,46 Baixa Solos Litólicos arenosos 3.520 1,11 Baixa Solos Litólicos distróficos 2.484 1,02 Baixa Afloramentos de rochas 301 0,13 Águas Internas 1.153 0,49 FONTE: EMBRAPA/SNLCS (1983) d) Vegetação Rondônia encontra-se, em grande parte, coberta pela Floresta Amazônica, seguida por cerrados e campos. Estas fisionomias vegetais variam por causa do clima, relevo e solo. Segundo levantamento da EMBRAPA (1983), ocorrem no estado as seguintes fases de vegetação: - Floresta equatorial perenifólia de várzea - Florestas equatorial perenifólia - Floresta equatorial subperenifólia - Floresta equatorial subcaducifólia - Floresta equatorial higrófila de várzea - Cerrado equatorial subperenifólio - Cerrado equatorial subcaducifólio.

Campo-cerrado equatorial - Campo equatorial higrófilo de várzea e) Relevo O relevo de Rondônia é bastante variável, ocorrendo planícies inundáveis no Vale do Rio Guaporé e aluviões no Rio Madeira, passando por superfícies tabulares e dissecadas das Serras e Chapadas do Cachimbo (400 m de altitude), até montanhas escarpadas. Em geral, o relevo é formado por baixos e altos platôs intercalados por superfícies dissecadas onde a altitude varia de 100 até mais de 500 metros. A Encosta Setentrional do Planalto Brasileiro, com altitudes variando de 100 a 600 m foi a área escolhida para concentrar os Projetos de Colonização. É cortada pela BR 364 e se caracteriza pela exploração pecuária e cultivos de café, cacau, arroz, feijão, milho, mandioca e frutíferas tropicais. A Chapada do Parecis, Pacaás Novos (planaltos residuais) formam uma faixa estreita no sentido noroeste-sudeste, variando de 600 a 1.000 m de altitude. É a região dos cerrados de Rondônia. Finalmente, o Vale dos Rios Guaporé-Mamoré se caracteriza pelas inundações periódicas típicas de um pantanal.

Antecedentes - Os primeiros dados registrados pelo IBGE sobre a pecuária em Rondônia datam de 1973, revelando um efetivo bovino total de 20.249 cabeças, no então território. Nos anos seguintes, registrou-se uma taxa geométrica de crescimento de 35,1% ao ano, sendo constatado já em 1979 no levantamento realizado pelo mesmo órgão, um total de 176.221 cabeças de bovinos no estado. Os anos 70, em especial 78 e 79, foram marcados pela injeção de significativo volume de crédito através dos programas especiais PROTERRA (Programa de Redistribuição de Terras e de Estímulo à Agricultura do Norte e Nordeste) e POLAMAZÔNIA (Programa de Desenvolvimento de Pólos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia), que repassaram recursos para investimentos e custeio a juros médios de 7% ao ano, sendo esta a forma esperada para incentivar um crescimento mais rápido da pecuária, com vistas a suprir a demanda interna em níveis de expansão cada vez mais elevados, em virtude do intenso fluxo migratório experimentado pelo território. A partir do ano de 1979, com a decisão do Conselho Monetário Nacional de retirar gradativamente os subsídios ao Crédito Rural, o volume de recursos emprestados aos pecuaristas pelas às instituições financeiras evoluiu negativamente, registrando-se no ano de 1983, em valores deflacionados, um volume de apenas 11% daquele tomado pelo produtor no ano de 1978. A soma dos recursos tomados nos quatro últimos anos (1980/83) foi de 42% do total dos recursos concedidos nos dois anos iniciais (1978/79).

Apesar de penalizada com taxas de juros elevadas, a bovinocultura de Rondônia continou a crescer nos anos 80, registrando-se, segundo estimativas do IBGE (Acompanhamento Conjuntural de Agropecuária de Rondônia, 1984) um rebanho de 653.000 cabeças em 1984, com uma taxa geométrica de crescimento de 27% ao ano, a partir de 1980. Este crescimento que, se por um lado não foi devido à concessão de crédito subsidiado pelas autoridades monetárias, por outro, deve-se creditar parte ao Governo estadual e ressaltar o trabalho desenvolvido pela Secretaria de Agricultura com a promoção de atividades de incentivo (Exposições Agropecuárias e leilões), procurando facilitar a integração e troca de experiência entre os produtores e agilizar a comercialização e a introdução de matrizes e reprodutores de melhor padrão genético, visando, com tais medidas, a melhoria dos índices zootécnicos do rebanho estadual. Também o Programa de Inseminação Artificial, implantado nesta época (Comissão Estadual de Planejamento Agrícola, 1983) contribuiu decisivamente neste sentido. É importante ressaltar ainda que uma parcela do crescimento do rebanho bovino em Rondônia deve ser creditada à tendência natural de expansão da atividade, na medida em que o fluxo migratório torna-se mais intenso, mais produtores dedicam-se à pecuária e, consequentemente, novas áreas são formadas em pastagens.

