O QUE SÃO SUMIDOUROS DE CARBONO (CO2)?

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O que são sumidouros de carbono?

Um sumidouro de carbono tem a função de absorver mais carbono do que emite, enquanto uma fonte de carbono é algo que emite mais carbono do que absorve. Florestas, solos, oceanos e a atmosfera armazenam carbono e este carbono se movimenta entre estes meios através de um ciclo contínuo. O movimento contínuo de carbono significa que florestas agem como fontes ou sumidouros em diferentes momentos.

No entanto, não todos os armazéns de carbono são sujeitos a estas flutuações. No contexto das mudanças climáticas, os armazéns de carbono mais importantes são os depósitos de combustíveis fósseis, porque são localizados nas camadas mais interiores da terra, separados naturalmente do ciclo de carbono na atmosfera. Esta separação termina quando o homem queima carvão, gás natural e petróleo, transformando carbono fóssil em carbono atmosférico. A emissão de carbono proveniente de combustível fóssil causou um aumento drástico nas concentrações de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera. Como resultado, a concentração destes gases na atmosfera é 30% maior do que no início da revolução industrial. Ainda adicionamos aproximadamente seis bilhões de toneladas de carbono por ano ao ciclo de carbono atmosférico, alterando de forma significativa a teia intrincada de fluxo de carbono, e como consequência, alterando o clima global.

Devido a este aumento de carbono na atmosfera, muita ênfase e esperança foram colocadas em árvores, outras plantas e o solo como sumidouros temporários do carbono emitido para a atmosfera pela queima de combustíveis fósseis. De fato, o Protocolo de Quioto, a principal ferramenta da comunidade internacional para frear o aquecimento global, sugere que, como medida para cumprir metas de redução de emissões, a absorção de dióxido de carbono por árvores e o solo é tão válida quanto à de reduzir as emissões de CO2 da queima de combustíveis fósseis.

A falha fatal dos sumidouros de carbono

A FERN discorda profundamente com a suposição de que plantar árvores ou reduzir desmatamento seja tão efetivo como reduzir emissões de CO2 da queima de combustíveis fósseis. Tal suposição esquece alguns fatos importantes:
 
Há um consenso sobre a necessidade de frear as emissões de combustíveis fósseis, particularmente nos países industrializados. No entanto, em vez de avançar com reduções drásticas da utilização de energia e começar uma transição para economias de baixo carbono, a capacidade (temporária) das florestas de agir como sumidouros está sendo utilizada como justificativa para continuar o uso de combustíveis fósseis. Empresas cujas emissões são limitadas estão emitindo acima de seu limite porque dizem que os sumidouros compensam estas emissões. Isso significa que sumidouros de carbono estão sendo utilizados para justificar uma emissão que não teria acontecido, resultando num novo aumento na concentração de gases de efeito estufa.
    
Nem todo carbono é igual. Carbono fóssil é geralmente estático, enquanto o carbono na atmosfera e biosfera é liberado facilmente através de atividades que são fora do controle do governo como, queimadas, decomposição, extração de madeira, mudanças no uso da terra, ou até o declínio dos ecossistemas florestais em decorrência de mudanças climáticas. Armazenar carbono numa árvore e não em um deposito de combustível fóssil é igual a apostar dinheiro em corrida de cavalos em vez de guardá-lo no banco.
    
Aforestação, especialmente na Tundra Ártica, pode levar a uma aceleração do aquecimento global. As mudanças climáticas mudarão as fronteiras de alguns ecossistemas florestais, ex: a floresta boreal canadense expandirá para o sul da Tundra Ártica. Embora carbono esteja removido da atmosfera enquanto as árvores crescem, o plantio de árvores nesta região não beneficiará o clima, pois um dos fatores mais importantes que afeta o clima global é o “efeito albedo” - um processo que determina a quantidade de radiação solar que é refletida de volta para o espaço e quanto é absorvida esquentando a superfície da Terra. Florestas absorvem mais radiação solar do que tundra ou terra agricultável, levando a um aumento do fenômeno nesta região.
    
Não é possível medir de forma exata o efeito “sumidouro” de uma floresta (árvores absorvem diferentes quantidades de carbono dependendo do clima e se sabe muito pouco sobre o movimento de carbono nos solos).

Os impactos negativos de compensação de carbono nos povos da floresta

Além das principais falhas do conceito de sumidouros de carbono do ponto de vista científico, uma análise realizada pela FERN mostra que muitos projetos de compensação de carbono envolvendo o plantio de árvores têm um impacto grave nas florestas e comunidades que dependem delas:
 
O Protocolo de Quioto não diferencia entre florestas e plantações. Isso significa que uma porção significante de projetos de compensação de carbono envolvendo aforestação e reforestação resultarão em plantações em grande escala. O primeiro projeto de sumidouro de carbono envolvendo o plantio de árvores dentro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Quioto foi no Brasil.
    
Muitos projetos de compensação de carbono envolvendo florestas são em terras onde os direitos de posse não formam reconhecidos ou foram violados. O Protocolo de Quioto não contribui para melhorar esta situação porque não se refere aos direitos das comunidades indígenas ou dos povos da floresta.
    
Terras utilizadas para projetos de sumidouro de carbono requerem acordos legais que impedem o uso da terra durante muitos anos ou, às vezes, décadas. Isso significa que as terras estão sendo utilizadas para gerar direitos de emitir para que os países e indústrias mais poluidores possam continuar poluindo enquanto as comunidades estão impedidas de atender suas necessidades.

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