Botânica Oculta

Botânica Oculta

Botânica OcultaNeste dicionário de Botânica Oculta consta os nomes de algumas plantas com sua denominação vulgar, acompanhada, porém, da científica, isto é, em latim, com a finalidade de evitar erros, pois é sabido que uma mesma planta costuma ser conhecida sob diferentes nomes. Com a denominação latina podem, por conseguinte, tanto na Espanha como na América e em qualquer ponto do globo, conhecer exatamente a planta que descrevemos, porquanto para isto é bastante que se consulte uma Botânica corrente.

Fizemos preceder a publicação deste dicionário de umas breves notas astrológicas para que o leigo no assunto saiba, em momento fixo, a hora conveniente em que se deve colher uma planta, quando se trata de utilizá-la em alguma operação mágica. Embora esta condição seja absolutamente, indispensável no citado caso, pode-se prescindir dela quando se trate de utilizar as plantas em Terapêutica. Todavia, cumpre-nos fazer constar que os médicos da Antiguidade prescreviam suas receitas, levando em consideração as influências planetárias. Mas, em princípios do século passado, havia médicos que não purgavam nem sangravam seus enfermos sem antes consultar a influência da lua e se o signo zodiacal não lhes era favorável.

Relação dos autores consultados para a confecção do presente dicionário: Agrippa, Alberto Magno, Dioscórides e o Divino Paracelso.

AGAVE (Anthalonium Levini): As folhas frescas deste cacto, mastigadas, produzem alucinações aterradoras; com as folhas secas, também mastigadas, obtêm-se visões alegres, de caráter erótico. Esta planta é muito procurada pelos índios do Texas e Novo México. O cacto, em todas as suas variedades, traz sorte, segundo a crença popular. Deve ser colhido na hora de Saturno.

AGÁRICO (Viscum album). — Tão famosa na antiguidade, hoje em dia esta planta está relegada quase ao esquecimento. A ciência médica prescinde dela, e, no entanto, possui algumas qualidades terapêuticas bastante apreciáveis, pois é sabido que dá excelentes resultados em diversas doenças nervosas, como, por exemplo, nas convulsões e na epilepsia. Em ditas doenças se emprega o agárico na forma de decocto. Obtém-se, fervendo, durante quinze minutos, 5 gramas de material triturado, em meio litro d'água. Dose: uma chavenazinha cada quatro horas. Segundo Plínio, a infusão do agárico, tomado no final do período menstrual, facilita a concepção e combate a esterilidade, em muitos casos. Botânica oculta: No Natal, na hora astrológica propícia, os druidas celebravam pomposamente a colheita das bagas do agárico. Estas bagas saturadas do tríplice fluidismo da árvore, dos astros e da fé dos participantes à cerimonia, convertiam-se em poderosos condensadores magnéticos que utilizavam para realizar curas maravilhosas, em casos verdadeiramente desesperados. Eis o que diz em seu Glossário Teosófico H. P. Blavatsky: Agárico: Este curioso vegetal, que cresce somente como uma parasita em várias árvores, como a macieira e a azinheira, era uma planta mística em diversas religiões antigas e, sobretudo, na dos druidas celtas. Seus sacerdotes cortavam o agárico em certas estações, com muitas cerimonias e servindo-se apenas duma foice de ouro, especialmente consagrada. A título de explicação religiosa, Hislop insinua a ideia de que, sendo o agárico um ramo que brota duma Árvore-Mãe, foi adorado como um ramo divino saído de uma árvore terrestre, a união da Divindade com a Humanidade. Em alemão, o nome desta planta significa "cura-o todo". Compare-se o Ramo de Ouro mencionado na Eneida de Virgílio (VI, 126) e na História Universal de Plínio (XVII, 44): "Sacerdos cândida veste cultus arborem scandit falce aurea demetit". (Um sacerdote vestido de branco sobe a árvore e corta o agárico com uma foice de ouro). Entre os druidas, esta planta parasita simboliza o sacrifício divino, a descida do Espírito à Matéria. Frio e seco. Signo do zodíaco. Touro.

ABRÓTONO (Abrotanum). - Planta parecida com o absíntio. É anti-helmíntica, estomacal e estimulante. Recomenda-se para provocar o fluxo menstrual e excelente para facilitar os partos. Botânica oculta: Quente e seco. Lua. Colhe-se em princípios de abril, sob o signo de Escorpião.

ABSÍNTIO (Artemisa absinthyum). - É vermífugo e febrífugo. Produz insônias e alucinações terrificantes nas pessoas muito nervosas. Botânica oculta: Receptáculo do astral inferior. Suas flores, secas e queimadas, empregam-se como poderoso perfume nas evocações infernais.

ACÁCIA (Acacia). — Árvore sagrada dos egípcios. Na franco-maçonaria simboliza a imortalidade da alma. No grau Rosa-Cruz e em diversos ritos maçônicos ensina-se que a Acácia lembra que foi desta madeira a cruz em que morreu o Divino Mestre. Botânica oculta: O suco de dito fruto, colhido na hora planetária correspondente, é misturado nas tintas que servem para desenhar os talismãs sobre pergaminhos. Planeta: Mercúrio.

AÇAFRÃO (Crocus sativus). — Possui muitas propriedades curativas, mas seu emprego não pode ser recomendado a profanos na arte de curar. Botânica oculta: Utiliza-se em feitiços e em perfumes mágicos. Colhe-se quando o Sol está em Leão ou em Peixes ou quando a Lua está em Câncer.

ACANTO (Acanthus mollis). - Planta perene. Suas folhas cheias de suco mucilaginoso são aperitivas, emolientes e muito eficazes para curar toda sorte de queimaduras. Desconhecemos suas propriedades mágicas, se é que as tem. Planeta: Marte.

ACÔNITO (Aconitum napellus). — Os leigos no assunto não devem fazer uso desta planta em matéria medicinal, pois oferece graves perigos. Botânica oculta: É fria e seca. Emprega-se (misturada com arruda, açafrão e aloés) em fumigações para afastar os maus espíritos. É uma das doze plantas dos Rosa-Cruzes. Os gregos diziam que esta planta nascera da baba de Cérbero, quando Hércules o tirou dos infernos. Atribui-se-lhe a virtude de fazer renascer o pelo. Planeta .Saturno.

AGNOCASTO (Agnus castus). — Paracelso chamou esta planta de satânica e empregava seus grãos em infusão para curar "os ardores da carne". Suas propriedades afrodisíacas já eram conhecidas dos atenienses, os quais colocavam esta planta em seus leitos com a finalidade de conservar a continência.

AGRIMÔNIA (Agrimonia eupatoria). — Fria e seca. É vermífuga; suas folhas são adstringentes; cura as anginas, as nefrites, os fluxos leucorréicos, a debilidade da bexiga. Em loção é muito boa contra as cataratas, as luxações, as feridas. É eficaz contra as picadas de cobras. Botânica oculta: Colocadas sobre a cabeça duma pessoa dormindo, as folhas desta planta privam-na de acordar.

AIPO (Apio graveolens). — Os grãos desta planta são digestivos e muito eficazes contra as flatulêncías. Suas raízes são diuréticas e aperitivas. A infusão desta planta (200 gramas num litro de água) é um bom remédio para reduzir o leite das mães. Dose: uma xicarazinha de três em três horas. Botânica oculta: Planta sagrada entre os gregos; utilizava-se em muitas cerimonias fúnebres. Desconhecemos suas virtudes mágicas.

ALCACHOFRA (Scolymus). — Um pouco afrodisíaca. A raiz ou o grão, se colhidos quando o Sol entra no quinto grau da constelação de Libra, curam os fluxos de sangue e as dores do ventre. A água do cotão interior é excelente para conservar os cabelos. Marte em Escorpião.

ALHOS (Allium sativum). - Os egípcios prestavam grandes honras a estes bulbos; os gregos, contudo, proibiam a entrada no templo de quem tivesse comido alho. No que diz respeito aos efeitos medicamentosos, a ação destes bulbos tem sido apreciada em todas as épocas. São anti-helmínticos, estimulantes, anti-reumáticos e expectorantes; corrigem a menstruação; são bons contra a hidropisia e o mal-de-pedra. Empregam-se também com êxito contra as bronquites. Aplicados diretamente, ou seja, sem a gaza que entra em contato com a pele, são um excelente calicida e servem igualmente para combater a sarna e a tinha. Recomenda-se o uso de alho no combate à raiva. Ao atacado de hidrofobia dá-se a quantidade de alhos que seu organismo puder tolerar, submetendo-o logo a um banho de vapor para provocar em seu organismo a maior abundância possível de suor. Paracelso informa ter curado por este processo muitos doentes atacados deste terrível mal. Botânica oculta: Para preservar-se de todo malefício, colhem-se sete alhos na hora de Saturno, enfiam-se num barbantezinho de cânhamo e carregam-se pendurados no pescoço durante sete sábados e ficar-se-á livre de feitiços por toda a vida. Para afastar os pássaros duma árvore, basta untar os galhos com um alho. Se a pessoa deseja alhos inodoros, é só plantá-los e colhê-los quando a lua não se acha sobre nosso horizonte.

ALOÉS (Aloé socotrina). — Gênero de plantas liliáceas; de suas folhas se extrai um suco que se converte em massas quebradiças, de cor de alfarroba. Quando ministrado com acerto, produz excelentes efeitos. Como aperitivo, dosificam-se entre cinco a dez centigramas. Como purgante, ministra-se uma dose entre dez centigramas a um grama e meio, segundo a idade de quem a tomar. Para as crianças, é sempre um mau purgante. Também as mulheres grávidas não devem torná-lo. Tomarão em dose de meio grama e repetidamente durante certo tempo, provoca a evacuação menstrual. As loções de suco de aloés com vinagre evitam a queda do cabelo.
Botânica oculta: O aloés em pó, misturado com incenso, emprega-se como perfume para atrair as influências de Júpiter.

ALFORVA (Trigonella foenum graecum). - Aplicada em cataplasmas, a farinha de suas sementes é remédio eficaz para resolver as inchações e inflamações.

AMIEIRO (Betulo nigra). — Esta planta oferece a circunstância de que suas folhas se tornam brancas, quando a atmosfera se dispõe a chover. Assim sendo, constitui perfeito barômetro natural. Botânica oculta: O carvão desta madeira se emprega para traçar os círculos mágicos nas evocações diabólicas.

ANGÉLICA (Archangelica officinalis). — Tem o nome de Erva-do-Espírito-Santo. Sua raiz é tônica e estimulante; emprega-se com êxito contra a debilidade dos órgãos digestivos. Em geral, possui propriedades antiespasmódicas, carminativas e estomacais. Botânica oculta: Boa para prevenir alucinações; contrária à fascinação; colocada no pescoço das crianças, defende-as contra toda sorte de embruxamento. Colhidas na hora de Saturno, as folhas são boas para curar a gota; a raiz, arrancada nas horas de Sol ou de Marte, sob o signo de Leão, cura a gangrena e as mordidas venenosas. Colhe-se em fins de agosto. Leão e Aquário.