Tipos de Explorações

 Os tipos de exploracão agropecuária estão diretamente relacionados com os níveis de fertilidade natural dos solos. Nas regiões onde predominam solos de baixa fertilidade, o arroz e a mandioca são as culturas mais frequentes. O extrativismo vegetal ainda ocupa um lugar de destaque com a exploração de seringais nativos e castanha-doBrasil. Na região central do estado, onde os solos são de baixa a alta fertilidade, a utilização das terras se intensificam e diversificam com o uso de culturas de subsistência (arroz, milho, feijão e mandioca), perenes (café, cacau, guaraná, pimenta-do-reino etc.) e frutíferas (banana, abacaxi, cupuaçu, citros etc). Nestas regiões, a grande maioria dos agricultores adotam baixo nível tecnológico nos sistemas de uso da terra, caracterizando uma agricultura itinerante, onde se procede o desmatamento da floresta ou da capoeira, queima e plantio. Normalmente, a área desbravada é utilizada com culturas de subsistência, cedendo lugar para pastagens, café ou outras culturas perenes, quando não ficam em descanso, após três anos de uso intensivo. Os principais modelos de produção utilizados são os que associam culturas anuais, café e pastagens; culturas anuais e pastagens, ou, formação de pastagens logo após a derruba e queima da floresta, o que concorre para que a pecuária represente a principal atividade do setor primário estadual.

Infra-Estrutura de Apoio à Produção

 Estradas, meios de transporte, eletrificação e comunicações. Excetuando-se as propriedades situadas ao longo das rodovias pavimentadas (BR 364, Rolim de Moura/Pimenta Bueno, Guajará Mirim/Abunã, Vilhena/Colorado do Oeste), as demais ficam sujeitas às dificuldades de acesso durante o período mais chuvoso do ano (dezembro/março). Os meios de transporte são predominantemente rodoviários, cabendo ao fluvial uma parcela insignificante. A eletrificação e comunicação (telefone, rádio, telex, fax etc), ficam restritos às cidades, distritos e núcleos urbanos de apoio rural. Com o funcionamento da hidroelétrica de Samuel e a implantação de redes de abastecimento ao longo da Br 364, a eletrificação rural tende a se intensificar.

b) Sindicatos, associações e cooperativas de criadores Nos últimos anos, houve um expressivo aumento dessas entidades, as quais promovem dentre outros, as exposições e feiras agropecuárias. Os sindicatos e as cooperativas se dedicam, além de suas atribuições regimentais, à venda de insumos agropecuários e a prestação de assistência técnica. Atualmente, as Associações têm participado ativamente nos projetos de financiamento de bovinos leiteiros, através do FNO/BASA.

Distribuição da rede bancária que atua em crédito rural Praticamente, todas as cidades possuem agências bancárias oficiais e/ou privadas. Atualmente, existe uma linha de financiamento para pecuária, através do Fundo Constitucional do Norte (FNO), operacionalizado pelo Banco da Amazônia S.A. (BASA) e outra pelo FUNDAGRO (Fundo de Desenvolvimento Agropecuário de Rondônia), com recursos do PLANAFLORO (Plano Agropecuário e Florestal de Rondônia), através do BERON (Banco do Estado de Rondônia).

Agroindústrias que oferecem subprodutos e resíduos para alimentação animal. As agroindústrias desse gênero se restringem às usinas de beneficiamento de arroz e algodão, que comercializam seus subprodutos em quantidades razoáveis e a preços acessíveis. Em Cacoal (Frigorífico Santa Elvira), Ariquemes (Frigorífico Rio Jamary) e em Porto Velho (FRIRONDON) produzem a farinha de sangue, carne e ossos. e) Fábricas de ração e de misturas minerais. Ainda inexpressivas, estas fábricas estão localizadas ao longo da BR 364 (Porto Velho - NORSAL; Ouro Preto d’Oeste - Côcho Rico; Ji-Paraná - BomSal). f) Regularidade no suprimento de insumos. O mercado regional atende satisfatoriamente a demanda por fertilizantes, defensivos, vacinas, medicamentos veterinários, sais minerais e sementes.

Disponibilidade de matrizes e reprodutores melhorados. Os pecuaristas de maior poder aquisitivo geralmente adquirem reprodutores e matrizes em leilões e exposições agropecuárias realizadas em outros estados. O número de produtores que praticam a inseminação artificial é expressivo, os quais dispõem de uma usina de produção de nitrogênio líquido localizada em Porto Velho. O sêmen é adquirido de empresas, como: Pecplan-Bradesco, Nova Índia e Lagoa da Serra, as quais contam com representantes locais. Alem disso, a realização de leilões regionais (Porto Velho, Ariquemes, Jarú, Ouro Preto d’Oeste, Ji-Paraná, Cacoal e Vilhena) são cada vez mais freqüentes e contribuem, significativamente, para a melhoria do padrão genético do rebanho estadual.

