ARARA AZUL GRANDE (Anodorhynchus hyacinthinus)

Arara Azul Grande Arara Azul Grande (Anodorhynchus hyacinthinus)

Família: Psittacidae
Espécie: Anodorhynchus hyacinthinus
Situação: Ameaçada de extinção
Comprimento: 98 cm
Peso: 1,5 kg.
Presente sobretudo no Brasil, nos estados de Mato Grosso (Pantanal), Goiás (Rio Tocantins), Minas Gerais (médio São Francisco), Bahia (alto Rio Preto), sul do Piauí (Correntes) e do Maranhão, Pará (Transamazônica e leste do Estado) e Amapá (próximo ao Rio Amazonas). Encontrada também na Bolívia, próximo da divisa com o Brasil. Gigante entre as araras, é considerada o maior representante da família em todo o mundo. Habita buritizais, florestas de galeria e cerrados adjacentes. Faz ninho em buritizeiros e outras árvores ocas, bem como em escarpas. Em 1988 a população total da espécie foi estimada em apenas 2500 indivíduos. Encontra-se ameaçada de extinção devido à destruição de seus hábitats e ao comércio ilegal, para servir como animal de estimação, principalmente no exterior. Conhecida também como arara-preta (Mato Grosso), arara-una ("una" significa "negro" em tupi) e arara-hiacinta.

Aara Azul - Anodorhynchus hyacinthinus Aara Azul - Anodorhynchus hyacinthinus
(Foto: Paulo Albuquerque Filho)

Características: também conhecida como araraúna é o ma ior de psitacídeo do mundo, medindo 93 cm de comprimento, penas centrais da cauda com 55 cm, 1,5 kg de peso. A plumagem é predominatemente azul cobalto, mais escura nas asas, o bico é cinza escuro, muito grande, aparentando ser maior que o próprio crânio, sem dentes na maxila, porém com pronunciado entalhe na mandíbula, com mandíbula e pele do contorno dos olhos amarelos. A língua é negra com uma tarja amarela longitudinal. Não há distinção entre machos e fêmeas. Os machos normalmente são mais robustos, principalmente no bico, com a cabeça mais quadrada. A cauda também é maior. Podem atingir de 30 a 40 anos de idade.

Habitat: buritizais, pantanal, matas ciliares e cerrados adjacentes.

Ocorrência: no Brasil nos estados do Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Bahia, Sul do Piauí e do Maranhão e no Pará.

Hábitos: espécie é monógama, permanecendo unidos por toda a vida. São animais muito sedentários e gregários, cuja população está relacionada a existência de árvores para nidificação e aos cocos de poucas espécies de palmáceas. A falta de um destes fatores impede a sobrevivência da ave. Na natureza, observam-se as araraúnas em famílias, pares ou bandos de até 63 indivíduos (no Pantanal, até julho de cada ano). No Pantanal, é comum observar araraúnas próximas às sedes de fazendas; isto ocorre porque as sedes são construídas nas partes mais elevadas e onde se localizam os acuris e as bocaiúvas (palmáceas). Têm o vôo pesado, no entanto são capazes de descrever curvas fechadas.

Aara Azul - Anodorhynchus hyacinthinus Alimentação: sementes e frutos.

Reprodução: atingem a maturidade aos 3 anos. Época reprodutiva vai de novembro a janeiro. Fazem ninhos em árvores e nos buritis. P ostura de 01 a 3 ovos e i ncubação dura de 27 a 29 dias. Os ovos são redondos. Os filhotes nascem medindo 10 a 12 cm e pesando 20 a 27 gramas. Ganham peso e crescem rapidamente. Os filhotes abandonam o ninho com 15 semanas de idade. Produzindo em média dois filhotes a cada dois anos, mas com a sobrevivência de apenas um filhote na maioria dos casais, a arara-azul também tem baixa taxa reprodutiva. Além disso, 20 a 40% dos ovos são predados a cada: ano e 10 a 15% dos filhotes que nascem, são predados ou morrem antes de completar cinco dias de vida. As árvores para a nidificação, no Pantanal, é a ximbuca (Enterolobium cortisiliquun), o angico-branco (Albizia niopoides) e, principalmente, o manduvi (Sterculia striata). São árvores de grande DAP (diâmetro na altura do peito) e por isso possuem ocos compatíveis com os ninhos ideais para a araraúna. Esta ave nunca inicia um oco, porém pode aumentá-lo. O preparo do ninho, a postura e o cuidado com os filhotes são ações que demonstram a cooperação do casal.