ANIS-VERDE (Pimpinella anisum). - Os frutos desta planta ativam o trabalho do estômago e dos intestinos; além disso, é diurético e atemperante. Usa-se em infusão, aquecendo-o até à ebulição 10 gramas de seus frutos em um litro de água. Tapar bem, deixar esfriar e coar. Para combater as cólicas das crianças de peito, a ama-de-!eite deve tomar uma xicarazinha de três em três horas. Em loções, melhora a vista; em infusão com vinho e açafrão, cura as oftalmias; em fragmentos amolecidos em água e introduzidos nas fossas nasais, cura as úlceras do nariz. Botânica oculta: Desconhecemos-lhe propriedades mágicas. Suas propriedades curativas são mais eficazes se dita planta for colhida na hora de Mercúrio sob as constelações de Gêmeos ou Virgem.

ARISTOLÓQUIA (Aristolochia). - É pulmonar, diurética, emenagoga, detersiva e vulnerária. Favorece a expulsão das secundinas e cura os fluxos uterinos. Em loções com vinho cura a sarna e desseca toda espécie de chagas. Botânica oculta: O humo dos seus grãos acalma os epilépticos, os possessos e desata o nó da agulheira (designa-se assim o feitiço que impede o homem de realizar o ato sexual com determinada mulher).

ARNICA (Arnica montana). — Recomenda-se para aliviar a cabeça nas tonturas transitórias. Dá excelentes resultados nos catarros pulmonares crônicos, sem febre, dos velhos e nas retenções de urina por paralisia da bexiga. É um remédio externo muito popular contra os golpes e quedas como resolutivo, mas a tintura deve ser diluída em água e não deve ser empregada pura. Em alguns casos, quando a contusão é forte e não há arranhaduras, pode ser empregada só ou então com muito pouca água. Botânica oculta: É uma das doze plantas dos antigos Rosa-Cruzes. Sol.

ARTEMÍSIA (Artemisa vulgaris). — Desta planta, chamada também de erva-de-São-João, empregam-se as folhas, flores e raízes. É emenagoga, estimulante e tônica. Emprega-se com êxito contra a epilepsia. Fervida com vinho e tomada em pequenas doses, evita os abortos; muitíssimo indicada para provocar a menstruação. Botânica oculta: Era uma das doze plantas da antiga Rosa-Cruz. Colhida em dia de São João, se suspensa do tronco de um roble, no meio de um campo, este se torna fértil. Não podendo ser neste dia, pode ser colhida em qualquer sexta-feira antes do nascer do sol. Colhida de noite, esta planta constitui um poderoso amuleto contra todo tipo de sortilégios. Queimada como defumador no aposento de dormir, desata a ligadura da agulheira. Na Alemanha, na manhã do dia de São João confeccionam coroas de artemísia e as levam para junto das fogueiras, guardando-as depois como preservativos contra enfeitiçamentos. Na floresta normanda colhem-na durante a novena de São João, para destruir os malefícios que privam as vacas de dar leite. Na Áustria, nem o diabo nem os bruxos têm algum poder sobre quem leva consigo dita planta. Igualmente, um ramo colocado na porta duma casa evita o embruxamento da mesma. Na Alemanha meridional e na Boêmia confeccionam, na novena de São João, umas espécies de coroas com esta planta para depois as colocarem junto a uma imagem do santo evangelista, o qual iluminam com uma ou três lâmpadas. Desta maneira se veem livres e imunes contra feitiços para todo o ano. Esparramando suas folhas sobre um campo, por ocasião da semeadura, este fica preservado contra o granizo e as pedras. Com as três flores e as folhas desta planta fazem-se perfumes contra os espíritos guardiães de tesouros e contra os demônios.

AVEIA COMUM (Avena sativa). — Contra os reumatismos. Cataplasmas quentes preparadas com vinho. Contra a hidropisia: 25 gramas de sementes reduzidas a pó; 250 gramas de água. Ferver pelo espaço de quinze minutos, deixar esfriar por um momento e coar com uma capucha de estamenha. Tomar quatro chávenas diárias, durante muito tempo. Além disso, é um excelente diurético, pois pode ser ministrado a doentes muito debilitados sem temor de extenuá-los. Contra as chagas pútridas: Cataplasma quente composta de 5 gramas de levedura de cerveja e 100 gramas de farinha de aveia. Para curar a sarna: deitar-se nu sobre um campo de aveia, esfregando-se a pele com um punhado de talos da mesma planta, molhados em água de fonte. Deixar secar, depois, a pele naturalmente debaixo duma árvore, que a sarna irá desaparecendo. Desconhecemos suas propriedades mágicas. Planeta: Sol e Lua.

AVELEIRA (Hamamelis virginica). - Planta que o povo chama de Aveleira-da-Feiticeira. Tem muitas aplicações terapêuticas. Uma das propriedades mais notáveis da aveleira é a de ser anti-hemorroidal. Vejamos como se prepara a pomada para curar as hemorroidas: 100 gramas de manteiga sem sal. 10 gramas de tintura de Hamamelis. Ponha-se tudo junto homogeneamente num almofariz. Uso: três aplicações por dia. A tintura de Hamamelis se obtém da seguinte maneira: 100 gramas de álcool 90.°. 20 gramas de pedacinhos de aveleira (casca e folhas secas). Manter vinte dias em amolecimento, filtrar e envasilhar. Botânica oculta: a varinha-de-condão é feita de aveleira silvestre, cortando um ramo ao nascer do sol, em qualquer dia, no mês de junho. Existem tratados de magia adivinhatória que recomendam seja cortada na lua cheia, mas também dentro do mês de junho. A maneira de servir-se desta varinha é a seguinte: Colhe-se um ramo aforquilhado de aveleira, medindo cinco centímetros de comprimento e da grossura de um dedo e que não tenha mais de um ano. Pega-se o ramo pelas pontas, uma em cada mão, sem apertar, de modo que o dorso olhe para o chão e o vértice da varinha olhe para a frente. Então se anda lentamente pelos lugares onde se supõe haja água, metais ou dinheiro escondido. Há outro modo de usar a varinha, que consiste em levá-la em equilíbrio sobre o dorso da mão e andar lentamente; quando passar por cima de um manancial, ela começará a dar voltas. O Pe. Kircher expressa-se de maneira bem clara: Colhe-se um rebento de aveleira (não exige que seja silvestre), bem reto e sem nós, corta-se em dois pedaços iguais, fura-se a ponta de um deles, formando um pequeno buraco; corta-se a extremidade do outro em forma de ponta, de modo que a extremidade de um penetre na do outro. Avança-se nesta posição, segurando-o entre os dedos indicadores. Quando se passa por cima de fios de água ou de veias metálicas, a varinha oscila acentuadamente. Planeta: Mercúrio.

AZEDINHA-DA-HORTA (Rumex acetosa). - É depurativa e refrescante. Cortada em pedacinhos e postos em vinagre forte branco, durante quarenta e oito horas, a raiz é um excelente remédio contra as erupções da pele. Emprega-se em loções. O suco desta planta, recém-extraído, é empregado com êxito quando aplicado sobre as úlceras pútridas e gangrenosas, sendo necessário recobri-las logo com algodão hidrófilo, que se prende com uma ligadura.

AZINHEIRA (Quercus ruber). — Em terapêutica, usa-se apenas a casca desta árvore ramosa. É adstringente. Emprega-se contra as diarreias serosas, hemorragias, leucorreias, hemoptises. Administrada em grandes doses, usa-se contra a tuberculose pulmonar. A melhor maneira de se usar este material é em decocto. Durante quinze minutos, ferver 25 gramas de casca em pedacinhos em meio litro d'água. Deixar esfriar e coar. Dose: quatro chávenas por dia, ou mais, se não se sentir uma imediata melhoria. Botânica oculta: De um antigo grimório latino copiamos o seguinte: Para ser feliz nos negócios, tomar cinco bolotas de azinheira, colhidas em dia de domingo e em sua hora planetária; queimar e reduzir a pó. Este pó será guardado numa bolsinha de seda amarela e a pessoa a levará consigo. Este amuleto, chamado do Sol — acrescenta o grimório — favorece grandemente o que estiver incurso no processo.

BARDANA (Lappa maior). - Fria e seca. Atua sobre as doenças da pele, úlceras, gota e sífilis. Dá excelentes resultados nos cálculos de rins e na bexiga, como também nas cólicas hepáticas. Aplicadas em cozimento, as folhas constituem um notável remédio contra a tinha. Usa-se em infusão: 25 gramas num litro de água. Desconhecemos suas propriedades mágicas.

BELADONA (Atropa belladona). - Fria e úmida. Esta planta é muito ativa e, como o acônito e o Meimendro, seu emprego deve ser dirigido por um médico. Botânica oculta: Tem propriedades muito semelhantes ao meimendro e é outra das várias plantas que entram na composição da pomada das bruxas. Suas folhas secas e trituradas e misturadas ao açafrão e cânfora constituem um perfume mágico para afugentar as larvas do astral. Saturno. Vênus. Escorpião.

BETONICA (Betonica officinalis). - Ingerida, produz abundantes defecações. Exteriormente, aplica-se com êxito nas úlceras varicosas e nas chagas infetadas. Emprega-se em cozimento: 100 gramas num litro d'água. Botânica oculta: É indicada contra o embruxamento.

BISTORTA (Poligonum bistorta). — Sua raiz é empregada como poderoso adstringente para combater as diarreias crônicas. Usa-se em garvarismos para curar as inflamações crônicas da boca e fortalecer as gengivas. Aplicada em loções, ajuda a cicatrizar todo tipo de chagas. É um grande tônico para combater a tuberculose incipiente, tomada com vinho (de 50 a 100 gramas). Desconhecemos suas virtudes mágicas.

BRIÔNIA (Bryoniaalba). —O povo batizou esta planta com os nomes de nabo-galante, nabo-diabólico, morte-do-díabo e outros vários. Seu uso interno oferece vários perigos. Recomendamos seu emprego para combater a inchação da garganta, do peito, do ventre, das pernas, etc, na seguinte forma: 25 gramas de raiz de briônia; 200 gramas de azeite puro de oliveira. Ferver até que seu conteúdo tome uma cor preta. Aplicar, friccionando, sobre a parte doente e colocar atadura, em seguida. Botânica oculta: Emprega-se em determinadas cerimônias de magia negra. Columela atribui-lhe a virtude de afastar os raios. Para isto, é preciso colocar um raminho de briônia em cada um dos quatro pontos cardeais do edifício que se desejar preservar da faísca elétrica. Mercúrio.

BUGLOSSA (Anchusa itálica). — O suco das folhas desta planta é excelente para curar as palpitações do coração. Para isto misturam-se 30 gramas de suco com igual quantidade de açúcar, até formar uma espécie de xarope. Tomar ao deitar-se, durante alguns dias. As flores são muito recomendáveis nas bronquites leves e nos catarros ligeiros. A melhor maneira de administrar estas flores para ditas doenças é como segue: Em meio litro de água, ferver 10 gramas de flores e folhas desta planta. Deixar esfriar e coar. Uso: Quatro ou seis chávenas divididas convenientemente durante o dia. Botânica oculta: Ignoramos suas propriedades mágicas.