Pesquisa e Assistência Técnica

 Instituições de pesquisa pecuária que atuam no estado A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), através do Centro de Pesquisa Agroflorestal de Rondônia (CPAF-Rondônia) é a única instituição oficial que executa pesquisas relativas à pecuária no estado. O Centro possui cinco Campos Experimentais, estrategicamente distribuídos, em função das diferentes condições edafoclimáticas. Atualmente, dispõe de uma equipe composta por seis pesquisadores desenvolvendo pesquisas na Área de Produção Animal. Ao longo de 20 anos de atividades, o CPAF-Rondônia já realizou dezenas de Projetos de Pesquisa nessa área, envolvendo vários assuntos, tais como: • • • • • • • • • • • • Introdução e avaliação de germoplasma forrageiro (gramíneas e leguminosas); Manejo de plantas forrageiras (sistema de pastejo, carga animal, diferimento); Consorciação de gramíneas e leguminosas forrageiras; Seleção de gramíneas forrageiras resistentes às cigarrinhas-das-pastagens; Calagem e adubação de plantas forrageiras; Métodos de controle de plantas invasoras; Avaliação de cultivares de sorgo forrageiro e granífero; Manejo de leguminosas arbustivas; Microbiologia do solo (micorrizas); Sistema de produção para gado de leite e corte; Bioclimatologia em bovinos leiteiros; Manejo de capineiras (altura e freqüência de corte, diferimento, consorciação com leguminosas, sistemas de pastejo); • Formação e manejo de bancos-de-proteína; • Recuperação e renovação de pastagens degradadas; • Manejo da mandioca para produção de forragem; • Introdução e avaliação de ovinos deslanados e caprinos de dupla aptidão (carne e leite); • Desempenho produtivo de pequenos ruminantes em sistemas silvipastoris; • Formulação de misturas minerais para ruminantes; • Avaliação de sistemas de produção para bubalinos de carne e leite; • Epidemiologia e controle de helmintos gastrintestinais em bovinos de carne e leite; • Epidemiologia de helmintos gastrintestinais em ovinos deslanados; • Controle químico e biológico da mosca-dos-chifres; • Utilização da tração animal na fazenda (bovinos e bubalinos); • Identificação e testes com plantas tóxicas (levantamento de espécies e determinação das doses letais).

Órgãos de Assistência Técnica e Defesa Sanitária Animal A assistência técnica, em todo o estado, é exercida pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Rondônia (EMATER-Rondônia) através de seus 57 escritórios locais e cinco regionais. Este serviço conta com aproximadamente 400 extensionistas. A defesa sanitária animal é coordenada e executada pelo Departamento de Produção Animal da Secretaria de Estado de Agricultura, através de quinze delegacias municipais. À Delegacia Federal da Agricultura e Reforma Agrária (DFARA) cabe a responsabilidade de fiscalização das fronteiras estaduais e internacionais e pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF).

Laboratório de Diagnósticos Com execeção da anemia infecciosa eqüina, brucelose, ecto e endoparasitoses, não há o instrumental laboratorial adequado para a diagnose de doenças que exijam procedimentos sofisticados. Quando necessário, recorre-se a centros mais desenvolvidos como Belém (PA), Campo Grande (MS) , Rio de Janeiro (RJ) e Cuiabá (MT).

Rebanho Bovino

Num período de cinco anos (2004/2008), o efetivo bovino de Rondônia foi incrementado em 4.640.000 cabeças, o que representa um acréscimo de 85% . A tendência da bovinocultura estadual, conforme constatado nos últimos anos, deverá continuar expandindo a níveis surpreendentes, tendo em vista uma sucessão de fatores limitantes que desestimulam as explorações agrícolas (mão-de-obra cara e escassa, solos química e fisicamente desgastados, elevados preços de insumos, ocorrência de pragas e doenças, baixa lucratividade na comercialização e linhas de crédito rural deficitárias). Estas evidências vêm concorrendo para que a pecuária bovina seja uma das alternativas mais viáveis, já que é menos dependente de tais oscilações, além de assegurar maior liquidez e melhor remuneração.

Sinais nítidos dessa mudança são observados por duas tendências:

Formação de pastagens sempre que há ocupação de uma gleba;

Crescente substituição de lavouras por pastagens.

Estimativas do IBGE, indicam que 13,6% do efetivo bovino estadual corresponde a gado de leite. A rigor, distinguir essa aptidão no rebanho torna-se bastante difícil, uma vez que as evidências mostram que a produção de leite advém de um gado mestiço, eurozebu, de dupla aptidão (leite e carne).

Oferta e Demanda de Leite no Estado de Rondônia

Evolução e Sazonalidade A evolução da oferta de leite no estado está condicionada diretamente ao incremento do efetivo bovino, pois como se observa a produtividade vem se mantendo praticamente constante ao longo dos últimos anos. Quanto à sazonalidade de oferta, esta sofre influência direta da disponibilidade de forragem nas pastagens, que por sua vez depende do regime hídrico anual da região, sendo que as maiores produções se concentram no período de setembro a janeiro. Isto está diretamente relacionado com o baixo preço oferecido pelas usinas, o que não estimula o produtor a suplementar os rebanhos durante o período de estiagem. b) Importação de leite e derivados de outros estados e países. Apesar da grande capacidade instalada para o beneficiamento de leite e seus derivados em Rondônia, ainda é significativo o volume de importação de leite em pó, queijo, manteiga e demais derivados, principalmente da Europa e de São Paulo, Minas Gerais e Goiás. 4.2. Demanda a) Evolução da demanda e fatores que a afetam A evolução da demanda vem ocorrendo na razão direta do crescimento da população. Vale salientar que parte significativa da população do estado é constituída por migrantes das regiões Centro-Sul e nordeste do país, que durante os últimos 20 anos se deslocaram para Rondônia em busca de terras e trabalho nos mais diferentes setores da economia regional. O simples fato dessas pessoas serem oriundas de regiões mais desenvolvidas, naturalmente estimula mudanças nos hábitos alimentares da população local criando-se demanda por produtos lácteos. Porto Velho e Ji-Paraná, principais centros urbanos do estado, são também os maiores consumidores de leite e seus derivados.

Regiões Produtoras de Leite em Rondônia

 Em geral para efeito de sistemas de produção, distinguem-se cinco regiões produtoras de leite: Ji-Paraná, Cacoal, Colorado d’Oeste, Ariquemes e Porto Velho. A de Porto Velho caracteriza-se por apresentar os mais baixos índices de produtividade em consequência de estar situada em solos de baixa fertilidade natural; as de Ji-Paraná e Colorado d’Oeste, destacam-se por contribuírem com a maior parte da produção estadual e por possuírem as terras mais férteis do estado.