As araraúnas são fiéis a seus pares e na perda do macho ou da fêmea, seu par fica sozinho, não se compondo novamente com outro indivíduo. Os ninhos são disputados com outras espécies de aves como: arara-vermelha (Ara chloroptera), gavião-relógio (Micrastur semitorquatus), urubu (Coragyps atratus) e pato-do-mato (Cairina moschata) e, mais raramente, por marreca-cabocla (Dendrocygma autumanalis) , Falco refigulares e tucano (Ramphastos toco). Outros animais como porco-espinho (Coendou prehensilis) e abelhas (Melis apiphera) também podem ocupar os ninhos da araraúna.

Predadores naturais: os prováveis predadores de seus ovos são: gralha (Cyanocorax sp.), tucano (Ramphastos toco), carcará (Poliborus plancus), quati (Nasua nasua), irara (Eira barbara) e gambá (Didelphis albiventris). Os prováveis predadores de filhotes são: gavião-relógio (Micrastur semitorquatus), gavião-pernilongo (Geranospiza caerulesncens), gavião-preto (Buteogallus urubutinga) e irara.

Ameaças: ameaçada de extinção. Hoje a população é diminuta por causa da destruição dos habitats (desmatamentos e queimadas), do tráfico e do baixo sucesso reprodutivo. O pisoteio do gado dificulta o crescimento e a manutenção da população da bocaiúva, o que dificulta a oferta de alimentos para a araraúna. O manejo da pastagem para o gado é feito através de queimadas, as quais se alastram e queimam as cordilheiras e capões, onde existem o alimento e os ninhos das araraúnas. A caça que foi intensa até a década de 80 e hoje ainda é uma ameaça para as populações Norte e Nordeste do Brasil, juntamente com a coleta de penas para cocares e colares nas áreas indígenas.

A arara-azul, conhecida também como arara-azul-grande, é uma ave social que vive em família, bandos ou grupos. Na natureza, as araras-azuis podem ser observadas voando ou com mais facilidade andando pelo chão, penduradas nos cachos de frutos das palmeiras ou pousadas em galhos secos das árvores ou ainda nos mourões de cercas e mangueiros.

Podem medir até 1 m de comprimento (da ponta do bico a ponta da cauda). Sendo a maior espécie no mundo da família Psittacidae. Um adulto pode pesar até 1,3 kg. Possui plumagem na cor azul cobalto, degradê da cabeça para a cauda, sendo preta a parte inferior da penas das asas e cauda. Possui amarelo intenso ao redor dos olhos, pálpebras e na pele nua em torno da base da mandíbula. O bico é grande, maciço, curvo e preto, formando quase um círculo com a cabeça. A língua espessa e preta chama atenção pela faixa amarela nas laterais.

Na época reprodutiva, formam casais que permanecem juntos por toda vida. A fêmea costuma botar de 1 a 3 ovos e é ela que fica no ninho, chocando os ovos, sendo nesse período alimentada pelo macho. O período de incubação é de 28 a 30 dias. Os ovos podem ser predados por carcarás, quatis, tucanos, gralhas e gambás.

Na região do Pantanal, as araras-azuis são encontradas em áreas abertas, nas matas que possuem palmeiras, enquanto seus ninhos estão localizados na borda ou interior de cordilheiras e capões, bem como em áreas abertas para o pasto. Na região do Pará, utiliza as florestas úmidas, preferindo locais de várzeas ricas em palmeiras. Nas regiões mais secas (TO, PI, MA e BA), é comum encontrá-las em áreas sazonalmente secas, preferindo os platôs e vales dos paredões rochosos, nesta região faz ninhos em ocos de palmeiras (TO), árvores emergentes (PA) ou em falhas de paredões rochosos (PI).

A arara-azul, antigamente comum em grande parte do Brasil, hoje é encontrada no Pantanal, abrangendo o pantanal Boliviano, Paraguaio e Brasileiro, nos estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, bem como no norte do Brasil, nos estados do Amazonas e Pará e na região de “Gerais” que incluem territórios do Maranhão, Bahia, Piauí, Tocantins e Goiás.

É uma espécie ameaçada de extinção. Os principais fatores que levaram as araras-azuis a ameaça de extinção foram: 1) a captura ilegal para o comércio nacional e internacional de aves de estimação, que foi intensa até a década de 80 (ovos, filhotes, adultos); 2) a destruição do habitat; 3) a caça e coleta de penas para artesanato indígena (no Brasil está proibida desde 2005, sendo permitido apenas para cerimônias e outros usos dentro das reservas indígenas). A estes fatores, acrescentam-se populações pequenas, baixa taxa reprodutiva e especialização na dieta e no habitat.
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