CALDO-BRANCO (Verbascus thapsus). - Desta planta, empregam-se folhas e flores. Serve para combater a asma, os tenesmos de sangue e a tosse. Administra-se em infusão. Em meio litro d'água, ferver folhas e flores misturadas, em quantidade de 10 gramas. Dose: Uma chavenazinha cada hora. Em afecções crônicas e passados os acessos, quatro chavenazinhas por dia. Em alguns casos de sífilis, as folhas têm apresentado bom resultado e, em infusão de leite, servem também contra a tuberculose pulmonar. Exteriormente, aplicam-se frescas para curar as feridas.

CAMÉLIA (Camelli). — Planta originária da China,*importada para a Europa por um sábio jesuíta chamado Camelli, do qual tomou o nome que leva. Não possui aplicações terapêuticas. Botânica oculta: Convenientemente destilada, esta planta produz um azeite de um grande valor mágico, destinado à alimentação das lâmpadas empregadas em ritos teúrgicos, como as evocações angélicas. Seu uso é muito benéfico nas sessões espirituais, pois com ele se conseguiriam comunicações somente com espíritos muito elevados ou, pelo menos, com espíritos bondosos.

CANA (Arundo donax). - Usa-se como depurativo suave e também para fazer passar o leite das amas-de-leite. Em meio litro de água, ferver durante vinte e cinco minutos 30 gramas de sua raiz reduzida a pó. Deixar esfriar e coar. Como depurativo, tomar quatro chávenas diárias. Como lactífugo, uma xicarazinha de três em três horas. Botânica oculta: O segredo que vamos apontar não sabemos se realmente é digno de crédito ou se pertence à crendice popular. Publicamo-lo a título de curiosidade, pois se trata duma crença muito antiga que sobreviveu até os tempos presentes. Afirma-se que para curar um deslocamento de membros, por mais forte que seja, basta colocar em cima dois pedaços de cana cortados com esta intenção e postos dentro do outro. Há uma versão segundo a qual os pedaços de cana devem ser de duas canas distintas. De nossa parte acrescentaremos que muito bem poderia ter bom êxito semelhante prática, se aquele que a executa tem uma fé inquebrantável nela e "sabe pôr toda sua força de vontade". Planeta: Mercúrio.

CANELA (Cinnamomum zeylanicum). — A canela é a segunda casca duma árvore chamada caneleira que se cria no Ceilão e em outros países quentes. Emprega-se muito mais na arte culinária do que na terapêutica. E excelente para provocar as menstruações. Serve contra as indigestões, emoções fortes, síncopes, espasmos e outros acidentes análogos. Nestes casos se tomam umas colherzinhas desta casca em tintura, a qual se prepara como segue: 100 gramas de canela, reduzida a pedacinhos, que se deixam em amolecimento durante quinze dias em meio litro de álcool a 80P. Botânica oculta: Emprega-se nos perfumes mágicos do Sol e em certos filtros de amor, cujo uso o mago branco deve repelir.

CÂNHAMO HINDU (Cannabis indica). - Planta originária do Oriente. É ativíssima. Não deve ser usada sem o concurso do médico, pois sem ele há o risco de envenenamento. Em tintura, recomenda-se contra os ataques de coqueluche, nas neuralgias e cefaleias. Aconselha-se como sedativo nos acessos provocados pelas úlceras estomacais. Pode ser usado como hipnótico, dado que suscita o sono. A tintura se prepara da seguinte maneira: 20 gramas de pontas de cânhamo. 100 gramas de álcool a 90.°. Deixar para amolecimento durante quinze dias e filtrar com papel. A dose médica é de cinco a vinte e cinco gotas por dia. Botânica oculta: O cânhamo hindu produz um extrato gorduroso, do qual se fabrica o famoso haxixe. Em uma ou duas ingestões, este produto proporciona êxtases místicos, diabólicos ou extremamente eróticos, segundo a moralidade ou mentalidade do indivíduo que o usa. Estes êxtases são quase desconhecidos do Ocidente; em compensação, determinadas seitas utilizam-no e aplicam sabiamente em1 suas cerimonias e ritos litúrgicos. Planeta: Saturno.

CEBOLA (Allium cepa). — Cebola branca ou cebola comum. Esta planta hortense é diurética, estimulante, vermífuga, expectorante e afrodisíaca. Administra-se contra a retenção da urina, contra as lombrigas intestinais, o catarro pulmonar, a tosse bronquial e o escorbuto. Emprega-se o sumo recém-extraído por pressão, misturado com xarope numa dose de 4 a 8 gramas. Para uso externo aplica-se cozida ou crua. No primeiro caso, atua como emoliente e no segundo, como rubefaciente. Crua, usa-se contra as pneumonias, procedendo-se da seguinte maneira: Pôr a cebola cortada em cruz numa panela tampada e aquecer suavemente até que se desprenda uma pequena quantidade de água; em seguida, borrifar com essência de terebentina e aplicar sobre a parte doente. O sumo de cada cebola crua, aplicado em fricções sobre o couro cabeludo, detém a queda do cabelo. Contra a dor de ouvidos: cozer uma cebola ao rescaldo, colocá-la sobre um pedaço de pano com um pouco de manteiga fresca, sem sal, e aplicar tudo na orelha, num estado mais quente possível, durante uns minutos.

CEBOLA-ALBARRÃ (Scilla marítima). - Muito conhecida do povo. Registramo-la unicamente com o fim de premunir nossos leitores para que não façam uso dela na medicina caseira, visto que oferece sérios perigos. Ignoramos suas propriedades ocultas.

CELEDÔNIA (Chelinoum majus). - Usada interiormente, é muito perigosa, razão porque só damos a conhecer seu uso externo. O suco desta planta - que pode ser extraído malhando-se a sua raiz num almofariz, extirpa as verrugas. Contra a supressão das regras, aplica-se uma cataplasma de dita planta sobre a pélvis. Para isto se deve malhar uma planta inteira, de bom tamanho, até conseguir um amassilho composto de talos frescos, folhas e raízes. Segundo um remédio popular, este sumo serve para aclarar a vista. Acautele-se contra o uso, pois corre o risco de ficar cego quem procurar utilizá-la. Botânica oculta: A raiz da caledônia, colocada sobre a cabeça de um doente, em estado febril, pô-lo-á a cantar se realmente tiver que morrer e, ao contrário, se continuar vivendo se porá a chorar amargamente. Sol, Sagitário.

CENTÁUREA MENOR (Erythrae centaurium). - Seus talos e flores são um tônico amargo de primeira ordem na debilidade digestiva e falta de apetite. Administra-se contra as febres intermitentes, flatulências e gota. A infusão se prepara com 5 gramas de flores em meio litro d'água. Esquenta-se até ferver e coa-se. Aplica-se externamente sobre as úlceras escrofulosas e sobre as feridas. Botânica oculta: Segundo a lenda, foi descoberta pelo centauro Chirão. É antidemoníaca. Possui grandes virtudes mágicas; deve ser colhida, pronunciando-se palavras de encantamento (Plínio). Num antigo grimório, atribuído a Alberto Magno, se lê o seguinte: Se forem jogadas as pontas desta planta no azeite duma lâmpada com um pouco de sangue de poupa fêmea, provocar-se-ão alucinações terríficas aos que são iluminados por dita lâmpada. Se for jogado um feixe desta planta ao fogo e se a pessoa ficar contemplando-o por um momento e logo dirigir o olhar para o céu, terá a impressão de que as estrelas estão se movimentando e caindo. Se alguém aspirar sumo de um galho queimado, sentirá medo. Júpiter em Leão.

CEVADA (Hordeum vulgare). — É nutritiva, emoliente e refrescante em sumo grau. Usa-se em decocto. Prepara-se como segue: Em meio litro d'água ferver, durante vinte minutos, 20 gramas de cevada descascada e moída. Deixar esfriar e coar. A farinha de cevada é empregada em uso externo para confeccionar cataplasmas muito úteis para dissipar e atenuar os humores. Botânica oculta: As espigas desta planta (Yava} em sânscrito) eram oferecidas pelos brâmanes em sacrifícios aos deuses e aos sete príncipes espirituais. Planeta: Sol.

CHICÓRIA (Chicorium Intibus). — Quente e seca. É depurativa e laxante. Contra as digestões lentas: fervam-se 20 gramas de folhas novas de chicória num litro d'água; deixar esfriar lentamente e depois coar. Tomar uma xícara depois de cada refeição. Com seu uso prolongado curam-se as cólicas hepáticas. Botânica oculta: De joelhos diante desta planta, no dia de São João Batista, antes do nascer do sol, levantar-se pausadamente e pronunciando em voz baixa, por três vezes, a palavra sagrada Tetragrámmaton. Levar a planta para casa e mantê-la guardada bem envolta em panos brancos e limpos. Com isto se obtém um poderoso amuleto contra todas as ciladas diabólicas e contra toda espécie de sortilégios. Desta benfazeja influência participarão todos os que moram na casa onde está guardado dito amuleto.

CICUTA (Conium maculatum). — Planta sumamente venenosa, pelo que se deve evitar seu uso interno sem indicação do médico. A cicuta pode ser facilmente confundida com o cerefolho e o perrexil. Para obviar funestas consequências, apontaremos as diferenças existentes entre as referidas plantas. A cicuta tem as folhas três vezes aladas; são folhinhas agudas, incindidas nos bordos. Seu cheiro é desagradável. O cerefolho tem as folhas semelhantes às da cicuta, porém são folhinhas curtas e largas. Seu cheiro lembra o do anis. O perrexil tem folhas inferiores duas vezes aladas; folhas largas, trioladas e em forma de cunha. Seu cheiro é muito pouco pronunciado. Para combater o envenenamento pela cicuta é preciso provocar o vomito e administrar, em seguida, os ácidos vegetais debilitados, tais como o suco de limão, o vinagre, etc. A cicuta não produz nenhum efeito tóxico nas cabras e carneiros, sendo venenosa para os coelhos, bois e cavalos. No homem provoca sede, dores de cabeça e do estômago, vertigens, delírios e, por último, esfriamento geral seguido da morte. Os frutos desta planta, que são menos ativos do que as folhas, utilizam-se para fabricar o anis. Aos condenados à pena máxima os gregos davam de beber uma beberagem feita à base de cicuta. A história lembra com isto a morte de Sócrates. Botânica oculta: O suco desta planta faz parte da pomada dos bruxos. Preparada com vinho, produz um sono letárgico nos pássaros.

CINOGLOSSA (Cinoglossum officinalis). — Conhecida com o nome de língua-de-porco, desta planta se aproveitam as folhas e a casca da raiz. Tem propriedades calmantes, peitorais, narcóticas e antidiarréicas. Excelente para combater os catarros bronquiais. Administra-se em decocto. 250 gramas de água; 15 gramas de casca da raiz. Ferver durante vinte minutos. Dose: tomar cinco chavenazinhas por dia, bem quentes. As folhas se aplicam em cataplasmas sobre as inflamações epidérmicas e as queimaduras. Botânica oculta: Trazida consigo, a raiz desta planta nos reconcilia com nossos inimigos e atrai-nos a simpatia de nossos semelhantes (Porta).

CIPRESTE (Cupressus sempervirens). — O fruto desta árvore resinosa consiste em pinhas ou galhas. Sua decocção conserva os cabelos em sua cor primitiva, pois evita as cãs até uma idade muito avançada. Botânica oculta: O cipreste é o símbolo da morte. Com sua ramagem se coroava a fronte de Plutão. A madeira desta árvore serve para a construção da mesa triangular que se emprega em determinados trabalhos de bruxaria, como na imprecação dos "responsórios às avessas" e outros da mesma natureza. Utiliza-se também a madeira para jogá-la ao fogo junto com ervas e drogas, em certas evocações aos elementais.