Estrutura das Propriedades -  A área dos estabelecimentos que exploram a pecuária de leite varia entre 50 e 500 hectares, todavia predominam os que se situam na faixa de 100 a 200 hectares. Quanto a utilização das terras, as pastagens assumem lugar de destaque representando até 50% da área. Vale ressaltar que essas pastagens, em sua quase totalidade, são cultivadas e estabelecidas em áreas desmatadas, anteriormente ocupadas com lavouras de subsistência.

Rebanho - Os rebanhos explorados na produção de leite não são especializados, apresentam aptidão mista (carne e leite). Quanto a produtividade, média do período 1992/93, as microrregiões de Ji-Paraná, Cacoal e Ariquemes alcançaram, respectivamente, 634, 540 e 626 litros de leite/vaca/ano. Entre os problemas de sanidade animal que comprometem a produção de leite no âmbito estadual destacam-se: alta prevalência de endo (verminoses) e ectoparasitoses (carrapato e berne), carências minerais e doenças infecto-contagiosas (brucelose, aftosa, tuberculose, carbúnculo sintomático, paratifo dos bezerros e mastite).

Sistemas de produção - Em geral, os sistemas de produção das diversas regiões do estado se assemelham,uma vez que as dificuldades são comuns a todos. Assim sendo, as contribuições para o melhoramento genético dos rebanhos têm sido bastante restritas principalmente pelas limitações de crédito e pela falta de incentivos governamentais que impedem a aquisição de reprodutores e matrizes de boa linhagem leiteira em outros pontos do país. Geralmente, ocorre a entrada de animais de baixo padrão zootécnico provenientes de outros estados, o que afeta negativamente a produtividade dos rebanhos. Com raras exceções, os criadores fazem seleção no rebanho, predominando os cruzamentos entre animais mestiços. Quanto a alimentação, esta constitui-se quase que exclusivamente de pastagens cultivadas. Dependendo do nível de fertilidade do solo, as espécies forrageiras mais comuns são: capim-Colonião (Panicum maximum cvs. Comum, Mombaça, Vencedor, Centenário, Tanzânia-1); braquiarias (Brachiaria decumbens, B. humidicola, B. ruziziensis, B. mutica, B. brizantha cv. Marandu, B. radicans), capim-estrela (Cynodon nlenfuensis), para solos de média a alta fertilidade natural e, B. humidicola, B. ruziziensis e B. brizantha cv. Marandu e, mais recentemente o capim-andropogon (Andropogon gayanus cv. Planaltina), para solos de baixa fertilidade natural. Na maioria dos casos as pastagens são formadas em áreas não destocadas, sendo comum a utilização de práticas de manejo inadequadas (sistema de pastejo contínuo e altas pressões de pastejo). Não é comum o uso de concentrados. A utilização de capineiras é uma prática bastante generalizada, notadamente para às vacas em lactação durante o período de estiagem; no entanto, o manejo adotado é inadequado, o que proporciona efeitos pouco significativos na produtividade animal. O capim-elefante (Pennisetum purpureum cvs. Cameroon e Napier) é a espécie mais utilizada para a formação de capineiras no estado. A mineralização do rebanho é deficiente; por não atender as exigências minerais dos animais, por ser descontínua e por se restringir, na maioria dos casos, ao fornecimento de sal comum.

Quanto a sanidade do rebanho, são mínimos os cuidados dispensados aos animais. O controle às principais doenças infecto-contagiosas, restringe-se à vacinação contra a aftosa, que na maioria dos casos não é sistemática. É bastante elevada a incidência de brucelose no rebanho, chegando a atingir, em média 10% das vacas em produção. A falta de higiene, principalmente durante a realização das ordenhas tem contribuído significativamente para o aumento dos casos de mamite. As helmintoses gastrintestinais são responsáveis em grande parte pela mortalidade de animais jovens (± 15%) e pela baixa produtividade leiteira; isso reflete a falta de vermifugações sistemáticas. A pneumoenterite em bezerros é muito freqüente sendo uma das doenças que mais dizimam essa categoria. As moléstias transmitidas pelo carrapato são preocupantes. Em área de pastagens “sujas”, onde a ocorrência de plantas invasora é generalizada, ou naquelas estabelecidas em solos arenosos, são bastante freqüentes mortes causadas por plantas tóxicas e por doenças carenciais. A reprodução, geralmente, se dá através da monta natural a campo, sem controle e sem critério de natureza genética. A inseminação artificial já está sendo adotada por um considerável número de pecuaristas. O sistema de criação adotado é o semi-extensivo. Na quase totalidade dos casos, realiza-se apenas uma ordenha e a duração de lactação das vacas é em média de 180 dias. Ainda utiliza-se o bezerro para apojar a vaca. A ausência de um manejo animal faz com que fêmeas ainda muito jovens sejam cobertas, prejudicando assim o desenvolvimento ponderal e a vida útil do animal. As instalações usadas são rústicas, porém, na maioria dos casos, atendem às necessidades principalmente levando-se em conta as práticas de manejo utilizadas. Em geral, constam de um estábulo (tamanho variável em função do rebanho) cobertos com telhas amianto ou cavacos de madeiras, piso de cascalho batido, pedras ou cimentado, cocheiras de alvenaria, divisões com réguas de madeira e curral anexo construído em madeira lavrada. Em muitos casos apresentam um brete rústico. Vale ressaltar que as madeiras de lei são abundantes na região.

