ÁREA DE RELEVANTE INTERESSE ECOLÓGICO (ARIE) SERRA DA ABELHA E RIO DA PRATA - SC

Araucárias centenárias preservadas na Serra da Abelha.
Foto: Miriam Prochnow - 2007


A Área de Relevante Interesse Ecológico da Serra da Abelha está localizada no município de Vitor Meirelles (SC). Possui uma área de 4.251 hectares e tem milhares de araucárias centenárias.

A ARIE (Área de Relevante Interesse Ecológico) da Serra da Abelha foi criada por motivação da Apremavi, através da Resolução 005 de 17.10.90 do CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente e referendada por Decreto Presidencial publicado no Diário Oficial da União no dia 28 de maio de 1996.

Localizada no município de Vitor Meirelles, é uma área de 4.251 hectares de Mata Atlântica. Abrange uma zona de transição entre as florestas ombrófila mista e ombrófila densa, o que lhe confere grande importância científica, por sua biodiversidade e características fitos sociológicas.

Na área existem aproximadamente 8.000 araucárias adultas, com idade superior a 200 anos. O sob bosque é formado por espécies como a canela sassafrás, canela amarela, canela fogo, canela preta, canela garuva, cedro, palmito, pau óleo, pindabuna, angico, casca danta, andrade, e nos locais onde já houve interferência humana surgem vassourões, canela guaica e bracatinga. Essas características lhe conferem o status de inigualável banco de sementes, que podem ser usadas para repovoar com espécies nativas, áreas já degradadas em toda a região do entorno.

Araucária - Araucaria angustifolia

Na área existem centenas de nascentes que abastecem vários ribeirões com belas cachoeiras, dentre os quais se destacam o Rio Deneke, o Rio da Prata e o Rio Varaneira, que desembocam no Rio Itajaí do Norte. A altitude varia de 400 a 800 metros, com a existência de vales estreitos e profundos, além de pequenas cavernas. Existem também áreas planas, principalmente nas margens dos rios e no planalto onde ocorre a araucária.

A ARIE é rica em fauna, abriga algumas espécies ameaçadas de extinção como o papagaio de peito roxo (Amazona vinacae), gavião pombo (Leucopternis polionata), tesourinha do mato (Phibalura flavirostris) e pavó (Pyroderus scutatus). Além destes podem ainda ser observados na região, ouriços, pacas, quatis, cachorros do mato, e dezenas de outras espécies de aves, répteis e anfíbios.

A ARIE da Serra da Abelha faz parte dos remanescentes de Mata Atlântica de Santa Catarina e é um dos últimos redutos da Araucaria angustifolia, da qual restam apenas 3% da área que existia originalmente. A região foi considerada como uma das áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade brasileira, nos workshops realizados pelo Ministério do Meio Ambiente, em Atibaia (1999) e Florianópolis (2006).

Na ARIE da Serra da Abelha residem 42 famílias que praticam a agricultura familiar e fazem a coleta do pinhão para subsistência. As famílias estão organizadas na Associação de Agricultores José Valentim Cardoso (Ajovacar), fundada em 1997. Algumas dessas famílias residem na área desde 1948, época em que desmataram pequenas áreas, para a prática da agricultura de pousio. As atividades agrícolas e de coleta de pinhões, praticadas ao longo dos anos pelos moradores da ARIE, apresentaram reduzido impacto ambiental, fato que contribuiu para a conservação da floresta até os dias atuais.

Características da região
A bacia hidrográfica do Rio Itajaí-Açu, também denominada Vale do Itajaí, abrange 15.000 Km2 do Estado de Santa Catarina e é caracterizada por pequenas cidades – 2 a 60 mil habitantes - e pequenas propriedades agrícolas – 10 a 30 ha em média . O Vale é habitado por descendentes de alemães e italianos e, em menor número, portugueses e poloneses. O município de Vitor Meirelles localiza-se no Alto Vale do Itajaí, na região central de Santa Catarina. Sua área territorial é de 423 Km2 e sua população, é de 6.206 habitantes, a maioria na área rural. A altitude varia de 370 a 870 metros acima do nível do mar, com relevo de superfícies planas, onduladas e montanhosas.

Tem um clima mesotérmico temperado, úmido, sem estação seca, com verões quentes, onde a média anual da temperatura é de 180C. A precipitação pluviométrica anual varia entre 1.300 e 1.900 milímetros, com cerca de 100 a 120 dias de chuva e a umidade do ar gira em torno de 75 a 80%.

Os principais rios do município são o Rio Denecke, Rio da Prata, Rio Bruno, Rio Faxinal, Rio das Frutas, Ribeirão Gabiroba, Rio Tigre e Rio Dollmann, afluentes do Rio Hercílio, também chamado de Itajaí do Norte.

O município de Vitor Meirelles fica na área de abrangência da Mata Atlântica, apresentando como característica principal a transição, ou seja, o encontro entre as fito fisionomias: Floresta Ombrófila Densa (floresta do litoral) e a Floresta Ombrófila Mista (floresta com predominância de araucárias, que ocorre no planalto). A Mata Atlântica é um dos Biomas mais ricos do planeta em diversidade biológica, possuindo cerca de 20.000 espécies de plantas, 36% das existentes no país, sendo que 50% delas são endêmicas, isto é, não são encontradas em nenhum outro lugar da Terra.

Por apresentar relevo com ondulações e montanhas e uma infinidade de rios e riachos, o município é rico em cachoeiras, algumas com mais de 80 metros de queda d’água, que oferecem um belo espetáculo e grande potencial para o desenvolvimento do eco turismo.

A economia do município gira em torno da agricultura, onde se destacam as pequenas propriedades agrícolas, com menos de 30 ha., com produção diversificada. Vitor Meirelles pertence à microrregião da AMAVI - Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí e limita-se ao Norte com Itaiópolis e Santa Terezinha, ao Sul com Witmarsun, a Leste com José Boiteux e a Oeste com Rio do Campo e Salete.
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