COCA (Erythroxylum coca). - Conhecida pelo nome de Coca do Peru. Arbusto cujas folhas, de propriedades excitantes como o café e o chá, são muito apreciadas pelos índios para mastigá-las. Os antigos ou primitivos índios do Peru tinham este arbusto como sagrado, queimando-o nos altares erigidos ao Sol. Possui uma ação tonificante que se emprega para aumentar a força em neurastênicos e convalescentes. Mitiga a fome e a canseira. Tem sido preconizada também para reduzir a obesidade. Das folhas desta planta se extrai a cocaína. Botânica oculta: As injeções hipodérmicas de seu sal, a cocaína, podem constituir um verdadeiro pacto com os seres do Astral, segundo o sábio ocultista Estanislau de Guaita. Planetas: Saturno e Sol.

COCLEÁRIA (Coclearia officinalis). — Suas propriedades antiescorbúticas são conhecidas de há muito tempo. Recomenda-se também contra as afecções pulmonares, catarros bronquiais, catarros da bexiga e nas flores brancas. Use-se em infusão: Pôr ao fogo meio litro d'água com 25 gramas de folhas desta planta e, assim que começar a ferver, tirar e deixar esfriar, mantendo-se o recipiente bem tampado; coar em seguida. Dose: quatro a seis chávenas por dia. Desconhecemos suas propriedades mágicas.

COENTRO (Coriandrum sativum). - Chamada também coriandro, esta planta é usada para combater com êxito o histerismo, em todas as suas fases: as afecções gastrointestinais, a cefaleia e as quartas. Infusão: 200 gramas de frutos da planta num litro d'água. Quatro pequenas chávenas diárias, ou mais, segundo a intensidade do mal. Emprega-se-também para melhorar o sabor da cerveja. Botânica oculta: Com os frutos desta planta, reduzidos a pó e misturados com almíscar, açafrão e incenso, obtém-se um perfume de Vênus muito eficaz nas práticas de magia sexual. Os amuletos e talismãs amorosos devem ser defumados com este perfume (Agrippa).

CONSÓLIDA (Symphytum officinalis). — Conhecida sob diversos nomes: Grande Consolda, Consolda Maior, Orelha-de-burro, Orelha-de-vaca, Língua-de-vaca, Erva-das-cortaduras, Erva-do-cardeal, Sínfito Maior, Sínfito-de-cão, Consolda e Solda-com-Solda. Os antigos atribuíam-lhe a propriedade de consolidar as fraturas. Daí a origem dos nomes de Consolida e Consolda. Seu largo rizoma, que contém muito mucílago e, além disso é algo adstringente, usa-se no interior contra a hemoptise e a diarreia. Administra-se em infusão. Durante vinte e cinco minutos ferver, em meio litro d'água, 25 gramas de rizoma em pedacinhos. No exterior, em fomentações, para curar as queimaduras e as feridas. Em injeções uretrais e vaginais, para as doenças venéreas. Em emplastos e cataplasmas, para curar as deslocações, empregando o rizoma fresco e bem picado. Segundo Bramwell, favorece a formação de novos tecidos na úlcera do estômago. Botânica oculta: Quente e seca. Vênus em Sagitário ou em Aquário. Planta consagrada pelos gregos a Juno, primeira das divindades femininas e rainha dos deuses. Seu nome grego é Hebe.

CORRIOLA (Calystegia sepium). — Planta encontradiça em quase toda a Espanha e cresce nos canaviais; é acre e tem uma resina semelhante à jalapina. Seu suco, muito leitoso, é purgante eficaz. Também suas folhas são purgantes, mas sua ação é menos ativa. A raiz desta planta é aconselhada para combater a paralisia incipiente. Botânica oculta: Se suas folhas forem aplicadas por um momento sobre uma chaga pisada e deixadas logo num lugar úmido, a cura da chaga se opera magneticamente. Uma infusão de suas folhas misturadas com vinho ou licor constitui um filtro de amor, isto é, tem a virtude de conservar a harmonia e o amor entre namorados. Trazendo-se junto a sua raiz, evitam-se as doenças das vistas, chegando até a serem curadas. Planetas: Júpiter e Sol.

COUVE (Brassica oleracea). - Os antigos consideravam-na como um remédio universal. Hipócrates prescrevia-a cozida com mel para atacar toda espécie de cólicas. Durante a gravidez as mulheres atenienses comiam abundantes pratos de couves. O entusiasmo pela couve foi tamanho que se chegou a atribuir à urina das pessoas que se alimentavam de couves, a virtude extraordinária de curar as herpes, as fístulas e até o câncer. As dores lombares desaparecem com a aplicação de folhas cozidas, bem quentes. Se aplicadas sobre os peitos das amas-de-leite, fazem desaparecer os infartos mamários. Em cataplasma, dão muito bons resultados contra as dores reumáticas. Para isso, devem ser aplicadas bem quentes e renová-las cada duas horas, no mínimo. As sementes da couve são um excelente vermífugo. Câncer e Escorpião. A couve vermelha, chamada Lombarda, comida antes de um banquete, evita os mal-estares produzidos pelo vinho tomado em grande quantidade. Tem propriedades contra as flatulências, a bílis e a icterícia. Lua e Júpiter.

CRAVINHOS (Eugenia cariphylla). — Conhecidos vulgarmente com o nome de Cravos-de-Especiaria. São originários das Molucas e de Caiena. Estes últimos são os melhores. Têm propriedades tônicas, estomacais, cordiais e estimulantes. Empregam-se em infusão e tintura. Infusão: Em meio litro d'água, ferver quatro gramas de cravinhos. Dose: Uma colher de três em três horas. Tintura: Em 100 gramas de álcool a 80° amolecer 20 gramas de cravinhos. Dose: de 3 a 8 gramas diárias, misturadas com água-de-flor-de-laranjeira. No uso externo se recomenda a tintura em fricções para combater a paralisia e a fraqueza muscular. Esta medicação abaixa a temperatura durante o estado normal. Acalma momentaneamente a dor de dentes, mas é um remédio nada recomendável. Botânica oculta: Planta quente e seca. Colhe-se quando o Sol está em Peixes ou quando a Lua está em Câncer. A essência dos cravinhos se usa em vários trabalhos de magia negra. Associada ao fósforo, atrai as larvas, pois deles se nutrem consideravelmente. Se um hipnotizador, durante o seu trabalho, conserva na boca um cravo de especiaria, aumentará sobremodo sua força nêurica. A essência dos cravinhos se emprega em determinados trabalhos de magia sexual.

CULANTRILHO (Adianthum capillus). - Conhecido pelo nome de Culantrilho-do-poço. E um feto que cresce nas paredes dos poços e nas fendas de rochas úmidas. Emprega-se fresco, pois logo perde suas propriedades curativas. Facilita a expectoração e acalma as dores do peito. Favorece o aparecimento das regras. Usa-se em loções para tonificar o couro cabeludo, pois evita a queda dos cabelos. Botânica oculta: A coroa de Plutão era formada das folhas desta planta. Plutão era divindade mitológica que presidia e governava as regiões infernais. Seu nome grego é Hades. Planeta .Saturno.

DAMIANA (Turner aphrodisiaca). — Planta do Brasil, Califórnia e México, da qual se usam apenas as folhas. É diurética e afrodisíaca. Sua ação fundamental consiste em ser um bom tônico nervoso, cujo efeito é duradouro. Indicada na neurastenia, nas convalescenças lentas e na impotência. Um bom estimulante das funções cerebrais e excelente nos casos de dispepsia e na gastralgia, acompanhada de enxaqueca. Recomenda-se igualmente na albuminúria que se segue a uma escarlatina, nas afecções dos rins e da bexiga. Usa-se em infusão, em decocto e em tintura. Infusão: 10 gramas de material esfarelado num litro d'água. Decocto: 30 gramas de material num litro d'água. Dose: de 60 a 125 gramas por dia. Tintura: 20 gramas de material em 100 gramas de álcool de 90P. Deixar amolecer durante quinze dias. Dose: Quarenta gotas por dia, dissolvidas em vinho ou água aromatizada e açucarada. Ignoramos suas propriedades mágicas.

DENTES-DE-LEÃO (Taraxacum dens leonis). - Planta vulgar e comum em nossos campos e prados; segrega abundante e amargo suco leitoso. Desta planta usam-se as folhas e a raiz. Seu decocto acalma a tosse e as irritações do peito; dá resultados muito bons contra os escarros de sangue; excelente febrífugo e sudorífico. Excita o curso da bílis e exerce uma ação favorável nos infartos do fígado e na icterícia. Provoca as contrações da vesícula biliar. Além disso, tem propriedades diuréticas e depurativas que a aconselham nas afecções crônicas. Decocto: Em meio litro d'água colocar 10 gramas de material esfarelado.

DÍTAMO BRANCO (Dictamus a/bus). - Erva ramosa, com folhas semelhantes às do freixo, razão porque é vulgarmente conhecida pelo nome de freixinho. Balsâmico, sedativo, sempre verde. Estimula e favorece a digestão e regulariza o fluxo menstrual. Suas folhas, em compressas, são excelentes para as mulheres grávidas. Usa-se em decocto. Ferver 10 gramas do material em meio litro d'água. Deixar esfriar e coar. Botânica oculta: Uma coroa destas folhas colocada na cabeça duma pessoa magnetizada contribui, de maneira surpreendente, para o desenvolvimento da clarividência sonambúlica. A raiz do dítamo branco, quando deixada secar e lançada ao fogo, produz um humo que favorece igualmente o trabalho do magnetizador e ajuda o indivíduo refratário. Sol e Câncer.

ÊNULA-CAMPANA (Inula Helenium). - Desta planta se aproveitam a rizona e raiz. Emprega-se contra os catarros bronquiais, retenções de urina, irregularidades do fluxo menstrual e na leucorréia, na falta de apetite e nas pneumonias para acalmar a tosse e favorecer a expectoração. Indicada na dispepsia atônica para estimular a mucosa do estômago. Excelente, também, contra a diarréia. Administra-se em decocto. No espaço de quinze minutos, ferver 3 gramas de rizoma em meio litro d'água e deixar esfriar. Dose: Quatro chavenazinhas diárias. O pó de rizoma é muito eficaz contra as doenças do baço. Tomar, em jejum, 9 gramas por dia, diluídos em vinho generoso. Aplica-se em loções contra as úlceras de mau cariz. Botânica oculta: Num grimório muito popular, Os Segredos do Pequeno Alberto, se lê o seguinte: "Na noite de São João, ao soar a meia-noite, colhe-se a erva chamada Ènula-campana, põe-se a secar e reduz-se a pó, acrescentando-se-lhe uma pequena quantidade de âmbar cinzento. Ponha-se tudo numa bolsinha de seda verde e leve-se junto do coração durante nove dias. Coloquem-se imediatamente estes pós em contato com a pele da pessoa que se ama (sem que ela perceba) e se despertará nela um amor irresistível para com quem fez o trabalho descrito".