Insumos e mão-de-obra

a) Disponibilidade e qualidade de insumos Praticamente, a maioria dos insumos utilizados na pecuária leiteira do estado são importados de outras regiões do país, principalmente de São Paulo. Em matéria de subprodutos de agroindústrias, dispõe-se apenas do farelo de arroz e caroço de algodão provenientes das usinas de beneficiamento locais e, mais recentemente, da farinha de carne e ossos cuja produção é insignificante.

b) Disponibilidade e qualificação da mão-de-obra

Além de bastante escassa, a mão-de-obra local apresenta baixos níveis de qualificação. A opção pelo trabalho em mineração constitui a principal causa da escassez de mão-de-obra para as atividades agropecuárias.

Prognóstico - Apesar da existência de um rebanho não especializado para a produção de leite, do baixo nível tecnológico adotado e das dificuldades inerentes às regiões em fase de desbravamento e colonização (falta de crédito, altos preços dos insumos, mão-de-obra escassa e pouco qualificada etc.), observa-se ainda uma nítida expansão da pecuária leiteira. Esta tendência é conseqüência dos melhores retornos na comercialização dos produtos e subprodutos, maior liquidez e por oferecer menores riscos do que as demais explorações agrícolas. Entre os fatores que mais afetam negativamente o desempenho da bovinocultura de leite no estado e que devem ser priorizados pelos órgãos ligados ao setor primário (pesquisa, extensão e fomento), destacam-se: a) rebanho não especializado para a produção de leite;

b) pastagens mal manejadas e de baixo valor nutritivo;
c) manejo inadequado do solo;
d) manejo inadequado do rebanho;
e) suplementação alimentar precária durante o período de estiagem;
f) suplementação mineral deficiente;
g) ausência ou deficiência de controle sanitário.

Pecuária de Corte

Constituição do Rebanho de Corte - A bovinocultura de corte é uma atividade em franca expansão no estado, apresentando um crescimento de 80% nos últimos cinco anos. Entre os fatores que têm contribuído para este acelerado crescimento destacam-se a carência e o elevado preço da mão-de-obra, dificuldades no escoamento da produção, falta de estrutura para beneficiamento e armazenagem de cereais, baixo retorno econômico das atividades agrícolas e insuficiência da produção de carne para atender a demanda. O rebanho é constituído, basicamente, por animais azebuados, havendo, contudo, predominância da raça Nelore. a) Distribuição dos Criadores e do Rebanho de Corte de Acordo com a Atividade Predominante. Em Rondônia, a pecuária de corte está presente em todo o estado; no entanto, os maiores efetivos concentram-se nas microrregiões de Ji-Paraná (22,25%), Vilhena (21,75%), Cacoal (18,49%) e Colorado d’Oeste (16,35%), perfazendo um total de 1.973.386 cabeças. Em geral, há especialização dos produtores quanto as fases de criação (cria, recria, engorda), e em menor proporção o confinamento.

Abates e Produção de Carne - A produção média estimada de carne bovina para Rondônia, durante o ano de 2009 é de 1,2 milões de t, devendo serem abatidas aproximadamente de 1.200.000 cabeças, o que corresponde a uma taxa de desfrute de 15% e um rendimento médio de carcaça de 55%, o que eqüivale a uma produção de 210 kg de carcaça/animal. Esta produção é insuficiente para atender a demanda de carne bovina do estado, já que aproximadamente de 60% deverá ser exportada, sendo destinado ao mercado local 40% (12.600 t), o que corresponde a aproximadamente 70% da demanda efetiva atual, constituindo os 30% remanescentes em importações de outros estados e da Bolívia.

Comercialização do Gado - A comercialização do gado é feita diretamente aos matadouros, frigoríficos ou açougues, havendo na maioria das vezes intermediação do processo, o que contribui para reduzir a margem de lucro dos produtores e elevar o preço final da carne pago pelos consumidores. A ocorrência de correntes de gado (para cria, recria ou engorda) de uma região para outra do estado já é expressiva. O transporte do gado é feito, basicamente, através de caminhões-cegonha (boiadeiros) dentro do estado e por via fluvial do gado procedente da Bolívia.

Matadouros - Frigoríficos - O abate de animais no estado ocorre em matadouros e frigoríficos de propriedade dos municípios e da iniciativa privada, num total de 26 unidades. A produção oriunda de abatedouros municipais se destina ao abastecimento local, enquanto que a oriunda dos privados é exercida por três frigoríficos que possuem capacidade de abate de 2.500 cabeças/dia, no entanto, atualmente, com apenas 50% de sua capacidade instalada (FRIRONDON em Porto Velho; FRIGOVIRA em Cacoal e Rio Jamary em Ariquemes), todos registrados e inspecionados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), vindo a constituírem-se, portanto, como os únicos exportadores de carne legalizadas de Rondônia para outros estados, em particular para o Amazonas. As câmaras de resfriamento têm capacidade para estocar 200 bois (0ºC), enquanto que os túneis para congelamento de miúdos, destinados a fabricação de embutidos (mortadela e lingüiça) têm capacidade para 3 toneladas (-25ºC). Os abatedouros clandestinos representam cerca de 30%, os quais não realizam as mínimas práticas de higiene, inspeção e padronização dos produtos comercializados. Dentro do próprio segmento verifica-se a existência de atividades diversificadas através do aproveitamento de resíduos (sebo, ossos, vísceras, sangue), especialmente na fabricação de sabão, farinha de ossos e carne. A produção de carne em Rondônia não é suficiente para suprir a demanda.

