Mexilhão (Perna perna)

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Mexilhão (Perna perna)

Mexilhão (Perna perna)

Características: O Mexilhão (Perna perna) é um molusco marinho, comestível, que atinge 5,5 cm de comprimento, bivalve, com duas conchas alongadas, de coloração escura e nuances azuladas metálicas. O manto é o tecido que reveste internamente a concha do animal, delimitando um espaço vazio interno onde estão os órgãos. Ventralmente há uma abertura transversal por onde a água entra (sifão inalante) e é eliminada por outra abertura na parte posterior superior (sifão exalante). Os mexilhões são organismos onde a formação dos gametas se dá em toda a extensão do manto, além do mesossoma. O conjunto de fibras de escloroproteína que fixa os mexilhões ao substrato e permite a permanência do animal mesmo em presença de fortes ondas é denominado "bisso". Originado pela glândula bissal, ligada diretamente ao conjunto de 3 pares de músculos e a parede interna das valvas, é constituído de material córneo e fixado com auxilio do pé.

Habitat: região entre-marés (do supralitoral inferior até profundidades de 19 metros).

Ocorrência: em toda a costa brasileira.

Hábitos: fixa-se a rochas ou qualquer estrutura dura (sólida) imersa.

Mexilhão (Perna perna)Alimentação: são organismos filtradores por excelência. Sua dieta é constituída por algas microscópicas (fitoplâncton), e por outros tipos de material orgânico particulado e dissolvido. Os mexilhões apresentam taxas de filtração elevadas, sendo que um indivíduo adulto pode filtrar até 100 litros de água por dia. Na sua alimentação, os mexilhões utilizam as brânquias, mesmas estruturas utilizadas para a respiração. As brânquias são formadas por dois pares paralelos de lâminas, compostas por estruturas filamentosas ciliadas, que se estendem da região anterior a partir da boca até a região posterior do corpo. Nelas as partículas são capturadas por um material mucilaginoso que envolve as próprias brânquias e, pelo movimento de cílios são direcionadas em "calhas" até a boca.

Reprodução: O ciclo sexual do mexilhões pode, através do aspecto e coloração, ser observado e diferenciado em 3 estágios:

Estágio I - animais imaturos, folículos das gônadas pouco desenvolvidos e manto incolor;

Estágio II - animais em maturação, folículos já visíveis permitindo a observação da cor do manto diferenciando o branco dos machos do salmão das fêmeas;

Estágio III - animais maturos, passando a repetirem as seguintes fases: a - plenitude da maturação, folículos repletos ; b - eliminação do material gâmico, esvaziamento dos folículos e aspecto inconsistente do manto; c - restauração das gônadas, folículos em desenvolvimento e manto apresentando esboços de branco ou alaranjado.

Após a expulsão dos gametas, que ocorre simultaneamente na população, há a fecundação externa, diretamente na coluna d'água. Cerca de 6 horas após a fecundação, são formadas as larvas trocóforas com 45 micrômetros de tamanho (0,045 mm). Depois de 24 horas a larva se transforma numa larva do tipo véliger ou larva "D", com cerca de 115 micrômetros (0,115 mm), seguida por uma veliconcha de 175 micrômetros (0,175 mm). Após 37 dias, esta larva passa para o estágio de pedivéliger (com vélum e pé), quando possuem fototropismo negativo e geotropismo positivo, procurando um local adequado para sua fixação.

Predadores naturais: o buzo ou búzio Stramonita (=Thais) haemastoma e o "caramujo-peludo" Cymatium parthenopeum parthenopeum , diferentes estrelas-do-mar e o siri Callinectes danae . Os competidores dos mexilhões em cultivo constituem praticamente a totalidade da fauna das redes, pois esta comunidade é constituída basicamente de organismos filtradores (Jacobi, 1985). Devido à sua abundância e alta taxa de crescimento, as cracas se destacam dos demais organismos filtradores. Já as ascídias e os briozoários coloniais prejudicam os mexilhões por recobrirem as valvas afetando o seu desenvolvimento e o aspecto do produto. São poucos os comensais de mexilhões, destacando-se o pequeno caranguejo Pinnotheres maculatus e o poliqueta Polydora websteri . O verme da família Bucephalidae , na sua fase de cercária, ocorre no manto de mexilhões, comprometendo o desenvolvimento dos gametas e consequentemente a produção. Segundo Umiji (1975) este parasita ocorre em diferentes estados de desenvolvimento, principalmente em mexilhões com maior tempo de imersão. Pode haver uma infestação média de 5 % e de até 20% dos indivíduos em determinadas épocas do ano.

Ameaças: poluição e destruição de bancos naturais pela coleta predatória.

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