ERVA-DE-SANTA-MARIA (Tanacetum vulgare). - A infusão de pontas floridas corrige as irregularidades mensais. Dose diária: 8 gramas.

ERVA-GATEIRA (Nepeth cataria). - Desta planta se empregam as pontas floridas para combater a fraqueza consuntiva, a languidez, o escorbuto, as neuralgias, as síncopes, a atonia digestiva e a menstruação anormal. É também anti-histérica. Usa-se em infusão. Em meio litro d'água fervem-se 10 gramas de pontas. Dose: Quatro calicezinhos ao dia. Botânica oculta: Colhida sob um aspecto favorável e sabendo extrair o "arcano'', como indica Paracelso, constitui uma poção que tonifica o corpo de uma maneira prodigiosa e proporciona uma longa vida, isenta de doenças. Planeta: Mercúrio.

ERVA—MOURA (Solanum nigrum). — Suas bagas são ligeiramente narcóticas, podendo produzir acidentes funestos devido ao seu uso intempestivo. Por esta razão nos abstemos de indicar o uso desta planta. Tem propriedades sedativas e emolientes. Botânica oculta: As bagas, misturadas com ramos de mirta, lançadas sobre brasas vivas, constituem um bom perfume mágico para afugentar as larvas do plano astral. Signo zodiacal: Libra.

ESCABIOSA (Succina pratensis). - Nasce em terrenos úmidos e argilosos e dela se utilizam as folhas e as raízes. Suas propriedades suforíficas e depurativas tornaram esta planta popular no tratamento da pequena varíola, do sarampão, da escarlatina e das febres pútridas. Seu decocto é preparado da seguinte maneira: Durante vinte e cinco minutos ferver 30 gramas de folhas de escabiosa em meio litro d'água. Deixar esfriar e coar. Devido à sua propriedade adstringente, emprega-se em lavagens vaginais, para combater a leucorréia (flores brancas). Sendo, além disso, vulnerária, aplica-se exteriormente para lavar as úlceras. Desconhecemos suas propriedades ocultas. Fria e seca. Touro ou Libra, Mercúrio. As pontas, sob Áries,

ESPINHEIRO CERVICAL (Rhamnus catharticus). - As bagas deste arbusto desprendem um cheiro muito desagradável e constituem um purgante enérgico. Utilizam-se como derivativos intestinais nos cardíacos e nos urêmicos. Provocam uma reação salutar na apoplexia e na congestão cerebral. Usam-se contra as lombrigas com resultados muito bons. Tomam-se em jejum, de 15 a 20 bagas, segundo a idade do paciente. Botânica oculta: Quente e seco. Planta consagrada a Saturno. Emblema da inveja. Foi utilizado para confeccionar a coroa de espinhos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Em certos ritos simboliza a virgindade, o pecado, a humilhação. Seus ramos, com seus frutos (bagas), colados às portas e janelas de uma casa, neutralizam os esforços dos bruxos e impedem a entrada dos maus espíritos. Signo zodiacal: Libra.

ESTRAMÔNIO (Datura stramonium). - Cresce em lugares não cultivados, em terrenos arenosos e entre escombros. Suas folhas são amargas e exalam um cheiro nauseabundo. Administra-se em várias formas, mas, em se tratando duma planta perigosíssima, aconselhamos que só se empreguem suas folhas dessecadas para fumá-las em cigarros contra a asma, pois é um remédio que sempre alivia, deixando as diversas aplicações que tem à disposição do médico. Botânica oculta: Na Magia Negra se faz uso extraordinário desta solanácea. Por isso os franceses a chamam de "erva-do-diabo". Uma dose grande dela entra na composição da pomada dos bruxos, com a qual se untavam todo o corpo para assistir à festa sabática denominada Conciliábulo. Planeta: Saturno.

FAIA (Fagus sylvatica). — Desta árvore se aproveita a casca. É aperitiva e antifebrífuga. Emprega-se em decocto numa dose de 30 gramas de casca seca ou 15 de fresca, com 200 gramas de água, administrando-a uma hora antes do acesso. Em dose maior, é purgante e vomitiva. Botânica oculta: O talo, reduzido a pó, serve de perfume para atrair as influências saturninas. Planetas: Júpiter e Saturno.

FAVA (Faba vulgaris). — A decocção de favas é boa contra o mal-de-pedra. O emplasto feito com sua farinha resolve os tumores das partes sexuais. A farinha de favas é excelente contra as queimaduras de sol e os escaldamentos produzidos por água fervendo. Por isso se esfrega a parte doente durante dez ou mais minutos e logo se aplica uma compressa da própria farinha. Botânica oculta: Suas flores levam a marca dos infernos, segundo a escola de Pitágoras. As favas, colhidas em fins de outubro, estão sob os auspícios de Escorpião com Mercúrio. O fruto é de Saturno e da Lua.

FETO MACHO (Polystichum fílix mas). Desta planta se emprega o rizoma, que é dulcíssimo, nauseabundo, algo adstringente. Tem sido apregoado como o melhor expulsor de tênia ou solitária; contudo, se sempre expulsa a tênia oriunda da carne de boi, algumas vezes falha em se tratando de tênia originária da carne de porco. A preparação mais usada é a tintura etérea concentrada, mas pode ser empregada também em pó embora seus resultados não sejam sempre tão eficazes. Por isso deverão ser tomadas em jejum, de uma só vez, 10 gramas de pó de feto macho diluído em 125 gramas de água. Transcorrida uma hora, toma-se um purgante. A dose para crianças é de 50 centigramas para cada ano de idade. Num tratado de medicina do século XVI lemos o seguinte: A raiz em pó é boa contra a solitária; cozida em vinho, abre as obstruções do baço, cura a melancolia, provoca as regras e evita a concepção. Botânica oculta: Esta planta simboliza a humildade. Tem abundantes aplicações na Magia Negra. Destrói os pesadelos, afasta o raio e atua contra os feitiços. No livro Traité des Superstitions, do erudito J. B. Thiers, se fala extensamente desta planta. É obra que data do século XVII. Dela transcreveremos somente aquilo que faz referência ao enfeitiçamento do feto colhido na noite de vésperas de São João. Reza o seguinte: "Na véspera de São João, ao dar os primeiros toques das doze horas, colocareis uma toalha nova de linho ou cânhamo, ainda não servida, debaixo dum arbusto de feto que de antemão já deveis ter escolhido e benzido em "Nome do P+ai, em Nome do Fi+lho e em Nome do Espírito+Santo, Amém", para que o demônio não levante obstáculos contra vossa empresa. Ao começar o trabalho, traçareis um círculo mágico ao redor da planta, colocando-se dentro dele as pessoas que tomem parte na cerimônia, cujo número há de ser de uma ou três. Uma vez dentro de dito círculo, deve-se recitar a ladainha dos anjos, em voz alta, a fim de obrigar o demónio a retirar-se, o qual, apesar disso, pretenderá assustar os oficiantes para que não consigam seu propósito; mas, ao ouvir a ladainha, ipso facto, as entidades infernais se retirarão daquele lugar. Terminada a ladainha angélica, recolher-se-á a semente e se procederá, com toda equidade, à sua repartição, procurando que não surjam disputas nem se origine descontentamento pois, se assim fosse, a semente do feto perderia grande parte de suas virtudes". Em seguida vem citada a ladainha dos anjos, por ordem hierárquica. As invocações sobem a setenta e duas. Enumeram-se em seguida as virtudes maravilhosas do feto, que são muitíssimas, das quais citamos algumas: "Toda pessoa que tiver esta semente, se com ela tocar outra pessoa com o propósito de causar-lhe algum mal, ou se tocar com ela alguma mulher para satisfazer com ela qualquer desejo luxurioso, pecará mortalmente. A semente tem a virtude contra todo espírito maligno que se tenha apossado duma pessoa (homem, mulher ou criança) para o que basta tocá-la com dita semente, concentrando toda vontade em querer curá-la. Tocando com ela com fé inquebrantável uma pessoa que se ache doente ou desconsolada, esta sarará e encontrará o consolo necessário. Tantas são as virtudes que esta semente tem, que só mesmo a pessoa que a possui é que pode informar a respeito". Em seu Dictionnaire Infernal Collin de Plancy diz: "Ninguém ignora os meios diabólicos de que os bruxos se valem para obter os grãos de feto. No dia vinte e três de junho, véspera de São João Batista, depois de haver jejuado durante quarenta dias, colhem nesta noite os grãos desta erva, que não tem tronco nem flor e que renasce da própria raiz; o espírito maligno zomba destes miseráveis bruxos, aparecendo-lhes durante a noite, em meio a uma tempestade violenta, sob uma forma horrível para amedrontá-los mais". O autor continua, explicando o modo de conseguir a maravilhosa semente, cujo modus operandi pouco varia daquilo que já conhecemos. Planeta: Saturno. Signo zodiacal: Sagitário.

FIGUEIRA (Ficus carica). — Desta árvore usam-se os frutos e a casca verde. Os figos secos são emolientes e peitorais. Curam os calos, bastando para isto ficar com um aberto durante dias. Aplicados sobre os tumores da boca, abranda-os e resolve. A casca fresca detém as hemorragias nasais. Por isso é preciso cortá-la e a massa resultante se aplica nas fossas doentes. Botânica oculta: Com as folhas desta árvore se coroava Saturno e entre os romanos era uma árvore sagrada. Os gregos a dedicaram a Mercúrio; os espartanos, a Baco. Na índia era consagrada a Vishnu. Um ramo de figueira colhido sob o aspecto planetário conveniente acalma a fúria dos touros. A sicomancia constituía uma adivinhação com as folhas da figueira. Escrevia-se a pergunta numa folha e, de acordo com o tempo que levava para secar, concluía-se o vaticínio. O fruto branco pertence a Júpiter e Vênus. O fruto negro, a Saturno. Signo zodiacal: Aquário.

FUNCHO (Foeniculum vulgare). ~ Suas propriedades medicinais são muito parecidas às do anis; os frutos do funcho e as pontas exalam um cheiro agradável; são carminativos e muito úteis na atonia digestiva, acompanhada de histerismo e hipondria, e são indicados também para as cólicas nervosas das crianças. Estes frutos constituem um dos melhores medicamentos para aumentar a secreção do leite. As folhas se empregam tanto exterior como interiormente como resolutivos; a raiz se usa como diurética e sua casca, como aperitivo. Infusão: Em meio litro d'água, ferver 10 gramas de material. Tapar, deixar esfriar e coar. Dose: De quatro a cinco calicezinhos por dia. Botânica oculta: Quente e úmido. Signos zodiacais: Peixes ou Aquário.

GATUNHA (Ononis campestris). — Conhecida com o nome de unhas-de-gato, em virtude dos espinhos desta erva, que arranham como as unhas do animal. É aperitiva e possui qualidades estomacais. Usam-se as raízes em decocto. Em meio litro d'água, ferver 15 gramas de material esfarelado. Botânica oculta: Colhida sob a conjunção de Marte e Júpiter, esta erva constitui um poderoso talismã contra os acidentes infelizes e também contra as ciladas de toda espécie, contra os ladrões, evita as rixas, etc. Planetas: Marte e Júpiter.