As tendências de oferta e demanda por carne bovina no mercado, tomando como base o comportamento de produção estimada para 2009, apresenta um quadro que leva ao prognóstico de manutenção dos níveis atuais e decréscimo do consumo “per capita”/ ano nos períodos 2007/08. Tal tendência é definida pelas perspectivas de implantação de novos projetos, projeção de oferta e demanda, expansão dos mercados exportadores, dentre outros fatores. Avaliando-se comparativamente os níveis de oferta e demanda, conclui-se que há uma demanda aparentemente insatisfeita da ordem de 9.900.000 kg/ano (considerando-se um consumo “per capita” de 18,5 kg), o que expressa um nível de 45,7% de demanda do produto potencialmente a margem do mercado de consumo local.

O mercado em análise passa a eleger a atividade da bovinocultura de corte como uma das principais opções entre as alternativas de produção de proteína animal, inclusive a nível de competição com as proteínas tradicionais, a exemplo do pescado, marcadamente afetada pela sazonalidade de produção, poluição mercurial dos rios e pesca predatória; da carne suína, intensamente vulnerável pela existência de abatedouros clandestinos, sem inspeção e controle, que põem em risco um alto consumo de carne afetada por doenças infecto-contagiosas. Tais fatos predizem a capacidade que tem a atividade bovina de concorrer para a substituição de tais produtos.

Regiões de Pecuária de Corte - As principais regiões de pecuária de corte correspondem aos municípios de Vilhena (5.372.000), Corumbiara (3.185.000), Pimenta Bueno (1.112.000) e Ouro Preto d´Oeste (1.060.000), que juntos participam com cerca de 35% do efetivo estadual. Em geral, ocorrem várias combinações de atividades, destacando-se a criação de gado de corte associado com produção de leite, lavouras comerciais (café, cacau e seringueira) ou de subsistência (arroz, milho, feijão e mandioca), cujas participações variam de acordo com as características sócio-econômicas específicas de cada produtor.

Sistemas de Produção de Gado de Corte - O sistema de criação de bovinos para corte em Rondônia é predominantemente extensivo, verificando-se na maioria das propriedades grande descaso com respeito ao manejo dos rebanhos, fato que contribui para um baixo desempenho produtivo. Em geral, os rebanhos não são divididos em categorias e, quando o são, distinguem-se apenas as fases de cria e recria, sendo os animais mantidos, quase sempre, no mesmo pasto. A estação de monta não é definida, contudo, as cobrições concentram-se nos meses chuvosos e os nascimentos na época seca. As vacas prestes a parir não recebem cuidados especiais, a não ser que hajam problemas na gestação e/ou parto, enquanto que nas crias faz-se o corte e desinfecção do cordão umbilical, utilizando-se tintura de iodo ou repelentes cicatrizantes. A idade à primeira cria está próxima de 3 a 4 anos e a taxa de descarte anual das vacas de 10% (animais com 8 a 10 anos de idade, de baixa fertilidade ou com anomalias que afetam a reprodução). A relação touro/vaca é de 1/40. As taxas de natalidade e de mortalidade de bezerros até à desmama são de 60 e 15%, respectivamente. A desmama ocorre entre 10 e 12 meses, ocasião em que procede-se a marcação e castração dos machos. Os animais são abatidos com peso médio de 390 kg e 3,5 a 4 anos de idade. As pastagens cultivadas constituem a principal fonte para a alimentação dos rebanhos. Estas são formadas, basicamente, por gramíneas, destacando-se as de braquiarias (Brachiaria decumbens, B. ruziziensis, B. mutica, B. radicans, B. humidicola e B. brizantha cv. Marandu), colonião (Panicum maximum cvs. Comum, Tanzânia-1, Mombaça, Vencedor, Centenário e Tobiatã), capim-estrela (Cynodon nlenfuensis), para solos de média a alta fertilidade e, B. humidicola, B. brizantha cv. Marandu e capim-andropogon (Andropogon gayanus cv. Planaltina) para solos de baixa fertilidade natural. A utilização de leguminosas é uma prática ainda incipiente, ocorrendo esporadicamente, principalmente com Pueraria phaseoloides, espécie bastante disseminada no estado. As pastagens, na quase totalidade são formadas sem qualquer orientação técnica e manejadas inadequadamente (altas taxas de lotação e sistema de pastejo contínuo), atendem razoavelmente às necessidades do rebanho durante o período das águas, enquanto que no período de estiagem (maio a setembro), em algumas regiões, a carência alimentar dos rebanhos atinge níveis alarmantes com elevada mortalidade de bovinos nas várias faixas etárias. A suplementação do rebanho, quando feita, ocorre apenas durante o período de estiagem, sendo constituído basicamente de capim-elefante (Pennisetum purpureum cvs. Cameroon e Napier), o qual é fornecido aos animais jovens e vacas gestantes ou recém-paridas. No entanto, como a capineira, geralmente , não é manejada durante a estação chuvosa, o capim utilizado no período de estiagem está muito maduro (relação colmo/folha muito alta e elevada percentagem de folhas mortas) e com baixíssimo valor nutritivo (muita fibra e pouca proteína), o que implica em efeitos irrisórios na produtividade animal. O fornecimento de sal mineral ao rebanho é precário, não atendendo às necessidades minerais dos animais, já que não é feita sistematicamente e por consistir, na maioria das vezes, de apenas sal comum. Ademais, a mineralização dos bovinos, mesmo sendo uma prática bem difundida, não satisfaz plenamente em razão da grande diversidade carencial entre propriedades, não respondendo às formulações comerciais uniformes. Com relação à sanidade do rebanho, os cuidados dispensados aos animais são mínimos. As vacinações contra raiva (em caso de focos), febre aftosa, brucelose, pnemoenterite e carbúnculo sintomático são realizadas, porém não sistematicamente. Já é expressivo o número de produtores que realizam o controle eficiente das endo e ectoparasitoses. A vermifugação é realizada esporadicamente e, algumas vezes, de forma inadequada. Quanto às doenças infecto-contagiosa, seu controle está praticamente entregue à iniciativa do produtor, refletindo o seu conhecimento tecnológico. A ocorrência de enfermidades carenciais (em condições climáticas normais), devido a falta de mineralização dos animais é preocupante. Entre os problemas de sanidade animal que comprometem a eficiência produtiva e/ou reprodutiva do gado de corte destacam-se: brucelose, cara-inchada, verminoses, mosca-dos-chifres, febre aftosa, berne e tristeza parasitária. Em geral, as instalações são rústicas, até certo ponto regulares no que tange à funcionalidade, sendo constituídas, basicamente, por um curral simples ou com brete ou tronco.

A administração, principalmente das grandes fazendas, é feita pelo capataz ou administrador e, no caso de pequenas e médias propriedades, pelo proprietário. O controle do rebanho (anotações de nascimento, mortes, vacinações, compra e venda de animais etc...) é realizada, geralmente, de forma precária, variando em função do nível de exploração adotado e do nível cultural do proprietário. A disponibilidade de mão-de-obra é bastante escassa, notadamente da qualificada. A relação média empregado/número de bovinos é de 1/200. Quanto ao nível tecnológico, observa-se, em geral, que só um número reduzido de criadores empregam alta tecnologia e obtém elevados índices de produtividade e rentabilidade, o que contrasta com o outro contigente que utiliza baixos níveis de tecnologia e, consequentemente, obtém baixo desempenho econômico da atividade pecuária.

Prognóstico - O efetivo bovino de corte do estado deverá continuar crescendo a índices representativos, considerando-se duas tendências de significativa importância: 1) formação de uma área de pastagem sempre que se dá a ocupação de um lote e 2) crescente substituição de áreas de lavoura por pastagens, devido aos freqüentes insucessos na exploração agrícola (solos de baixa fertilidade, pragas e doenças, mão-de-obra escassa e de elevado preço, altos custos de produção, baixa lucratividade na comercialização, falta de crédito, dificuldade no escoamento da produção, etc.), concorrendo para uma pecuarização, com a aquisição de maior número de bovinos, via lucro das lavouras. Dentre os fatores que limitam à produção de gado de corte e que são de interesse às instituições de pesquisa, extensão rural e fomento, destacam-se: a) pastagens mal manejadas e de baixo valor nutritivo; b) manejo inadequado do solo e dos rebanhos; c) suplementação alimentar deficiente ou inexistente durante a seca; d) suplementação mineral e controle sanitário precários ou ausentes.

Búfalos em Rondônia

Búfalos em Rondônia

De elevada rusticidade, os búfalos foram domesticados no terceiro milênio a.C., na Mesopotâmia, e no segundo milênio a.C., na China. Durante a Idade Média, os búfalos foram introduzidos na Europa, Extremo Oriente e África. No Brasil eles chegaram entre 1870 e 1890, através da Ilha de Marajó, onde devido a sua grande capacidade de adaptação aos mais diversos climas, se multiplicaram rapidamente. Durante este século, foram feitas diversas importações de bubalinos com o objetivo de fomento e de melhorar o plantel nacional. Embora a região Norte concentre 50% (Tabela 18) do rebanho nacional, a bubalinocultura vem crescendo principalmente nas regiões Sudeste, Sul e Centro Oeste, além de algumas áreas do Nordeste, sendo que os sistemas de criação variam do extensivo ao intensivo. Até o ano 2000 o Brasil terá 5 milhões de cabeças de búfalos a persistir o ritmo de crescimento que tem sido registrado no País nos últimos anos, a taxas de de 13% ao ano, conforme levantamento feito em 1995 pela Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos (ABCB). Com rentabilidade 20% maior que a dos bovinos (que crescem em níveis mais baixos, na faixa de 1 a 2% ao ano), os bubalinos estão avançando na medida em que os pecuaristas procuram alternativas para melhor aproveitamento de toda extensão de suas áreas. Os bubalinos estão distribuídos por todo país e calcula-se que anualmente de 20 a 30 mil toneladas de carne de búfalos são colocadas no mercado brasileiro e comercializada como bovina. Isto ocorre por causa da apresentação da carne de búfalos que é mais vermelha, pela possível rejeição da população por uma questão de hábito alimentar, pelo total desconhecimento desta sobre os diversos tipos de carnes que são comercializados e por não haver diferença no sabor entre a carne de bovinos e a de bubalinos. A região Norte detém 50% do efetivo bubalino do Brasil o que coloca Rondônia em situação privilegiada por causa da grande adaptação dos bubalinos a temperaturas e umidades elevadas, estando presente em todas as regiões do estado, desde o cerrado de Vilhena até as áreas de pastagens nativas de campo no Vale do Guaporé, passando por propriedades com pastagens cultivadas ao longo da BR 364.