GENCIANA (Gentiana lutea). — Emprega-se para combater o artritismo, a clorose, a debilidade do estômago, as escrófulas, as febres intermitentes, a gota e para expulsar as lombrigas intestinais. Usa-se em infusão, em tintura ou em vinho, segundo a doença que se tem que combater. Contra as febres intermitentes, a infusão é a seguinte: Em meio litro d'água, ferver três gramas de raiz esfarelada. Dose: Quatro xicarazinhas por dia. Contra o artritismo, a gota e as lombrigas, usa-se a tintura. Tintura: Durante vinte dias, deixar amolecer 20 gramas de raiz esfarelada em 100 gramas de álcool a 90 graus. Dose: de 3 a 9 gramas, em três vezes, com vinho generoso. Contra as escrófulas, a clorose e a debilidade do estômago, emprega-se o seguinte vinho: Durante uns dias, deixar amolecer 30 gramas de genciana esfarelada em 650 gramas de álcool a 90P; acrescentar, depois, um litro de um bom vinho generoso e ao término de quinze dias filtrar. Dose: Três calicezinhos por dia, antes das refeições principais. Botânica oculta: Quente e seca. A espécie que cresce nas montanhas era utilizada pelos antigos Rosa-Cruzes, em suas cerimonias. É dedicada a São Pedro. Planeta: Sol. Signo zodiacal: Leão.

GIRASSOL (do grego: Hélios/Sol e írópo/girar). — Botânica oculta: Conforme seu nome indica, esta flor se vira para seguir o curso do sol. É consagrada a Apoio e constitui uma das doze plantas mágicas da antiga Fraternidade Rosa-Cruz. Se magnetizarmos uma sonâmbula e lhe entregarmos uma flor de girassol com uma boa parte do seu caule, a sonâmbula adquirirá uma extraordinária visão orgânica interna (metagnose) que lhe permitirá fazer revelações tão surpreendentes como verídicas. Além disso, possuirá uma faculdade especial para a interpretação dos sonhos (onirocrítica). Planeta:Sol. Signo zodiacal: Leão.

HELÉBORO NEGRO (Helleborus niger). - Conhecido com os nomes de erva-de-Natal, erva-do-infemo e rosa-do-fogo. É um purgante violento, sendo, além disso, vermífugo e emenagogo. Seu emprego terapêutico é perigoso, pelo que o leigo não deve fazer uso dele. Botânica oculta: O Heléboro negro é uma das plantas mais usadas pelos bruxos. Sua raiz, colhida na hora de Saturno, é lançada sobre brasas vivas, quando se evocam entidades infernais. Pendurado no pescoço duma criança, um pedaço de sua raiz preserva-a do feitiço chamado mau-olhado. Se estiver com mau-olhado, o sortilégio desaparecerá de pronto (Agrippa). Além do heléboro negro existe o heléboro verde e o heléboro branco, cujas propriedades não julgamos oportuno nem útil detalhar.

HISSOPO (Hyssopus officinalis). — Desta planta aromática, usam-se as folhas e as pontas. Devido às suas propriedades estomacais, é indicada para combater a debilidade digestiva e a gastralgia. Presta um grande serviço nas cólicas flatulentas. Por sua propriedade estimulante, usa-se para despertar o apetite. Visto que é anticatarral e expectorante, dá excelentes resultados nos catarros crônicos dos pulmões. Emprega-se em gargarejos para curar as anginas. Seu uso é muito conhecido na facilitação dos partos. Em loções se emprega para curar os golpes, as feridas, as contusões. Sua infusão se prepara da seguinte maneira: Em meio litro d'água ferver 8 gramas de folhas e pontas. Dose: Vários cálices por dia, pois seu uso não oferece perigo. Sol e Leão.

INCENSO (Incensum). — Goma-resina que se extrai do luniperus thurifera e que chega da África em forma de lágrimas ou grãos de diversos tamanhos. No comércio é conhecido com o nome de incenso macho, aquele que emana diretamente da árvore. O que é extraído artificialmente leva o nome de incenso fêmea. O primeiro é o mais apreciado, chamado também olíbano. Em terapêutica se usa exteriormente, em pó, que se aplica sobre as úlceras malignas. Com ele se fazem também emplastos para corrigir os entorses e contra toda espécie de golpes. Emprega-se igualmente em defumações, dirigindo suas emanações para os membros afetados de reumatismo. As fumigações podem ser substituídas por panos de flanela bem perfumados e aplicados quentes. Botânica oculta: Segundo a mitologia, Leucotoe, filha de Arcano e de Eurínoma, entregou-se ao seu amado Apoio. O pai da filha, ao tomar conhecimento do fato, enfureceu-se e enterrou-a viva. Então o deus Sol, para honrá-la, converteu-a em uma arvorezinha que dava o incenso; e foi este o perfume que todos os templos adotaram em suas festas religiosas. Por conseguinte, esta essência tem sido usada já na antiguidade mais remota para a purificação do ambiente dos templos e para o culto divino. Em nossos dias conserva ainda os mesmos usos; mas vem sendo melhorado, misturando-o com benjoim, almíscar, estoraque, âmbar e outras drogas solares. Com tudo isto se forma um perfume mágico, quando seu pó é lançado sobre brasas vivas. Eis as doses que entram na preparação do incenso empregado no ritual cristão: 7 partes de incenso macho; 3 partes de estoraque; 3 partes de benjoim; 2 partes de sementes de zimbro. Reduz-se a pó, mistura-se e passa-se por um tamis. Esta preparação se emprega também nas evocações teúrgicas. Recomendamo-lo na celebração das sessões espíritas, principalmente quando se trata de comunicações com os seres do Além. Planetas: Sol e Júpiter. Signo zodiacal: Leão.

IPECACUANHA (Cephaelis ipecacuanha). — Desta planta se utiliza unicamente a raiz. Determina hipersecreção das glândulas do aparelho digestivo e provoca o vomito depois de molestas náuseas e abundante salivação, deixando em seguida uma depressão passageira. Administra-se como vomitivo em pó e a dose é de 1,50 gramas em papéis de 50 centigramas, tomando-os cada quarto de hora com água morna. É muito útil na indigestão gástrica e no princípio de um envenenamento. Fluidifica a expectoração na bronquite capilar e a pneumonia com acumulação de exsudação. É um excelente remédio contra a disenteria aguda. "Decocto por curta ebulição e infusão consecutiva durante doze horas de 2 a 6 gramas de ipecacuanha em 300 gramas de água. O mesmo sedimento pode servir três dias seguidos. Toma-se o líquido em três vezes durante o dia" (Arnozán). Planetas: Lua e Sol.

ÍRIDE (íris, Iride). — Ignoramos se possui aplicações terapêuticas. Botânica oculta: Suas flores, como o arco-íris, simbolizam a paz. Colhidas na hora de Vênus, têm uma virtude muito notável. Se, durante o sono de um menino ou menina virgens, se coloca debaixo do travesseiro um raminho destas flores, terão sonhos proféticos, com uma certeza tal que suas indicações podem ser tomadas ao pé da letra. Vênus em Libra.

JACINTO (Hyacinthus orientalis). — Não se usa em medicina. Contudo, num livro célebre de segredos, do século XVI, intitulado Secreti di Don Alessio Piamontesen, novamente stampati, lemos que "o suco da raiz do jacinto impede o desenvolvimento do sistema piloso e retarda a puberdade". Diz, ainda, que "a raiz, fervida, cura os turnores dos testículos". Para obter jacintos no inverno: De setembro a novembro se enchem uma garrafa com água que deve ser do tamanho dos bulbos da planta. Dispõem-se estes bulbos de tal modo que a coroa, ou seja o ponto por onde saem as raízes, toque o nível da água, a qual será renovada de vinte em vinte dias, jogando dentro um pouco de sal amoníaco a fim de que não se corrompa. Este cultivo proporciona um agradável entretenimento, pois os jacintos, ostentando a beleza de suas flores durante o inverno, quando não existem nos jardins, constituem uma agradável surpresa para quem ignora a maneira de obtê-los. O cultivo se reduz ao que foi dito e ao proporcionar-lhes luz e ar de vez em quando. Planetas: Sol e Vênus.

JUNÍPERO (Juniperus communis). — As bagas deste arbusto são excelentes diuréticos. Por isso são recomendáveis contra os cálculos renais e na hidropisia. Igualmente anti-catarrais e modificadoras das secreções no catarro da bexiga e na blenorragia. São de resultados eficazes no combate à asma e à bronquite e é muito conhecido seu uso contra os cálculos do fígado. Em doses muito elevadas, irrita as vias urinárias. Emprega-se em infusão. Em meio litro d'água ferver 10 gramas de bagas moídas. Dose: quatro chicarazi-nhas por dia. Com a essência do fruto se combate o reumatismo crônico. Estas bagas empregam-se também na fabricação do licor chamado "genebra", jogadas sobre brasas vivas, purificam o quarto de um doente. Botânica oculta: Um ramo deste arbusto afugenta as cobras, pois traz consigo e de vários modos o signo exotérico da Trindade. Queimado com incenso, seu grão não só purifica o ambiente de miasmas como afasta as entidades maléficas do plano astral e cura os possessos. Planeta: Vênus. Signo zodiacal: Gêmeos.

KOUSO (Brayera anthelmintica). - Esta árvore, chamada Kouso ou Kousa, cresce na Abissínia. Utilizam-se suas inflorescências femininas, dessecadas e pulverizadas. Estas flores são purgantes, mas sua propriedade mais notável é a de expulsar a tênia. A melhor maneira de empregá-la é pelo sistema de infusão, que se obtém do seguinte modo: Em 250 gramas de água, ferver 20 gramas de material reduzido a pó. Em seguida deixar amornar e toma-se toda a mistura. Se ao término duma hora o medicamento não produziu efeito, tomar-se-á um purgante. O óleo de rícino é o mais indicado. Botânica oculta: Árvore sagrada dos hindus. Indispensável em todos os atos da vida religiosa e ascética. Tem propriedades magnéticas poderosas e é um veículo universal. Secas e pulverizadas e lançadas sobre brasas vivas, suas flores desprendem emanações que ajudam eficazmente o desenvolvimento das forças psíquicas e facilitam enorme-mente o aperfeiçoamento mediúnico. Planeta: Sol.

LÍRIO (Lilium Chrynostates). — Segundo a medicina antiga "o pólen desta flor é bom para curar as queimaduras. Sua água destilada(?) alivia as dores do parto e cura os males da vista. Fervidos com migalhas de pão, os bulbos fazem amadurar e supurar os abscessos em breve tempo. A mulher que comer dois pedacinhos da raiz desta planta soltará sem dor o feto morto que tenha em suas entranhas. A ponta da raiz, misturada com manteiga rançosa, cura a lepra". Botânica oculta: O lírio é o símbolo da castidade. Gabriel leva-o em sua mensagem a Maria. Esta flor é a imagem da Criação universal, da Preformação, da Ação do Fogo Primitivo sobre a Mãe Água. Na Idade Média acreditava-se que o pólen desta flor, dissolvido num vaso de água ou vinho, fazia com que urinasse abundantemente a moça que o bebesse, se esta não fosse casta. Dependurada ao pescoço, a raiz reconcilia os amantes que tenham rompido suas relações. Deve ser colhida quando a Lua ou Vênus estejam sob Áries ou Libra. Com esta planta se fabrica um perfume mágico muito conveniente para queimar no recinto onde se realizam experiências teúrgicas ou se esperam manifestações astrais. Frio e seco. Júpiter, Vênus, Lua em Áries ou Touro.

LOTO (Lotus e do grego lotos). - Sob o ponto de vista religioso, tem o mesmo significado que o lírio. Bhodisat apresenta-o a Maya. Planta do Sol. H. P. Blavatsky, em seu Glossário Teosófico, escreve o seguinte: "Planta de qualidades sumamente ocultas, sagrada no Egito, na índia e em outras partes. Chamam-na o 'Filho do Universo que leva em seu seio a semelhança de sua Mãe' ". Tempos houve em que "o mundo era um loto (Padma) de ouro" — diz a alegoria. Uma grande variedade destas plantas, desde o majestoso loto da índia até o loto dos pântanos (trevo de pé de ave) e o Dioscórides grego, é usada como alimento, em Creta e em outras ilhas. É uma espécie de Nymphoea, trazida da índia para o Egito, onde não era uma planta nativa. Os egípcios viram no loto um símbolo do renascimento do Sol e da Ressurreição. Por isso o colocam sobre a cabeça de Nowé Toum. Hórus é representado saindo do cálice desta flor. Signo planetário: Sol. Signo zodiacal: Leão.

LOUREIRO-CEREJEIRA (Prunus laurus cerasus). - A terapêutica utiliza somente as folhas desta árvore. Seu princípio atívo é o ácido cianídrico, veneno fortíssimo, pelo que o leigo deve abster-se do seu uso em matéria medicinal. Botânica oculta: O loreiro-cerejeira é um dos vegetais que mais se empregam nos trabalhos de feitiçaria. A título informativo, vejamos um dos muitos feitiços que os bruxos realizam para prejudicar uma pessoa. Tomam uma frigideira de pequeno tamanho, enchem-na até em cima com azeite de oliveira; na hora de Saturno colhem três raminhos de loureiro-cerejeira e os colocam sobre a superfície do líquido, formando uma cruz. Por fim pronunciam, com o coração inflado de ódio, a imprecação maldita e esperam com a convicção mais absoluta que os efeitos de seu crime não tardem manifestar-se. E infelizmente é o que acontece. Planetas: Saturno e Lua.

LOUREIRO-COMUM (Laurus nobilis). - A denominação latina de "Laurus nobilis" indica a diferença que existe entre este e o anterior. As propriedades do loureiro comum são carminativas, digestivas, estomacais e nervinas. Empregam-se as folhas em infusão. Ferver 10 gramas de folhas em meio litro de água e deixar esfriar. Dose: Quatro ou cinco cálices diários, distribuídos convenientemente. Esta infusão se emprega, também, em injeções vaginais contra a relaxação dos órgãos sexuais e em banhos por todo o corpo para combater a debilidade geral das crianças. De um livro antigo de medicina copiamos o seguinte: "As folhas frescas de loureiro, trituradas, são excelentes contra as mordidas de animais venenosos. O suco de suas folhas, tomado em doses de 3 ou 4 gotas, em água, provoca a menstruação, corrige os desarranjos do estômago, diminui a surdez, cura a dor de ouvidos e tira as manchas do rosto". Botânica oculta: Árvore consagrada a Apoio. A dafnomancia é uma das diversas formas de magia adivinhatória, muito usada na antiguidade. O material empregado nesta cerimonia eram os ramos de loureiro, com o qual se coroavam os adivinhos. Praticava-se de duas maneiras. Uma consistia em lançar ao fogo um ramo seco e, pela faiscação, pela cintilação e pelo humo produzidos durante a queima, faziam-se os presságios. Estes eram incertos quando o raminho se consumia sem fazer nenhum ruído, mas se vaticinava com toda certeza quando faiscava ruidosamente e as chispas eram abundantes e se obtinha uma finíssima fumarada. Além disso, tudo isto constituía um bom augúrio. A outra maneira de predizer consistia em mastigar umas folhas novas de loureiro; o augure fechava os olhos e começava o trabalho de concentração mental; depois de um certo tempo, mais ou menos prolongado, dava a resposta à consulta que lhe havia sido feita. Esta última forma de adivinhação era a que praticavam as pitonisas, as sibilas e os sacerdotes de Apoio e por isso eram chamados dafnéfagos, isto é, comedores de loureiro. Quente e seco. Sol em Leão ou Lua em Peixes.

LÚPULO (Humulus lupulus). — Esta planta tem propriedades amargas, sedativas e anafrodisíacas. Favorece a digestão nos casos de dispepsia e abranda as dores do câncer do estômago. É indicado contra a escrófula e o linfatismo. Remédio excelente no combate à insônia nervosa e às poluções noturnas. Além disso, muito útil na convalescença, no escorbuto, nos infartos do fígado e do baço, nos catarros e nas enxaquecas. Ministra-se em infusão na dose de 15 gramas por litro. Aplica-se externamente, em tintura, numa dose de 2 a 4 gramas, como calmante nas úlceras cancerosas. Em dose curta, o lúpulo aumenta o apetite. A raiz é um enérgico depurativo do sangue. Para combater o erotismo genital e curar a espermatorréia se prescreve o lupulino. É assim que se chama o pó que a planta contém em seus conos. Estes conos são colhidos em fins de agosto, submetidos a uma dessecação que não altera seu aroma nem seu sabor e empregam-se na fabricação da cerveja. Planetas: Saturno e Lua.

MACELA (Anthemis nobilis). — Chamada macela-romana e também camomila. A parte que se utiliza são suas flores ou cabecinhas. Suas principais qualidades são tônicas, antiespasmódicas e anti-histéricas. Empregam-se nos cortes de digestão e nas cólicas espasmódicas e ventosas. Acalma o histerismo e a excitação das pessoas facilmente excitáveis. Infusão: Cabecinhas, 5 gramas, 500 gramas de água. Botânica oculta: Ligeiramente quente e úmida. Planeta: Sol. Signo do zodíaco: Libra.

MACIEIRA (Pyrus malus). — A casca da raiz fresca da macieira, numa dose de 60 gramas para 200 gramas de água, corta os acessos da febre, principalmente se seu emprego for precedido de um ligeiro vômito seguido dum purgante. No exterior, se usa a polpa do fruto assado, em cataplasmas, para combater os molestos tercogos. Para isso, a maçã camoesa é a melhor. Botânica oculta: Árvore consagrada a Ceres. No célebre tratado de onirocrítica, de Artemídoro de Daldia, intulado De Somniorum interpretatione, dedica um amplo espaço aos sonhos relacionados com a macieira e seus frutos. "A maçã representa o ofício do homem, sua profissão, seu emprego, etc. Sonha-se comer maçãs doces, um artista: a glória lhe sorrirá muito em breve; um comerciante: realizará grandes negócios; um namorado: será feliz em seu amor; um militar: alcançará grandes honras. E assim, neste sentido, pode-se compilar os demais casos. Se a pessoa sonha que está comendo maçãs verdes, a predição demorará mais a realizar-se. Se estão azedas, os presságios serão adversos. Frio e ligeiramente seco. O talo é de Escorpião. As folhas são de Gêmeos e Virgem. O fruto é de Vênus.

MANDRÁGORA (Panax quinquefolium). — Pouco usada em medicina; em compensação, desempenha um papel muito importante nas artes mágicas. Botânica oculta: Os hebreus conheciam esta planta sob o nome de Jabora. Faz parte da composição do unguento dos bruxos para assistir ao Conciliábulo. A raiz é um poderoso condensador das forças astrais. Os bruxos chineses empregam esta planta, que chamam de Gig-Seng, para provocar a loucura ou causar terríveis sofrimentos. Para isto devem colher a planta sob determinada influência astrológica e manipulá-la segundo um rito maléfico. Os seguintes dados foram extraídos do Glossário Teosófico de H. P. Blavatsky: A raiz desta planta tem forma humana. Em ocultismo é utilizada pelos magos negros para vários fins perversos e alguns ocultistas "com a mão esquerda" fazem homúnculos com ela. Segundo crença vulgar, lança gritos quando é arrancada da terra. Desde os tempos mais remotos tem sido a planta mágica por excelência. Suas raízes aparentemente não têm talo e de sua cabeça brotam grandes folhas como uma gigantesca madeixa de cabelos. As que se encontram na Espanha, Itália, Ásia Menor ou Síria pouca semelhança apresentam com o homem; mas, nas ilhas de Cândia e Caramânia, perto da cidade de Adan, têm uma forma humana que assombra e são apreciadíssimas como amuletos. Carregam-na também as mulheres à guisa de amuleto contra a esterilidade e outros fins diversos. São especialmente eficazes na Magia Negra. Os antigos germanos veneravam como deuses penates uns ídolos disformes fabricados com a raiz da Mandrágora donde o seu nome de alrunes, derivado do termo alemão Alraune (Mandrágoras). Aqueles que possuíam uma de tais figuras consideravam-se felizes, visto que elas velavam constantemente pela casa e seus moradores. Igualmente, com ditas figurinhas, vaticinavam o futuro, emitindo certos sons ou palavras. O possuidor duma Mandrágora obtinha, além disto, por sua influência, vultosos bens e riquezas. Do Dictionnaire Infernal traduzimos o seguinte, de Collin de Plancy: "Mandrágoras: Demônios familiares. Aparecem sob a forma de homens pequeninos, sem barba e com os cabelos emaranhados. Os antigos atribuíam maravilhosas virtudes à planta chamada Mandrágora, tais como a de fecundar as mulheres estéreis e a de atrair toda sorte de venturas. As mais prodigiosas destas raízes eram as que tinham sido borrifadas com a urina de um enforcado, mas não podiam ser arrancadas sem morrer e, para evitar esta desgraça, inundavam a terra ao redor da raiz, atavam a ponta de uma corda de cânhamo nela e a outra ponta no pescoço dum cachorro preto, no qual aplicavam uns bons golpes de látego para que, ao fugir, arrancasse a raiz. O pobre animal morria nesta operação; enquanto isto, o feliz mortal que possuía a raiz era dono de um poderoso talismã, um tesouro inestimável, embora com isto não conseguisse tudo". Planeta: Saturno. Signo zodiacal: Capricórnio.

MARROIO-BRANCO (Marrubium vulgare). -Tem propriedades estimulantes e reconstituintes. Além disso, é laxante, diaforético e um bom tônico digestivo. Dá resultados muito bons nas afecções respiratórias, na tosse rebelde e na tuberculose. Aplica-se contra o histerismo, a clorose, as calentu-ras e para ajudar os partos. Seu uso prolongado combate a obesidade. Administra-se em infusão. Em meio litro d'água, ferver 10 gramas de material triturado; deixar esfriar e coar. O suco desta planta, aplicado em unturas, detém a queda dos cabelos. Botânica oculta: Colhe-se sob o signo zodiacal de Virgem.