Os búfalos têm superado os bovinos em Rondônia devido a sua adaptação às condições climáticas do trópico úmido e por sua alta capacidade em transformar forragens de baixo valor nutricional em carne. Estudos realizados pela EMBRAPA/CPAF-Rondônia têm demonstrado a alta capacidade de produção de carne, leite e trabalho. Os búfalos atingiram o peso de abate seis meses a um ano antes dos bovinos. Quanto a produção de leite, produziram em média 3,9 litros/dia em um período de lactação de 210 dias. É no trabalho que está a grande potencialidade dos búfalos, que produzem energia a custo quase zero. Seus grandes cascos lhes permitem movimentar-se em terrenos alagadiços e lamacentos, seus membros flexíveis permitem-lhe transpor obstáculos com facilidade. Pesquisa realizada com tração animal, durante seis anos, pela EMBRAPA/CPAF-Rondônia, revelaram que uma junta de búfalos, exerce efeito significativo na capitalização do pequeno produtor rural, em função do aumento da produção e produtividade, diminuição da necessidade de mão-de-obra, aproveitamento de áreas encapoeiradas, redução dos desmatamentos e da agricultura itinerante, diminuindo o êxodo rural. Na Tabela 20, encontra-se estudo comparativo de bubalinos e bovinos em diversas atividades em Rondônia.

Rebanho - O rebanho bubalino no estado é composto principalmente das raças Jafarabadi e Mediterrâneo com poucos exemplares da raça Murrah. O rebanho não apresenta aptidão para produção de leite sendo basicamente explorado para produção de carne. Não existe disponibilidade de fêmeas para venda em virtude do búfalo ter uma vida reprodutiva muito longa (em torno de 20 anos) o que faz com que os produtores não comercializem matrizes, sendo vendido apenas animais para abate.

Estrutura das Propriedades - A criação de búfalos, geralmente, é feita juntamente com a de bovinos, entretanto os pecuaristas, destinam para os bubalinos as pastagens de baixa qualidade, o que afeta consideralmente o desempenho produtivo. O tamanho das propiedades varia de 100 a 300 hectares, sendo que a maioria destas possuem aguadas para os animais. As pastagens utilizadas são a Brachiaria humidicola (quicuio da Amazônia), B. brizantha cv. Marandu (brizantão), B. decumbens (braquiarinha) e Panicum maximum (colonião) em regiões de solos de média a alta fertilidade natural. As doenças mais freqüentes são as helmintoses, a brucelose , a febre aftosa e os ectoparasitos (principalmente o piolho - Hematopinus tuberculatus).

Comercialização - A comercialização e feita diretamente nos matadouros, frigoríficos ou açougues havendo intermediação no processo. O preço pago é o mesmo pago aos bovinos, a carne é vendida sem um prévio aviso aos consumidores.

Prognóstico - O efetivo bubalino em Rondônia apesar de inexpressivo em relação ao de bovino, tende a aumentar como consequência da crescente substituição das áreas de lavouras por pastagens, bem como aos constantes insucessos na exploração agrícola.
Pecuária e Sustentabilidade em Rondônia

Um projeto pioneiro - utilizando novas tecnologias para otimizar áreas de pastos já existentes - está promovendo o aumento da produtividade em pequenas e médias propriedades pastoris de Rondônia, poupando o desmatamento na Amazônia. A experiência vem sendo implementada em 22 propriedades do estado, com apoio e recursos do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

O sistema silvopastoril, como é chamado, foi uma iniciativa experimental, de caráter demonstrativo, iniciada em junho de 2006, com encerramento previsto para o final de 2009. O trabalho demonstra que, mesmo quando o assunto é criação de gado, é viável implementar sistemas que promovam a pecuária associada à agroecologia.

Realizado em nove municípios próximos a Ji-Paraná, segunda maior cidade de Rondônia, o projeto demonstrativo “Agricultores Familiares promovendo o Equilíbrio Ambiental em Rondônia” desenvolveu uma pesquisa para testar e descobrir que tipos de espécies vegetais poderiam ser inseridas em pastos (sistema silvopastoril), com o objetivo de melhorar o microclima, promover maior rendimento econômico e evitar novos desmatamentos na floresta.

Bovino em RondôniaReflorestamento - A proposta inclui ainda o reflorestamento de matas ciliares, nascentes e áreas degradadas com vegetação nativa e frutíferas, o que ajuda a recompor a cobertura vegetal original e adequar as propriedades às exigências da legislação ambiental.

O projeto é feito com a combinação de árvores, pastagem e criação de gado numa mesma área, ao mesmo tempo, com o manejo realizado de forma integrada. Outro objetivo é incrementar a produtividade por unidade de área com a preservação do meio ambiente. Atualmente, a estimativa é de que há 1,6 cabeças de gado por hectare, e o projeto pretende aumentar este índice para 5,2 animais na mesma área.

A criação de animais associada ao plantio de árvores em bloco ao longo das pastagens pode reduzir a erosão e melhorar a conservação da água. Também reduz a necessidade de fertilizantes minerais e ajuda a capturar e fixar o carbono. Além disso, diversifica a produção, melhora o conforto dos animais e aumenta a biodiversidade e a geração de renda dos agricultores.

Fonte: www.megatimes.com.br