MEIMENDRO NEGRO (Hyosciamus niger). - Quente e seco. Tem muitos usos em medicina, mas só anotaremos uns poucos, por ser uma planta algo perigosa, razão porque somente os médicos devem usá-la. Vejamos um azeite excelente para a cura do reumatismo articular e das neuralgias: Pôr em banho-maria 25 gramas de folhas novas de meimendro negro num litro de um bom azeite de oliveira e deixar até que se evapore a água de vegetação do material. Aplicar sobre a parte doente, cobrindo-a com um lenço de lã, preso com uma ligadura. As sementes desta planta se usam em defumações para acalmar a dor de dentes e curar as frieiras. O cheiro do meimendro negro, respirado por algum tempo, produz um profundo entorpecimento. Botânica oculta: O humo de suas sementes colhidas e queimadas na hora de Saturno provoca rixas, discussões violentas. Bruxos malvados se aproveitam das propriedades maléficas do meimendro negro para produzir a loucura e, às vezes, a morte, atuando à distância e com toda a impunidade. Esta planta faz parte da pomada com que as bruxas se untavam para assistir ao conciliábulo. Esta receita infernal é melhor que permaneça ignorada. Tem sido publicada unicamente no livro Pactum, hoje em dia felizmente muito raro.

MELISSA (Melissa officinalis). — Conhecida sob o nome de erva-cidreira. Emprega-se contra o histerismo e a hipocondria; nos estados espasmódicos, desfalecimentos, vertigens, enxaquecas e na atonia estomacal. Seu uso mais corrente se dá por infusão. Em meio litro d'água ferver cinco gramas da planta, esfarelada. Dose: Um cálice cada hora ou mais, segundo os casos. Emprega-se em loções para curar a fraqueza da vista; produz excelentes efeitos em chagas e feridas. Botânica oculta: As sibilas dos templos de Cumas, de Delfos, da Eritréia, da Líbia e de outros lugares se serviam, para despertar sua inspiração, de uma beberagem dinâmica na qual entrava a melissa em sua maior parte. Segundo uma antiga tradição, se pendurarmos um raminho inteiro no pescoço de um boi, o animal seguirá obedientemente por todas as partes onde tiver sido colocada. Planetas: Sol e Júpiter.

MERCURIAL (Mercurialis annua). — Emprega-se a planta fresca. É laxante e, em grandes doses, purgativa. Além disso, bom diurético recomendado na hidropisia. Aconselha-se também nas lombrigas intestinais e nas hemorróidas incipientes. Detém a secreção do leite das lactantes. As pessoas de estômago delicado deveriam abster-se do uso desta planta. Emprega-se o sumo: de 10 a 20 gramas. Dose: Como laxantes, de 5 a 10 gramas, pela manhã, em jejum. Para as demais afecções, de 3 a 4 gramas diárias, diluídas em água açucarada e distribuídas em três tomadas. Em clisteres: 125 gramas de mercurial. Água fervendo, 1 000 gramas. Depois de repousar duas horas, acrescentar 1 000 gramas de mel branco. Botânica oculta: Fria e úmida. Seu suco, em decocção, facilita a concepção dum filho, se a mulher, durante cinco dias, empregou a planta macho; ou de uma filha, se utilizou planta fêmea. Planeta: Lua. Signo zodiacal: Virgem.

MIL-FOLHAS (Achillea Millefolium). - A raiz tem um cheiro alcanforado; administra-se em infusão com 20 gramas por litro d'água, preparando-a no momento de ser ministrada, pois se altera com o contato com o ar. As folhas e flores são adstringentes; úteis nas hemorróidas, hemorragias uterinas e nas hemoptises. As folhas, em decocto, aplicam-se exteriormente para cicatrizar as feridas. Planetas: Sol e Lua. Signo zodiacal: Câncer.

MIRRA (Myrrha Commyfora abissynica). — Em terapêutica, tem um campo muito reduzido. Usa-se geralmente em pó, que se aplica sobre as úlceras cancerosas e, em defumação, para desinfetar o quarto de um doente. Botânica oculta: Esta resina fragrante, diz a Mitologia, foi produzida pelas lágrimas da deusa Mirra, que se uniu incestuosamente com seu pai e concebeu o gentil Adônis. Segundo Van Helmot, a mirra diluída em álcool e tomada em determinadas doses, prolonga a vida e evita uma infinidade de doenças. Usa-se extraordinariamente a mirra em diversos trabalhos tanto teúrgicos como goéticos. A seguinte composição é a dum excelente perfume mágico, muito recomendável durante a execução de qualquer trabalho de alta magia: 150 gramas de mirra; 100 gramas.de estoraque; 100 gramas de benjoim; 100 gramas de incenso; 50 gramas de cascarilha. Queima-se sobre um pequeno vaso metálico, borrifando a composição com álcool de 90 graus. Planeta: Vênus.

MORANGUEIRO (Fragaria vesca). - Planta que produz uma fruta doce e fragrante, de todos conhecida, o morango. Desta planta aproveitam-se em terapêutica os frutos e as raízes. O xarope de morango é empregado como refrescante e é indicado contra a icterícia e o mal-de-pedra. Para combater as disenterias, diarréias, hemorragias e gonorréias, que não apresentem caracteres graves, emprega-se um decocto de raízes desta planta. Em meio litro d'água, ferver 20 gramas de ditas raízes. Botânica oculta: Com as folhas do morangueiro fazem-se uns cinturões que preservam das picadas das cobras. Planeta: Júpiter. Signo zodiacal: Peixes.

MURTA (Myrtus communis). — Recomenda-se para cicatrizar contusões e chagas. Aplicada externamente, usa-se em pó ou decocto. Isto se verifica da seguinte maneira: Em meio litro de água, ferver 10 gramas de folhas e frutos de murta, durante quinze minutos. Aplicam-se sobre o mal compressas de algodão, bem ensopado no líquido. Os vapores de sua infusão, aspirados pela boca, curam a enxaqueca. Dessecado, pulverizado e confeitado com clara de ovo, o fruto detém os vômitos, quando colocado em forma de emplasto sobre o estômago. Botânica oculta: A murta foi consagrada a Vênus e aos deuses penates. É o emblema da compaixão. Os galhos, folhas e frutos desta planta, quando completamente secos, esfarelam-se e se misturam com ramos de cipreste, igualmente secos; queimam-se num braseiro e, ao produzir-se a chama, joga-se sobre uma pequena quantidade de incenso macho. Obtêm-se assim uns perfumes mágicos de grande valor para atrair as entidades do astral. Emprega-se a murta em diversos trabalhos de magia erótica. Fria e seca. Planeta: Vênus. Signo zodiacal: Touro.

MUSGO (Fucus purpureus). — Emprega-se contra as lombrigas das crianças. Administra-se em pó, na dose de 1 a 2 gramas, antes dos 3 anos; de 2 a 5 gramas, depois dos cinco anos. Pode ser também administrado em decocto em água ou leite, na dose de 5 a 15 gramas. Em decocção, detém a queda dos cabelos; reforça a dentadura e corta os fluxos de sangue. Planeta: Saturno.

NABO (Brassica napus). — Cozido debaixo de cinzas e aplicado atrás das orelhas, acalma a dor de dentes. Para acalmar a coceira das frieiras, apliquem-se cataplasmas de nabo descascado e cozido. Contra o catarro, a bronquite e a tosse ferina, emprega-se a raiz em decocção. Com esta raiz condimenta-se uma sopa excelente para as pessoas que sofrem inflamação dos intestinos. Planeta: Lua. Signo zodiacal: Capricórnio.

NARCISO (Narcissus pseudonarcissus). - Tem qualidades antiespasmódicas, adstringentes, eméticas e febrífugas. Emprega-se nas tosses nervosas e na coqueluche. Usado externamente, é um bom emenagogo. As flores dessecadas rapidamente conservam sua cor amarela; neste caso são antiespasmódicas e narcóticas. Conta-se o caso duma senhora de Valenciennes que padecia de grandes convulsões e que, ao deixar em seu quarto um grande número de flores de narciso, conseguir passar várias noites consecutivas sem o menor incomodo; e no dia seguinte depois de ter retirado as flores, os ataques se repetiram. Segundo os antigos, a água destilada de sua raiz aumenta consideravelmente a secreção de esperma. Em loção, endurece os seios. Botânica oculta: Frio e seco. Os antigos dedicaram a flor do narciso às Fúrias e a Plutão. Quem o leva consigo atrai a amizade das virgens. Planeta: Vênus. Signo zodiacal: Touro e Leão.

NOGUEIRA (Juglans regia). — As folhas frescas, em infusão, são um excelente remédio para combater as escrófulas e a icterícia. Obtém-se a infusão, fervendo-se 10 gramas de folhas em meio litro d'água. As injeções vaginais curam as flores brancas (leucorréia). Em loção, evita a queda dos cabelos. O cheiro das folhas atrai as pulgas. Planeta: Lua. Signo zodiacal: Sagitário.

OLIVEIRA (Olea europea). — A flor e o fruto (azeitona) acham-se somente nos talos que têm dois anos. Em terapêutica empregam-se as folhas e a casca. O azeite tem também diversas aplicações. A infusão de folhas e casca de oliveira é excelente para lavar toda espécie de chagas. Para expulsar as lombrigas intestinais se tomará uma chávena diária, em jejum. Obtém-se a infusão, fervendo-se 10 gramas de material esfarelado, em meio litro d'água. Passadas as primeiras fervuras, deixar esfriar e coar. O azeite puro de oliveira é um laxante excelente. Com ele se cura a prisão de ventre mais rebelde, tomando-se, em jejum, uma colher do azeite, durante algum tempo. Do mesmo modo, os que padecem de cólicas hepáticas e de nefrite encontram um acentuado alívio neste singelo remédio. Além disso, o azeite puro de oliveira, misturado com gema de ovo e aplicado em queimaduras, acalma prontamente a dor. Botânica oculta: Os antigos consagraram a oliveira à deusa Minerva. Um ramo de oliveira é o emblema da paz. O azeite é um condensador poderoso da luz; é de grande utilidade na medicina e se emprega em diversos trabalhos mágicos. Se for escrita a palavra ATHNA com tinta celeste (3) sobre uma folha de oliveira e se esta folha for atada à cabeça, desvanece-se toda espécie de inquietude, mau humor e idéias funestas. Planeta: Júpiter, Signo zodiacal: Peixes.

TANCHAGEM (Plantago major). — As folhas desta erva são adstringentes e de uso popular em gargarejos para curar as inflamações da boca e, em loção, as dos olhos. Além disso, atuam como um bom peitoral nos catarros dos brônquios. Aplicadas diretamente (bem trituradas), cicatrizam as úlceras e as feridas em geral. O decocto se prepara da seguinte maneira: Em meio litro d'água, durante vinte minutos se fervem 10 gramas de folhas trituradas. A raiz é boa contra enxaqueca. Tomada com vinho, é um contraveneno do ópio. Reduzida a pó impalpável e misturada com vinho, a semente atalha a disenteria. Botânica oculta: Quente e algo úmido. A planta inteira, trazida junto, preserva de malefícios. Áries e Leão. Sol. Colhe-se quando o Sol e a Lua estão em Câncer ou então quando está em Peixes e a Lua em Câncer.

URUPÈ (Polyporus officinalis). — Gênero de fungos que nascem no tronco de várias árvores. É vermífugo, peitoral e emenagogo. Além disso é purgante que produz cólicas muito violentas. Desconhecemos suas propriedades mágicas. É quente, entre seco e úmido. Planeta: Lua.

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